segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

(Eco) Poema da Semana - Emily Dickinson "O Êxito Parece a Mais Doce das Coisas"

Edgar Degas - ''Before the Performance'', 1896-98
O êxito parece a mais doce das coisas 
A quem nunca venceu na vida.
Ter a compreensão de um néctar
Exige a mais dolorosa necessidade.
De entre o purpúreo Exército
Que hoje empunhou a Bandeira
Nenhum outro poderá dar uma tão clara
Definição da Vitória
Como o vencido - agonizante -
Em cujo ouvido interdito
A distante ária triunfal
Ressoa nítida e pungente!
Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"

sábado, 26 de dezembro de 2015

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz (Eco-) Natal com Bill Evans - "Peace Piece"



An impression of american city life (NewYork) during the late 50's & the early 60's accompanied with the music of Bill Evans - Peace Piece (1958) with pictures of important photographers and appearances of artists and their works from that period

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Árvore feita com pauzinhos chineses alerta para a desflorestação na China

Fonte: O Planeta que Temos
Todos os anos, a China consome 45 mil milhões de pares de pauzinhos chineses descartáveis, o que equivale a cerca de 25 milhões de árvores abatidas, de acordo com a Fundação da Protecção Ambiental da China, que refere ainda que, a este ritmo, "a floresta desaparecerá da China em 20 anos".
Para alertar a população para este problema, o grupo ambiental chinês reuniu 30 mil pares de pauzinhos usados de restaurantes de Xangai e construiu com eles uma árvore de 5 metros de altura, que derrubou e colocou numa zona movimentada da cidade.
Perto da árvore caída, foram posicionados voluntários que distribuíam pauzinhos reutilizáveis às pessoas que passavam, enquanto uma placa as informava de que: "As nossas árvores só chegam para nos alimentar durante mais 20 anos".

Fonte: TreeHugger, Dezembro 2010

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Saiu uma nova pirâmide dos alimentos que aconselha a comer quinoa, cuscuz e leite de soja – e proíbe o açúcar

É a grande novidade do ano. Não, não estou a falar da forma correcta de pronunciar o nome Lopetegui. Estou a falar da actualização da Pirâmide dos Alimentos, que, pela primeira vez em 15 anos, foi alterada na Austrália. E porque é que isso lhe pode interessar tanto? Porque é esta pequena imagem que lhe dá as indicações essenciais para ter uma alimentação saudável. E porque, pela primeira vez, a pirâmide prevê alimentos como quinoa, cuscuz, tofu ou leite de soja. E retira outros como o açúcar ou as gorduras saturadas.


Açúcar e sal nem ver. Já estão naturalmente na comida e, por isso, não devem ser acrescentados quando cozinha. A Nutrition Australia, que elaborou a nova Pirâmide dos Alimentos, recomenda mesmo que toda a gente confirme os rótulos nos alimentos embalados que compra no supermercado – e evite aqueles que têm sal ou açúcar adicionados. O sal e o açúcar são responsáveis pelo aumento do risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 ou alguns tipos de cancro. 

Use ervas e especiarias. Não consegue comer os alimentos sem uma pitadinha de sal? Ou uma colherzinha de açúcar? Problema seu. Não, estou a brincar... A Nutrition Australia aconselha-o a substituí-los por ervas aromáticas – secas ou frescas – e especiarias. É uma forma saudável de dar sabor à comida.

Adeus manteiga. Antigamente estavam no topo da pirâmide, junto aos alimentos que deveriam ser consumidos muito esporadicamente. Agora as gorduras saturadas desapareceram. As únicas gorduras que deve comer são as gorduras saudáveis, como o azeite.

Coma quinoa, cuscuz e cereais integrais. 70% daquilo que come ao longo de um dia deve ser fruta, vegetais, leguminosas e cereais. E de entre os cereais deve privilegiar os integrais – o arroz castanho, as aveias e a quinoa. As crianças mais velhas, os adolescentes e os adultos deveriam comer, todos os dias, duas porções de fruta e cinco de vegetais ou leguminosas.

Leite magro ou então de soja. Na camada do meio da pirâmide, estão os lacticínios e as proteínas, que devem ser consumidos moderadamente. E aqui há novidades. Escolha sempre produtos lácteos magros, para EVITAR as gorduras saturadas. Ou então substitua-os por alternativas como o leite de soja, de arroz ou de cereais, desde que tenham, pelo menos 100 mg por cada 100 ml de cálcio adicionado.

Pode SUBSTITUIR a carne e o peixe por leguminosas. Carnes, de preferência magras. Os vegetarianos podem ter uma alimentação equilibrada se substituírem o peixe e a carne por ovos, tofu ou leguminosas que sejam ricas em proteínas.

Uma boa alimentação para si onde quer que esteja.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Encontros Improváveis- Clarice Lispector e Robin Guthrie - Sunflower Stories


"Um dos gestos mais belos e generosos do homem, andando vagarosamente pelo campo lavrado, é o de lançar na terra as sementes."~ Clarice Lispector 

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"#Unchainemee"- campanha internacional para abolir o uso de Animais no Circo



Cada Animal Preso no Circo tem uma Cara” é o início de uma campanha internacional de ajuda ao resgate de todos os Animais domésticos e selvagens que trabalham ainda em Circos por todo o mundo.

Por todo o mundo há cada vez mais países a abolir o uso de Animais no Circo, devido ao importante e eficaz trabalho de Associações de defesa de direitos dos Animais.

Muitas organizações dedicam-se também ao resgate, reabilitação física e psicológica e transferência destes Animais para santuários onde possam viver uma vida sem encarceramento nem exploração.

Para apoiar este trabalho um grupo de cidadãos da área das artes e espectáculo juntou-se para criar 12 filmes que mostram a vida de escravidão que todos os animais, sejam eles domésticos ou selvagens, continuam a viver no Circo. Além da questão moral de fundo -- não temos o direito de explorar e manter ninguém em cativeiro para nossa diversão.

Em Portugal, participam neste projecto as muito conceituadas actrizes e actores: RITA BLANCO, ADRIANO LUZ, MARIA JOÃO LUÍS, JOÃO LAGARTO, CARLA BOLITO, FILIPE DUARTE, ANA BRANDÃO, RUBEN ALVES, MITÓ MENDES, MARCELLO URGEGHE, MANUELA COUTO E DIOGO AMARAL.

Sobre #unchainmee 

#unchainmee é um grupo informal de cidadãos a nível nacional e internacional, que se juntou para esta primeira campanha que defende a abolição de animais de qualquer espécie em Circos.

Sendo todos os membros de #unchainmee admiradores do circo enquanto arte e espectáculo com humanos, consideram inaceitável que animais de tantas espécies continuem a ser encarcerados e forçados a actuar.

No seio desta iniciativa nasceu uma produção internacional da autoria da realizadora Teresa Ramos que arranca agora em Portugal com 12 filmes que relatam histórias verdadeiras de animais que viveram no circo e foram resgatados. À semelhança da primeira fase portuguesa, estas histórias serão relatadas também noutros países e representadas por prestigiados actores dos mesmos.

Sobre Regulamentação versus Resgate e Libertação

A lei portuguesa, por exemplo, esquece a defesa e libertação dos animais ainda presos no circo, apenas proíbe a sua reprodução (e apenas de espécies selvagens) permitindo ainda a sua exploração.

Mas mesmo esta lei não é cumprida, visto que, na altura do Natal, continua a ser comum ver os circos apresentarem leões e tigres bebés, para oportunidades fotográficas com espectadores, quando isso é ilegal.

Uma observação do comportamento dos animais que se encontram encarcerados nos circos permite concluir que os sintomas de confinamento, como os movimentos repetitivos, as estereotipias, a coprofragia e tantos outros que estão muito bem documentados por médicos veterinários e biólogos especializados em etologia, demonstram bem a vida de escravidão a que são forçados os animais quando são mantidos nos circos.

Uma das histórias relatadas, a da Elefanta Shirley, mostra que, se os próprios zoos mais avançados do mundo começam a reconhecer, aberta e honestamente, que não conseguem oferecer aos seus animais a qualidade de vida e o espaço suficiente para lhes darem existência decente, então não há como conceber que os circos – ambulantes por natureza e com sistemas de jaulas como únicos alojamentos para os animais – possam manter os animais em boas condições.

Por Fim 

#unchainmee salienta também que este é um problema que afecta igualmente animais de espécies selvagens e de espécies domésticas (estas muito esquecidas ao olhos da lei e do público no mundo inteiro), como de resto se demonstra através das histórias que os filmes contam. A conclusão que se apresenta é de que todos os animais – e não apenas de espécies selvagens – que se encontram nos circos devem ser resgatados e colocados em santuários onde possam recuperar e preservar a sua integridade. O público deve ser incentivado a escolher apenas circos onde não haja Animais. 

Outras leituras


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Como educar os jovens? 5 conselhos de Einstein

Para os professores na escola, e para os pais em casa, educar crianças pode ser um desafio. Na sua vida, Albert Einstein refletiu muito sobre o tema da educação: eis os seus conselhos.

Lewis Hine

Albert Einstein não foi apenas um homem da ciência e da matemática: o autor da teoria da relatividade, eleito pela revista norte-americana Time como o homem mais importante do século XX, refletiu bastante sobre a educação durante a sua vida. Como educar os jovens foi uma das suas preocupações, que abordou em cartas, livros e ensaios biográficos. O jornal espanhol El País inventariou algumas das suas principais ideias sobre o tema: conheça-as abaixo.

1 – Exames são prejudiciais, e aprender não deve ser obrigação
Para Albert Einstein, o ensino não deve ser imposto aos jovens como uma obrigação: deve-lhes, sim, ser aguçada a curiosidade, a vontade de aprender. Na obra “A minha visão do mundo”, publicada originalmente em 1949 pelo cientista de origem germânica, Einstein discorria sobre vários temas relacionadas com a sociedade de que era contemporâneo e propunha a seguinte ideia:
A aprendizagem deve ser feita de uma maneira que possa ser recebida como a maior dádiva, e não como uma obrigação amarga.
Note-se que Albert Eistein, na sua vida académica, estudara sete anos num colégio germânico, situado em Munique, que tinha um nome difícil até de escrever: Staatliches Luitpold-Gymnasium München. A sua experiência académica deixou-lhe uma visão crítica de um método que consistia em obrigar os alunos a decorar e reter a matéria, ao invés de serem encorajados a reflectir sobre ela de forma crítica. Em “Notas autobiográficas”, publicado no mesmo ano, Einstein viria a escrever:
Aprendi desde muito cedo a extrair o importante, prescindindo de uma multiplicidade de coisas que (…) desviam a mente do essencial. O problema é que para os exames tinhas de enfiar tudo na cabeça, quer queiras ou não. (…) É um erro grave acreditar que a vontade de olhar e pesquisar pode ser fomentada pela obrigação e pelo sentido de dever. Penso que até um predador animal saudável pode ser privado da sua voracidade se lhes for exigido continuarem a comer quando não têm fome.

A visão crítica de uma educação que promove uma sociedade pouco curiosa, e que aprende por obrigação, não é inovadora, e deixou raízes: por exemplo, no pensamento do romancista e ensaísta argentino Alberto Manguel, que em Outubro, numa entrevista ao Observador, descrevia a curiosidade como uma “força motora” dos seres humanos. A que, apontava, a sociedade cria obstáculos: “Temos medo da curiosidade”, acrescentava.

2 – Fazendo o que se gosta, aprende-se mais
Numa carta ao seu filho, Eduard Einstein, publicada postumamente em 2008 na obra “Posteridade: cartas de grandes [cidadãos] norte-americanos aos seus filhos”, de Dorie McCullough Dawson, o cientista recomendava-o a seguir o seu instinto e fazer aquilo que gostasse, já que essa é a “melhor maneira de aprender”:
Toca ao piano sobretudo o que gostares, mesmo que a professora não te o exija. Essa é a melhor maneira de aprender, quando estás a fazer algo com tanto prazer que nem te dás conta do tempo a passar.
3 – Sem prática não há milagres
Novamente em 1939, na obra “As minhas crenças” (título espanhol), Albert Einstein sugeriria que a prática é essencial para a aprendizagem, escrevendo que:
As grandes personalidades não se formam com o que ouvem ou dizem, mas com o trabalho e as acções. Por conseguinte, o melhor método de educação foi sempre aquele que exigiu ao seu discípulo [ou aluno] a realização de tarefas concretas. Isto tanto se aplica às primeiras tentativas de escrever feitas por uma criança, como [à escrita de] uma tese universitária (…), à interpretação ou tradução de um texto, à resolução de um problema matemática ou à prática de um desporto.
Três anos antes, em 1936, era publicado um ensaio de Albert Einstein sobre a educação, em alemão: onde já defendia algo de muito parecido. “Se um homem jovem tiver treinado os seus músculos e a sua resistência física fazendo ginástica e caminhadas, mais tarde estará preparado para qualquer trabalho físico. Isto também acontece com a mente”, escrevera, em “Sobre a educação”. E, ainda no mesmo ensaio, viria a acrescentar que:

Não estava equivocado aquele que disse: “A educação é o que sobra quando se esquece tudo o que se aprendeu na escola”

4 – Educar para servir a sociedade
Ainda em “As minhas crenças” (título espanhol), originalmente publicado em 1939, o autor da teoria da relatividade manifestava preocupações quanto à educação e quanto à educação cívica dos jovens. Na obra, Albert Einstein escrevia:
Deveria cultivar-se nos indivíduos qualidades que promovam o bem comum. Isto não significa que (…) [o indivíduo] se converta num simples instrumento da comunidade, como uma abelha (…) O objectivo deve ser formar indivíduos que atuem com independência e que trabalhem o seu principal interesse ao serviço da comunidade
5 – Jovens devem ser ensinados a dar, não a receber
Na mesma obra, Albert Einstein reflectia sobre aquilo que é dito aos jovens que devem atingir durante a sua vida: e sobre o quão errado tem sido esse pensamento.
Temos que ter cuidado com os que pregam aos jovens o sucesso como o objectivo [principal] da vida (…). O valor de um homem deveria ser analisado em função do que dá, e não do que recebe. A função decisiva do ensino é despertar estas forças psicológicas [vontade de contribuir para o mundo] nos jovens.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Música do BioTerra: Anne Clark - Sleeper In Metropolis


"Outside the cancerous city spreads
Like an illness, its symptoms
In cars that cruise to inevitable destinations
Tailed by the silent spotlights
Of society created paranoia "

sábado, 12 de dezembro de 2015

Siouxsie & Morrissey - Interlude


Das noites nascem alvoradas e por vezes, um País acorda diferente!

Loving you, I could not grow old
No, nobody knows
When love will end
So till then, sweet friend ...
Time is like a dream
And now, for a time, you are mine...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Naomi Klein: a defesa da Terra é pós-capitalista (entrevista)

“Ações individuais importam — por provarem que as coisas que necessitamos fazer para BAIXAR nossas emissões melhoram nossa qualidade de vida. Mas não são um substituto para o trabalho político." - Naomi Klein

M. Magus
Ativista-intelectual sustenta: para frear mudança climática, todas as atitudes pessoais têm valor. Mas elas só serão efetivas com mudança no modo de produção e consumo

Por Bill Lueders | Tradução: Inês Castilho 

Naomi Klein talvez seja a pessoa mais esperançosa na face da terra. A despeito de sua aterradora avaliação sobre as consequências das mudanças climáticas globais, a maioria delas inevitável, em seu livro de 2014 This Changes Everything: Capitalism vs. the Climate (Isso Muda Tudo: Capitalismo versus Clima) a escritora e ativista canadense acredita na capacidade dos humanos emMUDAR o curso das coisas.

“As mudanças climáticas não são uma ‘questão’ a ser somada à lista de coisas com as quais se preocupar, ao lado de creches e impostos”, escreve Klein. “São antes a convocação para um despertar civilizacional. Uma mensagem poderosa – falada na linguagem de incêndios, enchentes, secas e extinção –, dizendo que precisamos de um modelo econômico inteiramente novo e uma nova maneira de partilhar este planeta. Dizendo que temos de evoluir.”

Colaboradora de publicações como The Nation e The Progressive, e autora de livros que incluem A Doutrina de Choque, sobre como interesses poderosos usam um conjunto de crises conectadas para abrir caminho, Klein não é poliana ao dimensionar a enormidade do desafio. Ele propõe, entre outras coisas, tramar “a extinção das mais ricas e poderosas indústrias que o mundo jamais conheceu – as indústrias de petróleo e de gás.” Mas sua receita é até mais ambiciosa: “A solução para o aquecimento global não é consertar o mundo, é nos consertar a nós mesmos.”

Klein argumenta que os humanos podem vir a recriar o mundo e a natureza de seu relacionamento com ele porque necessitam disso. Seu livro foi chamado no The New York Times de “o mais sério e consciente sobre meio ambiente desde Primavera Silenciosa” e o “primeiro livro verdadeiramente honesto já escrito sobre as mudanças climáticas”, na revista Time. E agora é assunto de um documentário que o acompanha, também denominado This Changes Everything, que Klein está divulgando em viagens pelo mundo. (Para informações sobre exibição, veja o site do filme).

Conversei com Klein pelo telefone em meados de outubro, quando ela estava em Seattle, acompanhando uma projeção. Falamos sobre seu livro, seu otimismo qualificado, seus pensamentos sobre o papa Francisco e o presidente Obama, sua visão sobre como a humanidade podeMUDAR, e mais.


Seu livro apresenta dois futuros possíveis: ou a humanidade rompe de modo dramático com práticas passadas, especialmente a adesão ao sistema econômico capitalista, ou tendemos inevitavelmente a uma catástrofe sem paralelos. Considerando que nossa estrutura social e política está profundamente comprometida com os ditames do capitalismo, este último cenário não seria mais provável?

Sim. (Risos.) Não defendo a ideia de que as probabilidades estão a nosso favor. Argumento que a aposta é tão alta, que temos uma responsabilidade moral sem precedentes de fazer todo o possível para aumentar nossas chances. E considero que há mais espaço para debater os custos do capitalismo do que em qualquer outro momento da minha vida. Isso foi até tema do primeiro debate dos candidatos do Partido Democrata à presidência dos EUA. Há alguns sinais reais de mudança, desde as eleições na Grécia e a eleição de Jeremy Corbyn como líder do Partido Trabalhista britânico, até a campanha de Bernie Sanders à Casa Branca e as iniciativas do papa Francisco. Penso que, se se tratasse apenas das mudanças climáticas, não teríamos chance. Mas o fato de que este modelo econômico está esmagando as pessoas em tantas frentes simultaneamente cria o potencial para um tipo de política de coalizão que é avalizada pela ciência; e que usa os prazos definidos pela ciência em relação às mudanças climáticas para agir com ousadia e rapidez. Mas, se eu fosse apostar, não apostaria a nosso favor, não.

Você sugere que o problema real por trás das mudanças climáticas não é a natureza humana, nem mesmo os gases de efeito estufa – mas uma história que vimos contando a nós mesmos nos últimos 400 anos. Você poderia elaborar isso?

As mudanças climáticas são, entre outras coisas, uma crise de narrativa. E essa narrativa nasceu nos anos 1600, sustentada pela visão de Francis Bacon e René Descartes. Eles tinham a ideia, revolucionária naquele tempo, de que a Terra não era um sistema vivo, uma mãe a ser reverenciada e temida, mas, ao contrário, uma coisa inerte que poderia ser inteiramente conhecida e da qual se poderia extrair riquezas indefinidamente.

Mas a ideia de que poderíamos dominar a natureza e agir sem pensar nas consequências entrou em colapso com as mudanças climáticas. O aquecimento global nos coloca, os seres humanos, em nosso lugar, de maneira profundamente perturbadora para uma visão de mundo baseada na dominação. Mas é algo a ser abraçado, se você tem uma visão de mundo baseada em interconexão. É o que a maioria dos cientistas tem, cada vez mais.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Estes arquitectos querem mudar o clima através do urbanismo

Sofia Pera e João Cortesão criaram um gabinete de urbanismo que, com metodologias e "software" próprios, consegue prever que alterações climáticas um determinado projecto pode conseguir. A câmara do Porto está em negociações com eles.

Há uma resposta sumária que Sofia Pera guarda na ponta da língua para esclarecer uma dúvida que ainda surge com mais frequência do que gostaria. “As pessoas ainda me perguntam o que faz um urbanista. Eu digo sempre que um urbanista faz tudo aquilo que tu vês quando sais da porta da tua casa”, verbaliza, com um aceno de concordância de João Cortesão. Os dois arquitectos e urbanistas compõem a dupla do Still Urban Design, um gabinete de urbanismo que incorpora estratégias de desenho bioclimático e, com metodologias e SOFTWARE” próprios, consegue prever que mudanças climáticas pode operar num determinado espaço com um certo projecto.

TRATARo clima como “elemento projectual” é o ponto de partida para tudo o que João e Sofia fazem — e o que eles sonham não tem só a ver com projecto, mas também com educação e sensibilização para questões ligadas ao ambiente. Quando em Abril deste ano foram aceites como um dos 17 projectos finalistas da terceira edição do Programa de Aceleração de Start-ups do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), iniciaram uma louca corrida de erguer uma empresa em seis meses com uma “motivação muito grande”: “Contribuir de forma positiva para o desenvolvimento urbano”, recorda João Cortesão, 31 anos. E a amiga Sofia Pera, 32 anos, completa com um sorriso: “Também queremos lutar um bocadinho contra esta ideia de que o que é sustentável é verde. Nós não temos só árvores na cabeça.”

Com apenas seis meses deTRABALHO, a dupla tem já alguns projectos em mãos e estão em negociações com a Câmara Municipal do Porto, a quem apresentaram uma proposta que envolve “um protótipo de módulos bioclimáticos combinados com mobiliário” que poderão ser usados em vários contextos, como eventos e festivais por exemplo. Os pormenores — e a praça para a qual o Still Urban Design apresentou a proposta — estão ainda no segredo dos deuses, mas os arquitectos prometem soluções que serão “quase uma forma de provocação”. Acompanhando com “investigação teórica” (e aqui a dupla tem vastas possibilidades, já vamos aos currículos), João e Sofia querem “usar a cidade como um laboratório” para ir validando as metodologias que pretendemAPLICAR. Ser urbanista em Portugal é essencialmente fazer “acupunctura” no espaço exterior — e isso é aliciante, diz Sofia Pera: “Temos uma história tão rica que não fazemos coisas do zero e a mim sempre me atraiu muito essa ideia.”


Mudanças climáticas através do urbanismo

O Still Urban Design — que se apresentou noINÍCIO do mês na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), durante o Startup Pitch Day da UPTEC, e recebeu uma menção honrosa — promete resultados. “Conseguimos dizer que pegando numa praça e pondo determinados elementos — vegetação, espelho de água, materiais — aquilo que se espera é que no período de cinco ou dez anos (o factor paciência é importante) conseguimos reduzir a temperatura nesta magnitude, a temperatura das superfícies naquela, a radiação noutra percentagem”, exemplifica João Cortesão.

As “visíveis” alterações climáticas e o aquecimento global seriam razões mais do que suficientes para que o urbanismo tivesse um lugar mais importante no desenvolvimento das cidades, defendem. “E ainda que isso não existisse há uma coisa que se chama saúde e bem-estar das pessoas em meio urbano”, acrescenta o arquitecto. Exemplos práticos: se a escolha do pavimento não for correcta, a probabilidade de “a cidade se transformar num rio” quando há chuva é grande e isso implica gastos posteriores na descontaminação das águas e do ar; se essa descontaminação das águas não for feita, há gastos posteriores em saúde; se o espaço exterior não é agradável as pessoas não permanecem nele, logo as economias locais (cafés, restaurantes) não crescem. 

Nas últimas décadas, o que se tem feito em Portugal em termos de reabilitação urbana “foi muito numa questão de limpeza”, lamentam. “Vemos reabilitações do espaço urbano que são profundamente vazias e assépticas”, lamenta Sofia Pera. A pedonalizaçao é uma boa solução? “'Pedonalizar' está na moda e ainda bem. Mas o que dizemos é: não vale a pena 'pedonalizar' um espaço se não garantirmos que as pessoas o utilizam. Retirar carros e regularizar o pavimento não chega e a permanência no espaço público tem sido negligenciada.” Outro erro clássico: "Pôr relva no nosso clima é um desinvestimento. Nós conseguimos diminuir custos escolhendo as espécies certas e contemplando formas de manutenção adequadas." 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Encontros improváveis- Fernando Pessoa e Ludovico Einaudi - Night


Como a Noite é Longa!

Como a noite é longa!
Toda a noite é assim...
Senta-te, ama, perto
Do leito onde esperto.
Vem p’r’ao pé de mim...

Amei tanta coisa...
Hoje nada existe.
Aqui ao pé da cama
Canta-me, minha ama,
Uma canção triste.

Era uma princesa
Que amou... Já não sei...
Como estou esquecido!
Canta-me ao ouvido
E adormecerei...

Que é feito de tudo?
Que fiz eu de mim?
Deixa-me dormir,

Dormir a sorrir
E seja isto o fim.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Mais textos e crónicas sobre Fernando Pessoa no Bioterra.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Ensinem os filhos a falhar (com video)

"... O processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro." - Jean-Pierre Lebrun

Nos últimos 30 anos, a ideia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente. As consequências disso não são necessariamente ruins, como explica o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, uma das principais referências na Europa no estudo sobre mudanças nas relações entre pais e filhos. Mas, para tanto, é preciso aprender a negociar com os filhos mantendo a autoridade. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que Lebrun concedeu à revista Veja quando no Brasil para o 3º Encontro Franco-Brasileiro de Psicanálise e Direito.

Por que os pais hoje têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
Jean-Pierre Lebrun: Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele podia ser ocupado por Deus, ou pelo papa, ou pelo pai, ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos. Hoje, a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E, na rede, não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.

Existe uma fórmula para EVITAR que os filhos sigam por um caminho errado?
Jean-Pierre Lebrun: É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente. Quando os pais, a família e a sociedade dizem o tempo todo que é preciso conseguir, conseguir, conseguir, massacram os filhos. É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Às vezes é preciso lembrar coisas muito simples que as pessoas parecem ter esquecido completamente. Estamos como que dopados. Os pais sabem que as crianças não ficarão com eles a vida inteira, que não vão conseguir tudo o que sonharam, que vão estabelecer ligações sociais e afetivas que, por vezes, lhes farão mal, mas tentam agir como se não soubessem disso. Hoje os filhos se tornaram um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.

Falando concretamente, como é possível perceber essa diferença no comportamento das famílias hoje?
Jean-Pierre Lebrun: A mudança é visível. Na Europa, por exemplo, quando um professor dá nota baixa a um aluno, é certo que os pais vão aparecer na escola no dia seguinte para reclamar com ele. Há vinte, trinta anos, era o aluno que tinha de dar satisfações aos pais diante do professor. É uma completa inversão. Posso citar outro exemplo. Desde sempre, quando se levam os filhos pela primeira vez à escola, eles choram. Hoje em dia, normalmente são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças. Isso acontece porque eles não são capazes de seAPRESENTAR como a geração acima da dos filhos. É uma consequência desse novo arranjo social, em que os papéis estão organizados de forma mais horizontal.

Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior?
Jean-Pierre Lebrun: Hoje os pais precisam discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar ideias, quem decide são os pais.

Essas mudanças na estrutura social podem influenciar em aspectos negativos como, por exemplo, o uso abusivo de drogas?
Jean-Pierre Lebrun: Não há uma relação automática. Os mecanismos pelos quais os indivíduos se tornam dependentes químicos são diversos e complexos. A psicanálise ajuda a identificar alguns deles. Vou dar um exemplo. Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Eduardo Galeano: Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável

A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para PAGAR dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?

A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal PARECE não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.

A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de TRABALHO.

O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de PAGAR.

Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.

“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Rachel Carson- pensamento


The more clearly we can focus our attention on the wonders and realities of the universe about us, the less taste we shall have for destruction.”Rachel Carson

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A inacreditável moradia com jardim vertical em Lisboa (com vídeo)


De vez em quando, entre artigos de jornal e partilhas de redes sociais, aparece-nos este edifício. Situado na Travessa do Patrocínio, junto a Campo de Ourique, Lisboa, esta moradia tem o selo da ADN Garden e uma grande novidade nos edifícios da capital: um jardim vertical com mais de 4.000 plantas.

Agora é a nossa vez de falarmos dele: a moradia de três pisos substituiu umas antigas ruínas e é a prova que reabilitação e sustentabilidade casam bem. Cada piso tem um aroma: o primeiro a alecrim, o segundo a alfazema e o terceiro a caril. “Esta rua tem um cheiro de campo na Primavera e Verão”, explicou ao Economia Verde João Salgueiro, da ADN Garden.

Segundo Tiago Rebelo de Andrade, um dos três arquitectos responsáveis pelo projecto, o jardim vertical ajuda o edifício termicamente. “Existem painéis solares em cima dos elevadores, para aquecimento de águas, e o próprio conceito da arquitectura também o torna sustentável, na medida em que traz a natureza para o centro da cidade”, explica.

A base do sistema é hidropónico, um sistema gota a gota controlado por várias secções. Nas que estão mais expostas ao Sol, a rega é feita mais vezes ao dia. Nas zonas menos expostas ao Sol, a rega é menor. 

O único inconveniente da moradia é o preço: €1,5 milhões. Mas nem isso deverá ser entrave à aquisição do imóvel, segundo Luís Soares Franco, da promotora do projecto, a BWA. “Claramente há mercado, sobretudo numa época como esta de crise, onde são verdadeiramente os projectos originais aqueles que mostram a diferença e vingam”, explicou ao Economia Verde.

A BWA diz que esta moradia é um projecto único em Portugal e o primeiro edifício de habitação com cobertura de jardins verticais nas suas fachadas. Se estiver interessado pode conhecê-lo melhor aqui e com video reportagem aqui

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Os 10 Mandamentos de Gonçalo Ribeiro Telles para a criação de um jardim


1. Aposte na sublimação do lugar, tornando-o feliz e ameno.

2. Invista em lagos e charcos. A presença da água, traduzida na sua serenidade estética, confere um movimento ritmado e uma dinâmica musical ao jardim.

3. Arrisque em espécies que podem fazer a diferença, para sublimar a pujança da natureza compreendida na sua diversidade biológica e no ritmo de vida.

4. Tire partido da luminosidade natural dos espaços. O esplendor da luz é conseguido através do contraste sombra-claridade e da harmonia das cores.

5. Deixe-se influenciar pela geometria, apostando na profundidade das perspectivas e no recorte dos sucessivos planos conseguindo valorizar distancias e formas.

6. Olhe à sua volta. A integração na paisagem envolvente, sempre que esta seja ordenada e bela.

7. Não imponha uma visão que pode não ser a mais adequada. Aceitar com base da concepção do jardim ou da paisagem a ordem natural da natureza liberta da acepção da sociedade humana.

8. Valorize os aspectos culturais da paisagem. Tal implica impor à ordem natural a ordem cultural que sublimará aquela em face do seu único utente, o homem.

9. Evite os excessos. Esta recomendação passa por exaltar no jardim ou na paisagem a simplicidade no ordenamento das coisas, evitando a decoração pela decoração.

10. Planeie e não tenha medo de recorrer a ajuda especializada. Um jardim e uma paisagem são fruto de concepções e projectos e nunca de arranjos ou decorações, pelo que a sua grandeza e beleza resulta no que lhes é essencial na medida certa.

in Revista Jardins nº 127 - Junho de 2013

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Descoberto gene capaz de tornar bactérias imunes a todos os antibióticos



As bactérias estão a tornar-se cada vez mais resistentes aos antibióticos
Cientistas descobriram na China um gene capaz de tornar bactérias invencíveis, resistentes mesmo a um a tipo de antibióticos de último recurso, denominados como polimixinas. O perigo é que doenças habitualmente tratáveis, como pneumonias e infecções urinárias por E.coli, possam vir a tornar-se letais.

“Estes são resultados extremamente preocupantes”, disse Liu Jian-Hua, professor da Universidade Agrícola do Sul da China e coautor do estudo divulgado na publicação científica britânica “The Lancet”.

A descoberta ocorreu após terem sido detetadas superbactérias em testes de rotina a porcos e galinhas no sul da China. Os animais transportavam uma bactéria resistente à colistina, um antibiótico potente de uso corrente na criação de gado.

Os investigadores analisaram as amostras de bactérias K. pneumoniae e E.coli recolhidas em porcos e galinhas vendidas em dezenas de mercados de quatro províncias chinesas.

GENE JÁ DETECTADO EM HUMANOS

Também analisaram os testes de laboratório de pacientes de dois hospitais, das províncias de Guangdong e Zhejiang.

Mais de 20% das bactérias encontradas nos animais, e mais de 15% das amostras de carne crua, tinham indicadores do gene MCR-1, que também foi encontrado em 16 dos 1322 pacientes cujos testes foram analisados.

A baixa taxa de infecções detectadas entre os humanos aponta para que a bactéria resistente tenha passado, com forte probabilidade, dos animais para os humanos, refere o mesmo estudo.

O gene é facilmente propagado de uma estirpe para outra, o que cria receios de uma “potencial epidemia” e está a preocupar os investigadores.

RISCO DE EXPANSÃO GLOBAL

A Organização Mundial da Saúde já alertou que a resistência antimicrobiana poderá conduzir “ao retrocesso a uma era préantibióticos”, na qual mesmo pequenas infecções ou cortes podem revelar-se fatais.

O estudo indicou que o gene MCR-1 está “actualmente confinado à China”, mas alerta para a possibilidade de vir a alastrar-se para outro pontos do globo. Alguns dados recolhidos apontam mesmo para que já possa ter chegado ao Laos e à Malásia.

Fonte: Expresso

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Conheça Drumi, a máquina de lavar portátil que não requer energia eléctrica


Imagine a seguinte situação: você quer viajar para o campo e passar um tempo acampando e se divertindo, mas a estadia vai exigir que você lave as suas roupas à mão. Ter uma máquina de lavar nesse momento seria excelente, não é mesmo? É aí que o conceito da Drumi se aplica: uma lavadora portátil que exige zero de energia eléctrica e pode ser utilizada em qualquer lugar.

O projecto foi criado por uma startup canadiana chamada de Yirego, que queria desenvolver uma alternativa à máquina de lavar doméstica, responsável por consumir uma grande quantidade de água e energia. O objecto é capaz de limpar uma quantidade pequena de roupas com apenas 9 litros de água e funcionar com a energia mecânica de um pedal, similar às antigas máquinas de costura.

A Drumi consegue lavar até sete peças de roupa simultaneamente. Basta manter o ritmo no pedal por cinco minutos para realizar o processo, que é dividido em três etapas: lavagem, enxague e secagem rápida.

Ecologicamente correcta

Um dos grandes destaques da lavadora portátil é a política ecologicamente correta utilizada pela Yirego. Além de consumir pouca água – cerca de 80% a menos que um eletrodoméstico comum – e nenhum tipo de energia elétrica, 40% da Drumi é construída com materiais reciclados.

Por enquanto, o projeto está em pré-venda no Canadá e Estados Unidos.

Fonte: Tecmundo

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Crianças que não brincam na Natureza, não se preocupam em protegê-la, diz artigo

Se um futuro melhor depende das gerações que ainda estão por vir, então algumas coisas precisam mudar. Em artigo escrito por George Monbiot no jornal britânico The Guardian, o autor coloca em cheque as consequências da falta de contato das crianças actuais com a natureza.

A cada ano que passa, as crianças estão mais presas dentro de suas casas. Segundo Monbiot, no Reino Unido, apenas uma em cada dez crianças têm o hábito de praticar atividades ao ar livre em ambiente natural. Em contrapartida, os adolescentes que têm entre 11 e 15 anos gastam metade do dia em frente a uma tela, seja ela de computador, televisão ou smartphone. A situação é semelhante em diversas partes do mundo.

O autor cita várias hipóteses para essa mudança. Enquanto nas décadas passadas as crianças tinham mais autonomia para brincar na rua e até mesmo se deslocarem sozinhas, hoje os pais têm que lidar com o medo da violência, do trânsito e de pessoas estranhas. Assim, ficar dentro de casa é a opção mais prática, mas não a melhor delas.

Monbiot coloca esse novo hábito “doméstico” como algo perigoso, principalmente para a saúde. A inactividade dos jovens resulta em doenças como diabetes, obesidade, raquitismo e declínio das habilidades cardio-respiratórias. Muitos desses problemas seriam evitados se as brincadeiras em meio à natureza fossem mantidas, como é possível concluir em um estudo conduzido pela Universidade de Illinois, nos EUA. A pesquisa sugere que brincar na grama, entre árvores, ajuda até mesmo a reduzir os sintomas do déficit de atenção e dos problemas de hiperatividade.

Além da saúde, a falta de contato das novas gerações com a natureza pode se transformar em um problema muito maior. Como ter cuidado ou se preocupar com algo que você não conhece e não tem intimidade? Esta é a questão levantada pelo britânico. Para ele, os ativistas ambientais costumam ser pessoas que passaram a infância imersos na natureza. “Sem um sentimento pelo mundo natural e sua função, sem uma intensidade de envolvimento nas experiências da infância, as pessoas não vão dedicar suas vidas à proteção”, conclui o artigo. (Fonte: Ciclo Vivo)

Clique aqui para ler o artigo. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Augusto Cury: “Nunca tivemos uma geração tão triste”

Fonte: M de Mulher
Augusto Cury, o famoso psiquiatra que tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e lá fora, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século. O autor conversou com a gente sobre os desafios de se criar os filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. Confira!

Excesso de estímulos
"Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja ACESSO ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema 'bateu, levou', e a desenvolver altruísmo e generosidade."

Geração triste
"Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais."


Dor compartilhada
"É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: 'Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei'. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a TRABALHAR dores perdas e frustrações."

Intimidade
"Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só actuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem VALER por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais."

Mais brincadeira, menos informação
"Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não COLOCAR limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de reflectir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo."

Parabéns!
"Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis."

Conselho final para os pais
"Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para actuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar a mente, como vão AJUDAR seus filhos a diminuírem a ansiedade?"

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Encontros Improváveis- Cecília Meireles e Bob Holroyd with Happy Rhodes - Games Without Frontiers





Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,...
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar.

Cecília Meireles

terça-feira, 24 de novembro de 2015

CIBIO identifica nova espécie de mamífero em Portugal


Fonte: CIBIO
Uma equipa de investigação portuguesa, da qual fez parte Joana Paupério, investigadora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), da Universidade do Porto, confirmou recentemente o primeiro registo de ocorrência em Portugal do rato-das-neves (Chionomys nivalis), uma espécie de mamífero cuja existência no nosso país era até agora desconhecida.

Pardo, com longos bigodes (vibrissas) brancos, patas posteriores muito desenvolvidas e cauda comprida. Assim se caracteriza o pequeno animal observado no verão de 2014, no Parque Natural de Montesinho, pelo fotógrafo de vida selvagem Gonçalo Rosa. As fotografias foram depois enviadas para Hélia Vale Gonçalves e Paulo Barros, investigadores no Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que confirmaram tratar-se de uma nova espécie.

O passo final até à confirmação da descoberta implicou a captura – e posterior libertação – de dois animais (um macho e uma fêmea) e uma viagem até ao laboratório de Joana Paupério no CIBIO-InBIO. Os resultados obtidos através de análise genética permitiram verificar que são geneticamente próximos, mas diferentes das populações já estudadas do centro de Espanha.

“O rato-das-neves tem uma distribuição fragmentada na Europa, pois encontra-se restrito a zonas montanhosas, e as suas populações apresentam uma diferenciação genética considerável ao nível mitocondrial”, refere a investigadora. Especializada no estudo dos micromamíferos, Joana Paupério revela ainda que “a população detetada em Portugal está localizada no limite da área de distribuição, mas é geneticamente próxima das restantes populações ibéricas”.

Publicada na revista Italian Journal of Zoology, a descoberta do rato-das-neves em Portugal pode ser importante para promover a conservação de uma espécie bastante sensível a alterações do habitat e que tem um papel importante na disseminação de sementes.”As populações espanholas estão classificadas como quase ameaçadas, pelo que a descoberta desta população em Portugal tem elevada relevância para a conservação deste roedor”, explica Joana Paupério, alertando para a necessidade de serem conduzidos “censos regionais rigorosos sobre distribuição dos micromamíferos, a fim de garantir a preservação da espécie”.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Califórnia: seca matou 12 milhões de árvores

O estado da Califórnia, nos Estados Unidos, perdeu 12 milhões de árvores nos últimos tempos, consequência da seca, dos fogos florestais e do escaravelho da casca, de acordo com o US Forest Service.

De acordo com Gregory Asner, da Universidade de Stanford, esta é uma estimativa conservadora, porém. Por outro lado, cerca de 120 milhões de árvores, quase 20% do total de árvores do estado, estão ameaçadas devido à seca. Mesmo que o El Niño traga alguma chuva.

“A mortalidade de árvores das florestas da Califórnia está a pôr em risco infra-estruturas e vidas, uma vez que leva ao aumento massivo das condições para incêndios e outras ameaçadas colocadas pelos troncos caídos”, explicou o Governador Jerry Brown numa carta enviada ao secretário da Agricultura norte-americano, Tom Vilsack. “É o pior caso de sempre de mortalidade de árvores”, concluiu.

Cerca de 30% da população da Califórnia vive em áreas próximas da floresta, o que coloca autoridades e população sob alerta de uma possível tragédia a curto prazo. Para além das casas, também as infra-estruturas eléctricas, estradas e outras propriedades estão vulneráveis.

Uma das primeiras medidas para prevenir uma catástrofe já foi tomada: as autoridades locais e estatais vão passar a trabalhar juntas para remover as árvores mortas de zonas mais vulneráveis aos incêndios.

No entanto, a situação só ficará controlada quando a própria seca terminar, o que não se prevê que aconteça no curto prazo. Ou, segundo o City Lab, também no médio e longo prazo.

Fonte: GreenSavers

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A aristocracia não está satisfeita – quer ainda mais

Uma nova análise do tratado "comercial" TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento), proposto por Obama, que os EUA acordariam com a Europa, conclui que ele foi iniciado e modelado por grandes empresas internacionais, que, ainda de acordo com a única análise económica independente já feita até agora do TTIP, virão a ser as únicas beneficiárias do Tratado proposto – tudo à custa do público de cada um dos países participantes. 

Este novo estudo intitula-se "Serviços Públicos sob Ataque" , mas tem um âmbito maior do que os impactos do tratado proposto para substituir os "serviços públicos" por serviços privados. 

O Corporate Europe Observatory, em 12 de outubro, apresenta o título para este estudo, "Serviços Públicos sob ataque através do TTIP e do CETA" , e lista 15 das conclusões essenciais do relatório, na sua opinião. O que se segue serão citações extensas do estudo, portanto este resumo provém principalmente do relatório. 

O estudo é " publicado pela Association Internationale fr Techniciens, Experts et Chercheurs (AITEC), Corporate Europe Observatory (CEO), European Federation of Public Services Unions (EPSU), Instytut Globalnej Odpowiedzialnoœci (IGO), Transnational Institute (TNI), Vienna Chamber of Labour (AK Vienna), and War on Want".Portanto, reflete uma preocupação com os trabalhadores e com os pobres, não só com os proprietários das empresas – sendo que estes últimos são os únicos patronos e beneficiários do proposto Tratado. 

Este novo estudo começa por definir (pg. 8) "Serviço Público": "Serviços públicos são os que são prestados por um governo à sua população, normalmente com base no consenso social de que determinados serviços devem estar disponíveis a toda a gente, independentemente dos seus rendimentos". Outra forma de afirmar isto é que um "serviço público" é o que é prestado aos cidadãos como um direito, disponível a todos igualmente, em vez de um privilégio, disponível apenas com base na capacidade de pagar. O "consenso social de que determinados serviços devem estar disponíveis a toda a gente, independentemente dos seus rendimentos" é repudiado em tratados como estes, porque reflete a perspetiva "libertária" (para usar o termo dos EUA) ou "liberal" (para usar o termo europeu), de que a riqueza duma pessoa reflete a contribuição dessa pessoa para a sociedade, de modo que as pessoas pobres não tenham direitos nenhuns. (Em apoio deste ponto de vista, Adam Smith, no seu Lectures on Jurisprudence, na edição Glasgow de 1762, disse: "Enquanto não houver propriedade, não pode haver governo, cuja finalidade é garantir a riqueza e defender os ricos dos pobres". 

Escreveu isto numa sociedade e numa época em que na prática toda a riqueza – ou a pobreza – era herdade dos pais, não era ganha. Descrevia os pobres como sendo os inimigos. Seus direitos não eram superiores à sua riqueza, na sua opinião. Manteve esta perspetiva aristocrática toda a vida). Este ponto de vista é com frequência referido como "conservadorismo", porque conserva a estrutura de poder existente, em que os mais ricos (a aristocracia) são os mais poderosos no futuro, tal como tinham sido no passado. Consequentemente, no Ocidente pelo menos, a polaridade ideológica é entre o "liberalismo" versus "conservadorismo", os quais são fundamentalmente o mesmo . O progressismo quase não tem nome, por enquanto. (Por outras palavras: o "debate" ideológico é falso e está modelado dos "dois" lados pela aristocracia). 

Portanto, os proponentes dos propostos tratados "comerciais" de Obama intitulam-se, variadamente, "liberais", libertários" e "conservadores", mas só a terminologia varia, porque a realidade, essa não. 

A mesma secção do estudo diz: "Com tratados de comércio livre, como o CETA e o TTIP, os governos vão perder espaço político para organizar os serviços públicos de acordo com as preferências da sociedade, encerrando-se na liberalização e na privatização. Isto está a levantar grandes preocupações sobre se o lucro irá distorcer a capacidade de esses serviços serem governados no interesse público. Além disso, as tentativas do governo de os regulamentar podem ser consideradas 'barreiras ao comércio' e frustradas". 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Fome agrava-se na África Oriental

Foto de Tapperoa/ Flickr
"No início de 2016, é esperado que o número de pessoas afectadas pela insegurança alimentar suba para 32,1 milhões", refere o relatório do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), acrescentando que “outros dois milhões podem ser vítimas de situações climatéricas extremas.”

“Desde o passado mês de Maio”, sublinha o OCHA,” o total de pessoas afectadas subiu de 18,5 milhões para 25,3 milhões, temendo-se que, em Janeiro de 2016, possa chegar aos 32,1 milhões.”

Enquanto países como Sudão, Eritreia, Etiópia e Djibuti podem ser alvo de seca "extrema", outros, como Quénia, Somália e Uganda, correm "sérios riscos" de cheias e inundações.

Este relatório refere ainda que “mais de 90 mil pessoas do sul da Somália já foram afectadas por semanas de chuvas torrenciais, obrigando mais de metade delas a abandonar as zonas de residência.”

Na Etiópia, o "El Niño" não permitiu a ocorrência das chuvas de verão necessárias para aumentar as colheitas de cereais, deixando 8,2 milhões de pessoas dependentes de ajuda alimentar, ou seja, o dobro daquelas que necessitavam de apoio seis meses antes.

O "El Niño" é desencadeado pelo aquecimento da temperatura das águas à superfície no oceano Pacífico e pode provocar, ao mesmo tempo, chuvas torrenciais numa parte do planeta e secas severas noutras.

De acordo com aquele organismo das Nações Unidas “mais de 350 mil crianças etíopes estão em risco e muitas delas poderão morrer de fome, doença ou pela falta de água potável se não receberem assistência até ao final deste ano.”

"O "El Niño" pode ainda levar a um aumento significativo de doenças, como a malária, dengue, diarreia e cólera, as principais causas de morte entre as crianças na Etiópia e noutros países africanos”, alertou por seu turno, a UNICEF.

Por outro lado, a guerra civil no Golfo de Aden e no Iémen, que tem gerado uma crise de refugiados para a Somália e Djibuti, o conflito no Sudão do Sul e a violência no Burundi têm ajudado a ensombrar ainda mais a situação, aumentando o número de refugiados.

Por seu turno, a guerra civil no Sudão do Sul já deixou 40 mil pessoas em situação de fome extrema, número que pode subir de forma de forma significativa nos próximos meses.

Fonte: EsquerdaNet

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

As três irmãs – Milho, Feijão e Abóbora

Os americanos nativos usam o termo “três irmãs” para se referirem ao milho, feijão, e abóbora. Estas três irmãs dão uma lição na cooperação ambiental que os americanos nativos sentem que todos os seres humanos devem praticar hoje.

Plantadas juntas:
- o milho FORNECE a haste para os feijões escalarem;
- os feijões fornecem o nitrogénio/azoto ao solo para nutrir o milho;
- a abóbora PROTEGE a terra, impedindo a competição da vegetação não desejada e protege as raízes rasas do milho. Também contribui para a preservação da humidade no solo.

Este princípio é ainda hoje praticado no nosso país, conhecimento sobretudo das gerações mais antigas e das regiões mais remotas. É uma técnica que aumenta a produtividade reduzindo o esforço, pelo que é uma excelente ideia a considerar na sua horta.

O milho, feijões e abóboras, complementam-se: milho o hidrato de carbono, os feijões para a proteína e a abóboras para a vitamina A.

Ao mesmo tempo, pode usar qualquer trepador da mesma família, seja feijão ou ervilha; outro suporte como girassol e melão, meloa ou melancia para a cobertura do solo.