sexta-feira, 31 de março de 2017

Mudanças no próximo ano lectivo? Virtudes e Riscos do que aí vem.


"adequar o ensino às necessidades dos alunos no século XXI" (...) "O sucesso do projecto-piloto depende quase integralmente da capacidade de adaptação dos professores ao trabalho colaborativo (articulação entre colegas), à leccionação das matérias num contexto de transversalidade e, portanto, diferente daquele em que têm prática (inovação pedagógica), e à sobrecarga de horas de trabalho acrescidas de novos deveres de preparação de aulas temáticas."

Transição da competição "só porque sim" para cooperação!

Toda a reportagem no "Observador"

quinta-feira, 30 de março de 2017

Ecologia Profunda: Um Novo Paradigma

Arne Naess (Biografia aqui)
Crise de Percepção

À medida que o século se aproxima do fim, as preocupações com o meio ambiente adquirem suprema importância. Defrontamo-nos com toda uma série de problemas globais que estão danificando a biosfera e a vida humana de uma maneira alarmante, e que pode logo se tornar irreversível. Temos ampla documentação a respeito da extensão e da importância desses problemas.

Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos, o que significa que estão interligados e são interdependentes. Por exemplo, somente será possível estabilizar a população quando a pobreza for reduzida em âmbito mundial. A extinção de espécies animais e vegetais numa escala massiva continuará enquanto o Hemisfério Meridional estiver sob o fardo de enormes dívidas. A escassez dos recursos e a degradação do meio ambiente combinam-se com populações em rápida expansão, o que leva ao colapso das comunidades locais e à violência étnica e tribal que se tornou a característica mais importante da era pós-guerra fria.

Em última análise, esses problemas precisam ser vistos, exatamente, como diferentes facetas de uma única crise, que é, em grande medida, uma crise de percepção. Ela deriva do fato de que a maioria de nós, e em especial nossas grandes instituições sociais, concordam com os conceitos de uma visão de inundo obsoleta, uma percepção da realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo superpovoado e globalmente interligado.

Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. E, de fato, estamos agora no princípio dessa mudança fundamental de visão do mundo na ciência e na sociedade, uma mudança de paradigma tão radical como o foi a revolução copernicana. Porém, essa compreensão ainda não despontou entre a maioria dos nossos líderes políticos. O reconhecimento de que é necessária uma profunda mudança de percepção e de pensamento para garantir a nossa sobrevivência ainda não atingiu a maioria dos lideres das nossas corporações. Nem os administradores e os professores das nossas grandes universidades.

Nossos líderes não só deixam de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados; eles também se recusam a reconhecer como as suas assim chamadas soluções afetam as gerações futuras. A partir do ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções "sustentáveis". O conceito de sustentabilidade adquiriu importância-chave no movimento ecológico e é realmente fundamental. Lester Brown, do Worldwatch lnstitule, deu uma definição simples, clara e bela: "Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras." Este, em resumo, é o grande desafio do nosso tempo: criar comunidades sustentáveis — isto é. ambientes sociais e culturais onde podemos satisfazer as nossa necessidades e aspirações sem diminuir as chances das gerações futuras.

A Mudança de Paradigma

Na minha vida de físico, meu principal interesse tem sido a dramática mudança de concepções e de idéias que ocorreu na física durante as três primeiras décadas deste século, e ainda está sendo elaborada em nossas atuais teorias da matéria. As novas concepções da física têm gerado uma profunda mudança em nossas visões de mundo; da visão de mundo mecanicista de Descartes e de Newton para uma visão holística, ecológica.

A nova visão da realidade não era, em absoluto, fácil de ser aceita pelos físicos no começo do século. A exploração dos mundos atômico e subatômico colocou-os em contato com uma realidade estranha e inesperada. Em seus esforços para apreender essa nova realidade, os cientistas ficaram dolorosamente conscientes de que suas concepções básicas, sua linguagem e todo o seu modo de pensar eram inadequados para descrever os fenômenos atômicos. Seus problemas não eram meramente intelectuais, mas alcançavam as proporções de uma intensa crise emocional e, poder-se-ia dizer, até mesmo existencial. Eles precisaram de um longo tempo para superar essa crise, mas, no fim, foram recompensados por profundas introvisões sobre a natureza da matéria e de sua relação com a mente humana.

As dramáticas mudanças de pensamento que ocorreram na física no principio deste século têm sido amplamente discutidas por físicos e filósofos durante mais de cinqüenta anos. Elas levaram Thomas Kuhn à noção de um "paradigma" científico, definido como "uma constelação de realizações — concepções, valores, técnicas, etc. — compartilhada por uma comunidade científica e utilizada por essa comunidade para definir problemas e soluções legítimos". Mudanças de paradigmas, de acordo com Kuhn, ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas e revolucionárias denominadas "mudanças de paradigma".

Hoje, vinte e cinco anos depois da análise de Kuhn, reconhecemos a mudança de paradigma em física como pane integral de uma transformação cultural muito mais ampla. A crise intelectual dos físicos quânticos na década de 20 espelha-se hoje numa crise cultural semelhante, porém muito mais ampla. Consequentemente, o que estamos vendo é uma mudança de paradigmas que está ocorrendo não apenas no âmbito da ciência, mas também na arena social, em proporções ainda mais amplas.5 Para analisar essa transformação cultural, generalizei a definição de Kuhn de um paradigma científico até obter um paradigma social, que defino como "uma constelação de concepções, de valores, de percepções e de práticas compartilhados por uma comunidade, que dá forma a urna visão particular da realidade, a qual constitui a base da maneira como a comunidade se organiza".

O paradigma que está agora retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante as quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o restante do mundo. Esse paradigma consiste em várias idéias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e — por fim, mas não menos importante — a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições.

Ecologia Profunda

O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo "ecológica" for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos).

Os dois termos, "holísticos" e "ecológico", diferem ligeiramente em seus significados, e parece que "holístico" é uni pouco menos apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística, digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como uni todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social — de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como seu uso afeta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ela é usada, e assim por diante. Essa distinção entre "holístico" e "ecológico" é ainda mais importante quando falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais.

O sentido em que eu uso o termo "ecológico" está associado com uma escola filosófica específica e, além disso, com um movimento popular global conhecido corno "ecologia profunda", que está, rapidamente, adquirindo proeminência. A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início da década de ‘70, com sua distinção entre "ecologia rasa" e "ecologia profunda". Esta distinção é hoje amplamente aceita como um termo muito útil para se referir a uma das principais divisões dentro do pensamento ambientalista contemporâneo.

A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de "uso", à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos — ou qualquer outra coisa — do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma coleção de objetos isolados, mas como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco de todos os seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida.

Em última análise, a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendida como o modo de consciência no qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexidade, com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda. Não é, pois, de se surpreender o fato de que a nova visão emergente da realidade baseada na percepção ecológica profunda é consistente com a chamada filosofia perene das tradições espirituais, quer falemos a respeito da espiritualidade dos místicos cristãos, da dos budistas, ou da filosofia e cosmologia subjacentes às tradições nativas norte-americanas.

Há outro modo pelo qual Arne Naess caracterizou a ecologia profunda. "A essência da ecologia profunda", diz ele, "consiste em formular questões mais profundas." É também essa a essência de uma mudança de paradigma. Precisamos estar preparados para questionar cada aspecto isolado do velho paradigma. Eventualmente, não precisaremos nos desfazer de tudo, mas antes de sabermos isso, devemos estar dispostos a questionar tudo. Portanto, a ecologia profunda faz perguntas profundas a respeito dos próprios fundamentos da nossa visão de mundo e do nosso modo de vida modernos, científicos, industriais, orientados para o crescimento e materialistas. Ela questiona todo esse paradigma com base numa perspectiva ecológica: a partir da perspectiva de nossos relacionamentos uns com os outros, com as gerações futuras e com a teia da vida da qual somos parte.

Ética

Toda a questão dos valores é fundamental para a ecologia profunda; é, de fato, sua característica definidora central. Enquanto que o velho paradigma está baseado em valores antropocêntricos (centralizados no ser humano), a ecologia profunda está alicerçada em valores ecocêntricos (centralizados na Terra). É uma visão de mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana. Todos os seres vivos são membros de comunidades ecológicas ligadas umas às outras numa rede de interdependências. Quando essa percepção ecológica profunda torna-se parte de nossa consciência cotidiana, emerge um sistema de ética radicalmente novo.

Essa ética ecológica profunda é urgentemente necessária nos dias de hoje, e especialmente na ciência, uma vez que a maior parte daquilo que os cientistas fazem não atua no sentido de promover a vida nem de preservar a vida, mas sim no sentido de destruir a vida. Com os físicos projetando sistemas de armamentos que ameaçam eliminar a vida do planeta, com os químicos contaminando o meio ambiente global, com os biólogos pondo à solta tipos novos e desconhecidos de microorganismos sem saber as conseqüências, com psicólogos e outros cientistas torturando animais em nome do progresso científico — com todas essas atividades em andamento, parece da máxima urgência introduzir padrões "ecoéticos" na ciência.

Geralmente, não se reconhece que os valores não são periféricos à ciência e à tecnologia, mas constituem sua própria base e força motriz. Durante a revolução científica no século XVII, os valores eram separados dos fatos, e desde essa época tendemos a acreditar que os fatos científicos são independentes daquilo que fazemos, e são, portanto, independentes dos nossos valores. Na realidade, os fatos científicos emergem de toda uma constelação de percepções, valores e ações humanas — em uma palavra, emergem de um paradigma — dos quais não podem ser separados. Embora grande parte das pesquisas detalhadas possa não depender explicitamente do sistema de valores do cientista, o paradigma mais amplo, em cujo âmbito essa pesquisa é desenvolvida, nunca será livre de valores. Portanto, os cientistas são responsáveis pelas suas pesquisas não apenas intelectual, mas também moralmente. Dentro do contexto da ecologia profunda, a visão segundo a qual esses valores são inerentes a toda a natureza viva está alicerçada na experiência profunda, ecológica ou espiritual, de que a natureza e o eu são um só. Essa expansão do eu até a identificação com a natureza é a instrução básica da ecologia profunda, como Arne Naess claramente reconhece:

"O cuidado flui naturalmente se o "eu" é ampliado e aprofundado de modo que a proteção da Natureza livre seja sentida e concebida como proteção de nós mesmos... Assim como não precisamos de nenhuma moralidade para nos fazer respirar... [da mesma forma] se o seu "eu", no sentido amplo dessa palavra, abraça uma outro ser, você não precisa de advertências morais para demonstrar cuidado e afeição... você o faz por si mesmo, sem sentir nenhuma pressão moral para fazê-lo... Se a realidade é como é experimentada pelo eu ecológico, nosso comportamento, de maneira natural e bela, segue normas de estrita ética ambientalista.

O que isto implica é o fato de que o vínculo entre uma percepção ecológica do mundo e o comportamento correspondente não é uma conexão lógica, mas psicológica. A lógica não nos persuade de que deveríamos viver respeitando certas normas, uma vez que somos parte integral da teia da vida. No entanto, se temos a percepção, ou a experiência, ecológica profunda de sermos parte da teia da vida, então estaremos (em oposição a deveríamos estar) inclinados a cuidar de toda a natureza viva. De fato, mal podemos deixar de responder dessa maneira.

Mudança da Física para as Ciências da Vida

Chamando a nova visão emergente da realidade de "ecológica" no sentido da ecologia profunda, enfatizamos que a vida se encontra em seu próprio cerne. Este é um ponto importante para a ciência, pois, no velho paradigma, a física foi o modelo e a fonte de metáforas para todas as outras ciências. "Toda a filosofia é como uma árvore" escreveu Descartes. "As raízes são a metafísica, o tronco é a física e os ramos são todas as outras ciências”.

A ecologia profunda superou essa metáfora cartesiana. Mesmo que a mudança de paradigma em física ainda seja de especial interesse porque foi a primeira a ocorrer na ciência moderna, a física perdeu o seu papel como a ciência que fornece a descrição mais fundamental da realidade. Entretanto, hoje, isto ainda não é geralmente reconhecido. Cientistas, bem como não-cientistas, freqüentemente retêm a crença popular segundo a qual "se você quer realmente saber a explicação última, terá de perguntar a um físico", o que é claramente uma falácia cartesiana. Hoje, a mudança de paradigma na ciência, em seu nível mais profundo, implica uma mudança da física para as ciências da vida.

Trechos retirados de "A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos", Capra, F. 1996. São Paulo: Cultrix, p. 23-29.

quarta-feira, 29 de março de 2017

terça-feira, 28 de março de 2017

Apenas 3 países europeus estão à altura do Acordo de Paris

Portugal em 7º em ranking sobre liderança climática
 Fonte: Quercus

cheiasFoi hoje publicado um novo ranking que revela que apenas três países europeus estão no caminho certo para cumprir os objetivos o acordo de Paris. A tabela de classificação climática analisa a posição de cada um dos Estados-membros em relação ao maior pacote legislativo da UE em matéria de clima, a chamada “Decisão relativa aos esforços partilhados” (Effort Sharing Decision – ESD, em inglês). A Suécia está no topo da lista, seguida pela Alemanha e a França. No fundo da tabela estão a Polónia, a Espanha e República Checa a fazer pressão para enfraquecer a proposta da Comissão, contrariando os esforços da Europa com vista ao cumprimento do Acordo de Paris. Portugal fica ainda assim bem posicionado no 7º lugar do ranking.

Abrangendo 60% do total das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) da Europa, o pacote legislativo estabelece metas nacionais vinculativas de redução para o período entre 2021-2030 nos setores não abrangidos pelo Regime de Comércio de Licenças de Emissão da UE (RCLE-UE), nomeadamente: transportes, edifícios, agricultura e resíduos. O ranking agora apresentado pela Carbon Market Watch e pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a Quercus é membro, permite que os cidadãos responsabilizem os seus governantes pelas posições assumidas relativamente à maior ferramenta da União Europeia para a implementação do Acordo de Paris.

Para Femke De Jong, Diretor de Políticas da UE na Carbon Market Watch, os autodesignados 'líderes climáticos' devem tomar uma posição forte, aumentando o nível de ambição e acabando de vez com as lacunas presentes nesta legislação chave para a ação climática da UE. Argumenta ainda que só com uma forte ação climática é que a legislação poderá beneficiar os cidadãos europeus, de forma a tirarem partido dos benefícios de uma sociedade descarbonizada.

Vários países estão a propor que o Sistema de Esforços Partilhados (ESR) seja apenas um grande esquema de contabilização de emissões, que tem como referência uma base enganadora, recorrendo abusivamente aos créditos florestais ou explorando o enorme excedente do RCLE.

A Quercus subscreve a posição defendida pela T&E, segundo a qual, nas palavras de Carlos Calvo Ambel, analista de transportes e energia, esta é a lei climática mais relevante para que a Europa consiga cumprir o Acordo de Paris. Infelizmente a maior parte dos países quer contornar a legislação e tirar partido das suas lacunas para que possam continuar como se nada fosse. Os exemplos da Suécia, Alemanha e França indicam o caminho correto a seguir, embora seja preciso ainda mais ambição para podermos continuar a acreditar na capacidade de liderança climática da UE.

A análise divulgada propõe ainda soluções para que os países estabeleçam uma posição mais firme e compatível com o estabelecido no Acordo de Paris.

O ranking consiste num sistema de pontuação baseado nos diferentes elementos constantes do Acordo, cuja ponderação depende da sua importância. A posição de cada país foi baseada em documentos públicos, declarações dos respetivos Ministros e ainda em documentação submetida ao Grupo de Trabalho de Ambiente.

Os Estados-membros da União Europeia encontram-se atualmente a negociar a sua posição conjunta quanto à Decisão relativa aos Esforços Partilhados (ESD). Uma vez alcançado um acordo, a discussão passará para o Parlamento Europeu, sendo expectável que o Regulamento final seja adotado no final de 2017.

A destacar do ranking:
  • A Suécia, com 67 pontos (de um total de 100), assume a liderança entre os países da UE. O país estabeleceu uma meta nacional para 2030 significativamente mais alta do que a meta definida no âmbito da decisão relativa aos esforços partilhados (ESD). Foi ainda anunciado que não irão usar as licenças do RCLE-UE para cobrir as emissões dos setores não abrangidos.
  • A Polónia, com apenas 2 pontos, encontra-se na última posição da lista. O país defende como ponto de partida um nível de emissões significativamente mais elevado em relação ao atual, de modo a que os países não tenham que desenvolver quaisquer esforços para reduzir as emissões até 2030. A Polónia defende ainda que as metas que lhe foram atribuídas para 2030 deveriam ser reduzidas.

E Portugal?
A Quercus considera positiva  a posição de Portugal que, com 38 pontos, ocupa o 7º lugar do ranking. Como pontos fracos é apontado o facto do país não defender limites para o uso do solo e para os créditos excedentes do RCLE e ainda não ter definido uma meta a longo prazo. Por outro lado, Portugal ganhou pontos por apoiar o reforço do ponto de partida proposto pela CE, alinhando-o pelas metas de 2020 para os países que se espera falharam as mesmas. É expectável, em todos os cenários, que Portugal tenha um grande excedente de emissões. Quanto mais forte a proposta relativa aos esforços partilhados, maior será o potencial para Portugal gerar receitas daí decorrentes. 

Por último, o ranking deixa algumas recomendações aos Estados-membros para uma efetiva liderança climática ao nível da EU:
  • Apoiar uma meta mais elevada para 2030 e um nível de ambição elevado para 2050 de forma a atingir os objetivos do Acordo de Paris;
  • Defender um ponto de partida que reflita o nível atual de emissões e que não recompense os países que fiquem aquém dos objetivos;
  • Exigir a eliminação da lacuna relacionada com o uso do solo que permite aos países recorrer aos créditos florestais não permanentes para poderem produzir emissões de gases com efeito de estufa (GEE) noutros setores;
  • Exigir a eliminação dos créditos excedentes do Regime de Comércio de Licenças de Emissão da UE (RCLE-UE), uma lacuna que compromete a ação climática nos setores não abrangidos;
  • Promover um sistema de governação mais efetivo que, antes de mais, garanta o cumprimento de objetivos anuais, ao invés da avaliação a cada cinco anos e eventuais sanções financeiras em caso de não cumprimento.

Nas próximas semanas, a ONG Fern irá apresentar outro ranking, no qual será analisada a posição de cada um dos países relativamente à Regulação do setor do uso do solo, da reafectação do solo e da silvicultura (vulgo LULUCF, da sigla em inglês).


Lisboa, 28 de março de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

Quarta 29: Sementes de Liberdade - Aquecimento para a Marcha contra a Monsanto


29 março quarta-feira às 18:00
Tertúlia em volta do filme Sementes de Liberdade 

Com a participação especial da investigadora agronómica Ana Pacheco, e de Margarida Silva, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

Na sede da Campo Aberto (Rua de Santa Catarina, 730-2.º andar, no Porto), entrada livre

Esta tertúlia abre caminho à Marcha contra a Monsanto, iniciativa internacional que há alguns anos é secundada no Porto e que este ano ocorrerá no sábado 20 de maio de tarde. Oportunamente serão divulgadas informações sobre a marcha.

Organizam:

Campo Aberto - associação de defesa do ambiente
Plataforma Transgénicos Fora
Porto Sem OGM

Espécies em extinção: conheça os animais em risco (40 diapositivos...)

Com a população animal a cair a uma preocupante média de 52% em quatro décadas, listamos nesta galeria alguns dos animais que podemos perder para sempre. Saba quais: Os pinguins estão numa situação de extremo risco pelas mudanças da temperatura do mar e pelo derreter do gelo polar, causados pelas mudanças climáticas. Entre 17 e 19 espécies de pinguins estão numa situação de grande ameaça de extinção, segundo o órgão internacional que faz este registo.
Tigre-de-Sumatra- População restante: menos de 400.

Fotogaleria completa aqui

sábado, 25 de março de 2017

Musica do Bioterra: The Chameleons- The Perfume Garden (official and John Peel sessions)

This is one of those songs I HAVE to listen to on a loop, in a dark room at night with the headphones on so I can lose myself for hours.




You can shake your hips
You can seal your lips
I can't make that trip
And all life's fears
Can invade my ears
I can handle it
I can laugh with a friend
And remember the faces
We wore at school
Making the madness
And solitary sadness
A friendly fool
I thought of stories
They told us long ago
Of how the world was a perfume garden
I haven't yet learned to tame the creature there
And that at least I think is something good
All across the town
And across the street
You could feel the heat
Let me tell you friend
They could hardly wait
To mark your sheet
It was maximum joy
For the men they employed
To hold you down
Well I hope now you know
That this isn't the bliss
That you thought you found
Endless emptiness
An endless ringing bell
I couldn't show you
But I hope to one day
Pretty promises to teach the tender child
To welcome madness every Monday
Beck and call
It didn't seem to matter at all
Beck and call
You told us how to conquer it all
Beck and call
These children have nothing at all
Listening hard
For the voice of the child
I thought I heard
An alarm bell ringing
Pulled from my sleep
By invisible hands
The distant sound of a lady singing

sexta-feira, 24 de março de 2017

Rio Whanganui tem personalidade jurídica

O rio Whanganui, na Nova Zelândia, foi dotado de personalidade jurídica, passando a ter, legalmente, os mesmos direitos que os seres humanos.

Rio Whanganui

O rio de Whanganui é um rio principal na ilha norte de Nova Zelândia. É o terceiro maior rio do país (com 290 km de extensão) e tem um estatuto especial devido à sua importância para o povo Maori da região.
Toda a notícia aqui

Obsolescência Programada no Programa Biosfera (2011)

Obsolescência programada trata-se de uma prática empresarial de reduzir deliberadamente a vida de um produto para aumentar seu consumo porque, como publicado em 1928, uma publicidade influente revista dos EUA " um artigo que não se desgasta é uma tragédia para os negócios"

quinta-feira, 23 de março de 2017

Breathelife - uma base de dados para acedermos níveis de contaminação atmosférica de 3 mil cidades.

REIVINDICA JUNTO do PRESIDENTE da TUA  CIDADE  para LIMPAR o AR da CIDADE.




A poluição do ar pode ser um problema ambiental que estamos todos familiarizados, mas os níveis continuam a subir,pelo que  agora é uma crise de saúde pública que requer uma acção urgente. A poluição do ar ceifa 6,5 milhões de vidas por ano e contribui significativamente para as alterações climáticas. As cidades podem rapidamente reduzir a poluição do ar através de medidas já comprovadas como a regulamentação das emissões dos veículos e a implantação de redes de soluções de trânsito rápido, mas os líderes só vão agir se eles sabem que esta questão é de vital importância para os seus cidadãos. Faz um apelo aos teus líderes para que a tua cidade se integre na rede Respira Vida (Breathe Life) e apoie soluções que limpem o nosso ar, protejam a nossa saúde e reduzam os efeitos do aquecimento global.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Não acredita em alterações climáticas? Veja as imagens do antes e do depois


No início do século XX, os glaciares do Árctico eram um dos fenómenos mais misteriosos e desconhecidos da natureza. Mas, cerca de 100 anos depois, o seu desaparecimento tornou-se a prova "visível" das alterações climáticas. Em 2002, o fotógrafo sueco Christian Åslund, que colabora com a organização ambientalista Greenpeace há quase 20 anos, decidiu procurar no arquivo do Instituto Polar Norueguês imagens dos glaciares registadas em inícios do séc. XX, no arquipélago norueguês Svalbard. Durante três semanas, Åslund recolheu várias fotografias e percorreu o Árctico num barco de forma a reproduzir as mesmas imagens, no mesmo lugar, um século depois.

Notícia completa  e as 14 fotografias aqui

terça-feira, 21 de março de 2017

Dois mamíferos que, afinal, não estavam extintos

O grupo onde nos inserimos, os mamíferos, está também ele repleto de histórias de renascimentos. Hoje procurei agrupar casos grandes e pequenos, aqueles onde a vulnerabilidade não surpreende aos que nunca imaginamos poder desaparecer.
 Voamos para longe da Europa, mas com uma intervenção fundamental dos europeus, para conhecer o percurso atribulado de um wallaby, um pequeno canguru, na sua longa viagem da abundância à extinção e, por fim, ao renascimento.
Em 1841, o ornitólogo inglês John Gould descrevia na sua monografia sobre a família Macropodidae (família dos cangurus) uma espécie de wallaby, o Onychogalea fraenata. Apesar de ser especialista em aves, aquando da sua estadia na Austrália para estudar a avifauna (onde entre centenas de aves descritas, mais de 300 eram novas para a ciência), Gould aproveitou para descrever outros animais, particularmente mamíferos.
Este pequeno macrópode – com cerca de 1 metro de comprimento, do qual metade é cauda, e entre 4 e 8 kg – faz parte de três espécies conhecidas que apresentam uma estrutura córnea, similar a uma unha, na ponta da cauda. Essa característica, juntamente com a linha branca em forma de freio no dorso, deram-lhe o nome comum de Bridle Nail-Tail Wallaby.

Desde a sua redescoberta que os estudos revelaram uma característica extremamente importante nesta espécie. O seu sistema imunitário aparenta ser bem mais resistente que o dos restantes marsupiais. De acordo com Lauren Young, imunologista de marsupiais da Central Queensland University, “estes wallabies parecem ser capazes de sobreviver a infecções parasíticas, vírus e diversas doenças mais rapidamente que outros marsupiais”.
Existem animais que criam no nosso imaginário a ideia de que são quase impossíveis de eliminar, associando normalmente a sua imagem à ideia de praga. Os ratos são sem dúvida um exemplo. Mas a verdade é que nem todos os pequenos roedores são tão resilientes assim.
Continuando na Austrália encontramos o Pseudomys novaehollandiae, um pequeno rato da família Muridae, a mesma onde se inserem a ratazana e o rato comuns nas nossas cidades.

A sua descrição foi feita por George Robert Waterhouse, um entomologista inglês que publicou em 1846-48 dois volumes sobre a história natural dos mamíferos, incidindo sobre os marsupiais e os roedores. O nome que lhe atribuiu deriva da designação de Nova Holanda que era dada pelos europeus à Austrália, nome que permaneceu corrente até meados de 1850.
Com apenas 6,5 a 9 cm de comprimento corporal e 8 a 10,5 cm de comprimento da cauda (sempre entre 10 e 15% maior que o corpo), este pequeno rato não mais foi visto. Até que em 1967, Geoff Spencer, funcionário do Serviço de Parques e Vida Selvagem de Nova Gales do Sul capturou um indivíduo no Parque Nacional de Ku-ring-Gai Chase, a Norte de Sidney.
O seu pequeno porte e o facto de ser nocturno não justificam totalmente a sua ausência por mais de 100 anos. De facto, este ratinho apresenta problemas a nível populacional, e estima-se que a sua população possa continuar a decair ao longo da próxima década.
Alimentando-se de sementes, folhas, fungos e alguns invertebrados, a sua alimentação depende muito dos padrões de pluviosidade anuais. Além disso a sua reprodução depende da disponibilidade de alimento. Na primeira reprodução as fêmeas só dão à luz uma cria, aumentando depois até um máximo de seis. Actualmente nenhuma população excede os 1.000 indivíduos.
A Austrália é rica em histórias de renascimento de mamíferos. A estes dois poderiam juntar-se mais algumas espécies. Gymnobelideus leadbeateri, que esteve mais de meio século desaparecido; Zyzomys pedunculatus, que foi considerado extinto por duas vezes (1990 e 1994) e reencontrado em 2001, com confirmação em 2013; Petaurus gracilis, perdido para a ciência desde 1883 a 1989; ou ainda o pequeno Potorous gilbertii – marsupial que se alimenta exclusivamente de fungos, o que não é coisa comum – que, depois de mais de um século desaparecido, acabou por ser reencontrado em 1994. Mas há histórias um pouco por todo o lado…

segunda-feira, 20 de março de 2017

A politica "não no meu quintal" continua

O Reino Unido exportou 67% dos resíduos de plástico que produziu em 2016.



O problema é ainda mais escandaloso pois esses resíduos de plástico poderão ter sido incinerados ou enterrados em vez de serem reciclados como diz a indústria. Greenpeace.

domingo, 19 de março de 2017

Música do BioTerra: Pixies- Tame

Quando uma música agita consciências e um grupo artístico expressa muito bem esse sentimento, é uma pérola. Igual a um menir da era moderna. Um teledisco a todos os níveis EXCELENTE.

Tame -Sinónimos/ Thesaurus synonyms
banal, blah, boring,dull, dull as dishwater, flat, flavorless, ho hum humdrum, insipid, milk-and-water, monotonous, nerdy, nothing, pabulum, sapless, tedious, unexciting, uninspiring, uninteresting, unstimulating, vanilla, vapid, waterish, watery, weak, wimpy, wishy-washy, zero

sexta-feira, 17 de março de 2017

Suiniculturas: poluição ainda sem fim à vista

Foto: Ricardo Graça.

    Ainda não há adjudicação e, muito menos, obra feita, mas a Estação de Tratamento dos Efluentes Suinícolas (ETES) do Lis, a construir em Amor, já custou mais de dois milhões de euros, admite David Neves, presidente da Recilis, empresa que detém 100% da Valoragudo, a entidade promotora da ETES. Há ainda a somar 2,5 milhões de euros investidos em duas ETARs, – Bidoeira e Raposeira –, inauguradas em 1994, e que nunca funcionaram em pleno porque as soluções técnicas revelaram ser obsoletas, o que implicava custos de exploração astronómicos, tendo, por isso, sido desativadas. A Recilis justifica o pedido de prorrogação do prazo de conclusão da obra com a necessidade de validar questões relacionadas com a viabilidade e sustentabilidade económica do projeto. Paulo Batista Santos, presidente da câmara da Batalha, não se convence e fala em «mais uma manobra dilatória» protagonizada por «quem não quer que a obra se faça» e ameaça recorrer às instâncias judiciais para apurar responsabilidades, acusando a Recilis de «não querer verdadeiramente resolver o problema». O presidente da Câmara da Batalha anunciou que irá solicitar uma reunião “urgente” da comissão de acompanhamento da ETES do Lis.» Jornal de Leiria 9mar2017.

    quinta-feira, 16 de março de 2017

    Dois mil livros gratuitos sobre bioconstrução e permacultura


    Fonte: Eco Casa Portuguesa

    A plataforma virtual Ideas Verdes disponibilizou uma biblioteca com mais de dois mil livros, artigos e documentos gratuitos sobre bioconstrução, permacultura, agroecologia e sustentabilidade. Assuntos que desde os anos 1990 vêm sendo discutidos na agenda global e que na última década ganharam ainda mais peso devido aos efeitos já sensíveis da mudança climática em diversas partes do mundo, a biblioteca gratuita, com títulos em espanhol e inglês, pode ser uma fonte bastante útil para arquitetos, planejadores e paisagistas.
    Em sua página oficial, a plataforma compilou uma lista resumida de títulos voltados ao estudo da permacultura, agroecologia e bioconstrução. Veja as sugestões a seguir: 

    PERMACULTURA E AGROECOLOGIA
    John Seymour – El Agricultor Autosuficiente
    John Seymour – La Vida En El Campo
    Fukuoka – La Revolucion De Una Brizna De Paja
    Fukuoka – La Senda Del Cultivo Natural
    Bill Mollison – Introduccion A La Permacultura
    Bill Mollison – La Parabola Del Pollo
    Bill Mollison – El Momento Mas Terrible Del Dia
    David Holmgren – La escencia de la permacultura
    David Holmgren – Dinero Vs Energía fósil
    Emilia Hazelip – Coleccion De Agricultura Sinergica
    Jairo Restrepo – ABC agricultura organica y harina de rocas
    Jairo Restrepo – Abonos Organicos Fermentados
    G.E. Xoriguer – Manual Practico para Construir Cajas Nidos
    Mariano Bueno – Como Hacer Un Buen Compost
    Josep Rosello – Como Obtener Tus Propias Semillas
    Jerome Goust – El Placer De Obtener Tus Semillas
    J. Fernandez-Pola – Cultivo De Plantas Medicinales Y Aromaticas

    BIOCONSTRUÇÃO
    Predes – Construccion De Vivienda En Adobe
    Gernot Minke – Manual De Construcción Con Paja
    Gernot Minke – Manual De Construccion En Tierra
    Gernot Minke – Techos Verdes
    Johan Van Lengen – Cantos Del Arquitecto Descalzo
    Johnny Salazar – Construyendo Con COB
    Elias Rosales Escalante – Manual De Tratamiento De Aguas Grises
    Bill Steen – La Casa De Fardos De Paja
    Lourdes Castillo Castillo – Sanitario Ecológico Seco
    Gustavo San Juan – Manual De Construccion De Calentador Solar De Agua
    Pedro M. Molina – Como Hacer Hornos De Barro
    Para acessar os mais de dois mil livros gratuitos para download clique aqui e navegue na biblioteca digital do Ideas Verdes.

    quarta-feira, 15 de março de 2017

    25 Dicas Para Uma Casa Mais Sustentável



    25 sugestões para “poupar na sua carteira” ao mesmo tempo que “poupa no ambiente”.

    1 - Prefira uma casa mais eficiente energeticamente

    A localização de um edifício é muito importante no que respeita às necessidades térmicas e consumo de energia. Destas necessidades resulta o Certificado Energético que é obrigatório apresentar para a venda ou arrendamento. Este apresenta um conjunto de informações atribuindo uma classificação A+ (mais eficiente) até F (menos eficiente) e é válido por 10 anos.

    2 - Prefira um local arejado e bem servido de transportes públicos

    Se lhe for possível habitar próximo do seu local de trabalho, desloque-se a pé. Far-lhe-á bem à saúde e contribuirá para um ambiente mais saudável.
    3 - Tire partido do Sol para aquecimento
    O Sol é a nossa maior fonte de energia. Pode usa-lo em seu benefício escolhendo uma casa maioritariamente orientada a Sul. Assim é possível controlar a radiação. Quando a deixamos incidir nas janelas de vidro, o espaço interior aquece de forma natural.

    4 - Impeça o sol de incidir nas janelas durante a estação de Verão

    Verifique se as janelas possuem uma protecção pelo lado exterior: uma pala, persiana ou até vegetação (de folha caduca no Inverno).

    5 - Controle as janelas orientadas a nascente (Este) e/ou poente (Oeste).

    Nestas orientações são obrigatoriamente necessárias proteções exteriores, pois é nestas orientações que o sol incide mais horizontalmente. É imperativo, durante a situação de Verão, correr estas persianas, protegendo o vidro, pela manhã a Nascente e ao final da tarde a Poente.

    6 - Reserve a orientação Norte a divisões que necessitem de poucas aberturas (ou mesmo nenhumas) para o exterior.

    Como W.C.s e arrumos. É nesta orientação que se originam grandes perdas térmicas através do vidro durante a estação fria.

    7 - A área de envidraçado de uma divisão não deve ultrapassar 15% da área de pavimento dessa divisão

    As fachadas envidraçadas originam grandes ganhos térmicos na estação quente e perdas térmicas muito consideráveis durante a estação fria, o que implica sistemas de climatização adicionais para corrigir este efeito.

    8 - Tire partido do Sol para iluminação

    Prefira divisões iluminadas naturalmente para minimizar a necessidade de iluminação artificial. Existem no mercado equipamentos de transporte de luz natural para divisões não iluminadas que canalizam a luz do exterior para o interior.

    9 - Opte por lâmpadas de baixo consumo

    Sempre que necessária a iluminação artificial prefira a localizada (só apenas onde é de facto necessária).

    10 - Prefira, sempre que possível, electrodomésticos de Classe A++

    São mais eficientes no que respeita ao consumo de energia e ao contrário do que se pensa não são necessariamente mais caros.

    11 - Verifique na Ficha Técnica da Habitação (FTH)

    Aqui é apresentado o tipo de construção. As soluções construtivas adotadas são determinantes para uma casa confortável do ponto de vista térmico e para evitar futuras obras de reparação. Deverá optar por soluções de parede exterior com isolamento pelo exterior da parede e se possível, opte pela instalação de vegetação no lado exterior da parede.

    12 - Prefira um material de isolamento com um baixo índice de condutibilidade térmica mas com baixo teor de energia incorporada

    O isolamento térmico se bem colocado evita perdas de calor no Inverno ou ganhos de calor no Verão, mantendo assim uma temperatura constante no interior de sua casa.

    13 - Verifique as caixilharias e o vidro

    Aquelas com corte térmico (são fabricadas de forma a promover uma redução da transmissão térmica entre 40% a 60%) e vidro duplo são as mais indicadas do ponto de vista de conservação de energia.

    14 - Dê especial importância aos materiais utilizados

    Prefira os recomendados pelo PCS. Na base de ecoprodutos poderá encontrar os materiais mais adequados, informando-o sobre o poder de reutilização ou reciclagem e ainda sobre o seu impacte ambiental.

    15 - É importante escolher materiais homologados e/ou com marcação CE

    Nos casos mais importantes, solicite os certificados de conformidade de acordo com as especificações aplicáveis, emitidos por entidades idóneas e acreditadas, seguindo as instruções dos fabricantes para a aplicação dos mesmos.

    16 - Verifique se a cobertura do edifício (terraço ou telhado), está adequadamente isolada

    Poderá fazê-lo através da FTH. Prefira, se possível, as coberturas verdes. Consulte as soluções construtivas recomendadas no PCS.

    17 - No pavimento em contacto com o solo, opte por isolantes térmicos imputrescíveis e resistentes à água

    Pode ainda optar por uma caixa-de-ar. Verifique ainda se possui impermeabilização para evitar perdas térmicas ou outras patologias associadas através do solo.

    18 - Promova durante a utilização, renovações do ar interior

    É muito importante para que se mantenham as condições de salubridade no interior nos edifícios. Uma casa insuficientemente ventilada poderá gerar humidade através dos vapores que se formam, afectando o conforto ou mesmo a saúde dos habitantes.

    19 - Atenção às cores utilizadas nas fachadas e coberturas

    Estas também influenciam o conforto térmico. Seja selectivo na escolha da cor de sua casa, considerando que, as cores claras não absorvem tanto o calor como as cores mais escuras.

    20 - Se possível instale equipamentos que promovem o consumo de energia renovável

    De entre os vários existentes no mercado destacam-se:
    1. painéis solares térmicos que captam a energia do Sol e a transformam calor;
    2. painéis solares fotovoltaicos que por meio do efeito fotovoltaico, a energia contida na luz do Sol é convertida em energia eléctrica;
    3. bombas de calor geotérmicas que aproveitam o calor do interior da Terra para o aquecimento do ambiente;
    4. mini-turbinas eólicas o vento aciona estes sistemas para fornecer eletricidade a uma microescala
    5. sistemas de aquecimento a biomassa que pressupõe o aproveitamento da matéria orgânica.


    21 - Poupe água

    Existem no mercado torneiras de regulação do fluxo de água, que permitem reduzir o caudal estimulando a poupança deste recurso. Se a casa que vai habitar não possui estas torneiras, existem peças acessórias redutoras de caudal.

    22 - Verifique se os autoclismos são providos de dispositivos de dupla descarga que induzem poupança de água

    Pode colocar uma garrafa de plástico, dentro do autoclismo para diminuir o consumo de água em cada descarga.

    23 - Se possível instale mini estações de tratamento de água ou mini cisternas de armazenamento de águas pluviais

    A água armazenada e/ou tratada pode ser usada em descargas não potáveis.

    24 - Verifique se no prédio existe espaço destinado a contentores adequados à separação de resíduos domésticos

    No caso de vir a habitar um edifício de vários condóminos.

    25 - Coloque em sua casa um depósito de separação de resíduos domésticos

    Pelo menos com três divisões para estimular a separação destes resíduos.

    Para terminar…

    se tiver oportunidade de reabilitar em vez de construir de novo, e se essa opção for economicamente viável, está desde logo a ter uma atitude mais sustentável.

    terça-feira, 14 de março de 2017

    Chip que devolve a capacidade de andar a pessoas paralisadas é inventado na Suíça

    Há pouco tempo, foi inventado um dispositivo que ajudará as pessoas com algum tipo de paralisia a voltar a andar. Nós, do Incrível.club, ficamos muito impressionados com esta invenção e achamos interessante divulgar detalhes sobre este dispositivo tão pequeno capaz de mudar o destino de tantas pessoas.
    A invenção se chama ’interface da medula’, e é um implante super pequeno que contém dois chips. A interface foi inventada por cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausana (EPFL), na Suíça. Eles conseguiram reestabelecer a habilidade de caminhar em macacos paralisados. Após duas semanas da lesão, eles já estavam correndo.

    Como funciona?

    Todos os movimentos são impulsos nervosos. Quando queremos nos levantar, nosso cérebro envia um sinal através da medula espinhal para os músculos e eles dão a ’ordem’ para que nos levantemos.
    A paralisia é o resultado de um trauma da medula espinhal e dos nervos. Isso não significa que os sinais não possam ser transmitidos do cérebro ao resto do corpo (por exemplo, as pernas). Quando mais alta for a lesão na coluna, maior a paralisia.   
    Na pesquisa com os macacos (que foi publicada na respeitada revista Nature), foi usado um dispositivo cuja interface contém dois chips. O primeiro fica na parte motora do cérebro, justamente onde são tomadas as decisões sobre o movimento.
    Nas pessoas com paralisia, o cérebro continua enviando sinais para os músculos, mas eles nunca chegam. É como se alguém tivesse cortado o cabo de eletricidade de uma televisão. O cabo ainda poderia transmitir a corrente elétrica, mas isso não acontece.
    O primeiro chip serve como receptor destes sinais. Em seguida, por meio de uma rede inalâmbrica os sinais são enviados ao segundo chip, localizado na área da lesão. Ou seja, onde o sinal não passa em função da lesão. O sinal de um chip ao outro passa através de um computador que o codifica e o envia aos nervos. Esta interface reestabelece o trabalho do sistema nervoso e a transmissão de um sinal nervoso, que permite o movimento.

    Os pesquisadores dizem que a nova invenção será muito mais barata que as usadas até hoje em dia. "Estamos esperando com muita ansiedade o momento em que possamos provar o nosso trabalho em milhares de pessoas que sofreram algum tipo de acidente que as tirou a capacidade de serem fisicamente ativas", dizem os cientistas da EPFL

    segunda-feira, 13 de março de 2017

    Mais de oito mil portugueses produzem luz para autoconsumo

    Fonte: Publico 20 de Fevereiro de 2017
    O que têm em comum o apartamento de um engenheiro electrotécnico em Carnaxide, a biblioteca municipal de Águeda, ou uma produtora de queijos de Loures? Quase nada, a não ser a produção de energia eléctrica para autoconsumo. Trocado por miúdos, em todos estes locais, foram (ou estão a ser) instalados painéis fotovoltaicos para produção de electricidade para consumo próprio ao abrigo do novo regime do autoconsumo introduzido pelo anterior Governo PSD-CDS e em vigor desde Janeiro de 2015.

    Foi este diploma que abriu a porta a que os consumidores pudessem tornar-se produtores, pondo a tónica na poupança, ou seja, na redução da factura da luz, e não na venda de electricidade à rede com tarifas administrativas (ainda que essa possibilidade continue a existir), como era obrigatório com as unidades de micro e minigeração, cujo enquadramento legal foi substituído pelo novo regime.
    Se em 2015 foram instaladas cerca de 3500 unidades de produção de electricidade para autoconsumo (UPAC), ao longo de 2016 este número subiu para 6067 instalações, aproximando-se agora das dez mil no conjunto dos dois anos, com uma potência instalada total de 50.393 kW, de acordo com os dados disponibilizados ao PÚBLICO pela Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).
    À semelhança do que ocorreu em 2015, no ano passado a grande maioria das instalações necessitou apenas de uma comunicação prévia à DGEG (através da plataforma digital SERUP) por se tratar de sistemas entre os 200 Watts a 1500 Watts e sem injecção na rede eléctrica, que variam entre um e seis painéis. Neste último caso, trata-se de um investimento que poderá rondar os três mil euros, tendo em conta que o preço dos painéis oscila entre 500 a 700 euros, mas que pode ficar muito mais caro, se a solução incluir uma bateria para armazenamento da energia.
    Em 2015 houve 3280 meras comunicações prévias, número que subiu para 5488 no ano passado. Por estarem em causa instalações dimensionadas para consumos pequenos, é possível concluir que a esmagadora maioria das quase 8700 comunicações prévias registadas nos dois anos primeiros anos do novo regime do autoconsumo (que no conjunto representam uma potência de 7022 kW) se refere a clientes residenciais.

    Poupanças até 50%

    As casas são alimentadas pelas UPAC quando a energia produzida é suficiente e pela rede pública quando a produção não chega. É que, ao contrário do que sucede nas empresas, em que o maior consumo se regista durante o dia, coincidindo com a produção solar, nas casas particulares os picos ocorrem logo cedo e ao final do dia. Dependendo do consumo e das soluções adoptadas, podem conseguir-se reduções de entre 20% a 50% na factura eléctrica, disse ao PÚBLICO o presidente da Apisolar — Associação Portuguesa da Indústria Solar, João Carvalho.
    Se os consumidores optarem por instalar um painel até 200 Watts, não têm sequer de o comunicar à DGEG, o que significa que ficam fora dos números oficiais.
    É o caso de Nuno Martins. Foi “a facilidade de não ter de realizar qualquer comunicação”, misturada com alguma “curiosidade profissional” e a possibilidade de “ficar com a consciência mais tranquila” por consumir electricidade de fonte renovável, que levou a que, no final do ano passado, este engenheiro electrotécnico aproveitasse a sua “varanda virada a sul” para instalar um painel no gradeamento.
    Com ele, Nuno Martins consegue compensar o consumo constante do ar condicionado, dos aparelhos em stand-by e, “em certas alturas, até do frigorífico”, com uma redução de dois euros/mês na factura.
    Embora reconheça que a instalação vertical (em vez da instalação horizontal, como num telhado) não permite retirar o rendimento máximo do painel (comprado em segunda mão, por “cerca de 300 euros”), pelas suas contas, “ao custo actual da energia, serão precisos entre seis a oito anos” para obter o retorno.
    Um tempo que considera “longo” e que o leva a dizer que estes sistemas “ainda são mais para curiosos”.

    Factor de competividade

    Para as empresas o tema vai muito além da curiosidade, garante João Carvalho. Mas se todas vêem com bons olhos a possibilidade de reduzir a factura eléctrica, muitas ainda “esbarram na falta de instrumentos” de financiamento.
    Nem todas têm capacidade para suportar investimentos que podem andar na casa dos 90 mil euros (para cerca de 100 kW) com retornos a seis ou sete anos, exemplifica. Calculando que existam cerca de 15 megawatts de capacidade instalada para autoconsumo no segmento empresarial (que no ano passado movimentou “entre 20 a 25 de milhões de euros”), o presidente da Apisolar diz que “o potencial de crescimento é muito grande”, mas são precisas “soluções de financiamento adequadas em prazo e em custo”.
    Como o retorno do investimento se mede “por aquilo que a empresa deixa de pagar e isso depende das tarifas que tem”, o presidente da Apisolar sublinha que é fundamental que a instalação esteja “bem dimensionada e alinhada com o perfil de consumo”. “O perfil teórico ideal” para retirar o máximo retorno destes projectos seria “um consumo diurno, sete dias por semana”, porque a energia que não é consumida é vendida à rede por um preço inferior ao preço médio grossista, o que não é rentável.
    Uma vez que não é possível “apagar” o sol quando as fábricas estão fechadas (como ao fim-de-semana), as contas têm de ser bem feitas para que as empresas não acabem a perder dinheiro. Por isso, João Carvalho garante que o sector, “que é muito competitivo”, faz “uma aposta grande na formação” dos seus técnicos.
    Depois de um período de crise marcado pela descida das tarifas de venda à rede (que desincentivou o investimento de particulares e empresas) e pelo vazio legal que antecedeu a publicação do actual regime do autoconsumo, a indústria solar começou a reanimar-se em 2014, mas “ainda tem muito caminho para andar”, diz João Carvalho. “As empresas perceberam que estes são investimentos que já valem por si” e “não precisam de subsidiação”, mas sim de resposta adequada por parte da banca, insiste.
    O regime de autoconsumo prevê ainda a possibilidade de instalação de unidades de pequena produção (UPP) com potência de ligação à rede igual ou inferior a 250 kW, que vendem o total da produção com tarifas fixas conseguidas em leilão, mas que têm, segundo João Carvalho, “uma expressão muito pequena”.
    A Montiqueijo, fabricante de queijos do concelho de Loures, tem uma das licenças “mais antigas” do regime do autoconsumo (foi na inauguração desta UPAC que o antigo ministro da Energia Jorge Moreira da Silva veio assinalar oficialmente a nova legislação) e está a produzir desde o Verão de 2015.
    A empresa investiu cerca de 140 mil euros numa central com 460 painéis, com potência de 115 kW, “na fronteira entre o médio e o grande”, como adiantou ao PÚBLICO Maria João Rodrigues, consultora para a gestão de energia desta firma fundada em 1963. Contas feitas, a Montiqueijo conseguiu no ano passado reduzir a factura eléctrica em cerca de 20% e conta recuperar o investimento em sete anos.

    À espera das baterias

    Uma poupança anual de 30 mil euros é quanto espera o município de Águeda com a instalação de UPAC em 11 edifícios públicos, incluindo várias escolas, a biblioteca, o estádio municipal e uma incubadora de empresas, revelou ao PÚBLICO o director-geral da Sunenergy, Raul Santos. A empresa ganhou o concurso público de 145 mil euros lançado pela autarquia para a instalação de 540 painéis fotovoltaicos e “está neste momento a finalizar o projecto”. Recentemente, a Sunenergy também concluiu a instalação de 850 painéis no edifício-sede da distribuidora de medicamentos Plural, em Coimbra. A Plural não quis divulgar o valor do investimento, mas Raul Santos afirma que “o retorno é esperado em quatro a cinco anos”.
    A EDP Comercial, que lidera o mercado liberalizado da electricidade, com mais de quatro milhões de clientes, não tem descurado o interesse crescente dos portugueses no solar fotovoltaico para autoconsumo como estratégia de fidelização. A empresa tem vindo a apostar na oferta de soluções solares “chave na mão” para os seus clientes e diz que já instalou “mais de dez mil soluções solares, a que corresponde uma quota de 85% do total dos sistemas em operação”. Este é um número que, segundo a EDP, inclui sistemas instalados antes de 2015, ou seja, antes de ter entrado em vigor o novo regime do autoconsumo.
    A EDP Comercial dá aos clientes a possibilidade de instalação de sistemas solares com pagamento em 36 mensalidades para sistemas até seis painéis. Para “clientes típicos” com uma potência contratada de 6,9 kVA e com dois painéis, as mensalidades atingem 36 euros, mas podem chegar aos 64 euros com sistemas de quatro painéis e uma potência contratada de 10,5 kVA, exemplifica a empresa. Este segmento “continua a ser uma prioridade do grupo”, como adiantou fonte da EDP Comercial ao PÚBLICO.