terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Está a nascer uma “cidade de árvores” na área metropolitana de Manchester


Foto: City of Trees
Nos próximos 25 anos, um movimento urbano vai plantar três milhões de árvores na área metropolitana de Manchester, uma por cada homem, mulher e criança. Em pouco mais de um ano, o projecto “City of Trees” plantou mais de 94.000.
 Os promotores do movimento querem ainda recuperar 2.000 hectares de espaços verdes abandonados e aproximar as pessoas das árvores e bosques da sua cidade.
“Queremos envolver as pessoas com o seu ambiente natural, plantando árvores, gerindo áreas, compreendendo mais sobre os benefícios que as árvores e os bosques trazem à nossa sociedade”, explicou Tony Hothersall, director do movimento, à BBC News.
Segundo o “City of Trees”, as cidades precisam de árvores para melhorar a qualidade do ar, arrefecer temperaturas, reduzir o risco de inundações, armazenar carbono ou ainda para criar habitats para a vida selvagem. Por exemplo, um carvalho maduro pode albergar até 423 espécies diferentes de invertebrados. Além disso, as árvores são uma porta de entrada das crianças para a natureza e melhoram o bem-estar geral das comunidades.
Por exemplo, os responsáveis do movimento estão a trabalhar com investigadores da Universidade de Manchester numa experiência para descobrir como podem as árvores reduzir as inundações e o impacto das cheias.
O projecto é uma iniciativa do Oglesby Charitable Trust e do Community Forest Trust que foi lançada em Novembro de 2015. Até agora já estão plantadas 94.380 árvores e 30 pomares e estão a ser recuperados 223 hectares de bosques urbanos. A iniciativa já envolveu um total de 7.279 pessoas.
Segundo Tony Hothersall, o projecto quer levar árvores a vários locais, desde bosques abandonados, a corredores entre áreas verdes, a zonas desarborizadas e ainda a ruas e jardins privados. “Trata-se mesmo de plantar árvores onde quer que seja apropriado plantá-las”, resumiu. “O que é verdadeiramente importante é escolher a árvore certa para o lugar certo.”
Na base do movimento está a vontade de “aumentar a sensibilização dos cidadãos e decisores políticos sobre o papel das árvores na melhoria das cidades”. De momento, “a área metropolitana de Manchester regista um desenvolvimento urbanístico fantástico, mas o ambiente natural precisa acompanhar isso”, acrescentou.
Em Portugal há algumas cidades com projectos de reflorestação de árvores autóctones, como por exemplo a Área Metropolitana do Porto e o FUTURO – Projecto das 100.000 árvores. Nos cinco anos que leva o projecto foram plantadas 81.369 árvores e arbustos em 190 hectares de 15 municípios, como Arouca, Gondomar, Valongo, Trofa e Porto. Para o ano de 2016/2017, o projecto definiu como meta a plantação de mais 15.000 árvores e arbustos.
Também a Câmara Municipal de Lousada se comprometeu com esta missão e lançou o projecto Plantar Lousada, iniciativa que visa plantar, até ao final do Inverno de 2017, pelo menos, 10.000 árvores de espécies autóctones.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Isidro, defensor das florestas, abatido a tiro no México

Isidro Baldenegro. Fonte: APorrea

O activista ambiental mexicano Isidro Baldenegro, reconhecido pela sua luta contra o abate ilegal das florestas na Sierra Madre, foi baleado mortalmente, informaram as autoridades no dia 18 de Janeiro. Isto acontece cerca de um ano depois do assassinato de outra activista ambiental, Berta Cáceres, nas Honduras.

Isidro Baldenegro, 51 anos, era agricultor e líder do povo indígena Tarahumara, na região montanhosa de Sierra Madre, um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Em 2005 recebeu o prestigiado Goldman Prize pela sua luta em nome das florestas. “Passou grande parte da vida a defender as florestas antigas, de crescimento lento, do devastador abate de árvores numa região marcada pela violência, corrupção e tráfico de droga”, segundo um comunicado dos Goldman Prize.

Várias ameaças de morte já tinham obrigado Isidro a abandonar o estado de Chihuahua, segundo o jornal New York Times, citando Isela González, directora da Alianza Sierra Madre, organização que defende os direitos do povo Tarahumara.

Recentemente, Isidro regressou à região, mais concretamente a Coloradas de la Virgen, para visitar um tio. Na tarde de domingo, Romero Rubio Martínez, que estava na casa desse tio, puxou da arma e disparou seis tiros, tendo fugido de seguida, segundo o gabinete do Ministério Público de Chihuahua, citado por aquele jornal. Isidro morreu poucas horas depois.

Os motivos para este assassinato ainda não foram esclarecidos.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) já reagiu à notícia da morte de Isidro Baldenegro, dizendo estar “comovida e entristecida”. “Estamos consternados com estas insensatas mostras de violência sobre activistas ambientais que, por meios pacíficos, defendem a natureza”, comentou Inger Andersen, a directora-geral da UICN, o mais alto organismo internacional para a conservação. “Os activistas que dedicam as suas vidas a proteger pessoas e natureza devem receber protecção, não devem trabalhar num ambiente de violência e de medo”, acrescentou.

A organização lançou um apelo a “todos os Governos do mundo para que façam os possíveis para julgar todos aqueles que tenham como objectivo a violência contra activistas ambientais na América Latina e em outros países”.

Isidro é já o segundo galardoado dos prémios Goldman a ser assassinado. Em Março de 2016, Berta Cáceres, 45 anos, foi assassinada na sua própria casa nas Honduras.

Susan R. Gelman, presidente da Fundação Goldman Environmental Foundation, diz-se “profundamente afectada pela morte de Isidro Baldenegro”. “O seu trabalho incansável na organização de protestos pacíficos contra o abate ilegal de árvores na Sierra Madre ajudou a proteger as florestas, as terras e os direitos do seu povo”, comentou, em comunicado.

“Era destemido e uma fonte de inspiração para tantas pessoas que lutam para proteger o Ambiente e os direitos dos povos indígenas.”

sábado, 28 de janeiro de 2017

Digital Detox ou Desintoxicação Digital


Os argumentos em favor desta desintoxicação já foram enumerados até à exaustão: estamos a perder a capacidade de concentração; substituímos leituras longas e profundas por vídeos curtos e inúteis; editamos cuidadosamente as nossas vidas para consumo nas redes sociais; opinamos sem conhecimento; ignoramos quem está à nossa frente para ver no telemóvel fotografias publicadas por estranhos. Em última instância, segue esta linha de argumentação (ocasionalmente salpicada com conclusões de estudos académicos), uma vida demasiado ligada à Internet desliga-nos de nós próprios e de quem nos rodeia, e é, portanto, altura de desligarmos os aparelhos.

Há uma página na Wikipedia dedicada ao tema e (inevitavelmente) listas várias sobre como largar as nefastas tecnologias.

Este texto no Guardian , um dos muitos do género, apela aos leitores para que em 2017 se afastem dos telemóveis, ganhando assim tempo precioso:  “Embora os media sociais possam ser vagamente divertidos e não haja nada de errado em enviar mensagens aos nossos amigos, usar um pequeno computador para retirar tempo a nós próprios não é a solução para nada. Nenhuma aplicação social ou de chat nos vai fazer sentir melhor sobre o nosso futuro ou nós próprios, e o nosso hábito de usá-las só torna Mark Zuckerberg e os seus amigos mais ricos.”

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Os “esquivos e míticos” lobos-ibéricos (e outros bichos) da Peneda-Gerês

O fotógrafo João Cosme, cujas imagens já foram publicadas em revistas como a "National Geographic", passou os últimos quatro anos à procura de fotografias únicas do lobo-ibérico no seu “habitat” natural: a serra da Peneda-Gerês. O livro “No Trilho do Lobo”, lançado em Dezembro, foi o resultado.
    



"Quando iniciei este projecto, sabia das enormes dificuldades que iria encontrar com um dos mamíferos mais esquivos e míticos da nossa fauna. Apesar de ser um grande desafio, sempre acreditei que seria possível."


"Foi um processo de superação e de auto-exigência que, em alguns casos, se verificou muito duro. Uma das dificuldades era conseguir imagens com diversidade que representassem toda a beleza inequívoca deste predador."


"Durante quatro anos visitei algumas regiões do país para trabalhar fotograficamente esta espécie. Foi necessário fazer um estudo prévio das deslocações e dos trilhos que a alcateia fazia com regularidade. Passei inúmeras horas de espera em abrigos camuflados e, muitas vezes, o clima rigoroso dificultava todo o processo."


"O trabalho de um fotógrafo de natureza parece algo fácil quando vimos o resultado final, mas engana-se quem pensa assim. Na maior parte das saídas de campo o resultado é negativo. Neste meu projecto, mais de 95% das saídas de campo são um fracasso, sem qualquer imagem da espécie alvo."



"Passados estes anos, considero-me um privilegiado por ter conseguido dezenas de imagens de lobos, quer de crias como de adultos, todas em estado selvagem, em Portugal. Procurei abordar vários temas, sempre com o cuidado de ter imagens com algum impacto."



"Achei necessário fazer uma abordagem não só com o protagonista deste livro, mas também com o que o rodeia, desde as suas presas ao habitat e outros seres vivos que coabitam no mesmo ambiente. Espero dar continuidade a este projecto, com outro conceito, onde o lobo será, mais uma vez, uma espécie fundamental a retratar."



"As criaturas selvagens e os espaços naturais representam a esperança de um planeta mais equilibrado."



"Através das imagens deste livro, espero que consiga passar uma mensagem de respeito para com os outros seres vivos e que, assim, ajude a sua conservação. Este é e será sempre o meu objetivo como fotógrafo de natureza e vida selvagem."

O livro "No trilho do lobo" editado pela Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI) tem textos dos biólogos Francisco Álvares, Carlos Fonseca e Gonçalo Brotas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Poema da Semana- Escuto na palavra a festa do silêncio, por António Ramos Rosa


Fotografia de Teresa Rosa

Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se... de ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.
Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.

Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.
Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

António Ramos Rosa, em Volante Verde, 1986

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Ciclovia- sítio das ciclovias, ecovias e ecopistas nacionais

Consulte aqui o sítio CicloVia.pt

Para quem já faz passeios de bicicleta ou para quem está a pensar, nos próximos tempos, comprar uma bicicleta para os fazer, fica aqui a ligação para o site das ciclovias, ecovias e ecopistas. Sabia que, segundo a ONU, a bicicleta é o veículo mais rápido e prático para percursos de até seis quilómetros de distância? Bons passeios em 2017!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Produção de copo de plástico gasta mais água do que lavar copo de vidro

Para se se fazer um copinho o plástico precisa ser derretido, colocado em uma forma e ir para o frigórico a -18ºC . Esse processo exige bastante água.
Garantem os produtores de copos de plástico que a maior parte dela é reutilizada. Mas, pelo menos, meio litro vai embora. A produção de copo descartável chega a consumir 500 ml de água, enquanto a lavagem feita na pia utiliza 400 ml, como estimou a Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFSP) Itapetininga.
A lavagem na máquina é ainda mais económica e gasta apenas 100 ml por copo de vidro, isto é, apenas 20% do que é gasto para se produzir um copinho plástico.
Os copos de plástico mais procurados do mercado têm capacidade para 200 ml de plástico e custa R$ 0,02. O de 300 ml, que custa R$ 0,04, tem o tamanho mais parecido com o copo de vidro utilizado em casa.
O copo de plástico mais firme, o cristal, custa R$ 0,16 centavos cada. Para quem está a passar pela falta de água para lavar louça (note-se que a crise hídrica de São Paulo está a durar perto de 16 meses!!) a compra do copo de plástico pode ser a solução do momento. A longo prazo, pode contribuir para prejudicar ainda mais o abastecimento.
Fonte (adaptado): Globo

sábado, 21 de janeiro de 2017

É preciso mudar a escola e isso é tarefa de todos

por Maria do Carmo Cruz
Dizer coisas que não agradam a todos é bom sinal, sei-o bem. E quando nos expomos a fazê-lo sabendo, de antemão, que não vamos mesmo agradar a muitos, temos que estar preparados para o que daí pode vir. Tenho quase 75 anos, já fiz, não fiz, disse e omiti muita coisa mas não quero ser cúmplice por omissão num assunto tão importante: é preciso mudar a Escola.

Sim, é preciso, mas, e perdoem-me os que já mudaram, a começar pelos professores. Mesmo os mais jovens aprenderam pela “antiga cartilha” e há uma tendência natural a manter as coisas. Depois, as editoras escolares, agora muito concentradas, encarregam-se de, através dos materiais que acompanham os manuais, tentar uniformizar estratégias e técnicas. E aquilo que só deveria servir como sugestão torna-se o modelo. Como se todas as turmas fossem um rebanho de iguais. E isto apesar de encontrar cada vez mais erros e estratégias pouco pedagógicas em manuais que por aí andam.

Muitos professores precisam de mudar e eu sei que o querem fazer, mas o seu tempo é curto para tantas tarefas. Mas por que se acomodam? Por que se sujeitam à exaustão, que não é só fruto do muito trabalho mas também da insatisfação que sentem relativamente a si próprios? Por que não tentam, pelo menos, chamar os pais para a sua luta, colocá-los a seu lado para exigir melhores condições para exercerem dignamente a sua importantíssima actividade? Porque, se foi possível conseguir tanta mobilização aquando do assunto escola pública versus escola privada, deverá ser possível mobilizar o país para o seu assunto mais importante, que é a Educação, isto é, o Futuro.

Termino com dois testemunhos que considero muito importantes. O primeiro, retirado da obra “Gramática escolar e (in)sucesso", da Doutora Ilídia Cabral e que é, como verão se lerem, “um dois em um”:
“O modelo escolar vigente, com a sua específica gramática, é um produto que se mantém inalterado desde a sua moderna origem, contemporâneo da revolução industrial e da consolidação da generalidade dos Estados europeus. Sucedendo a um modelo artesanal de ensino, a escola, tal como a concebemos, serve os propósitos da escolarização acelerada da mão-de-obra reclamada pela fábrica e exigida pela identidade dos estados-nação.
Escolarizar os camponeses segundo um padrão fabril de estandardização de tempos, espaços, sequências de trabalho, cumprimento de horários e valores próprios das cadeias de montagem e socializar os cidadãos numa ordem alfabetizada que permitisse a progressiva instauração de uma democracia representativa, foram os dois grandes desígnios da invenção da escola moderna. (…)
“O acesso massificado à educação foi acompanhado de uma correspondente subida dos níveis de reprovação e abandono escolar, precisamente porque a Escola não mudou estruturalmente e “continuou a servir o mesmo menu curricular, utilizando os mesmos utensílios metodológicos e a mesma linguagem de acção pedagógica que a tinham estruturado como uma instituição destinada a uma classe de público tendencialmente homogéneo e socialmente pré-selecionado” (M. C. Roldão, in Inovação, Currículo e Formação, pág.125).”

Retirei o segundo texto de uma carta da Dra. Maria João Peres, publicada no Facebook pela Católica Educação do Porto, a quem desde já peço desculpa pelo abuso:
“Gente, o que vai ser preciso acontecer para os professores perceberem que este modelo de escola não dá mais?! Que não são os miúdos que têm de se moldar a nós, mas nós a eles? Que o tempo não volta para trás - e acelera mais e mais e mais? Que estes miúdos nasceram e vivem num futuro que nós nunca sonhámos e para o qual temos de os preparar? Quando vamos parar de nos queixar deles nos acharem obsoletos quando efetivamente o somos e pouco ou nada fazemos para deixar de o ser?!”

O que não devemos, na minha opinião, é continuarmos a agir como se não tivéssemos culpas nenhumas porque “apenas fazemos aquilo que nos mandam”. Porque, e voltando à minha velha mania dos aforismos, “tão criminoso é o mandante como quem comete o crime”.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Pedido de desculpas aos animais

Pedido de desculpas aos animais, Rita Silva, 6 Janeiro 2017

Encontros Improváveis: Bernardo Santareno- Sparklehorse and Radiohead - Wish You Were Here


"Um escritor deve acreditar que o que está a fazer é o mais importante do mundo. E deve apegar-se a esta ilusão, ainda que saiba que não é verdade. "

Por mais que mostre textos que elogiam as virtudes da paz, citações sobre Paz e Amor à minha volta no meu mural, o feed-back crescente e cada vez mais frequentes são de gritos, silêncios, prepotência, cinismo, hipocrisia, divisão e egocentrismos. Excepto o abrigo da família e alguns amigos. Já é bom, mas muito insuficiente. Aos meus amigos distantes apelo que sejam diplomatas da paz, apontem soluções aos derrotistas e transmitam exemplos de esperança aos pessimistas, os conservadores e os reacionários que não acreditam no sucesso de Portugal e que não aprofundam a consciência ecocêntrica.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sim o glifosato é potencialmente cancerígeno

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mantém a sua posição de que o herbicida glifosato causa cancro em animais de laboratório, por muito que isso tenha desencadeado a ira da indústria. Na entrevista abaixo é apresentada resumidamente a forma como o processo foi conduzido e reforçada a validade da sua conclusão. Afinal, o glifosato é ou não perigoso?

Afinal, o glifosato é ou não perigoso? O Insiders convidou o investigador Kurt Straif, da Agência Internacional para a Investigação do Cancro em Lyon, que começou por nos falar das conclusões do estudo que conduziu recentemente.
Kurt Straif: A nossa avaliação consiste numa revisão de toda a literatura científica em torno do glifosato e foi levada a cabo pelos melhores especialistas nesse domínio. Nenhum deles tem um conflito de interesses que possa manchar a opinião dada. E a conclusão é, sim, o glifosato é potencialmente cancerígeno para os humanos. Há provas concretas nos testes efetuados em animais; no que diz respeito aos humanos, há evidências relativamente a uma população de agricultores, embora os resultados sejam mais limitados; e também existem provas sólidas nos estudos toxicológicos que revelam nocividade para os genes.
Sophie Claudet, euronews: Tendo em conta essas conclusões, porque é que não se interdita o glifosato?
KS: Esta revisão da literatura científica é completamente independente e conduz-nos a uma classificação que assenta nos elementos que conhecemos da substância e, sobretudo, os riscos em termos de cancro. Mas depois cabe às outras agências, sejam nacionais ou internacionais, como a Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU, a avaliação dos riscos, a tomada de decisões quanto ao grau de exposição ao produto – no domínio agrícola, alimentar ou cosmético – e a apresentação de conclusões.
euronews: No passado mês de maio, a FAO e a Organização Mundial de Saúde vieram atestar a ausência de riscos no uso do glifosato. O que é que mudou?
KS: O nosso parecer em termos de risco de cancro mantém-se. Nós somos o organismo que classifica as substâncias cancerígenas para a Organização para a Alimentação e Agricultura. Outro painel de peritos avaliou os limites diários de exposição na comida e definiu quais são as margens de segurança.
euronews: Mas em quem é que os agricultores, os consumidores em geral, as pessoas que frequentam os jardins públicos tratados com glifosato, devem acreditar?
KS: É importante realçar uma vez mais que o nosso parecer sobre o risco de cancro nos humanos provocado pelo glifosato mantém-se. Mas depois há outros pareceres baseados noutros contextos específicos. E sobre eles não me posso pronunciar.
euronews: Em maio, surgiram suspeitas de que alguns dos investigadores envolvidos nestes pareceres científicos teriam recebido subornos do grupo Monsanto, o principal produtor mundial de glifosato. Enquanto cientista, como é que olha para esta situação?
KS: É uma questão importante que necessita de ser escrutinada.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

21 de Janeiro, Manifestação- Dia Europeu de Acção pelo comércio justo e contra o CETA



Está em curso um processo político que ameaça os valores da democracia, dos direitos humanos e de uma economia próspera e sustentável.

Trata-se do processo de votação de um acordo de comércio internacional baseado num modelo jurídico da década de 70 do século XX, que coloca em causa a existência de empresas com impacto económico e social positivo junto das suas comunidades.

Aproxima-se o momento da votação no Parlamento Europeu do Acordo Económico Comercial Global, vulgo CETA, entre o Canadá e a União Europeia, agendado para o próximo mês de Fevereiro.
Negociado desde 2009 entre dois dos maiores blocos económicos mundiais, o CETA visa ser um modelo para o comércio internacional.

Um modelo que, pelas suas contradições internas e incompatibilidades claras com normas internacionais de Direitos Humanos e compromissos ambientais, já mereceu a clara oposição de vários actores sociais como por exemplo:
  1. Organismos das Nações Unidas
Os protestos da sociedade civil tiveram já um claro impacto na negociação do CETA, bem como de outros acordos baseados nas mesmas premissas ilegais.

Este é o momento do processo de votação do CETA mais sensível à mobilização civil.

Assim, no seguimento do sucesso da concretização da discussão, no passado dia 12 de Janeiro, da petição nº124/XIII, que demanda um debate profundo sobre o CETA, urge continuar com a mobilização e informação.

Com o já anunciado em Dezembro, o  próximo dia 21 de Janeiro será o Dia Europeu de Acção pelo comércio justo e contra o CETA.

Aliando-se a outras cidades europeias que se irão manifestar, várias cidades de Portugal demonstrarão a sua preocupação em relação ao impacto negativo do CETA para a economia local, saúde pública e emprego.

Considerando o impacto negativo do CETA no que toca à protecção ambiental e a decorrente facilitação da exploração de hidrocarbonetos, do cultivo e da venda de OGM, bem como o seu impacto económico negativo em Portugal (vide vídeo de Programa Biosfera sobre o CETA de 7 Janeiro 2017), vimos por este meio apelar à sociedade civil de Portugal que se mobilize.
Para Lisboa está já agendada uma concentração no Rossio, pelas 14h.

Em conjunto, a sociedade civil irá declarar o Rossio como Zona Livre de CETA, TTIP e TISA - a décima Zona Livre em Portugal!
Vamos fazer uma caçarolada contra o CETA, o irmão gémeo do TTIP (acordo comercial a ser negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos da América) e em defesa da Democracia e do Comércio Justo em Portugal.

Traga o seu tacho e colher de pau e junte-se a milhões de cidadãos que acreditam que é possível um outro modelo de comércio internacional, que coloque os Direitos Humanos, a Democracia e a Economia Sustentável acima de um hipotético lucro do CETA, já desmentido por muitos estudos de análise económica do CETA que se baseiam em modelos realistas das Nações Unidas.

Através de uma acção concertada conseguiremos rejeitar o CETA e o TTIP, tal como ocorreu no passado com a rejeição de iniciativas semelhantes como o Acordo Multilateral de Investimento da OCDE e o Acordo Comercial de Combate à Contrafacção(ACTA) , demonstrando neste percurso a possibilidade da obtenção de prosperidade económica e social através de modelos de comércio internacional mais justos.

A sociedade civil de Portugal não pode ficar de braços cruzados!

Saudações activistas,
Voluntários da Plataforma Não ao Tratado Transatlântico

                           

Juntos, por um comércio internacional mais justo!

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Fritjof Capra - A Teia da Vida



"Em última análise, a percepção da ecologia profunda é uma percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção do espírito humano é entendida como o modo de consciência na qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conectividade com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda. Não é, pois, de se surpreender o fato de que a nova visão emergente da realidade baseada na percepção ecológica profunda é consistente com a chamada filosofia perene das tradições espirituais, quer falemos a respeito da espiritualidade dos místicos cristãos, da dos budistas, ou da filosofia e cosmologia subjacentes às tradições nativas norte-americanas."



Saber mais sobre Fritjof Capra no BioTerra

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Gabriela Mistral- A Alegria de Servir

«Tal como "A Origem das Espécies" de Darwin e "O Gene Egoísta"
de Richard Dawkins, "Para lá das Palavras" tem a capacidade
de alterar a nossa relação com o mundo natural.»
[The New York Review of Books]
Toda a Natureza é um desejo de serviço....
Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales.

Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu;
Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu;
Onde haja um esforço que todos evitam, aceita-o tu.

Sê aquele que afasta a pedra do caminho,
O ódio dos corações e as dificuldades de um problema
Existe a alegria de ser são, e a alegria de ser justo,
Mas existe sobretudo, a formosa a imensa alegria de servir.
Como seria triste o mundo se tudo já estivesse feito,
Se não houvesse um roseiral que plantar, uma empresa que iniciar!
Que não te atraiam somente os trabalhos fáceis.

É tão belo fazer a tarefa a que outros se esquivam!
Mas não caias no erro de que só se conquistam méritos
Com os grandes trabalhos;
Há pequenos serviços que são imensos serviços:
Adornar a mesa, arrumar os bancos, espanar o pó.
Aquele é o que critica, este é o que destrói;
Sê tu o que serve.

O serviço não é tarefa só de seres inferiores.
Deus, que dá o fruto e a luz, serve.
Poder-se-ia chamá-lo assim: Aquele que serve
E Ele, que tem os olhos em nossas mãos, nos pergunta todo dia
“Serviste hoje? A quem? À árvore, a teu amigo, à tua mãe?”

sábado, 14 de janeiro de 2017

Declamações, Crónicas e polémicas de Feral Faun


"Nós estamos cientes que cada pedra, cada árvore, cada rio, cada animal, cada ser no universo não está apenas vivo, mas que estão mais vivos do que nós seres civilizados. Esta consciência não é apenas intelectual... Nós sentimos isso. Nós ouvimos as canções de amor dos rios e das montanhas e enxergamos as danças das árvores...
Sem a necessidade de consumir, temos tempo para aprender a dança da vida; temos tempo para nos tornarmos amantes das árvores, pedras e rios. Ou, mais ...precisamente, o tempo, para nós, passa a não existir e a dança torna-se as nossas vidas, nós aprenderemos a amar tudo o que vive..."

Do panfleto "Rants, Essays and Polemics of Feral Faun (Declamações, Crônicas e polêmicas de Feral Faun)" - Chaotic Endeavors, 1987.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Missão: ajudar o Planeta Terra em 2017

Para começar a ajudar o Planeta Terra devemos estar atentos às alterações climáticas e às suas consequências. Neste início de ano damos algumas dicas.

Adicionar legenda

Texto: José Alex Gandum, Instalador, 02/01/17

1 - Reciclar - Uma das melhores maneiras de ajudar o Planeta é reciclar tudo o que pudermos. E se possível reciclar da maneira correcta, separando não só os resíduos óbvios, como também o metal do plástico, por exemplo.

2 - Reutilizar - Preferir embalagens de vidro, pois são 100% recicláveis. Nas compras, andar prevenido com sacos (se possível, também eles recicláveis) e outros dispositivos de transporte que possam ser reutilizados.

3 - Reduzir o consumo de carne - A indústria da carne tem uma pegada muito grande na face da Terra, pois são necessárias grandes quantidades de água para produzir um quilo de carne, por exemplo. Não ingerir carne nalguns dias do mês é um enorme contributo para o ambiente.

4 - Reduzir o desperdício de alimentos - Supermercados e restaurantes são poços de desperdício de alimentos. Muitas vezes também em nossas casas de desperdiçam  coisas que podiam ser reaproveitadas. É possível fazer pressão social para que as grandes cadeias de hipermercados e os grandes restaurantes dirijam as suas sobras para a causa comum. Uma das maneiras de preservar alimentos é cozê-los, pois cozidos têm uma duração superior.

5 - Transportes - Tente mudar tanto quanto possível os seus hábitos de transporte: num país como Portugal é muito adequado trocar o automóvel por bicicleta, trotineta, patins, skate ou até andar a pé. Para distâncias maiores tente optar pelo transporte público, embora se saiba que este tipo de transporte nas grandes cidades não conhece os seus melhores dias. Se tem mesmo que usar o transporte particular, muitas vezes por causa da deslocalização de empresas e serviços, pondere trocar o seu carro de motor a combustão por um veículo eléctrico ou híbrido. Terá vantagens nisso a médio e a longo prazo. Tente ainda partilhar viagens quando for possível.

6 - Água - Lavar os dentes ou a louça com água corrente são coisas do passado. Cidadãos conscientes e preocupados com o ambiente já não o fazem. Ensine os filhos a terem cuidado com os gastos supérfluos de água. Reduza o tempo dos banhos e esteja atento às torneiras que ficam a pingar. A escassez água no futuro é um dos maiores desafios que a humanidade vai enfrentar.

7 - Política e ambiente - os políticos hoje terão que mostrar uma grande preocupação com o ambiente e a qualidade de vida das populações que votam neles próprios. Por isso, nas futuras eleições tente saber o que pensam os políticos em que costuma votar sobre o ambiente e em especial sobre os seus hábitos para preservar o Planeta.

8 - Compre localmente - Comprar aos agricultores locais tem muitas vantagens: geralmente os produtos chegam mais frescos às nossas cozinhas, o transporte dos produtos agrícolas é muito menor por isso a pegada ambiental é menor também, fomenta-se o emprego local e o apego das pessoas à terra. As embalagens tendem a ser mais simples, portanto, poupa-se muito em termos de emissões, pesticidas e até se controlam melhor os produtos de origem transgénicas.

9 - Por fim, seja parte da própria mudança. As redes sociais e a facilidade de comunicação actualmente são uma ajuda enorme para cada um estar atento e poder participar e dar um contributo à sociedade e à comunidade onde se insere: fazer menos lixo, comer melhor, ter hábitos de vida mais saudáveis são coisas boas para as pessoas e para o Planeta Terra.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Brian Eno - uma mensagem de esperança

De Brian Eno
2016/2017
"Há um consenso entre a maioria dos meus amigos, de que 2016 parece ter sido um ano terrível e o início de um longo declínio em algo que... nem sequer querem imaginar.

2016 foi realmente um ano bastante difícil, mas eu pergunto-me se é o fim - e não o começo - de um longo declínio. Ou pelo menos o começo do fim... porque eu acho que estamos em declínio há cerca de 40 anos, suportando um lento processo de descivilização, mas não estávamos a perceber realmente isto até agora. Lembro-me daquela coisa sobre a rã colocada numa panela de água de aquecimento lento ...

Este declínio inclui a transição do emprego seguro para o emprego precário, a destruição dos sindicatos e o encolhimento dos direitos dos trabalhadores, os contratos de hora zero, o desmantelamento do governo local, um serviço de saúde a desmoronar-se, as tabelas da liga, a estigmatização cada vez mais aceitável dos imigrantes, o nacionalismo precipitado e a concentração de preconceitos permitida pelos media sociais e pela Internet.

Este processo de descivilização surgiu de uma ideologia que ironizava da generosidade social e defendia uma espécie de egoísmo justo. (Thatcher: "A pobreza é um defeito de personalidade"; Ayn Rand: "O altruísmo é mau"). O ênfase no individualismo desenfreado teve dois efeitos: a criação de uma enorme quantidade de riqueza e a sua canalização em cada vez menos mãos. Neste momento, as 62 pessoas mais ricas do mundo são tão ricas quanto a restante população. A fantasia de Thatcher / Reagan de que toda esta riqueza "trickle down" enriquecia todos os outros, simplesmente não aconteceu. Na verdade, aconteceu o inverso: os salários reais da maioria das pessoas estão em declínio há pelo menos duas décadas, ao mesmo tempo em que suas perspectivas - e as perspectivas para seus filhos - aparecem cada vez mais fracas. Não é de admirar que as pessoas estejam zangadas e se afastem das soluções de negócio do costume do governo. Quando os governos prestam mais atenção a quem tem mais dinheiro, as imensas desigualdades de riqueza que assistimos atualmente tornam ridícula a ideia de democracia. Como George Monbiot disse: "A caneta pode ser mais poderosa do que a espada, mas a bolsa é mais poderosa do que a caneta".

No ano passado as pessoas começaram a acordar para isto. Muitas delas, na sua raiva, pegaram no Trump como a ideia mais parecida e bateram com ele na cabeça naquilo que está estabelecido. Mas esses foram apenas os despertares que mais se notaram, medievais. Enquanto isso, houve um movimento mais silencioso, mas igualmente poderoso: as pessoas estão a repensar o que a democracia significa, o que a sociedade significa e o que precisamos de fazer para colocá-la a funcionar novamente. As pessoas estão a pensar muito, e, o mais importante, a pensar juntas em voz alta. Acho que em 2016 passamos por uma desilusão em massa e finalmente percebemos que é a hora de saltar para fora da panela.

Este é o começo de algo grande. Que traz envolvimento: não apenas tweets e gostos, mas também ações sociais e políticas criativas e pensadas. Trata-se de perceber que algumas coisas que nós tomamos por adquirido - alguma aparência de verdade em relatórios, por exemplo - já não podem ser de graça. Se quisermos um bom relatório e uma boa análise, teremos que pagar por isso. Isso significa DINHEIRO: apoio financeiro direto para as publicações e sites que lutam para contar o lado não-corporativo, não-estabelecido da história. Da mesma forma, se queremos filhos felizes e criativos, precisamos de encarregarmo-nos da sua educação, não deixá-la aos ideólogos e aos que seguem o sistema. Se queremos a generosidade social, então temos de pagar os nossos impostos e livrar-nos dos nossos paraísos fiscais. E se quisermos políticos pensadores, devemos parar de apoiar meramente os carismáticos.

A desigualdade toca no coração de uma sociedade, cria distanciamento, ressentimento, inveja, suspeita, bullying, arrogância e insensibilidade. Se quisermos algum tipo de futuro decente, temos de nos afastar disso, e acho que estamos a começar a fazê-lo.
Há tanta coisa para fazer, tantas possibilidades. 2017 deve ser um ano surpreendente."
Brian Eno

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Programa de Rádio "Terra Mãe"


Em 1886 o País explodia de rádios clandestinas quee invadiram o espaço nacional com todo o género de temas e conteúdos. No grupo de tertúlias que habitualmente frequentava, uns no café Ceuta (onde falava mais de teatro, cinema), outros no Aviz (onde falávamos e trocávamos discos e músicas), no Estrela de Ouro (onde encontrava os activistas ambientais, na altura em crescimento) e finalmente convivia com um grupo mais "anarquista" que se reunia pomposamente no Majestic. Nesse grupo muito politizado, discutia-se muito de política, declamávamos poemas escritos uns dos outros - um dos membros era dono da livraria ETc- e vários assuntos relativos a artistas e pintores e pintoras vanguardistas). Desse grupo cresceu a ideia e concretizou-se que foi a da criação de uma estação de rádio ímpar, "louca" e absurda. Nasceu assim a Rádio Caos.


O meu programa chamava-se "Terra-Mãe" e nem será preciso estar aqui com muitas explanações quais seriam os objectivos principais. O título é por demais sugestivo: notícias, eventos, reflexões e entevistas, tudo à volta da promoção da Conservação da Natureza e a prática de soluções mais amigas do Ambiente. O primeiro dia e das cerca de 30 sessões que fiz. ainda me recordo da primeira vez. Correu muito bem. O fundo musical escolhida era excertos do álbum "Ambient 1: Music for Airports" de Brian Eno. A cada fala ou pergunta e resposta ou durante uma entrevista, interrompia o programa com uma música. A primeira música que toquei no Terra Mãe foi "Avatar" dos Dead Can Dance. A escolha não foi nada inocente e já era ecoprovocadora. Avatar vem do sânscrito Avatāra, que significa "Descida de Deus", ou simplesmente "Encarnação". No fundo qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra. Eu adoro a Ecologia Profunda e a Ecologia do Ser. E foi uma aventura espectacular que guardo como muito bons momentos da minha vida.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10% das borboletas diurnas Portuguesas ameaçadas de extinção

«Diria que 10% das espécies [de borboletas diurnas] estarão ameaçadas de extinção», afirmou à agência Lusa Eva Monteiro do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa.

A especialista defende serem necessários mais estudos de campo e a elaboração da lista vermelha dos invertebrados de Portugal, um documento que junta os grupos de animais existentes, por zona, e especifica o seu estado de conservação.

Eva Monteiro avançou que o Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (cE3c) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a Sociedade Portuguesa de Entomologia, o Instituto Português de Malacologia e o Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal estão disponíveis para colaborar com o Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF) e elaborar aquela lista vermelha.

Nos últimos anos, segundo a especialista, há muitos registos de dados conseguidos pelas observações das pessoas, que os divulgam na internet, e, em muitas espécies, esta participação tem contribuído para aumentar os pontos conhecidos.

O principal problema enfrentado pelas borboletas, segundo relatou, é a destruição dos habitats, com diferentes causas, como o abandono ou a mudança de utilização, por exemplo, de uma pradaria natural para um terreno agrícola ou florestal, o excesso de pastoreio, aos pesticidas ou às alterações climáticas.

As que estão em áreas montanhosas do país, como a serra de Montemuro ou a serra da Estrela, e que precisam de um clima mais frio e húmido, podem ressentir-se com as alterações climáticas.
Para as borboletas que habitam o sul, e preferem zonas mais ou menos húmidas, uma alteração da temperatura pode ser decisiva, e estas áreas «vão começar a desaparecer e a ser completamente secas».

Eva Monteiro referiu que, dos dois tipos de espécies, um é atlântico, no Minho e Trás-os-Montes, também existente na Europa, e o outro é típico do Mediterrâneo. Em Portugal, «não há qualquer espécie endémica».

O país tem 135 espécies de borboletas diurnas, as mais conhecidas, enquanto as nocturnas são 2.500.
Fonte: O Instalador

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Portugal na lista europeia de estaleiros de reciclagem de navios seguros para os trabalhadores e o ambiente


Texto: Ana Clara
A Comissão Europeia adoptou a primeira versão da lista europeia de estaleiros de reciclagem de navios, o que permitirá ajudar a garantir que os navios são reciclados em instalações seguras para os trabalhadores e para o ambiente.
Todos os navios que naveguem com um pavilhão da UE, ao abrigo do Regulamento relativo à reciclagem de navios, devem fazer uso de um estaleiro aprovado para a reciclagem de navios.
Em Portugal, o estaleiro Navalria, no Porto Comercial de Aveiro, apresenta estas condições, pelo que consta da lista.
Este estaleiro possui uma doca seca para desmontagem, descontaminação e desmantelamento com capacidade, num plano horizontal, de 700 toneladas e, num plano inclinado, com capacidade 900 toneladas.
A lista europeia pode ser consultada aqui.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Filhotes de Canário da Terra no seu ninho de bota (video encantador)

Occurred February 2, 2012 / Mato Grosso do Sul, Brazil
The species is "Canário Da Terra". The baby birds wait food from their mom in their boot nest.

Ocorreu em 2 de Fevereiro de 2012 / Mato Grosso do Sul, Brasil
A espécie é "Canário Da Terra". Os filhote  esperam pelo alimento da sua mãe no ninho de uma bota.



O Canário da Terra, cujo nome científico é Sicalis flaveola é uma espécie originária da América do Sul, sendo encontrado na Colômbia, Equador, Venezuela, Peru, Brasil e Argentina.
O seu nome popular deve-se ao belo e forte canto desta ave.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Anand Varma: Os primeiros 21 dias de vida de uma abelha



Uma pupa de abelha-obreira, Apis mellifera, alguns dias antes que esteja pronta para emergir como um adulto da colmeia, onde a tampa foi removida para fotografá-la.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Engenheiras utilizam escombros da guerra em Gaza para fazer tijolos que ajudam a reconstruir a região


Renascer das cinzas. É exatamente isso que as engenheiras Majd Mashharawi e Rawan Abddllaht estão a fazer na região de Gaza, na Palestina.
O cenário por lá não é nada bonito de se ver. Falta humanidade! O local anda às ruínas por conta dos conflitos políticos e religiosos. A guerra mata muita gente e deixa outras tantas completamente desabrigadas.

Segundo a ONU, já são mais de nove mil casas destruídas e outras tantas (cerca de 120 mil) danificadas. Mais: por conta dos conflitos, receber materiais de construção para reerguer a região fica praticamente impossível.

Então, por que não utilizar os próprios escombros (que um dia já foram edificações) para reconstruir Gaza? Essa é a proposta das duas engenheiras, que após muitos estudos e testes desenvolveram um tijolo suficientemente resistente feito com os restos de demolição.

Batizado de Greencake, ele é feito com pedaços de cimento e cinzas de carvão e promete devolver a esperança para muitas famílias palestinas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Cidade de Minas Gerais produz e distribui remédios naturais de graça para população

Cidade de MG produz e distribui remédios naturais de graça para população
Por , 08 out 2015
Tosse? Dor de garganta? Gases? Cólica? Enjoo? O uso de remédios naturais, feitos à base de ervas, para tratar problemas de saúde tem se popularizado cada vez mais no Brasil. A novidade da vez é uma Farmácia Verde mantida pelo próprio governo.

A iniciativa foi implantada pela prefeitura da cidade de Ipatinga, em Minas Gerais. Por lá, desde 1995, a população tem acesso gratuito a remédios naturais, produzidos no próprio município.

A Farmácia Verde fica localizada dentro do Viveiro Municipal, no bairro Jardim Panorama. O cultivo das plantas fitoterápicas fica a cargo da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, que encaminha as espécies para a Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela produção dos 22 remédios naturais distribuídos gratuitamente para a população, mediante receita médica.

O interesse dos cidadãos é grande! Apenas em 2014, 13 mil unidades de remédios fitoterápicos foram distribuídos de graça na Policlínica da cidade e, também, nas farmácias das Estações Municipais de Saúde.

E os benefícios da iniciativa não param por aí: a Farmácia Verde ainda doa 60 tipos diferentes de ervas frescas para a própria população poder produzir chás fitoterápicos em casa. Tem interesse no assunto? Confira 35 plantas medicinais para não tomar remédio toda hora.

A Farmácia Verde de Ipatinga já serve de modelo para outros municípios. Ia curtir ter uma iniciativa como essa na sua cidade?

Foto: Divulgação/Prefeitura de Ipatinga

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Parlamento Europeu publica Estudo sobre Efeitos da Alimentação e Agricultura Biológica na Saúde Humana

Estudo sugere que grávidas e crianças devem consumir biológico

O Centro de Serviços de Investigação do Parlamento Europeu realizou uma revisão de diferentes estudos na área da alimentação e agricultura biológica e os seus efeitos na saúde humana, com foco na questão da saúde pública. As conclusões políticas do estudo apontam para o aconselhamento a grávidas e crianças para o consumo de frutas e legumes biológicos, para a necessidade de maiores apoios à agricultura biológica, alimentação biológica e investigação na área, assim como para a necessidade de maior fiscalização.

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O estudo afirma ser já um dado científico que o público consumidor de produtos biológicos tem maior tendência a hábitos de vida saudáveis como um maior consumo de fruta, legumes e cereais integrais. Estes mesmos hábitos estão associados a uma diminuição da Diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. O estudo conclui também que estes padrões são também positivos do ponto de vista ambiental estando associados a uma menor libertação de gases de estufa e melhor uso da terra.

O facto de não serem usados químicos de síntese na alimentação biológica é certamente um fator de redução de ricos para a saúde humana. O estudo conclui com grande certeza que a exposição aos pesticidas é substancialmente reduzida assim como o risco de sofrer das doenças crónicas a eles associadas. Pode ler-se no relatório que “apesar dos pesticidas serem testados antes de irem para o mercado, há ainda falhas importantes que permanecem, como por exemplo as avaliações que continuam a ignorar os estudos que evidenciam os efeitos negativos dos pesticidas organofosforados no desenvolvimento cognitivo das crianças. Durante a gravidez e nos primeiros anos de vida é desaconselhado o consumo de pesticidas, mas, no entanto, é aconselhado o consumo de frutas e legumes.” Assim, uma das consequências políticas do estudo, sugeridas pelos investigadores, será a de aconselhar a alimentação biológica a grávidas e a crianças.

Outro dos aspetos focados nesta revisão é a qualidade do solo e das plantas na produção biológica. O solo apresenta menores níveis de azoto e o desenvolvimento das plantas é afetado de forma positiva. Verificaram-se quantidades ligeiramente superiores de polifenóis em alimentos biológicos, sendo estes compostos importantes para a prevenção de doenças crónicas em seres humanos. Os minerais e vitaminas têm algumas variações, mas não muito significativas. Os investigadores apontam para o facto de que há outras variáveis envolvidas no que diz respeito à composição nutricional das plantas, tais como: variedade, tipo de solo, clima, condições climáticas.

Um dos aspetos mais relevantes para os investigadores no que diz respeito à saúde pública é a quantidade de cádmio existente nos solos onde a produção é convencional. “O uso a longo prazo de fertilizantes minerais de fósforo contribuiu para o aumento do cádmio em solos agrícolas. Há indícios de que as culturas produzidas pela agricultura biológica, especificamente cereais, têm concentrações comparativamente baixas de cádmio.” O estudo afirma que “Isto é altamente relevante para a saúde humana porque a alimentação é a via de transmissão de cádmio em não-fumadores” e reforça a importância deste ponto na investigação, afirmado que “A exposição atual da população ao cádmio está próxima e, em alguns casos, acima, dos limites toleráveis. Experiências de longo prazo, com mais de 100 anos, indicam que as culturas de cereais fertilizadas com adubo mineral tendem a ter maior teor de cádmio em comparação com as culturas de cereais fertilizadas com estrume animal"

Também no consumo de produtos de origem animal há diferenças significativas: o leite biológico tem em média quantidades superiores de ómega 3, em cerca de 50%, assim como a carne e os ovos. Este fator deriva do facto da produção animal biológica ter como base a alimentação em pastagens ao ar livre e menos em rações compostas. Para os investigadores, bem mais relevante para a saúde pública, é o contributo do modo de produção animal convencional para o aumento da resistência das bactérias aos antibióticos, sendo que a produção animal biológica exclui por completo os antibióticos, mostrando-se mais favorável à saúde pública.

No momento em que se prepara uma nova legislação para a Agricultura Biológica na Europa, as conclusões políticas do estudo apontam para a importância de proporcionar maiores apoios à agricultura biológica, alimentação biológica e investigação na área, assim como para a necessidade de maior fiscalização. Os investigadores sugerem que a alimentação biológica (de frutas e legumes) deve ser a aconselhada durante a gravidez e na alimentação das crianças, que a diminuição do cádmio nos solos, a diminuição da exposição aos pesticidas e  diminuição do uso antibióticos em animais devem estar no topo das prioridades da saúde pública e a solução pode estar na agricultura biológica.
Tenha acesso ao relatório oficial aqui.

Fonte: Agrobio

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Um maravilhoso caso de resiliência e um mal conhecido tubarão das Arábias

Existem histórias de Espécies Lázaro em praticamente todos os filos do Reino animal e ao longo das próximas crónicas vamos conhecer algumas delas. Caminhando da água para os céus, começaremos com os peixes, onde duas espécies surpreenderam o mundo da ciência recentemente.

Oncorhynchus kawamurae 5 meses. Foto Wikicommons
A primeira história fala-nos de um pequeno peixe japonês da família do salmão, o Oncorhynchus kawamurae, localmente conhecido como kunimasu. Este peixe de 30 centímetros habitava o Lago de Tazawa, o lago mais profundo do Japão com quase 425 metros de profundidade e uma profundidade média de 280 metros.

O Lago Tazawa encontra-se numa caldeira vulcânica formada por uma erupção há cerca de 1.4 milhões de anos e não tem qualquer entrada ou saída de água. Em 1940 foi concluída a construção de uma hidroeléctrica que levou ao desvio de águas do rio Tama para o lago, águas estas que têm um carácter ácido devido às águas hidrotermais de Tamagawa.

A pressão acídica que já ocorria no lago devido à lixiviação agrícola e às fontes hidrotermais vulcânicas activas na região, foi intensificada pelo projecto hidroeléctrico e no final da década de 1940 o pH da água era já de 4,3.

Antes de 1940 houve diversas transferências de ovos deste peixe para outros lagos japoneses. No total cerca de 900.000 ovos foram colocados em perto de uma dezena de lagos nas prefeituras de Nagano, Yamanashi, Toyama e Shiga.

Apesar do esforço por garantir a sobrevivência deste salmonídeo, durante décadas a tentativa foi dada como um insucesso. Desde 1940 até 2010, durante 70 anos, nenhum exemplar deste peixe foi visto nos diversos lagos onde havia sido tentada a sua introdução. Considerado endémico do Lago Tazawa, o kunimasu foi desta forma dado como extinto.

Mas o seu renascimento acabou mesmo por acontecer. Em 2010 uma equipa de investigadores na qual participava a celebridade japonesa Sakana-Kun, um ictiologista que é mais conhecido por ser apresentador de televisão, descobriu 9 espécimes no Lago Sai (Saiko em japonês) entre Março e Abril. A descoberta foi uma surpresa não só por se tratar de um regresso do além, mas também por ter sido feita num lago com uma profundidade máxima de 72 metros.

O kunimasu era um peixe único do seu género por ter hábitos de reprodução profundos, entre os 15 e os 300 metros, sendo a profundidade mais comum entre os 150 e os 180 metros. O novo lar onde renasceu dos mortos tem metade da profundidade habitual para a desova desta espécie. No entanto a vida voltou a mostrar a sua enorme resiliência.

A segunda história transporta-nos dos lagos japoneses para as águas marinhas do Médio Oriente. Falaremos do Carcharhinus leiodon, um tubarão com pouco mais de 1 metro de comprimento.

Carcharhinus leiodon. Foto: Alec Moore, IUCN Shark Specialist Group

Em 1985, um ictiologista Neozelandês, Jack Garrick, descrevia uma nova espécie de Carcharhinus a partir de um exemplar conservado no Museu de História Natural de Viena. Este espécime com 75 centímetros havia sido capturado por Wilhelm Hein em 1902 no Golfo de Áden, próximo da cidade de Qishn no Este do Iémen.

Este género pertence à família Charcarhinidae, a família que incluí espécies tão conhecidas como o tubarão-tigre, o tubarão-azul ou o tubarão-touro. Quase todas as espécies desta família são vivíparas, ou seja, o desenvolvimento ocorre no interior da fêmea e os juvenis nascem já totalmente formados.

Visto que a espécie, embora capturada em 1902, só foi descrita em 1985, não havia como ter a certeza se estaria extinta ou não. Foi então considerada pela União Internacional para a Conservação da Natureza como Vulnerável, esperando obter mais dados num futuro próximo.

Mas foi preciso esperar por 2008 para que a espécie, para alguns já suspeita como extinta, fosse reencontrada numa pesquisa feita pela Sociedade de Conservação dos Tubarões (Shark Conservation Society).

A pesquisa levada a cabo pela referida sociedade foi a primeira pesquisa de elasmobrânquios no Golfo Pérsico, examinando as capturas comerciais de peixes no mês de Abril no Kuwait (2008), Catar (2009) e Abu Dhabi (2010).

Foi no Kuwait que o renascimento ocorreu, com 25 espécimes a aparecerem nas capturas analisadas. Destes, 6 foram analisados por Alec Moore e seus colegas numa publicação de 2011, tendo sido colocados no Museu de História Natural em Londres, totalizando 1 fêmea, 2 machos adultos e 3 machos juvenis, com comprimentos entre 67,3 e 123,6 cm e pesos entre 1,94 e 14,9 kg.

A ecologia da espécie é ainda mal conhecida e a sua distribuição poderá ser mais vasta do que outrora se imaginou. Com uma distância de cerca de 3.000 km entre o primeiro exemplar capturado ao largo do Iémen e estes novos em águas próximas ao Kuwait, é possível que a espécie esteja dispersa pelo Golfo Pérsico. No entanto, este tubarão pertence às ainda numerosas espécies sobre as quais a ciência tem muito mais para aprender do que aquilo que hoje já descobriu.