segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A insustentabilidade da indústria petrolífera

Fonte: Futuro Limpo

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas promoveu no dia 18 de Outubro , a conferência "Produtos Petrolíferos e Sustentabilidade". Com a aparência, politicamente correcta, de proporcionar um confronto de pontos de vista, aparentando uma abertura ao debate, o que se pretende é fazer passar a ideia de que o negócio das petrolíferas é compatível com a sustentabilidade do Planeta. O que,como sabemos hoje, é falso.

“Sustentabilidade ambiental” é a capacidade de uma sociedade manter o consumo de recursos naturais sem pôr em causa as gerações futuras. “Sustentabilidade económica e social” é a capacidade dessa sociedade para suportar um certo nível de produção económica e de bem-estar social no mesmo horizonte temporal de longo alcance.

Ao longo dos últimos 30 anos a informação científica tem lançado o alarme: o consumo de combustíveis fósseis alterou gravemente o clima do Planeta e põe em causa a nossa sobrevivência na Terra: tudo indica que este ano virá a bater mais um recorde da temperatura média global sobre o de 2015; os últimos 20 anos, desde a assinatura do Protocolo de Quioto em 1997, demonstraram à exaustão que os combustíveis fósseis terão de desaparecer a ritmos mais ou menos acelerados, consoante o grau de ambição e responsabilidade política com que os países encararem a estabilização do clima do Planeta.

Por sua vez, o mundo económico e financeiro aponta elevadíssimos riscos de perda de valor para a indústria de combustíveis fósseis: em Julho de 2016, por exemplo, a Bloomberg apresentava um risco de perdas de 33 triliões de dólares, devido à limitação das emissões de gases com efeito de estufa, à competitividade crescente das renováveis e à inevitável quebra da procura dos seus produtos a curto-médio prazo. Com o objectivo de fornecer aos investidores informação sobre o risco dos seus investimentos, o Financial Times Stock Exchange passou a sistematizar um conjunto alargado de índices de capitalização, que cobre 98% do mercado mundial de capitais, dos quais excluiu as companhias associadas aos fósseis. Até os "mercados" já perceberam que é um enorme risco continuar a colocar dinheiro nos fósseis. O desinvestimento nos hidrocarbonetos é, por isso, um movimento crescente e, podemos mesmo dizer, imparável em todo o mundo: a família Rockefeller apontou “razões morais” para o fazer, e, muito recentemente, várias instituições católicas dos cinco continentes responderam ao apelo do Papa Francisco.  

Poderíamos ser tentados a pensar que se trata de iniciativas isoladas e sem impacto na economia real e nas nossas vidas, mas todas as dúvidas desaparecem com a ratificação massiva do Acordo de Paris por muitos governos do mundo, China e Estados Unidos inclusive, que entrará em vigor já no sobre a abalho apresentação apenas na narrativa do próprio recentemente da Alemanha, em banir o uso de automóvei no próximo dia 4 de Novembro. A descarbonização das economias do Planeta decorrerá nas próximas duas décadas, e uma coisa é certa: os produtos petrolíferos terão um papel cada vez mais diminuto, até desaparecerem. É uma questão de sobrevivência da espécie. Por isso, muitos países aceleram esta transição, com iniciativas parlamentares, como as da Holanda, Noruega e Alemanha, para banir o uso de automóveis a gasolina e gasóleo, a partir de 2025 ou 2030. 

Perante esta realidade, que sentido faz que, em Portugal, se pretenda iniciar um processo em contra-ciclo e, por isso, condenado à partida? O desespero parece ter-se apossado das petrolíferas perante a perspectiva de perder uns anos mais de exploração a todo o custo, beneficiando de autorizações legais irresponsáveis e sem ter em conta o interesse do país nem do Planeta. Isso explica que a APETRO tenha encomendado um trabalho sobre a "Importância da Indústria Petrolífera na Economia Portuguesa", que se foca apenas no passado recente, e mais grave ainda, sem qualquer referência a externalidades negativas ambientais, precisamente as que, no mundo actual, estão a determinar a mudança de paradigma do sector da energia! E é a mesma desesperada teimosia que a leva a organizar agora esta conferência, com um título que é, em si, um absurdo e uma afronta.

É altura de o sector petrolífero perceber, com clareza, que o mundo mudou e que os tempos são outros. A sociedade civil portuguesa já percebeu, como o provam as 42.000 respostas negativas à consulta pública promovida pela ministra do Mar para os furos de prospecção, as providências cautelares contra estes contratos apresentadas pelos autarcas algarvios e os movimentos de contestação que crescem todos os dias por todo o país. Não vale a pena branquear os produtos petrolíferos: pura e simplesmente, eles não são sustentáveis! Acabemos por isso com a teimosia em querer explorar petróleo e gás em território nacional, o que seria um elevadíssimo risco para as populações afectadas, para a economia, porque coloca em risco sectores vitais e de sucesso no nosso país, como o turismo e o surf, e até político, porque compromete a imagem que Portugal tem construído nos últimos anos como líder em renováveis.

António-Pedro Vasconcelos, Bruno Fialho, José Vítor Malheiros, Júlia Seixas, Lídia Jorge, Luísa Schmidt, Ricardo Paes Mamede, Rui Horta, Viriato Soromenho-Marques .

domingo, 30 de outubro de 2016

Animação: The Mantis Parable (A parábola do louva-a-deus), por Joshua Staub

The Mantis Parable was a labor of love, and was created entirely by me alone (story, visuals, animation, sound, and music) over an 18-month period in my spare time. - Josh Staub
Bela e tocante fábula sem entre uma borboleta e um louva-a-deus. Que nos remete para refletir um pouco sobre o que é "amar a Natureza".


A biofilia é o amor (philia) à natureza (bio). Este termo foi popularizado por Edward Osborne Wilson, num livro com o mesmo nome publicado pela Harvard University Press 1984. No seu livro, Wilson descreve a biofilia como uma tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas.

A biofilia de acordo com David Suzuki, no seu documentário Suzuki Speaks da Avanti Pictures, 2004, Canadá- diz que para sermos plenamente humanos temos que nos ligar a outras espécies, pois dependemos delas.

Timothy Beatley, enfatiza a conexão emocional do homem com a natureza e desenvolve a ética de conservação através de um complexo de regras de aprendizagem – somos mais generosos na presença da natureza.

Para saber mais
Entrevista ao autor (CG Society)

sábado, 29 de outubro de 2016

Pequeno Documentário: A Thousand Suns


O filme documentário "A Thousand Suns" conta a história do povo das 'terras altas' do Gamo, no Vale do Rift Africano, e da sua visão única do mundo. Eles vivem numa área que permaneceu isolada da civilização ocidental, encontrando-se notavelmente intacta tanto biológica como culturalmente há cerca de 10.000 anos. Trata-se de uma das regiões rurais mais densamente povoadas de África, onde as pessoas praticam ainda uma agricultura sustentável milenar. 


O filme evidencia duas ameaças inter-relacionadas para os Gamo: a substituição da espiritualidade e da governança ancestral pela igreja protestante, que possui aspirações de evangelização geral do povo com a sua visão antropocentrada; e a introdução no Continente das tecnologias americanas de produção alimentar, nomeadamente pela AGRA, com a utilização de OGM, pesticidas e fertilizantes. A insustentabilidade do mundo moderno que cria a ilusão da separatividade e do domínio do Homem sobre a Natureza em contraste com a visão harmoniosa de um mundo interconectado característico dos Gamo. 


Uma excelente reflexão sobre o modo como agimos no mundo...

Dossiês BioTerra relacionados

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ted Talk : Richard Wilkinson- Como a desiguladade económica prejudica as sociedades


Nós sentimos instintivamente que uma sociedade com enormes diferenças de rendimentos é o caminho errado. Richard Wilkinson coloca em gráficos dados concretos sobre a desigualdade económica e mostra o que piora quando ricos e pobres estão muito distantes: traz efeitos reais sobre a saúde, vida, e mesmo sobre valores tão fundamentais como a confiança.


Mais informações

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Descubra o que são estes buracos que os Persas fizeram no meio do deserto

Traçado de um qanat através do deserto. Fonte: Iagua
Quem é que nunca ouviu falar da civilização persa, uma cultura extremamente rica e influente? A verdade é que eles atraíram os melhores intelectuais da época, a fim de poderem florescer como uma nação, construindo cidades como Susa ou Persépolis.
Grande parte do seu sucesso foi devido à sua excelente gestão da água, tanto nas cidades como no campo. O império vivia sob altas temperaturas e um clima muito seco, por isso era essencial saber aproveitar as escassas chuvas.
Uma de suas melhores invenções foram os Qanat, uma infraestrutura subterrânea capaz de recolher e canalizar a água da chuva de aquíferos e vales, transportando-a para as cidades. Este sistema curioso foi nomeado Património Mundial pela UNESCO em Julho de 2016.
A técnica dos Qanats foi desenvolvida na Pérsia, no milénio I a.C. Essa maravilhosa invenção foi-se estendendo a outros países áridos como Marrocos, Argélia, Líbia, Médio Oriente e Afeganistão.
Primeiro, era escavado um poço principal numa colina, até ser encontrado um aquífero subterrâneo. Depois, um túnel horizontal era construído, desde o pé da colina até à fonte de água.
O túnel tinha uma tubagem e uma grande inclinação para transportar a água para o local desejado. Quanto maior o Qanat, menor era o seu declive.
Além do principal, os outros poços verticais eram construídos ao longo do Qanat. Estes garantiam a ventilação de água, assim como o seu controle e racionamento. Era também uma via de evacuação da terra, gerada ao esvaziar o túnel.
Graças a sua profundidade, o Qanat recolhia a água dos aquíferos e evitava a evaporação durante o transporte. Dentro desta infraestrutura, existem também áreas de descanso para os trabalhadores, tanques e moinhos de água.

Wikipedia
Sendo água filtrada pela terra, o fluxo era seguro e limpo, por isso era ideal tanto para beber como para rega.
No final do Qanat, havia um edifício que armazenava a água obtida, onde as pessoas também poderiam fazer suas próprias canalizações privadas.
Unesco
As cisternas públicas, chamadas Ab Anbar eram outro engenho maravilhoso. Elas tinham um sistema de captação de ar para manter a água fria no deserto.
O mais curioso de tudo é que este sistema antigo de gestão de água ainda continua em execução, e permite uma distribuição equitativa e sustentável da água.
Fonte: Histórias Com Valor

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Documentário: A Crise da Civilização (Legendado)



A Crise da Civilização é um documentário que investiga como as crises globais, como desastre ecológico, colapso financeiro, a diminuição das reservas de petróleo, o terrorismo e escassez de alimentos estão a convergir os sintomas de uma única falha do sistema global.
Tecendo filmagens e animações de arquivo, o cineasta Dean Puckett, o animador Lucca Benney e o analista de segurança internacional Dr. Nafeez Mosaddeq Ahmed - autor do livro  Guia do Usuário para a crise da civilização: E como salvá-la - oferecem um deslumbrante grito de alerta, provando que um 'outro mundo' não é apenas possível, mas está a caminho.
Como o livro no qual é baseado, o filme é composto por sete peças que exploram a dinâmica interconectada das crises globais como a Catástrofe climática; O Pico de energia; Pico dos Alimentos; Instabilidade económica; Terrorismo Internacional; E a tendência para a militarização - com uma secção final sobre o Mundo Pós-Pico.


O filme revela como a incapacidade de compreender o contexto sistémico destas crises, ligada à ideologia neoliberal, tem gerado uma tendência a lidar não com as suas causas estruturais profundas, mas apenas com os seus sintomas.
Isto levou à proliferação da guerra, terror, e o estado-terror, incluindo a invasão das liberdades civis, enquanto acelera a crise global, em vez de resolvê-la.
Nafeez argumenta que a solução real, é reconhecer a inevitabilidade da mudança civilizacional, e trabalhar em direção a uma transformação sistémica fundamental, baseado em formas mais participativas de vida, política, económica e cultural.

Página Oficial

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Livres pensadores, por Leo Tolstoi

Foto: Sepultura de Tolstói na Rússia

"Livres-pensadores são aqueles que estão dispostos a usar suas mentes sem preconceito e sem medo para entender as coisas que se chocam com seus próprios costumes, privilégios ou crenças"~ Tolstoi

Tudo sobre Leo Tolstoi
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Curta-Metragem da Semana: A Maior Lição do Mundo

Objectivos Globais da ONU, UNICEF Portugal


A Maior Lição do Mundo destina-se a dar a conhecer às crianças dos 8 aos 14 anos, de forma lúdica e interactiva, os novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável que foram adoptados pela Assembleia-Geral da ONU a 27 de Setembro de 2015.

Mais informações:
  1. Maior Lição Unicef
  2. Conheça os novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

domingo, 23 de outubro de 2016

Música do Bioterra: Juan de la Encina - Triste España sin ventura



"Triste Espanha sem sorte" é um Lamento à morte do príncipe Don Juan, em quem tantas esperanças tinha colocado o povo e os seus país, os Reis Católicos.


Com a Troika e o impasse nas eleições em Espanha e uma discriminação que sentimos em relação ao BCE é bom manifestar como nos lamentamos e estamos triste pela falta de reconhecimento do Norte e Centro da Europa do esforço presente e respeito da nossa gloriosa jangada de pedra. Fundadora de Pensadores Universais, como Fernando Pessoa, Cervantes, Camões e Lorca.

sábado, 22 de outubro de 2016

Do DDT ao Glifosato: Rachel Carson estamos a precisar de ti novamente


Os perigos do glifosato (Roundup) na nossa alimentação são claros e presentes (ver aqui uma compilação de 245 artigos científicos que descrevem os malefícios do glifosato sobre o ambiente, os animais e a saúde pública).
Porque razão a indústria e os governos não agem como deveriam? Assim como foi o caso nos anos 50 com o DDT e o tabaco, estamos à beira de danos desastrosos para a saúde em todo o mundo. Esta curta-metragem (num inglês muito acessível) começa a explicar porquê e o que ainda podemos fazer. (09:51)


Tudo sobre Rachel Carson no Bioterra


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

As florestas são garantia de água em 10 anos (análise de caso no Brasil)

Especialistas apontam acções para evitar falta de água

Se em cada dia for plantado meio hectare de árvores – o que equivale a meio campo de futebol –, por cem mil agricultores, em um ano teríamos uma bela floresta, com 50 mil hectares. Uma ação diária que pode evitar a falta de água nos próximos 10 anos.

O reflorestamento é uma das ações – de curto a longo prazo –, apontadas por especialistas, que precisam ser postas em prática para que o Estado do  Espírito Santo consiga reverter a situação de déficit hídrico que já levou várias cidades ao racionamento, inclusive Vitória.
Um dos passos mais importantes, ressalta Renato Moraes de Jesus, engenheiro florestal e doutor em Ecologia, é começar a plantar árvores: “E logo. Se fizermos isto, em dez anos teríamos 500 mil hectares de floresta. Um bom começo”.

Um córrego deu lugar ao Rio Santa Maria da Vitória, no distrito de Recreio. O manancial está sendo castigado pela escassez de água no interior do Estado. Fonte: Gazeta Online
Com cerca de dois anos as mudas vão ter de 2 a 3 metros e vão ajudar a acabar com a impermeabilização do solo. “A gota de chuva não cairá direto no solo, mas vai na folha, no tronco e chega ao solo numa velocidade menor, o que ajuda na infiltração. Não escorre, lavando o solo”, relata.
A prioridade seria para as matas ciliares - ao longo das margens dos rios e nascentes – e os topos de morro, que são as áreas de recarga. “Chove no Estado cerca de 1.200 milímetros por ano e 60% desta chuva seria absorvida pelo solo, se tivesse floresta”, pondera o engenheiro.

Desmatamento
É assim, que se começa a mudar as características do solo, relata. “O Espírito Santo já chegou a ter 90% de sua área coberta por florestas. Desmataram tudo e estamos vendo o resultado”, assinala o engenheiro, lembrando que em 2013 toda a água da enchente que assolou o Estado foi perdida.
Na avaliação dele os agricultores seriam os responsáveis pelo plantio. “Não chega a um dia de trabalho”, pontua Renato. Mas caberia ao governo o custo das mudas, dos insumos e da tecnologia. Mas a cidade também teria que pagar o preço. “Consomem o que não produzem e há um custo”, destaca.

Acções
Mas até que as florestas consigam mudar o atual cenário de escassez, é preciso aprender a conviver com pouca água. “A tarefa é aprender o uso racional. E pôr em prática algumas medidas importantes”, destaca Élio de Castro, presidente do Fórum Estadual dos Comitês de Bacias Hidrográficas. (Veja as ações aqui)

Há mudanças que começam no campo, com o uso de equipamentos mais eficientes para a irrigação, que economizem água. “Somos o segundo Estado que mais irriga no Brasil. E ainda estamos muito atrasados na tecnologia. Temos que utilizar, por exemplo, espécies (plantas) que sejam produtivas, mas que consumam menos água”, pondera.

Outras ações passam pela cidade, com o reaproveitamento da água da chuva, hoje toda ela descartada. E também nas indústrias, que precisam lançar mão do reúso de água. “É inconcebível a construção civil lançar mão de água tratada para fazer seus prédios”, destaca Castro. Ações que dependem de mudanças na legislação.

Outro ponto importante é a gestão plena dos comitês de bacias hidrográficas, os responsáveis por cuidar dos mananciais. E isto inclui a cobrança pelo uso da água, recursos que vão ajudar na recuperação dos rios. “A política nacional de recursos hídricos é de 1997. A estadual é de 1998. E nada foi feito até agora. Isto tem que mudar”, assinala Castro.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Criação, Uso e Destruição de Moedas Locais Alternativas

Com os euros no bolso cada vez mais escassos, em diversos bairros, vilas e mercados da Europa - e além - têm circulado moedas locais alternativas. São iniciativas que trazem boas perspectivas sobre formas de revitalizar economias locais socialmente fragilizadas, resgatando de volta para a comunidade a cultura participativa e as trocas solidárias.



Na Grécia, em Volos
Em Volos, no centro do país, a população juntou-se para criar a sua própria moeda, o Tem, que junta já mais de 800 participantes.
"São estruturas que têm tanto de sociais como de económicas. Fomentam a proximidade e o apoio mútuo", diz uma das fundadoras neste artigo do Guardian, no qual são apresentados mais detalhes sobre a TEM.

Em Espanha, nos Países Catalães e na Galiza há  várias moedas alternativas a funcionar:
"Umha delas é a moeda eletrónica RES, a imagem da Rede belga RES, que tem já 15 anos e 5.000 pequenos comércios a a utilizarem. Cada transaçom tem umha taxa de 3,4%, que é reinvestida em créditos sem juros aos comércios membros e ofertas para as compradoras, visando criar um sistema de fidelizaçom e confiança.
Mas também há moedas físicas, como o Ecoseny e a Eco, que à sua vez tenhem formato virtual. A Eco é gerida pola Xarxa Eco de Tarragona, e a Ecoseny pola EcoXarca Montseny. As duas usam o programa CES (Community Exchange System), que dá infraestrutura a umhas 180 experiências semelhantes em todo o mundo [e 73 comunidades em Espanha ] . O objetivo é chegar a criar umha rede de usuárias a nível nacional, com umha moeda única. De momento é usada em feiras de troca de produtos e serviços, e contam com comércios que as aceitam."

No bairro de Brixton, em plena metrópole londrina, circula o Brixton Pound desde 2009, com o objectivo de apoiar os os pequenos negócios do bairro, e de promover as trocas e as produções locais.  É uma moeda complementar à libra, que pode ser usada por lojas e comerciantes independentes e locais. Para além da moeda, os "brixtonites" juntaram-se também numa plataforma online que junta "fazedores" com compradores locais;  ajuda quem quer aprender a fazer coisas a encontrar cursos e workshops; assim como disponibiliza um espaço de partilha de informação e esclarecimentos com tudo o que tenha a ver com fazer coisas.

Uma experiência semelhante na Alemanha, levou o chiemgauer a tornar-se nos últimos anos a moeda alternativa melhor sucedida do mundo. "Num mundo obcecado com a especulação e a poupança, não há dúvida que o chiemgauer recordou aos alemães para que serve essencialmente o dinheiro: pagar a pessoas pelos seus produtos e serviços, e criar emprego."

Na cidade de Ithaca, no estado de Nova Iorque, existe há 20 anos a moeda local Ithaca Hours, que hoje conta já com $100,000 em circulação. 

O objectivo é o mesmo: ajudar a manter o dinheiro na comunidade, contribuindo para a construção da sua própria economia. Pelo caminho, são fomentadas as ligações entre as pessoas, o bem estar, resiliência, e confiança da comunidade

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Encontros Improváveis:José Saramago (2004) e José Afonso- De quem foi a traição? (1979)



"Aprendi neste ofício que os que mandam não só não se detêm diante do que nós chamamos absurdos, como se servem deles para entorpecer as consciências e aniquilar a razão."~ José Saramago in "Ensaio sobre a Lucidez"

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Documentário: Seeds of Permaculture - Tropical Permaculture (Legendado em Português)

One of the reasons for shooting this film is the global climate change. All around the world, as you know, places are experiencing odd weather events.
All around the world, whether you're in South America, in North America, in Europe, in Asia, people are experiencing weather patterns that are out of the norm.
So, one of the reasons that permaculture is getting so popular right now, growing faster than ever before, on an exponential curve of growth, is because our planet needs it. It's time for the important changes that permaculture has to give.
People are becoming less and less self-sufficient around the world, these local communities that were previously growing everything themselves and knew how to build their own houses out of natural materials are completely dependent on big foreign powers and import from other countries.
One of the challenges that permaculture has out in front of it is proving to the world that it can be a viable form of profitable agriculture. Through the development of a master plan for your site or your project, it's possible to really lay out enhancement strategies that make it more likely that you and your project can become profitable.
One of the most important aspects to the ecological farm is the making of compost, about improving the soil, and constantly bringing more organic matter and more life into the soil. The compost production process is actually really easy. It's accessible to anyone, it doesn't take expensive parts, and it doesn't take that much space. All you need are several simple ingredients, and those ingredients can come from any number of sources.
Ultimately with the master plan, what we're looking for is to achieve our holistic goals. We want the economics of the site to be in line, we want the ecology of the site to be continuously improving, and we want the personal needs of the residents there to be met.

Sitio oficial do filme
Seeds of Permaculture

Mais Informações
  1. Cidades em Transição: Os 12 passos da transição
  2. Dossiê Permacultura
  3. A Flor da Permacultura e Cultura de Transição

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza - o bom exemplo de Jhuma

Jhuma, 14 anos, do Bangladesh, faz os TPC à luz de um candeeiro na rua, pois a sua família não tem electricidade em casa. Um programa de subsídios em dinheiro atribuídos pela UNICEF, ajudou-a a deixar de trabalhar e a voltar à escola, e a tornar-se numa das melhores alunas da sua turma. A sua determinação inspira-nos!

Leia aqui o  relatório  da UNICEF  - Situação Mundial da Infância 2016


Consulte também os Dossiês
Educação- Ensino
Ecofeminismo

domingo, 16 de outubro de 2016

Música do Bioterra: Kill It Kid- Wild and Wasted Waters


Animação/ Curta-metragem por Matthew Robinson, com desenhos de Astrid Jaekel


(Strange things happening in the land.
Wars going on. Hold our heart to mourn.
Strange things happening in the land.)

Wild and wasted waters.
(Strange things happening)
Wild and wasted waters.
(Wars going on.)
Have come to carry me, carry me on.

Carry me on, my mother's prayers.
Dark waters have come to carry my cares,
So take me on my mother's prayers.
Don't you leave no candle to burn. I leave with the waves, 'neath the stern.

Wild and wasted waters.
Have come to carry me on.

I'll leave with the evening on my breath.
You'll find my letters when I've left.
I'm gonna leave. The evening on my breath.

I won't remember the fires of home
Won't remember the fires of my home.
My homeless bones churn them ragged stones.
I won't remember fires of my home.
May the sickness of my heart be told.
Let it bleed out in the coffee shop and stagger in the road.

Carry me on, carry me on,
Carry me - yes, on.

sábado, 15 de outubro de 2016

A Quarta Revolução dos semideuses, por Filipe Duarte Santos

A ler com muita atenção.


O anúncio de uma iminente Quarta Revolução Industrial atraiu a atenção dos media e Governos de todo o mundo como se se tratasse da revelação de uma profecia de um oráculo inelutável. A Quarta Revolução é apresentada como sendo imparável e incontornável. Segundo Klaus Schwab, fundador e diretor executivo do World Economic Forum, que reúne anualmente em Davos, e cujo tema este ano foi “Mastering the Fourth Industrial Revolution”, a nova Revolução irá modificar fundamentalmente o modo como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros. Ainda de acordo com Schwab, “as mudanças que irá trazer são tão profundas do ponto de vista da perspetiva da história humana que nunca houve um tempo com maior promessa ou perigo potencial”.

Não há alternativa à Quarta Revolução industrial. Ser uma promessa ou um perigo depende dos povos, dos eleitores e dos governantes de todo o mundo saberem ou não adaptar-se e beneficiar das forças de disrupção tecnológica que avançam inexoravelmente sobre todos nós. É como se a Quarta Revolução Industrial fosse uma profecia de semideuses que conhecem o melhor destino para os homens. Estes podem aceitá-lo ou correr o enorme perigo de o tentar rejeitar.

Mas afinal o que é a Quarta Revolução Industrial e quais as forças que a movem? A Primeira Revolução Industrial, que foi provavelmente a transição mais importante da história da humanidade e hoje consideramos ter surgido em meados do século XVIII, só foi identificada e nomeada em meados do século XIX. A expressão Revolução Industrial foi inicialmente utilizada em França cerca de 1820, para designar de forma algo escarnecedora, comparativamente à verdadeira revolução política de 1789, a mecanização da indústria têxtil na Normandia, Flandres Francesa e Picardia.
Na Grã-Bretanha, ao contrário da França e Alemanha, a expressão revolução industrial raramente se usava. Porém, o historiador da economia Arnold Toynbee (1852-1883), tio do conhecido historiador das civilizações Arnold Joseph Toynbee (1889-1975), ao analisar o desenvolvimento económico na Grã-Bretanha de 1760 a 1840, identificou e caracterizou uma transformação social, económica e tecnológica que marcou profundamente o país e serviu depois de modelo de desenvolvimento através do mundo, à qual deu o nome de Revolução Industrial. A expressão passou a ter um sentido específico bem definido e conheceu uma enorme divulgação, em parte com a publicação póstuma das Lectures on the Industrial Revolution in England de Arnold Toynbee. Segundo ele a essência da Revolução Industrial “foi a competição para substituir as regulamentações medievais que anteriormente controlavam a produção e distribuição da riqueza”.

Na Primeira Revolução Industrial a maior eficiência no aproveitamento da força motora da água e a invenção da máquina a vapor transformou profundamente a utilização da energia. A Segunda Revolução Industrial teve início na segunda metade do século XIX e apoiou-se no uso da eletricidade o que permitiu desenvolver as cadeias de produção nas fábricas. Foi nesse período que se fizeram invenções tecnológicas notáveis baseadas na ciência moderna, tais como o motor de combustão interna, telefone, fotografia, cinema, lâmpada elétrica, avião, televisão e antibióticos. A Terceira começou na década de 1960, baseou-se na chamada Revolução Digital, no contínuo e acelerado desenvolvimento das TIC (tecnologias da informação e computação), e permitiu aumentar a automatização da produção nos mais diversos domínios da atividade económica. Finalmente a Quarta Revolução Industrial é uma extensão da terceira mas distingue-se dela em termos de novos horizontes programáticos de automatização, robotização, interoperabilidade, uso de sistemas inteligentes de assistência técnica, decisão descentralizada e troca de informação nas tecnologias de produção de bens e serviços. Os principais domínios de atividade e tecnologias emergentes que irão suportar a Quarta Revolução estão as TIC, inteligência artificial, robótica, internet das coisas, big data, impressão 3D, blockchain, automatização dos veículos automóveis, agricultura de precisão, nanotecnologia, engenharia genética e a biologia sintética.

As ideias fundadoras da Quarta Revolução Industrial surgiram em 2011 na iniciativa de construção de um programa estratégico, com o horizonte temporal de 2020, liderado por empresários, políticos e académicos, designado Industry 4.0, destinado a aumentar a competitividade das indústrias alemãs por meio da crescente integração dos “sistemas ciber-físicos baseados na internet” nos processos fabris. Nos EUA há vários projetos análogos, como por exemplo a Industrial Internet Consortium fundada em 2014 e que reúne a General Electric, AT&T, IBM e Intel.

A grande divulgação da Quarta Revolução Industrial nos media e nos meios empresariais e governamentais de todo o mundo, em particular através do World Economic Forum, é uma iniciativa filantrópica de aviso urbi et orbi sobre a nova direção da competição industrial e económica promovida pelas elites económicas e financeiras dos países com as economias mais avançadas e competitivas do mundo. Na sua génese e evolução não cabe qualquer tipo de atenção sobre o seu impacto, nos próprios países e no resto do mundo, em termos de emprego, coesão social e desigualdades, mas apenas a ambição própria da natureza humana, de manter a liderança e a competitividade desses países. O encadeamento das inovações tecnológicas tem uma dinâmica própria imparável que, para além de criar e satisfazer a procura por novos produtos, serviços e mercados tem também, ao longo do tempo, efeitos sociais, políticos e económicos através de um mundo progressivamente globalizado.

Não é possível travar o progresso da tecnologia porque ela nos deslumbra, diverte, distrai, cativa, aliena e vicia. É ela que dá um sentido linear ao tempo e o acelera. Sem progresso tecnológico a grande maioria das pessoas acharia que o tempo teria parado e que regressaríamos inevitavelmente ao primitivismo do passado.

O avanço da Quarta Revolução Industrial irá tornar um número crescente dos atuais empregos inúteis ou redundantes, devido principalmente ao carater disruptivo das novas tecnologias, e ao avanço da automatização e robotização. Provavelmente haverá novas multidões de desempregados e o próprio conceito social, político e económico de emprego irá transformar-se profundamente. Será provavelmente necessário introduzir o rendimento de cidadania. A maior perda de emprego irá ter lugar nos setores da saúde, energia, bancos, serviços financeiros, logística, transportes e apoio administrativo nos escritórios. O trabalho que é repetitivo ou que envolve rotinas de atividade manual tem elevado risco de ser eventualmente automatizado. Em contrapartida o trabalho que depende do exercício de pensar, do espírito de curiosidade, da criatividade, da capacidade de reflexão e análise, da experiência e da empatia com o próximo tem um risco baixo de automatização. De um modo geral a automatização e a robotização atinge mais a produção e o trabalho técnico e menos o trabalho que requer reflexão e inovação. Em contrapartida haverá criação de emprego nas TIC, serviços profissionais, informação, entretenimento e marketing.

Um dos avanços tecnológicos futuros mais decisivos para promover a automatização e robotização em larga escala será os computadores compreenderem a comunicação entre pessoas, ou seja, tornarem-se virtualmente mais uma pessoa ativa no ambiente de trabalho ou nas nossas casas. A combinação da robótica com a inteligência artificial, que permite aos robots adaptarem-se e reagirem ao que se passa em seu redor, tem a potencialidade de substituir um grande número de empregos e eventualmente transformar a sociedade. Estimativas recentes de Carl Frey indicam que 47% do total dos empregos nos EUA têm um risco elevado de desaparecerem nas duas próximas décadas. Note-se que a rarefação de empregos nas áreas de penetração das tecnologias mais avançadas está já a observar-se. De acordo com o mesmo autor, na década de 1980, 8,2% da força de trabalho nos EUA estava empregada nas novas tecnologias introduzidas nessa década. Porém, na década de 1990 essa percentagem desceu para 4,4% e na década de 2000 é menor do que 0,5%, incluindo novas industrias, tais como os leilões online, vídeo e áudio streaming, e web design.

Os que vão beneficiar mais das aplicações dos robots e da inteligência artificial vão ser os que têm a capacidade de investir nas tecnologias emergentes, ou seja, os detentores de capital. Devido às suas características intrínsecas a Quarta Revolução Industrial promove a substituição do trabalho pelo capital agravando ainda mais a tendência das últimas décadas de aumento das desigualdades. Os empresários que descobrem um produto ou serviço de sucesso enriquecem rapidamente porque com as novas tecnologias os custos marginais por unidade de produção tendem para valores baixos ou próximos de zero e os rendimentos de escala são elevados. Atualmente as empresas procuram avidamente as novas tecnologias porque lhes permitem aumentar a produtividade e baixar os custos marginais de produção e distribuição de bens e serviços, conseguindo assim, reduzir os preços, conquistar mais consumidores e aumentar os lucros. O papel do emprego na distribuição da riqueza, que se consolidou no último século, pode ficar comprometido. As implicações socias e económicas da Quarta Revolução Industrial têm um alto risco de desestabilizar profundamente a sociedade contemporânea, tanto nos países com economias avançadas como no resto do mundo. A probabilidade de tal suceder é muito elevada porque as forças motoras da Quarta Revolução Industrial são as mesmas que dinamizam o atual sistema económico e financeiro. Será provavelmente necessário reformar os conceitos de trabalho, emprego e rendimento. Provavelmente estamos mesmo num tempo de grandes promessas e perigos que os semideuses controlam.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A semente do mal, por Virgílio Azevedo

Entre hoje e até 16 de Outubro pode acompanhar ao vivo o Tribunal Internacional contra a Monsanto

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Agora, a pior companhia da Europa absorveu a pior companhia da América. O lema da nova corporação deveria ser: 'Matar abelhas e borboletas por diversão e lucro'." É com esta conclusão absolutamente demolidora que Dave Murphy se refere ao maior negócio mundial do ano: a compra da americana Monsanto pela alemã Bayer por 59 mil milhões de euros. Murphy é diretor executivo da organização Food Democracy Now!, um movimento de mais de 650 mil agricultores e cidadãos americanos que defende a reforma das políticas relacionadas com a alimentação, a agricultura e o ambiente. A revolta do dirigente associativo era inevitável. No anúncio conjunto do negócio feito pelos presidentes executivos das duas companhias, ambos sublinharam que a biotecnologia ajuda a aumentar os rendimentos das colheitas agrícolas de uma forma amiga do ambiente e é uma solução para alimentar uma população mundial em crescimento. "Estamos totalmente empenhados em ajudar a resolver um dos maiores desafios da sociedade: como alimentar uma população mundial em rápido crescimento de uma maneira ambientalmente sustentável", afirmou Werner Baumann, presidente executivo da Bayer. "O que fazemos é bom para os consumidores, porque ajudamos a produzir alimentos eficientes, seguros, saudáveis e acessíveis." E também "é bom para os nossos cultivadores porque têm melhores escolhas para aumentarem os rendimentos de uma forma sustentável". No entanto, este cenário cor de rosa e promissor contrasta fortemente com a realidade. A Monsanto, o maior produtor mundial de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgénicos e fabricante do Roundup, baseado no controverso herbicida glifosato, tem estado envolvida nos últimos anos numa crescente polémica e em numerosas ações judiciais, devido ao impacto negativo dos seus produtos na saúde e no ambiente. A Bayer, por sua vez, tem sido alvo de críticas devido ao uso generalizado do inseticida Imidacloprid, pertencente à classe dos produtos químicos conhecidos por neocotinoides, que têm sido relacionados em vários estudos com a morte dos insetos polinizadores, em especial as abelhas. Por isso, Dave Murphy argumenta, em declarações à publicação online "EcoWatch", que "a biotecnologia agrícola nunca foi 'sobrealimentar o mundo', mas sobre-enriquecer as companhias que têm uma longa história de produção de químicos mortais para as populações humanas e para o ambiente".

ALERTAS EM PORTUGAL
A reação das organizações ambientalistas ao negócio transatlântico que levou à venda da americana Monsanto à alemã Bayer foi imediata. Em Portugal, a Plataforma Transgénicos Fora!, formada por 11 ONG, afirmou que com a aquisição da Monsanto pela Bayer e a iminência "de outra megacorporação estar em vias de facto para ser comprada por um colosso estatal chinês, as sementes - primeiro pilar da subsistência da espécie humana - pertencem a cada vez menos empresas". E se esta onda de aquisições se concretizar, em breve "três multinacionais ficarão donas de 75% do mercado mundial". A plataforma ambientalista portuguesa referia-se concretamente à rápida consolidação mundial que neste momento atravessa a indústria agroquímica, com a constituição de três megagrupos que vão controlar, na realidade, mais de 75% do sector: a anunciada fusão entre as companhias americanas DuPont e Dow Chemical, a compra da Syngenta AG (Suíça) pela China National Chemical Corporation e a aquisição da Monsanto pela Bayer. E nos restantes 25% ainda se destacam duas grandes multinacionais - a alemã BASF e a japonesa Sumitomo. No caso da Syngenta, será a maior compra de sempre feita no estrangeiro por uma empresa da China e já levou à divulgação de uma carta aberta assinada por um antigo ministro da Indústria Química e por ativistas anti-OGM chineses, que denunciam os impactos negativos dos agroquímicos nos agricultores e nos consumidores do país. Como sublinhou na altura a Quercus, uma das organizações que integra a plataforma, "a Bayer, que tinha a sua própria produção de sementes, terá agora acesso a mais de 2000 variedades de organismos geneticamente modificados (OGM)" da Monsanto, o que lhe dará "um grande poderio sobre a produção agrícola mundial". A união destes dois gigantes "poderá ter implicações graves para o ambiente e a saúde pública, bem como para os pequenos agricultores, que não terão condições para competir neste mercado cada vez mais monopolizado". E os consumidores "veem decrescer o seu poder sobre os alimentos que consomem e o modo como são produzidos". Segundo a agência noticiosa Bloomberg, adicionar as 2000 variedades de sementes geneticamente modificadas de milho, soja ou trigo da Monsanto às sementes de leguminosas, arroz, vegetais e algodão da Bayer criará a maior empresa agroquímica mundial, "que irá controlar mais de 25% do mercado global combinado de sementes e pesticidas". E a BBC refere que há grupos e empresas agrícolas preocupados com o negócio da Bayer, porque pode reduzir a escolha de variedades de sementes e fazer subir os preços de produção para os agricultores. Em Portugal, os dados oficiais do Ministério da Agricultura indicam que apenas é cultivado milho transgénico numa área de cerca de 8000 hectares, o que representa uma pequena parcela (6%) da área total de milho plantada no país. E mais de 60% dessa área está concentrada nas zonas de regadio do Alentejo. A superfície máxima de cultivo foi registada em 2012, com mais de 9200 hectares. E numa análise feita em 2013 pela Plataforma Transgénicos Fora! aos produtos alimentares vendidos nas dez maiores cadeias de hipermercados portuguesas, das 229 referências de óleos registadas, 48 continham ingredientes transgénicos, o que correspondia a 21% de todos os óleos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

“Mão Verde" - O livro-disco para todos os Peter Pan e um manifesto ecológico-social

Mão Verde- "Segue o teu destino, rega as tuas plantas, ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias"~ Ricardo Reis
Um excelente manifesto ecológico-social ao som de rimas bem sincopadas da Capicua e suaves criações musicais de Pedro Geraldes. Um livro e disco que entra no mundo das crianças. De todas as idades.


E que tal um livro-disco para crianças onde o afrobeat, o hip hop, o rock e a música havaiana se misturam com rimas sobre a agricultura, o aquecimento global e os hábitos saudáveis? Apresentamos-lhe Mão Verde, o novo projeto de Capicua e Pedro Geraldes, que foi editado no dia 30 de Setembro. Há muito tempo que Ana Matos Fernandes, o nome verdadeiro da rapper Capicua, tinha vontade de fazer um livro de lengalengas. “Mas não tinha nenhum reportório infantil”, conta ao Observador.
Em 2015, recebeu o convite do teatro de Municipal de São Luiz, em Lisboa, para fazer alguns concertos para o público mais novo no Jardim de Inverno. Ali estava a grande oportunidade para retomar o antigo desejo. Capicua sempre gostou de escrever rimas para gente mais nova e percebeu que a música poderia ser o veículo ideal para fazer com que as suas histórias ganhassem vida. Convidou Pedro Geraldes, dos Linda Martini, para fazer a composição. De um lado, uma rapper, do outro, o guitarrista de uma banda do rock. Ana escrevia as letras pedagógicas disfarçadas de lengalengas. Pedro fazia a base musical com as melodias assertivas. “Não somos consumidores deste tipo de música. Era um mundo desconhecido”, diz Capicua que acabou por gostar da liberdade e ingenuidade de principiante neste projeto. “Recuperámos a forma intuitiva de compor e de escrever. Gosto de brincar a musicalidade das palavras e do jogo de repetição”, acrescenta. E assim foi. As rimas foram o instrumento de transmissão de recados importantes sobre temas do dia-a-dia e do meio ambiente para as crianças mas também para os pais, avós e tios. “O vocabulário vai a outros territórios mas a missão é a mesma: pôr a escrita ao serviço de uma mensagem”, explica Capicua.

Para crianças e para os outros
As preocupações ambientalistas refletem a sua postura pessoal. Ana é apaixonada por ervas aromáticas, por distinguir e conhecer cheiros, aromas e infusões. Tem até uma horta em casa. “As questões ecológicas, as minhas preocupações em relação ao consumo, ao ambiente, o meu interesse pela agricultura estão presentes no meu dia-a-dia”, afirma a cantora que não aqui não está muito longe do que é a sua escrita habitual, onde fala “sobre as medidas políticas e sociais através das palavras e da música”. Foi fácil mergulhar no ambiente infantil e falar de “igual para igual”. Ana recorreu às memórias de quando era miúda. “Toda a gente tem uma criança dentro de si. Há uma criança bem viva dentro de nós. É um processo intuito de quase voltar à simplicidade, de ir ao Peter Pan que há dentro de nós”. Ao mesmo tempo, os músicos quiseram sempre manter seriedade para não “tornar a coisa pateta”. Com batidas alegres e acompanhadas por diversos instrumentos tocados ao vivo, Pedro quis mostrar às crianças todo o universo colorido que a música pode criar. “Tinha que ser algo animado, bem-disposto, com diferentes géneros e ao mesmo tempo didático”, explica. “O mundo aqueceu, e o deserto cresceu” é exemplo disso. Na letra de “Quente e Frio”, Pedro foi buscar o género musical do calipso, onde aborda os problemas do aquecimento global: “ Quisemos brincar por aí. A base musical tem esses estilos diversos. Queríamos mostrar às crianças as diferentes texturas e linguagens musicais”. Também pensaram em quem lia as histórias: “Os pais são as principais vítimas das músicas para crianças e por isso queremos também comunicar com eles”. Em pouco tempo, tinham o concerto preparado para apresentar. Correu tão bem que decidiram gravar tudo em disco e acrescentaram mais duas músicas novas, “Quente e Frio” e “Mão Verde”, que deu nome ao título do projeto. “Foi uma experiência completamente nova para nós, mas sempre a tentar não cair na coisa moralista”, esclarece Capicua.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Mês a mês: o que deve plantar na horta (Hemisfério Norte e Hemisfério Sul)

O sucesso de uma boa horta também passa por plantar as frutas, ervas aromáticas, legumes e vegetais certos, nos momentos certos. Se tem dúvidas relativamente ao mês mais adequado para plantar o que quer que seja na sua horta, imprima esta check-list e mantenha-a sempre por perto. Depois, é só colher e saborear os frutos do seu trabalho!

1. Janeiro (Hemisfério Norte) | Julho (Hemisfério Sul)


O que deve plantar/semear na horta: alface, alhos, ervilhas, favas, rabanetes, repolho.

2. Fevereiro (Hemisfério Norte) |Agosto (Hemisfério Sul)


O que deve plantar/semear na horta: aipo branco, alcachofras, cebola, couves diversas, espargos, morangueiros, pimentos, tomate (na terra); melão, melancia, pepino (em vaso). 

3. Março (Hemisfério Norte) | Setembro (Hemisfério Sul)


O que deve plantar/semear na horta: abóbora, alface, beterraba, cebola, cenoura, couves, ervilhas, espinafres, favas, feijão de trepar, lentilhas, melão, melancia, nabiças, nabos, pepino, rabanetes, salsa, tomate.

4. Abril (Hemisfério Norte) | Outubro (Hemisfério Sul)


O que deve plantar/semear na horta: abóbora, acelgas, agrião, alface, batatas, beterraba, brócolos, cenoura, chicória, coentros, cominhos, couves diversas, favas, feijão, melão, melancia, nabos, pimentos, rabanetes, salsa, tomilho (na terra); cebola, pepino, tomate (em viveiro).

5. Maio (Hemisfério Norte) | Novembro (Hemisfério Sul)


O que deve plantar/semear na horta: abóbora, agrião, alface, beterraba, brócolos, cenoura, couves, espinafres, feijão, melão, melancia, nabos, pepino, pimentos, rabanetes, repolho.   

6. Junho (Hemisfério Norte) | Dezembro (Hemisfério Sul)


O que deve plantar/semear na horta: abóbora, agrião, alface, beterraba, brócolos, cenoura, couves, espinafres, feijão, melão, melancia, nabos, pepino, pimentos, rabanetes, repolho.   

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Documentário "In Transition 1.0"- Legendado em Português


Uma peça que faltava, na nossa opinião, aos movimentos de transição, que era o filme legendado em Português.
A bem dizer, faltam muitas legendas e traduções a livros e vídeos importantes para este processo.

Mas neste conseguimos as legendas através do transition towns, e fizemos o trabalho de as embutir no vídeo. Assim, com esta tradução, será de mais fácil acesso a pessoas que não entendam bem o Inglês, e o movimento de transição, pode chegar a uma plateia que até agora estava ignorada. Esperamos que com esta versão, seja mais fácil captar outras pessoas para o movimento de transição.
Fonte: TerraSolta

Mais Informações
  1. Cidades em Transição: Os 12 passos da transição
  2. Dossiê Permacultura

domingo, 9 de outubro de 2016

sábado, 8 de outubro de 2016

O que fazer aos 327 barcos-fantasma?

Fonte: Portos e Navios
Os 140 navios da Hanjin transportam de televisões a comida. Mas como a 7ª maior empresa de navegação parou por falta de liquidez (notícia aqui) e nenhum porto aceita os produtos (com valor de 13 mil milhões de euros), teme-se que eles se juntem a outros 187 abandonados nos mares por outras companhias.

Fonte: Sábado, 22 de Setembro

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Microescultura- Os insectos foram microesculturados

Mantis-fly – Mantispa sp. (Neuroptera, Mantispidae). by Levon Biss


Reportagem  completa aqui (com mais imagens)
Microsculpture
Formed at scales too tiny for us to perceive and with astonishing complexity, the true structure and beauty of insects remains mostly hidden. Their intricate shapes, colours and microsculpture are dizzying in their variety, but it takes the power of an optical microscope or camera lens to experience insects at their own scale.
At high magnification the surface of even the plainest looking beetle or fly is completely transformed as details of their microsculpture become visible: ridges, pits or engraved meshes all combine at different spatial scales in a breath-taking intricacy. It is thought that these microscopic structures alter the properties of the insect’s surface in different ways, reflecting sunlight, shedding water, or trapping air.
Alongside these elements are minute hairs adapted for many purposes. They can help insects grip smooth surfaces, carry pollen, or detect movements in the air, to name but a few. The shape of these hairs is sometimes modified into flattened scales – structures so small they appear like dust to the naked eye. In some insects, such as butterflies and beetles, these scales scatter and reflect light, creating some of the most vibrant and intense colours seen in nature.
The evolutionary process of natural selection should account for all this wonderful diversity of microstructures, but for many species their specific adaptive function is still unknown. By observing insects in the wild, studying museum collections, and developing new imaging techniques we will surely learn more about these fascinating creatures and close the gaps in our current understanding.
Dr James Hogan
Life Collections, Oxford University Museum of Natural History

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Poema da Semana- A Verdadeira Liberdade, por Álvaro Campos


A Verdadeira Liberdade

A liberdade, sim, a liberdade! ...
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Floresta Portuguesa- Cinco causas. Cinco soluções, por Luísa Schmidt

Esta crónica foi escrita em pleno mês de Agosto, mas merece a maior divulgação.

Fonte: Ameise Blog

A floresta representa 3% do PIB e 10% das exportações. Se há questões onde se justifica um pacto de regime, esta é com certeza uma delas.

Mais uma vez, Portugal arde. É assim há décadas, cíclica e tragicamente. Ações criminosas à parte, os problemas são de fundo, tendo soluções conhecidas e provadas.
1. Ausência de política florestal continuada e omissão governativa grave. A percentagem de floresta que pertence ao Estado é a mais baixa da UE: 2%, em comparação com 55% da Alemanha, ou 30% da Espanha. Mesmo esses 2% são mal geridos. Quanto ao resto da floresta, o Estado tem obrigação de intervir e nada faz.

Solução: Existe uma Estratégia Nacional da Floresta, bem como Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) discutidos e aprovados em 2005. Davam orientações de ordenamento regional e estabeleciam metas precisas. Estas foram suspensas uns anos depois, mas devem ser revistas e restabelecidas. E as câmaras devem recuperar a possibilidade de dar pareceres vinculativos sobre as plantações de acordo com os PROF. Em lugar de deixar os proprietários fazer tudo o que entendam, o importante é incentivar as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), criadas em 2005, que permitem aos proprietários associarem-se e acederem a fundos comunitários para limpeza e conservação das florestas, abrangendo aqueles que dispõem de escassos recursos. Por falta de apoio público, as ZIF não adquiriram a dinâmica prevista. É necessário reanimá-las.
2. Perfil florestal do país. Há uma herança difícil, que remonta ao Estado Novo, com a florestação dos baldios do Centro e Norte sobretudo com pinheiros. A partir dos anos 60, dá-se a expansão de eucalipto. Criaram-se grandes manchas florestais de monoculturas. O eucalipto, hoje a árvore dominante em Portugal, arde como um fósforo e está espalhado por toda a parte, até à orla das cidades, como se viu no Funchal. Uma lei de 2013 tornou ainda mais fácil eucaliptar de forma fragmentária. O atual Governo prometeu revogá-la, mas apenas a suspendeu.

Solução: Investir em povoamentos mistos com espécies mais adequadas e menos combustíveis, retomando as metas dos planos regionais na reflorestação das áreas ardidas. Em Portugal, nem sequer nas áreas protegidas a prevenção contra os incêndios é considerada um investimento. Mais facilmente se compram carros de intervenção rápida do que se faz limpeza de matas e fiscalização. E valia bem a pena. Note-se como as celuloses investem no ordenamento das suas áreas florestais, que ardem muito menos.

3. Desorganização no chamado combate ampliado, o qual tem lugar quando se verificam condições extremas. Não se usam todos os meios que se devia e os que se usam nem sempre estão bem articulados. Há uma impreparação geral para estas situações, cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas: temperaturas mais elevadas, menor precipitação, ventos mais fortes. Uma fórmula conhecida é a dos 30+30+30, quando se juntam mais de 30 graus de temperatura, menos de 30% de humidade e uma velocidade do vento superior a 30 km/hora.

Solução: Reativar medidas que já foram anteriormente implementadas com sucesso, mas entretanto desativadas. Por exemplo, os Grupos de Análise e Uso do Fogo, criados em 2005, que aplicavam no inverno a técnica do fogo controlado para reduzir a carga térmica, e no verão realizavam fogos táticos no combate aos incêndios. Há que recuperá-los. A ajuda internacional não tem sido bem organizada. Só vêm aviões à última da hora e sem códigos de atuação compatíveis. Acresce que a sua contratação, extremamente onerosa, é feita através de empresas privadas, prestando-se a esquemas obscuros. Isto quando a Força Aérea dispõe de meios aéreos suscetíveis de adaptação para transportar água.

4. Ausência de cadastro em dois terços do país. Uma etapa prévia e fundamental. Trata-se de uma medida prometida por todos os governos, mas nunca cumprida no Centro e no Norte do país, onde seria mais importante, dada a enorme dispersão da propriedade. Em vastas zonas, muitos donos dos terrenos nem sequer são conhecidos, por questões de heranças e não só. Isto impede qualquer tipo de gestão eficaz, em locais onde o associativismo também não é forte. Em 2005, o Governo de Sócrates anunciou que 700 milhões de euros iam ser aplicados no cadastro rural. Quase nada se chegou a fazer.

Solução: Avançar com o cadastro já. A tarefa poderia ser entregue ao Instituto Geográfico do Exército, que tem autoridade, ciência, pragmatismo e reconhecimento. Um bom exemplo vem de Espanha, onde se fez o chamado ‘cadastro diferido’, que associa as novas tecnologias informáticas ao conhecimento das associações florestais. Quando o dono não está identificado, dá-se um prazo, findo o qual a propriedade passa para o Estado.

5. Falta de prevenção imediata. Como é sabido, tanto a nível de limpeza como de fiscalização e planeamento, as deficiências são enormes. Fala-se muito quando há um grande desastre, mas basta um ano bom para se remeter tudo para segundo plano. Aplicam-se fortunas no combate e praticamente nada na prevenção, a qual seria mais barata, eficaz e duradoura.

Solução: Forte reforço da monitorização e vigilância, dia e noite nas matas, durante as épocas críticas. Incentivos fiscais para criar e manter florestas de usos múltiplos, as quais prestam um importante serviço ambiental. O Fundo Florestal Permanente tem que passar a ser bem aplicado. Ao ICNF cabe apoiar equipas de sapadores florestais para fazer a gestão da biomassa em ligação com as associações. A intenção era constituir 500 equipas mas não chegam a 200, e, destas, várias encontram-se inativas. É urgente reforçá-las e usar a biomassa para produção de energia em vilas e pequenas cidades.

Luísa Schmidt
Expresso 13.08.2016

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Terra pode ficar intoleravelmente quente

Fonte: Jornal de Notícias
A Terra pode ficar intoleravelmente quente, mesmo se os gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera permanecerem nos níveis atuais, segundo a primeira reconstituição das temperaturas terrestres ao longo de dois milhões de anos, divulgada segunda-feira, 26 de Setembro.

"A estabilização dos níveis atuais dos gases com efeito de estufa pode colocar a Terra numa trajetória de aquecimento de cinco graus Celsius (5ºC) no próximo milénio", concluíram os autores do estudo publicado na revista científica Nature.
Este é o valor médio do previsto intervalo de aquecimento, situado entre 3ºC e 7ºC.

Mesmo um aquecimento global de 3ºC, no longo prazo, pode desencadear um turbilhão de impactos das alterações climáticas, incluindo tempestades marítimas, reforçadas pela subida do nível das águas, ondas de calor mortíferas e inundações severas, especificou-se no estudo.

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) já avançou que as atuais concentrações do principal gás com efeito de estufa, o dióxido de carbono (CO2), na atmosfera, que já supera as 400 partes por milhão (ppm), vão forçar um aquecimento global médio da temperatura média entre 2ºC e 2,4ºC em relação ao nível pré-industrial.
As ppm referem-se à representação dos gases por milhão de moléculas.
O valor de referência para esta subida da temperatura considerado um limite para permitir alguma segurança à humanidade em muitas regiões é os 2ºC.

Mas uma recente intensificação de eventos climáticos extremos forçou os líderes mundiais a inscreverem um objetivo ainda mais exigente, incluindo a expressão "bem abaixo dos 2ºC" no Acordo de Paris, alcançado por 195 Estados, em dezembro.
O planeta já aqueceu 1ºC acima da temperatura de referência, a do período pré-industrial, e pode chegar aos 1,5ºC dentro de uma década, afirmaram cientistas, numa conferência em Oxford na semana passada.
Este novo estudo, da paleoclimatóloga Carolyn Snyder, do Programa Interdisciplinar em Ambiente e Recursos da Universidade de Stanford, no Estado norte-americano da Califórnia, é o primeiro a juntar um registo contínuo de médias de temperaturas terrestres desde há dois milhões de anos.