quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Encontros improváveis: Eleni Kairandrou e Fernando Pessoa

Desejo a todos um óptimo ano de 2015! 


Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
Alberto Caeiro [Fernando Pessoa (1888-1935)]
"Se eu pudesse trincar a terra toda" in «O Guardador de Rebanhos», Poema XXI [1914]

Dito por Pedro Lamares no seu Projeto COiNCIDÊNCIA (2009)
Filme gentilmente disponibilizado no site Beachfront B-Roll
Música: Eleni Kairandrou, "Ulysses' Theme / Litany" in «Ulysses' Gaze. OST» (1994)

Mais textos e crónicas sobre Fernando Pessoa no Bioterra.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Um poema do meu filho


"Eu falo de amor,eu falo de paixão,
Expresso na poesia as coisas do coração.
Sou o LS e na rima dos meus versos,
Venho falar das belezas,que existem no universo.

Rap e poesia...Arte em movimento...
Inspiração,de repente,de momento.
Nossa cultura é rica e diversificada
Para dar o meu recado tô chegando na parada.

A vida é bela e viver é bom demais,
Viver intensamente,viver em paz.
Viver em plenitude como o poeta diz,
Viver sem receio,sem medo de ser feliz.

A poesia no rap,o rap na poesia,
Essa união já deu certo e contagia.
Inspiração fluindo dentro do peito,
Mostrando que na arte não pode haver preconceito."

Leandro Soares, 12 anos

domingo, 28 de dezembro de 2014

sábado, 27 de dezembro de 2014

Polifonia Portuguesa- Duarte Lobo


COMO VEJO O MUNDO 
"Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros."~ Jonathan Swift

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Poema da Semana- Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco

Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.


Walt Whitman

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Feliz 25 de Dezembro- "Istambul" espectáculo ao vivo de Jordi Savall e Hespèrion XXI


Dimitri Cantemir (1673-1723) compôs "O Livro da Ciência da Música", que dedicou ao sultão Ahmed III. 
As músicas otomanas em diálogo com as tradições arménias, gregas e sefarditas.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Encontros improváveis: Mahdieh Mohammadkhani e Antero de Quental



Nirvana

Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,
Livre de angústias e felicidades,
Deixando pelo chão rosas e espinhos;

Poder viver em todas as idades;
Poder andar por todos os caminhos;
Indiferente ao bem e às falsidades,
Confundindo chacais e passarinhos;

Passear pela terra, e achar tristonho
Tudo que em torno se vê, nela espalhado;
A vida olhar como através de um sonho;

Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro - é ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura!


Antero de Quental, in "Sonetos"

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

EcoNatal- A História do Racismo e do Escravagismo (BBC)

A "História do Racismo" é um documentário produzido e realizado pela British Broadcasting Corporation (BBC) - que aborda o legado deixado pelo racismo e pelo escravismo ao longo dos séculos -, como parte da comemoração do bicentenário da Lei de Abolição ao Tráfico de Escravos (1807), a BBC 4, dentro da chamada "Abolition Season", exibiu uma série composta por três episódios, independentes entre si, abordando a história e os aspectos do racismo pelo mundo. São eles: "A Cor do Dinheiro", "Impactos Fatais" e "Um Legado Selvagem".

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Compaixão Activa: uma urgência


"Segundo os nossos estudos, a compaixão parece ser um dos ingredientes-chave para a felicidade genuína" - Daniel Goleman 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Seis tipos de plantas funcionam como repelentes naturais de insetos

Citronela
Plantar uma semente, regá-la, introduzir terra e acompanhar seu crescimento. Todas essas são práticas que os amantes de plantas adoram realizar - muitas vezes as encaram até como terapia. No entanto, certas plantas atraem insetos, que podem inibir o próprio crescimento dos vegetais ou trazer transtornos por causa de sua grande concentração e reprodução.
Uma possível solução passa pelo uso de pesticidas e repelentes, se não fosse o fato de que eles são nocivos não só para as plantas, mas para a saúde humana, pois contêm substâncias tóxicas. A melhor opção, mais saudável e ecológica, é criar plantas que repelem insetos em seu jardim, principalmente em locais com grande incidência de insetos. Dê uma olhada:

Lavanda
Além de ser uma planta que pode perfumar ambientes internos, devido ao seu cheiro adocicado, e decorá-los, por causa de sua beleza, a lavanda ajuda a espantar mosquitos;
Citronela

Outro excelente repelente natural contra mosquitos, principalmente os borrachudos e os pernilongos. Caso seja combinada com outras duas plantas repelentes naturais, a erva do gato e a cascata gerânio, o efeito se torna mais potente ainda;

Hortelã
Basta plantar várias em torno do seu jardim que as formigas não vão mais incomodar suas plantas. Aproveite para ver aqui outra forma de se livrar das formigas em casa sem usar pesticidas;

Ajuda a manter baratas, percevejos, pulgas e carrapatos afastados;

Manjericão
O cheiro forte da planta afasta moscas e mosquitos;

Alecrim
Também repele os mosquitos e pode ajudar a manter gatos afastados de locais em que a presença deles seja indesejável, como numa caixa de areia destinada para o lazer de crianças. Basta colocar algumas folhas de alecrim no local - os gatos não gostam do cheiro.

Confira este vídeo (em inglês) sobre as diferentes plantas que repelem os mosquitos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Nós cientistas estamos assustados: Estamos indo direto para o matadouro!

Antonio Donato Nobre é um dos melhores cientistas brasileiros, pertence ao grupo do IPCC que mede o aquecimento da Terra e é um especialista em questões amazônicas. É mundialmente conhecido como pesquisador do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Excerto do evento de lançamento do relatório “O Futuro Climático da Amazônia” em 30/10/2014.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Sobre postura, ergonomia, trabalho, estudo e...computadores vs ar livre...

Se é viciado em trabalho.Bem...Então pelo menos faça direito! Vejam até ao fim...

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Escolas que questionam o sistema e dão a cada aluno o seu tempo

Há escolas que não têm manuais, nem aulas expositivas. Em algumas são os alunos que escolhem o que estudar e quando querem ser avaliados. Noutras, as notas não contam mais do que aprender a conhecer-se e a ser feliz.
[Texto completo no Público, 24 de Novembro]

O dia começa com uma roda. De mãos dadas, cantam, saltam à corda, dizem poemas. A professora toca flauta, fala do vento, eles rodopiam. Só depois vão para a aula. A Casa da Floresta Verdes Anos, colégio em Lisboa onde não há computadores nem quadros interactivos, não é a única a seguir uma via menos convencional.

N’Os Aprendizes, em Cascais, além do edifício onde decorrem as aulas, há uma casa, o Reino dos Sentidos, dedicada sobretudo à arte-terapia: não é só para meninos com necessidades educativas especiais, qualquer criança pode ir lá e tentar ultrapassar uma dificuldade através da pintura, música, neuroterapia, entre outras hipóteses.

Estes colégios são privados, mas a Escola da Ponte, Santo Tirso, do pré-escolar ao 3.º ciclo, é pública. Sem aulas expositivas, são os alunos que escolhem as matérias e quando querem ser avaliados.

São três exemplos, entre outros que não encaixam no sistema convencional. Não se vangloriam de serem os melhores nos rankings, mas garantem que as crianças aprendem e trabalham a criatividade, o espírito crítico, a cidadania, a liberdade, a responsabilidade.

“Não acreditamos na avaliação quantitativa, mas qualitativa. O professor olha para cada criança e vê se brinca, se come, se resolve um problema na sala, lá fora, se tem dificuldade a Português, a Matemática. Não há um melhor do que outro”, diz Rita Dacosta, directora da Casa da Floresta, colégio até ao 1.º ciclo que segue a pedagogia Waldorf.


Além desta pedagogia, Os Aprendizes cruza o método High Scope e o Movimento Escola Moderna. À fusão chamaram “Pedagogia do Amor”: “Está na moda falar em sucesso, não em amor. Mas preparar os miúdos para a vida não é só prepará-los tecnicamente. Ser bem sucedido profissionalmente é ser feliz, realizado, trabalhar em algo produtivo, é cada um alcançar o máximo do seu potencial”, diz Sofia Borges, directora deste colégio até ao 2.º ciclo.

sábado, 29 de novembro de 2014

Aafje Heynis: "Return, o God of hosts" (Samson) by Haendel


Samson é considerado um dos melhores trabalhos dramáticos de Händel. 
______Uma canção de Handel por dia, nem imagina o bem que lhe fazia.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

As árvores são santuários.


"As árvores são santuários. Seja quem for que saiba como falar-lhes, seja quem for que saiba como escutá-las, pode aprender a verdade. Elas não pregam erudição nem preceitos, elas pregam, sem se deixarem intimidar por pormenores, a antiga lei da vida" ~ Hermann Hesse


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Portugal é a 15ª economia verde do mundo

Portugal é a 15ª economia verde dentro de um ranking que analisou os investimentos verdes de 60 países distribuídos por todos os continentes. O ranking – Global Green Economy Index 2014 – foi elaborado pela consultora internacional Dual Citizens e elegeu a Suécia como o país que apresenta a melhor performance rumo a uma economia mais sustentável.
Lançado em 2010, o índice elabora dois rankings simultâneos: o de performance, que analisa o que realmente os países fazem para alcançarem uma economia mais verde, e o de perceção, que é baseado numa investigação com especialistas e personalidades do setor e que demonstra a visão dos mesmos sobre as nações que compõem a lista.
A elaboração do ranking de performance utiliza 32 indicadores para avaliar os 60 países, tendo em conta aspetos como mercados e investimentos, liderança em alterações climáticas, setores eficientes e capital natural e ambiental.
No ranking de performance, Portugal ocupa o 15º lugar, que é encabeçado pela Suécia e logo depois pela Noruega. Já no Ranking de perceção, Portugal ocupa o 40º lugar.
Embora não seja fidedigno, o ranking de perceção revela que existem países, principalmente os mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, Japão, Reino Unido ou a China, que são considerados mais sustentáveis do que realmente são.
Se, por um lado, denotam os autores do estudo, é um problema que estas nações sejam consideradas mais sustentáveis do que são na realidade, por outro, estes países podem utilizar as suas reputações verdes para melhorar a sua performance sustentável, já que as suas “economias domésticas são já encaradas como atrativas para o investimento verde”, lê-se no estudo.
20 primeiros lugares do Ranking de Performance:
1.Suécia
2.Noruega
3.Costa Rica
4.Alemanha
5.Dinamarca
6.Suíça
7.Áustria
8.Finlândia
9.Islândia
10.Espanha
11.Irlanda
12.Nova Zelândia
13.França
14.Colômbia
15.Portugal
16.Peru
17.Quénia
18.Brasil
19.Chile
20.Reino Unido
Fonte: Green Savers


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Primeiros insectos surgiram há 480 milhões de anos

O INSTALADOR Sexta-Feira, 7 de Novembro de 2014

Os primeiros insectos que habitaram a Terra tiveram origem há cerca de 480 milhões de anos e 80 milhões de anos depois desenvolveram a sua capacidade de voar. A informação é dada por uma investigação publicada na Revista Science.

Na investigação participaram mais de cem investigadores de 16 países, incluindo cinco peritos da organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália.

«A nossa investigação mostra que os insectos tiveram origem ao mesmo tempo que as primeiras placas terrestres, há uns 480 milhões de anos», disse o director da Colecção Nacional Australiana de Insectos, David Yeates, num comunicado da organização.

O mesmo responsável acrescentou que os «primeiros insectos, provavelmente, seriam parecidos com as actuais traças».

Depois, disse, há 400 milhões de anos, os insectos começaram a desenvolver a capacidade de voarem.

A investigação foi liderada pelo cientista alemão Bernhard Misof e confirma que a crise na biodiversidade desencadeou extinções massivas de outros grupos de seres vivos como os dinossauros e que os insectos sobreviveram às diversas situações adaptando-se.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

E-livro da semana "O impacto da urbanização na biodiversidade" ONU, 2014

Livro lançado pela ONU com dados importantes sobre o crescimento urbano foi publicado em português com o apoio do MMA
Até 2050, estima-se que 6,3 bilhões de pessoas viverão nas cidades em todo o mundo, número que representa um aumento de 3,5 bilhões em relação aos dados de 2010.

Este é considerado o maior e mais rápido período de expansão urbana da história da humanidade, segundo considerações do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, no prefácio do livro “Panorama da Biodiversidade nas Cidades – Ações e Políticas – Avaliação global das conexões entre urbanização, biodiversidade e serviços ecossistêmicos” (clique para baixar em pdf), que acaba de ser publicado em português com o apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

De acordo com o titular da ONU, as novas demandas transformarão a maioria das paisagens, tanto as naturais quanto as edificadas. “O crescimento urbano terá impactos significativos sobre a biodiversidade, os habitats naturais e muitos serviços ecossistêmicos dos quais depende a nossa sociedade”, alerta Ban Ki-moon, enfatizando que os desafios da urbanização são profundos, mas também representam oportunidades.

Ocorre que as cidades, segundo a própria ONU, têm um grande potencial de gerar inovações e instrumentos de governança e, portanto, podem “e devem” assumir a liderança no desenvolvimento sustentável.

OLHO NO FUTURO

Os textos do livro de 70 páginas trazem uma avaliação global dos vínculos entre a urbanização, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, elaborados por mais de 75 cientistas e formuladores de políticas de diversas partes do mundo.

A publicação sintetiza como a urbanização afeta a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, além de apresentar as melhores práticas e lições aprendidas, com informações sobre como incorporar os temas da biodiversidade e serviços ecossistêmicos às agendas e políticas urbanas.

Para o secretário-executivo da CDB, Bráulio de Souza Dias, entre os principais objetivos do “Panorama da Biodiversidade nas Cidades – Ações e Políticas” está o de servir como a primeira síntese global de pesquisas científicas sobre como a urbanização afeta a biodiversidade e a dinâmica ecossistêmica.

O livro apresenta uma visão geral, com análise e resposta a lacunas de conhecimento em nossa compreensão sobre processos de urbanização e seus efeitos sobre os sistemas socioambientais e aborda maneiras como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos podem ser geridos e restaurados de formas inovadoras para reduzir a vulnerabilidade das cidades à mudança do clima e outras perturbações.

Ainda segundo Souza Dias, o conteúdo serve como referência para os tomadores de decisões e formuladores de políticas, no que tange aos papéis complementares de autoridades nacionais, subnacionais e locais na preservação da biodiversidade. “Nosso mundo está cada vez mais urbano e as cidades, seus habitantes e governos, podem, e devem, assumir a liderança na promoção de uma gestão mais sustentável dos recursos vivos do nosso planeta”, explica.

O subsecretário geral da ONU e diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, avalia que as cidades abrigam um celeiro de inovações e novas ideias, além de exercerem um papel essencial na conservação da biodiversidade, “proporcionando oportunidades excelentes para fazermos a transição para uma economia verde inclusiva no mundo em desenvolvimento e desenvolvido”.

domingo, 23 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O Carvalho - A Árvore das Árvores (documentário)


O Carvalho - A Árvore das Árvores ( The Tree of Trees )
"A floresta é uma grande contadora de histórias, um labirinto que intriga a imaginação. O imponente Carvalho surge majestoso, retorcido, firme e cheio de nobreza.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Um engenhoso apartamento em Paris com apenas 8m2

É no 7º andar de um edifício na cidade de Paris onde podemos encontrar este pequeno apartamento com apenas 8m2. O espaço foi totalmente transformado pela empresa de design de interiores, "Kitoko Studio", que planeou tudo minuciosamente, para conceber um espaço flexível, ultra-funcional e uma óptima opção para evitar a subida de preço dos imóveis na capital francesa.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Como reaproveitar garrafão de água de 5 litros

Os garrafões de água, aqueles de cinco litros, são geralmente comprados e depois simplesmente descartados quando a água acaba. Mas eles são grandes e resistentes. Sendo assim, por que não utilizar a criatividade para encontrar destinos úteis a eles? Além de tudo, essa é uma maneira de ajudar o planeta e o meio ambiente.

O artesanato não só é uma prática sustentável. Por meio dele, é possível se distrair e ocupar o tempo vago. Mas vai além. Com o artesanato é possível criar muitos objetos que podem enfeitar sua casa ou escritório e serem muito úteis no dia a dia. Veja a seguir essa ideia simples, barata, rápida e muito prática:

Passo a passo para transformar garrafão de água em algo útil

Os materiais necessários são:
Garrafão de água de cinco litros
Tesoura
X-Acto
Cola quente
Retalho de tecido
Cordões coloridos e resistentes

Como fazer:
1º passo: o garrafão tinha água dentro, então seque-o bem para poder realizar este passo a passo.

2º passo: com o X-acto, corte uma parte do garrafão. Retire a parte superior, aquela em que está localizada a tampa. Corte com cuidado e capricho para ficar reto e sem rebarbas.

3º passo: agora, pegue o retalho de tecido. Com a tesoura, corte-o de maneira a formar uma fina faixa para circular todo o garrafão. Aqui você estará dando um acabamento bonito para o garrafão.

4º passo: com a cola quente, cole a fita na extremidade do garrafão. Corte se sobrar tecido.

5º passo: com a ponta da tesoura, faça quatro furos pequenos no garrafão, dois em um dos lados e dois em outro lado, oposto.

6º passo: nestes furos feitos acima, você vai encaixar os cordões coloridos. Coloque um em um dos furos. Para prender, dê um nó em uma das extremidades do cordão. A outra extremidade você vai encaixar no furo feito do lado oposto do galão. Faça novamente um nó para prender. Pronto, agora uma alça já está formada.

7º passo: repita todas as orientações do passo anterior para criar a segunda alça. Feito isso, está pronta sua sacola feita com garrafão de água.

Fonte: Reciclagem no meio ambiente

terça-feira, 18 de novembro de 2014

10 blogues de pedagogia

Roald Dahl - Matilda


10 blogues de pedagogia
Cool Cat Teacher Blog: Como usar as tecnologias digitais na sala de aula?
The Innovative Educator: Métodos e técnicas de ensino
The Next Generation of Educational Leadership: Um blog sobre professores para professores
2 Cents Worth: Métodos e técnicas de ensino
Education Innovation: Criatividade e inovação na sala de aula
Ozge Karaoglu’s Blog: Instrumentos e estratégias para ensinar melhor
Teaching Ideas and Resources: Dicas e sugestões para melhorar o desempenho do professor
Teacher Reboot Camp: Estratégias de liderança na escola e na sala de aula
Free Resources for Education: Recursos educativos e didácticos
Andrew B. Watt’s Blog: Debate sobre as tecnologias digitais que melhor resultam no ensino
Os blogues são ferramentas de autoformação usadas por cada vez mais professores. Há milhares de blogs de professores em língua inglesa. Espreite estes e coloque-os nos favoritos ou na sua página do Google Reader.

Estes e muitos mais blogues sobre pedagogia encontram-se no meu dossiê Educação- Ensino 


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Fotopoema do dia- How to build a butterfly



Amar é arriscar. Tudo.O amor é algo extraordinário e muito raro. Ao contrário do que se pensa não é universal, não está ao alcance de todos, muito poucos o mantêm aqui. Chama-se amor a muita coisa, desde todos os seus fingimentos até ao seu contrário: o egoísmo. A banalidade do gosto de ti porque gostas de mim é uma aberração intelectual e um sentimento mesquinho. Negócio estranho de contabilidade organizada. Amar na verdade, amar, é algo que poucos aguentam, prefere-se mudar o conceito de amor a trocar as voltas à vida quando esta parece tão confortável. Amar é Arriscar. Tudo. Amar é dar a vida a um outro. A sua. A única. Arriscar tudo. Tudo. A magnífica beleza do amor reside na total ausência de planos de contingência. Quando se ama, entrega-se a vida toda, ali, desprotegido, correndo o tremendo risco de ficar completamente só, assumindo-o com coragem e dando um passo adiante. Por isso a morte pode tão pouco diante do amor. Quase nada. Ama-se por cima da morte, porquanto o fim não é o momento em que as coisas se separam, mas o ponto em que acabam. Não é por respirar que estamos vivos, mas é por não amar que estamos mortos. De pouco vale viver uma vida inteira se não sentirmos que o mais valioso que temos, o que somos, não é para nós, serve precisamente para oferecermos. Sim, sem porquê nem para quê. Sim, de mãos abertas. Sim... porque, ainda além de tudo o que aqui existe, há um mundo onde vivem para sempre todos os que ousaram amar... 

José Luís Nunes Martins, in 'Filosofias - 79 Reflexões'

domingo, 16 de novembro de 2014

Patti Smith- Dancing Barefoot


Patti Smith a rainha deste tema. Um dos temas mais apaixonantes, mais encantadores de toda a era rock. Não admira que tenha inspirado outras bandas. Leva-nos "acima da gravidade". Não é isso a paixão?

sábado, 15 de novembro de 2014

Música do BioTerra: Killing Joke - Adorations


Courage and Cowards move, heroes to ecstasy 
Welcomes of war and wounds, vigil and vitcory
Structures of atoms dance, sugar towards the taster,
Prey to the predator, love as we're falling down

Through light and laughter flow, to dirge and death we go,
Mindless processions move, lanterns of burning towns,
Welcome to fray and feast, bliss in all sorrows found,
Rhythms and random moves and waves of revelation.

Patterns I'm finding
As pain and joy and sorrow mingle.
Patterns we're finding
Our faces raised in adorations.

Deserts are paradise, awake to genocides.
Delight and suffering, these roles that we have found
Nourished by food we eat, hungered by waste excrete
From apes or sons of god, let every act be sacred.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Documentário - A Vida das Plantas


A incrível superação das plantas selvagens é o foco deste documentário. Através de imagens belíssimas, 'A Vida das Plantas' mostra-nos como estas plantas conseguem sobreviver em territórios adversos. Apesar dos esforços do Homem para as destruir, muitas desenvolvem-se em ambientes instáveis e imprevisíveis. Este documentário revela os incríveis segredos que estas plantas escondem e que farão com que elas ainda prosperem durante muito tempo.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A urgência de refundar a ética e a moral

Por Leonardo Boff, 27/10/14
Colorado River Delta- Near San Felipe, Baja, Mexico, 2011. This capture shows landscapes where water is in short supply, and focuses on arid regions near the Gulf of Mexico and the Colorado River delta, where water diversion has caused desertification.

Uma das demandas maiores atualmente nos grupos, nas escolas, nas universidades, nas empresas, nos seminários de distinta ordem é a questão da ética. As solicitações que mais recebo são exatamente para abordar este tema.
Hoje ele é especialmente difícil, pois não podemos impor a toda a humanidade a ética elaborada pelo Ocidente na esteira dos grandes mestres como Aristóteles, Tomás de Aquino, Kant e Habermas. No encontro das culturas pela globalização somos confrontados com outros paradigmas de ética. Como encontrar para além das diversidades, um consenso ético mínimo, válido para todos? A saída é buscar na própria essência humana, da qual todos são portadores, o seu fundamento: como nos devemos nos relacionar entre nós seres pessoais e sociais, com a natureza e com a Mãe Terra. A ética é da ordem prática, embora se embase numa visão teoricamente bem fundada. Se não agirmos nos limites de um consenso mínimo em questões éticas, podemos produzir catástrofes sócio-ambientais de magnitude nunca antes vista.
Vale a observação do apreciado psicanalista norte-americano Rollo May que escreveu:”Na atual confusão de episódios racionalistas e técnicos perdemos de vista e nos despreocupamos do ser humano; precisamos agora voltar humildemente ao simples cuidado; creio, muitas vezes, que somente o cuidado nos permite resistir ao cinismo e à apatia que são as doenças psicológicas do nosso tempo”(Eros e Repressão, Vozes 1973 p. 318, toda a parte 318-340).
Tenho me dedicado intensamente ao tema do cuidado (Saber Cuidar,1999; O cuidado necessáro, 2013 pela Vozes). Segundo o famoso mito do escravo romano Higino sobre o cuidado, o deus Cuidado teve a feliz ideia de fazer um boneco no formato de um ser humano. Chamou Jupiter para lhe infundir espírito, o que foi feito. Quando este quis impor-lhe um nome, se levantou a deusa Terra dizendo que a tal figura foi feita com o seu material e assim teria mais direito de dar-lhe um nome. Não se chegou a nenhum acordo. Saturno, o pais dos deuses, foi invocado e ele decidiu a questão chamando-o de homem que vem de húmus, terra fértil. E ordenou ao deus Cuidado: “você que teve a ideia, cuidará do ser humano por todos os dias de sua vida”. Pelo que se vê, a concepção do ser humano como composto de espírito e de corpo não é originária. O mito diz:”O cuidado foi o primeiro que moldou o ser humano”.
O cuidado, portanto, é um a priorii ontológico, explicando: está na origem da existência do ser humano. Essa origem não deve ser entendida temporalmente, mas filosoficamente, como a fonte de onde permanentemente brota a existência do ser humano. Temos a ver com uma energia amorosa que jorra ininterrruptamente, em cada momento e em cada circunstância. Sem o cuidado o ser humano continuaria uma porção de argila como qualquer outra à margem do rio, ou um espírito angelical desencarnado e fora do tempo histórico.
Quando se diz que o deus Cuidado moldou, por primero, o ser humano visa-se a enfatizar que ele empenhou nisso dedicação, amor, ternura, sentimento e coração. Com isso assumiu a responsabilidade de fazer com que estas virtudes constituissem a natureza do ser humano, sem as quais perderia sua estatura humana. O cuidado deve se transformar em carne e sangue de nossa existência.
O próprio universo se rege pelo cuidado. Se nos primeiros momentos após o big bang não tivesse havido um sutilíssimo cuidado de as energias fundamentais se equilibrararem adequadamente, não teriam surgido a matéria, as galáxias, o Sol, a Terra e nós mesmos. Todos nós somos filhos e filhas do cuidado. Se nossas mães não tivessem tido infinito cuidado em nos acolher e alimentar, não saberíamos como deixar o berço e buscar nosso alimento. Morreríamos em pouco tempo.
Tudo o que cuidamos também amamos e tudo o que amamos também cuidamos.
Junto com o cuidado nasce naturalmente a responsabilidade, outro princípio fundador da ética universal. Ser responsável é cuidar que nossas ações não sejam maléficas para nós e para os outros mas, ao contrário, sejam benéficas e promovam a vida.
Tudo precisa ser cuidado. Caso contrário se deteriora e lentamente desaparece. O cuidado é maior força que se opõe à entropia universal: faz as coisas durarem muito mais tempo.
Como somos seres sociais, não vivemos mas convivemos, precisamos da colaboração de todos para que o cuidado e a responsabilidade se tornem forças plasmadores do ser humano. Quando nossos ancestrais antropoides iam em busca de alimento, não o comiam logo como fazem, geralmente, os animais. Colhiam-no e o levavam ao grupo e cooperativa e solidariemanete comiam juntos, começando pelos mais jovens e os idosos e em seguida os demais. Foi essa cooperação que nos permitiu dar o salto da animalidade para a humanidade. O que foi verdadeiro ontem, continua sendo verdadeiro também hoje. É o que mais nos falta no mundo que se rege mais pela competição do que pela cooperação. Por isso somos insensíveis face ao sofrimento de milhões e mihões de pessoas e deixamos de cuidar e de nos responsabilizar pelo futuro comum, de nossa espécie e da vida no planeta Terra.
Importa reinventar esse consenso mínimo ao redor desses princípios e valores se quisermos garantir nossa sobrevivência e de nossa civilização.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A escravidão no Brasil em fotos reais inéditas

A escravidão brasileira retratada em fotos inéditas de um período vergonhoso de nossa história.FOTOS DO INSTITUTO MOREIRA SALLES. 
Músicas : ''Retirantes'' (Dorival Caymmi) e ''Negro Rei'' (Cidade Negra)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Shelley Sacks on Art, Social Sculpture and Creating a Sustainable World


We'll explore with Shelley Sacks how socially engaged artistic processes can help individuals and communities find new ways new ways of engaging with the world to create a more sustainable future. Plus, we'll find out more about two of her key projects -- University of the Trees, and Exchange Values.

Shelley Sacks works internationally in connective practices and social sculpture, exploring the relationship between imagination and transformation, the individual and community, and rethinking responsibility as an ability-to-respond. She leads a master’s and doctoral program in social sculpture at Oxford Brookes University, where she is Professor of Social Sculpture and Interdisciplinary Arts, and Director of the Social Sculpture Research Unit.

She is the co-author of the recently released Atlas of the Poetic Continent: Pathways to Ecological Citizenship.

Outros Projectos de Shelley Sacks
Shelley Sacks (Página Oficial)

sábado, 8 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Genomas de 3000 variedades de arroz tornados públicos

Há quem goste dele branco, outros cozinham-no com tomate ou feijão e há ainda quem prefira o chau-chau. Cultivado em quase todos os cantos do mundo, necessita de água em abundância. Agora, a equipa internacional de cientistas do Projecto 3000 Genomas do Arroz sequenciou, como o nome indica, os genomas de 3000 variedades de arroz, de 89 países, e divulgou os resultados numa base de dados de acesso livre a todos, associada à revistaGigaScience.

Grãos de diversas variedades de arroz INSTITUTO INTERNACIONAL DE INVESTIGAÇÃO DO ARROZ
Mais de 1/8 da população mundial vive em condições de extrema pobreza e fome e a população mundial continua a crescer (somos hoje mais de 7000 milhões e estima-se que sejamos 9.600 milhões em 2050), pelo que os cientistas procuram fazer melhoramentos nas plantas alimentares, tornando-as, por exemplo, mais resistentes à seca e às pragas. “Por volta de 2030, a produção de arroz mundial terá de aumentar pelo menos em 25%, para acompanhar o crescimento populacional global e a procura [de alimentos]”,diz o artigo científico que acompanha os 3000 genomas.

É neste contexto que se insere o Projecto 3000 Genomas do Arroz, uma colaboração entre a Academia Chinesa de Ciências Agrárias, o Instituto Internacional de Investigação do Arroz e o BGI (um grande instituto chinês dedicado à genética) e que foi financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia da China e pela Fundação Bill e Melinda Gates.

A primeira descodificação do genoma do arroz data de 2005, no âmbito de um projecto internacional: utilizou-se a subespécie de arroz Oryza sativa japonica. Agora ao olhar para tantas variedades desta planta, o seu retrato fica mais completo. “[Estes dados] servem para compreender a diversidade genética da Oryza sativa em grande pormenor. Com a divulgação dos dados da sequenciação, o projecto apela à comunidade ligada ao arroz para tirar partido desta informação e criar uma base de dados global e pública sobre a genética do arroz e melhorar as tecnologias de cultivo”, lê-se no artigo.

Neste projecto, recolheram-se amostras de cada uma das 3000 variedades da espécie Oryza sativa e depois os seus genomas foram sequenciados. A colocação gratuita desta informação na base de dados GigaDB pretende contribuir para melhorar a segurança alimentar a nível global, especialmente nas zonas mais pobres do mundo, e ainda reduzir o impacto ambiental das práticas agrícolas no ambiente, sublinha um comunicado de imprensa da revista.

Os dados obtidos confirmam que, na espécie Oryza sativa, as variedades se podem agrupar em cinco grandes grupos do ponto de vista genético: índica, “aus/boro”, “basmati/sadri”, japónica tropical e japónica temperada.

“O arroz é o alimento básico para a maioria dos povos asiáticos e o seu consumo está a aumentar em África”, refere Zhikang Li, director do projecto na Academia Chinesa de Ciências Agrárias. “Com a diminuição dos recursos (água e terra), a segurança alimentar é – e será – é o maior desafio nesses países, tanto agora como no futuro”, acrescenta.

“O acesso às sequências de 3000 genomas de arroz vai acelerar tremendamente a capacidade dos programas de cultivo para superar os obstáculos principais que a humanidade enfrentará no futuro próximo”, reforça Robert Zeigler, director geral do Instituto Internacional de Investigação do Arroz.

Texto editado por Teresa Firmino

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Fábrica em Famalicão produz botões à base de borra de café

Botões à base de borra de café são a mais recente inovação de uma fábrica em Famalicão líder mundial naquele sector e que se prepara para mostrar em Xangai aquele seu novo produto ecológico, informou hoje o administrador. 
Em declarações à Lusa, o administrador da Louropel, Avelino Rego, explicou que a borra de café constitui 70 por cento do botão, sendo o restante uma resina reciclada de poliéster polimerizado, que serve de cola e que dá consistência à peça. "O botão fica, naturalmente, com cheiro a café", acrescentou. 
Nesta fase inicial, a borra está a ser recolhida apenas em "quatro ou cinco cafés" da região. "Em vez de ir para o lixo, como acontecia até aqui, a borra é guardada e depois utilizada na produção de botões", acrescentou Avelino Rego. Disse ainda que a Louropel já foi contactada por uma empresa que se manifestou interessada em fornecer "grandes quantidades", se tal se justificar. Os botões à base de borra de café já estão a ser "dados a (a)provar a clientes e estilistas, mas a "grande rampa de lançamento" poderá estar numa feira que decorrerá a partir de 20 de outubro em Xangai, na China. 
A Louropel produz atualmente 12 milhões de botões por dia, sendo que os botões ecológicos já representam 25 por cento do total. Nesta produção ecológica, a empresa já incorpora produtos naturais e reciclados como papel, farinha de sêmola, algodão, pó de corozo, leite em pó, pó de corno natural, serradura de madeira, folha de madeira natural, fécula de batata, cânhamo, cortiça e outros vegetais. 
Marcas e estilistas do mundo da moda internacional como Giorgio Armani, Valentino, Hugo Boss, Zara, Massimo Dutti, Ralph Lauren, Lacoste, Adolfo Dominguez, Shicha, Kenzo, Ted Baker e Tommy Hilfiger figuram entre os clientes da Louropel, cujos botões são vendidos em 25 países. A empresa tem como principais mercados a Europa e os Estados Unidos da América, mas também exporta para a Ásia, Brasil e Austrália. Em 2013, faturou 14 milhões de euros. Tem perto de 250 trabalhadores, sendo a carga salarial mensal de cerca de 250 mil euros. [Fonte: SIC Notícias]

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Cronobiologia

A descrição escrita de ritmos biológicos data, pelo menos, da Antiguidade Clássica. As primeiras descrições dizem respeito a plantas, que ora levantam as folhas, ora as deixam cair, ora abrem a corola, ora a fecham, ora emitem odores, ora não, de acordo com as horas. Quanto aos animais, são seguramente muito antigas, também, as observações de ritmos de comportamento, sendo um dos mais evidentes a alternância sono/vigília, mas também a alternância de períodos férteis/inférteis e a migração em certas épocas do ano.

Estas e muitas outras constatações, incluindo dados da nossa própria experiência pessoal, eram altamente sugestivas da existência de relógios nos nossos organismos (relógios endógenos). A descoberta destes relógios, e conhecimento dos respectivos mecanismos, só pôde ser feita nas últimas décadas, com a disponibilidade das metodologias e conhecimento biológico adequados. Consistem, em geral, na oscilação na expressão de certos genes que, aumentando, leva ao aumento da concentração da respectiva proteína que, por sua vez, ao atingir determinado valor leva à frenação da actividade do gene; deixa de se sintetizar a proteína que, ao ser degradada, a certa altura permite, de novo, a actividade do gene. E repete-se o ciclo.

Assim, sabemos que temos efectivamente relógios endógenos, em vários tecidos do organismo, havendo um relógio central, que tenta manter a sintonia do conjunto, no sistema nervoso central (núcleo supraquiasmático, no hipotâlamo). Na realidade, todos os seres vivos na terra estão adaptados aos ciclos correspondentes aos movimentos da terra em torno do seu eixo, que marcam o dia de 24 horas, com a sucessão dia-noite (ritmos circadianos).

Outros fenómenos fisiológicos relacionam-se com o movimento da lua em torno da terra, que marca o mês lunar, e da terra em torno do sol, que marca as estações do ano. Os relógios endógenos permitem aos seres vivos anteciparem a necessidade de preparação para determinadas actividades, as que as condições do ambiente vão permitir. Este poder de antecipação tem também vantagens económicas, pois permite a activação de sistemas (enzímicos, celulares, organísmicos) quando vão ser necessários, restando num nível de actividade muito mais baixo fora desses períodos.

Um aspecto muito interessante e importante do funcionamento dos relógios biológicos é o que diz respeito ao seu acerto por sinais externos, um dos sinais mais importantes sendo a luz (solar, que indica o dia), mas também, por exemplo, a ingestão alimentar. Sem qualquer informação do ambiente (quando se põem as pessoas numa cave sem luz natural, sem relógios, e sem qualquer indicação do que se passa lá fora), a duração dos ciclos vai-se alongando: em cada dia as pessoas adormecem cerca de uma hora mais tarde, e a certa altura estão completamente fora do ciclo habitual. Ou seja, os relógios que marcam o ritmo circadiano (de circa diem – cerca de um dia) são diariamente acertados pelos sinais do ambiente.

Até há relativamente pouco tempo, o Homem, tal como ainda acontece com a generalidade dos seres vivos, teve o seu tempo em sincronia com o tempo natural: de noite dormia, pois não via o suficiente para trabalhar, e de dia andava lá fora (a procurar comida, parceiro, a passear). A conquista tecnológica foi criando condições para se sair desse ritmo natural.

Mas a organização social e, também, as opções das pessoas, levaram a que, neste momento, muita gente viva sem qualquer respeito pelas necessidades temporais biológicas. São exemplo disso as deslocações frequentes ao longo de vários fusos horários (provocando o que se designa por “jet-lag”), o trabalho por turnos oscilando frequentemente entre turnos diários e turnos nocturnos, a prática de horários completamente desadequados ao cronotipo de cada um (há, como todos sabemos, os madrugadores e os noctívagos). O cronotipo pode variar com a idade (os adolescentes raramente são madrugadores). E enquanto perturbações agudas dos ritmos causam mal-estar (tipo “jet-lag”: sono e cansaço quando se está a trabalhar, dificuldade em dormir quando se quer dormir), os efeitos deste tipo de práticas, ao longo do tempo, podem ser muito nocivos para a saúde.
*Directora do serviço de Bioquímica da Faculdade de Medicina e ex-vice-reitora da Universidade do Porto 

domingo, 2 de novembro de 2014

Perfume Genius - 'Queen' (Official Video)


Impressionante a quantidade de boa música com origem em Seattle. Para quem não conhece, recomendo Mike Hadreas,conhecido na indústria musical como Perfume Genius… 

Obrigado, António Almeida

sábado, 1 de novembro de 2014

Encontros Improváveis: Fernando Pessoa e Leonard Cohen - Avalanche


“Nas entressombras de arvoredo 
 Onde mosqueia a incerta luz 
 E a noite ocupa a medo 
O incerto espaço em que transluz…” - Fernando Pessoa

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A próxima Revolução Verde




Com a melhor tecnologia ao seu dispor, dois membros do Centro Donald Danforth para as Ciências Vegetais procuram compreender como as plantas funcionam e explicam de que forma a tecnologia pode beneficiar as culturas face às alterações climáticas. As superculturas modernas são úteis, mas não se chegará a uma solução agrária apenas com biotecnologia. 


Algo está a matar a plantação de mandioca de Ramadhani Juma. “Talvez seja água a mais”, sugere enquanto segura entre os dedos folhas amarelas murchas de uma planta com dois metros de altura. “Ou sol a mais.” Ramadhani lavra um pequeno talhão, com menos de meio hectare, perto da cidade de Bagamoyo, à beira do oceano Índico, sessenta quilómetros a norte de Dar-es-Salam, na Tanzânia.

Numa manhã chuvosa de Março, seguido por dois dos seus quatro filhos pequenos, ele conversa com um técnico da cidade grande, Deogratius Mark, de 28 anos, que trabalha no Instituto de Investigação Agrícola Mikocheni.


Mark explica-lhe que o problema não é o sol nem a chuva. Os verdadeiros assassinos da mandioca, demasiado pequenos para os olhos os detectarem, são vírus. Mark rasga algumas folhas molhadas: um punhado de moscas brancas sai a voar como dardos. As moscas têm o tamanho da cabeça de um alfinete, mas transmitem dois vírus, explica. Um destrói as folhas da mandioca e o segundo, o vírus do listrado castanho, destrói a raiz comestível e rica em amido, uma catástrofe normalmente descoberta apenas no momento da colheita. Ramadhani é um representante típico dos agricultores com quem Mark costuma falar. Por norma, nunca ouviram falar de doenças virais. “Consegue imaginar como ele irá sentir-se se eu lhe disser que vai ter de arrancar pela raiz todas estas plantas?”, pergunta Mark num sussurro.

Ramadhani veste calções azuis rasgados e uma T-shirt verde com a frase estampada “Você quer comprar uma vogal?”. Escuta com atenção o diagnóstico de Mark. De seguida, pega na enxada e começa a cavar. O filho mais velho, de 10 anos, mordisca uma folha de mandioca. Arrancando da terra uma raiz, Ramadhani abre-a a meio com um golpe de enxada. Suspira: a polpa branca apresenta-se raiada de amido castanho e podre.

Se quiser salvar uma parte da safra que lhe permita alimentar a família, Ramadhani terá de antecipar um mês a colheita. Pergunto-lhe que importância tem a mandioca para a sua vida.

“Mihogo ni kila kitu”, responde-me em suaíli. “A mandioca é tudo.”

A maioria dos tanzanianos pratica agricultura de subsistência. Em África, as pequenas explorações agrícolas plantam mais de 90% da totalidade das culturas e a mandioca é um alimento essencial para mais de 250 milhões de pessoas. Cresce em solos marginais e aguenta vagas de calor e secas. Seria a cultura perfeita para a África do século XXI, não fosse a mosca branca, cujo território se vai alargando à medida que o clima aquece. Os mesmos vírus que invadiram este campo já se espalharam por toda a África Oriental.

Antes de partirmos de Bagamoyo, vamos conversar com um dos vizinhos de Ramadhani, Shija Kagembe. As suas plantações de mandioca não estão melhores. Escuta Mark em silêncio, enquanto este lhe explica o que os vírus fizeram e depois pergunta: “Como pode ajudar-nos?”







A RESPOSTA A ESTA PERGUNTA será um dos maiores desafios do século. As alterações climáticas e o crescimento demográfico tornarão mais precárias as vidas de Ramadhani, de Shija e de outros pequenos agricultores no mundo em desenvolvimento. Durante a maior parte do século XX, a humanidade conseguiu manter a dianteira na corrida malthusiana entre crescimento demográfico e disponibilidade de alimentos. Será que irá manter esse avanço no século XXI, ou será avassalada por uma catástrofe mundial?

Segundo previsões da ONU, até 2050 a população mundial aumentará em mais dois mil milhões de pessoas. Metade nascerá na África subsaariana e 30% no Sul e no Sudeste da Ásia. Será também nessas regiões que se sentirá com mais dureza o efeito das alterações climáticas. No passado mês de Março, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) avisou que o abastecimento mundial de alimentos já corre perigo. “Nos últimos 20 anos, em especial no que se refere ao arroz, ao trigo e ao milho, tem-se registado um abrandamento no ritmo de crescimento do rendimento das colheitas”, conta o climatologista Michael Oppenheimer, um dos autores do relatório do IPCC. “Em alguns sectores, os rendimentos já não crescem. Do meu ponto de vista, a ruptura dos sistemas alimentares constitui a maior ameaça das alterações climáticas.”

Há meio século, a catástrofe perfilava-se de maneira igualmente sinistra. Falando sobre a fome mundial, num discurso proferido na Fundação Ford em 1959, um economista afirmou: “Na melhor das hipóteses, as perspectivas para as próximas décadas são graves; na pior, são assustadoras.” Nove anos mais tarde, no seu célebre livro “A Bomba Populacional”, Paul Ehrlich vaticinava que as crises de fome, em particular na Índia, matariam centenas de milhões de pessoas nas décadas de 1970 e 1980.

Antes que essas visões catastróficas se concretizassem, a revolução verde transformou a agricultura mundial, em especial o cultivo de trigo e de arroz. Através do apuramento selectivo das espécies, o biólogo norte-americano Norman Borlaug criou uma variedade anã de trigo que concentrava a maior parte da sua energia nos grãos comestíveis e não nos caules longos, impossíveis de comer. Resultado: gerou-se mais cereal disponível por hectare. Um projecto semelhante, desenvolvido no Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI na sigla internacional) nas Filipinas, melhorou radicalmente a produtividade do cereal que alimenta quase metade do planeta.

Entre a década de 1960 e a de 1990, os rendimentos do arroz e do trigo na Ásia duplicaram. Embora a população deste continente crescesse 60%, os preços dos cereais baixaram, o consumo médio aumentou quase mais um terço das calorias anteriormente ingeridas e a taxa de pobreza foi reduzida a metade. Quando Norman Borlaug conquistou o Prémio Nobel da Paz em 1970, foi elogiado porque, “mais do que qualquer outra pessoa do seu tempo, ajudou a disponibilizar pão a um mundo esfomeado”.

Para atingir patamares similares até 2050, vamos precisar de outra revolução verde. Uma das teses para atingir esta meta aposta no avanço tecnológico, com ênfase na continuação do trabalho de apuramento de melhores culturas iniciado por Norman Borlaug, recorrendo a técnicas genéticas modernas. “A próxima revolução verde terá de fortalecer imenso as ferramentas da anterior”, prevê Robert Fraley, director-geral de tecnologia do grupo Monsanto e vencedor do prestigiado World Food Prize em 2013. Segundo ele, a comunidade científica consegue actualmente identificar e manusear uma enorme diversidade de genes de vegetais, melhorando características como a resistência às doenças e a tolerância à seca. Isso tornará a agricultura mais produtiva e mais resiliente.

A tecnologia essencial desta abordagem, que tem granjeado sucesso e polémica à Monsanto, é a dos organismos geneticamente modificados, ou OGM. Divulgados pela primeira vez na década de 1990, foram adoptados por 28 países e plantados em 11% do solo arável do planeta, incluindo metade dos terrenos de cultivo nos Estados Unidos. Cerca de 90% do milho, do algodão e da soja cultivados no país são geneticamente modificados.

Há quase duas décadas que os norte-americanos se alimentam de OGM. No entanto, na Europa e em grande parte de África, os debates sobre a segurança e consequências ambientais destas culturas têm travado a sua utilização. Um estudo recente do Ministério Norte-Americano da Agricultura apurou que a aplicação de pesticidas nas culturas de milho diminuiu 90% desde a introdução do milho Bt, que contém genes da bactéria Bacillus thuringiensis, ajudando a planta a combater as traças do milho e outras pragas. Relatórios referentes à China indicam que os afídeos nocivos diminuíram e as joaninhas e outros insectos benéficos aumentaram nas províncias onde o algodão geneticamente modificado foi plantado.

Os OGM especificamente desenvolvidos pelo trabalho de Robert Fraley na Monsanto têm sido lucrativos para a empresa e para muitos agricultores, mas não têm ajudado a conquistar o público para a causa da agricultura de tecnologia avançada. As culturas Roundup Ready da Monsanto são geneticamente modificadas para se tornarem imunes ao herbicida Roundup, também produzido pela Monsanto. Quer isto dizer que os agricultores podem pulverizar com o herbicida para eliminar as ervas daninhas sem causar estragos no seu milho, algodão ou soja. O contrato assinado com a Monsanto não lhes permite conservar sementes para plantar: todos os anos precisam de adquirir à empresa as sementes patenteadas.

Embora não existam provas fortes de que as culturas Roundup ou Roundup Ready não sejam seguras, os defensores de uma solução alternativa consideram essas sementes caras como um factor dispendioso introduzido num sistema inviável.
A agricultura moderna já depende excessivamente dos adubos sintéticos e dos pesticidas. Não só são incomportáveis para um agricultor como Ramadhani Juma, como poluem a terra, a água e o ar. Os adubos sintéticos são produzidos com recurso a combustíveis fósseis e emitem potentes gases com efeito de estufa quando aplicados nos campos.

“A escolha é clara”, afirma Hans Herren, outro laureado com o World Food Prize e director da organização sem fins lucrativos suíça Biovision. “Precisamos de um sistema agrícola muito mais preocupado com a paisagem e com os recursos ecológicos. Precisamos de mudar o paradigma da revolução verde. A agricultura intensiva não tem futuro, precisamos de algo diferente.” Para este especialista, há maneiras de combater as pragas e de aumentar os rendimentos mais adequadas aos Ramadhani Jumas deste mundo.







A MONSANTO NÃO É A ÚNICA organização a acreditar que a genética vegetal moderna pode ajudar a alimentar o planeta. Num dia quente de Fevereiro, ao fim da tarde, o especialista em genética vegetal Glenn Gregorio, do Instituto Internacional de Investigação do Arroz, mostra-me o arroz que deu início à revolução verde na Ásia. Encontramo-nos na cidade de Los Baños, cerca de sessenta quilómetros a sudeste de Manila, caminhando ao longo do limite de certos arrozais muito especiais, que existem nos 200 hectares do instituto.

“Este é o arroz milagroso, o IR8”, mostra Glenn, quando nos detemos junto de uma mancha densa verde-esmeralda de plantas de arroz, que nos dão pela coxa. Na década de 1960, o especialista em patologias vegetais Peter Jennings deu início a uma série de experiências de cruzamento de espécies. Dispunha de dez mil variedades de sementes para trabalhar. O seu oitavo cruzamento (entre uma estirpe anã de Taiwan e uma variedade mais alta da Indonésia) gerou a estirpe de crescimento rápido e rendimento elevado mais tarde conhecida como India Rice 8, pelo papel desempenhado na prevenção da fome naquele país. “Revolucionou a produção de arroz na Ásia”, lembra Glenn. “Na Índia, alguns pais puseram aos filhos o nome de IR8.”



Enquanto passeamos ao longo dos arrozais, passamos por outras estirpes historicamente importantes, todas identificadas, uma a uma, com uma tabuleta de madeira pintada com esmero. Todos os anos, o Instituto lança dezenas de novas variedades: cerca de mil foram semeadas em todo o mundo desde a década de 1960.

Durante décadas, o IRRI preocupou-se exclusivamente em melhorar as variedades tradicionais de arroz, cultivadas em campos que são inundados na época do plantio. Ultimamente, tem deslocado a sua atenção para as alterações climáticas. Agora, disponibiliza variedades tolerantes à seca, incluindo uma que pode desenvolver-se em campos secos e sobreviver só com chuva, como acontece com o milho e o trigo. Existe um arroz com tolerância ao sal para países como o Bangladesh, onde a subida do nível dos mares está a envenenar os arrozais. “Os agricultores não se apercebem de que a água salgada está a infiltrar-se nos arrozais”, diz Glenn. “Quando o sabor salgado da água começa a sentir-se, as plantas já estão a morrer.”

Das variedades de arroz existentes no IRRI, poucas são culturas geneticamente modificadas, na medida em que contêm um gene transferido de uma espécie diferente e nenhuma se encontra ainda disponível junto do público. Uma chama-se Golden Rice e contém genes do milho que permitem produzir betacaroteno: tem por objectivo combater o flagelo mundial da carência de vitamina A. No Verão passado, um campo experimental de Golden Rice pertencente ao IRRI foi espezinhado por activistas. Segundo o administrador Robert Zeigler, o IRRI cria variedades geneticamente modificadas apenas como último recurso, quando não consegue encontrar a característica desejada no próprio arroz.

No entanto, toda a operação de produção de variedades do Instituto tem sido acelerada pela genética moderna. Durante décadas, os investigadores do IRRI seguiram pacientemente a receita antiga: seleccionar plantas com a característica desejada, realizar a polinização cruzada, aguardar que a descendência atinja a maturidade, seleccionar as plantas com melhor desempenho, repetir o processo. Hoje, existe uma alternativa. Em 2004, um consórcio internacional cartografou a totalidade do genoma do arroz, composto por cerca de quarenta mil genes individuais. Desde então, investigadores de todo o mundo têm vindo a destacar genes que controlam características valiosas e podem ser directamente seleccionados.

Em 2006, por exemplo, a especialista em patologia vegetal Pamela Ronald, da Universidade da Califórnia, isolou o gene Sub1 presente numa variedade do arroz da Índia Oriental. Raramente cultivado nos dias de hoje devido ao seu baixo rendimento, o arroz da Índia Oriental possui uma característica admirável: consegue sobreviver duas semanas debaixo de água. A maioria das variedades morre passados três dias.

Investigadores do IRRI procederam à polinização cruzada do arroz Sub1 com uma variedade de rendimento elevado e muito saborosa chamada Swarna, popular na Índia e no Bangladesh. Analisaram o seu DNA para apurar quais as plântulas que tinham efectivamente herdado o gene do Sub1. A tecnologia, denominada selecção assistida por marcadores, é mais rigorosa e permite poupar tempo. Os investigadores não precisaram de cultivar as plântulas e, de seguida, submergi-las durante duas semanas, para verificar as taxas de sobrevivência.

O novo arroz tolerante a cheias, chamado Swarna-Sub1, já foi adoptado por quase quatro milhões de agricultores na Ásia, onde todos os anos as cheias destroem cerca de vinte milhões de hectares de arroz. Um estudo recente apurou que os agricultores de 128 aldeias do estado indiano de Odisha, na baía de Bengala, aumentaram o seu rendimento em mais de 25%. Os agricultores com piores talhões obtiveram maiores benefícios.

“Na Índia, as castas inferiores recebem as terras de pior qualidade e, em Odisha, as terras piores têm propensão para as cheias”, explica Robert Zeigler. “Aqui está agora uma biotecnologia altamente sofisticada (arroz tolerante a cheias), que beneficia preferencialmente os mais pobres dos pobres, os Intocáveis. É uma história fantástica.”

O projecto mais ambicioso do Instituto pode transformar o arroz de raiz e aumentar exponencialmente a produtividade. O arroz, o trigo e outras plantas praticam um tipo de fotossíntese conhecido como C3, devido ao composto de três carbonos produzido por estes cereais quando a luz solar é absorvida. O milho, a cana-de-açúcar e outras plantas utilizam a fotossíntese C4. Essas culturas exigem menos água e azoto “e normalmente apresentam rendimentos 50% mais elevados”, explica William Paul Quick, do IRRI. O plano consiste em transformar o arroz numa cultura C4, através da manipulação dos seus próprios genes.

Contrariamente à tolerância à submersão do arroz Sub1, a fotossíntese C4 é controlada por muitos genes, e não por um único, o que a transforma numa característica mais complexa. “Ela evoluiu independentemente 62 vezes. Isso indica que não pode ser muito difícil de fazer”, diz
Quick. Ao “neutralizar” os genes um por um, ele e os seus colegas identificam sistematicamente cada gene responsável pela fotossíntese na Setaria viridis, uma pequena erva C4 de crescimento rápido. Até agora, todos os genes por eles descobertos encontram-se também presentes nas plantas C3. A única diferença passa por usos diferentes.



William e os colegas esperam aprender a forma de activá-los no arroz. “Acho que vamos levar, no mínimo, 15 anos”, diz. “Estamos agora no quarto ano.” Se tiverem êxito, talvez as técnicas sirvam para melhorar a produtividade das batatas, do trigo e de outras plantas C3. Seria um sucesso sem precedentes para a segurança alimentar: em teoria, os rendimentos poderiam aumentar 50%.

Cenários radicais como estes fizeram de Robert Zeigler um defensor apaixonado da biotecnologia. De barba branca, Robert crê que o debate público sobre os organismos geneticamente modificados se tornou horrivelmente confuso. “Quando comecei a investigar, na década de 1960, muitos de nós aderimos à engenharia genética por pensarmos que poderíamos ajudar o mundo”, explica. “Estas ferramentas eram fantásticas!”

“Sentimo-nos um pouco traídos pelo movimento ambientalista”, continua. “Se quiserem conversar sobre o papel que as grandes empresas devem desempenhar na nossa segurança alimentar, podemos ter essa conversa e ela é, de facto, importante. Mas é um debate diferente daquele que pondera o uso das ferramentas da genética para melhorar as nossas culturas. São ambas importantes e convém não as misturar.”

Robert decidiu a carreira que queria seguir depois de uma curta experiência em África, em 1972. “Quando estava na República Democrática do Congo, assisti a uma crise de fome por escassez de mandioca”, conta. “Foi isso que me motivou a especializar-me em patologia vegetal.”

QUAL A VISÃO DA AGRICULTURA mais acertada para os agricultores da África subsaariana? Na actualidade, afirma o geneticista Nigel Taylor, do Centro Donald Danforth para as Ciências Vegetais, o vírus do listrado castanho tem potencial para provocar outra crise de fome por escassez de mandioca. “Transformou-se numa epidemia nos últimos cinco a dez anos e está a piorar”, diz. “As temperaturas aumentam e o território da mosca branca alarga-se. Se o vírus se deslocar para a África Central e atingir as regiões de cultivo da mandioca na África Ocidental, teremos um gigantesco problema de segurança alimentar.”

Nigel e outros investigadores percorrem neste momento as etapas iniciais do desenvolvimento de variedades de mandioca imunes ao vírus do listrado castanho. O investigador colabora com peritos do Uganda num ensaio de campo, que decorre em paralelo com outro no Quénia. Porém, só quatro países africanos (Egipto, Sudão, África do Sul e Burkina Faso) permitem o plantio comercial de culturas geneticamente modificadas.




Em África, como noutras partes do mundo, os organismos geneticamente modificados são temidos, embora existam poucas provas científicas que justifiquem esse temor. Há um argumento mais forte, segundo o qual as estirpes vegetais tecnologicamente avançadas não são uma panaceia e talvez não sejam sequer aquelas de que os agricultores africanos mais necessitam. Mesmo nos EUA, alguns agricultores têm problemas com elas.

Um artigo publicado em Março deste ano documentou uma tendência inquietante: os crisomelídeos do sistema radicular do milho estão a desenvolver resistência às toxinas bacterianas presentes no milho Bt. “Fiquei surpreendido ao ser confrontado com estes dados, pois sei o que significam: esta tecnologia está a começar a fracassar”, diz o entomólogo Aaron Gassmann, co-autor do relatório. O motivo: alguns agricultores não cumprem a obrigação legal de criar “campos de refúgio” com milho não-Bt, que atrasariam a disseminação dos genes resistentes sustentando os crisomelídeos vulneráveis às toxinas do Bt.

Na Tanzânia ainda não há culturas geneticamente modificadas, mas alguns agricultores aprenderam que a plantação de várias culturas simultâneas é uma das melhores formas de prevenir pragas. O país possui o quarto maior número de agricultores biológicos certificados do mundo.
E parte do mérito cabe à jovem Janet Maro.

Janet cresceu numa quinta perto do Kilimanjaro. Em 2009, quando era aluna de licenciatura na Faculdade de Agronomia de Sokoine, em Morogoro, contribuiu para a criação de uma organização sem fins lucrativos, a Agricultura Sustentável da Tanzânia (SAT).

Desde então, ela e o seu pequeno grupo de colaboradores têm vindo a dar formação em práticas biológicas aos agricultores locais. No sopé da serra de Uluguru, Morogoro dista cerca de 160 quilómetros de Dar-es-Salam. Poucos dias depois do meu encontro com Ramadhani Juma, Janet conduz-me às montanhas para visitar três das primeiras explorações agrícolas certificadas da Tanzânia. “Os peritos agrícolas do Estado não vêm cá”, diz, enquanto subimos aos solavancos uma estrada de terra batida numa carrinha. Verdejantes devido às chuvas provenientes do oceano Índico, as encostas estão densamente florestadas, mas as árvores vão sendo abatidas pelos luguru para criar terra agrícola.

Com intervalos de meio quilómetro, passamos por mulheres que, caminhando sozinhas ou em pequenos grupos, equilibram sobre a cabeça cestas carregadas com mandioca, papaias ou bananas. É dia de mercado em Morogoro, 900 metros mais abaixo. Aqui, as mulheres são mais do que meras carregadoras. Entre os luguru, a propriedade da terra é transmitida por linha feminina.

Detém-se junto de uma casa de uma única divisão, construída em tijolo, com paredes parcialmente estucadas e telhado de chapa ondulada. Habija Kibwana convida-nos a sentarmo-nos no seu alpendre, juntamente com duas vizinhas.

Ao contrário dos agricultores de Bagamoyo, Habija e as vizinhas cultivam uma diversidade de plantas: agora é a época das bananas, dos abacates e dos maracujás. Em breve, plantarão cenouras, espinafres e outros legumes. Este misto de culturas serve de compensação, caso alguma cultura fracasse, e contribui para diminuir as pragas. Os agricultores aprendem a semear
de maneira estratégica, criando filas de Tithonia diversifolia, um girassol selvagem que as moscas brancas preferem, mantendo as pragas afastadas da mandioca. O uso de compostagem, em
vez de adubos sintéticos, melhorou tanto o solo que um dos agricultores, Pius Paulini, duplicou a sua produção de espinafre. As escorrências de água dos campos já não poluem os rios que abastecem Morogoro.

Talvez o resultado da agricultura biológica que mais alterou as vidas dos agricultores tenha sido livrarem-se das dívidas. Mesmo com subsídios do Estado, custa 500 mil xelins tanzanianos (cerca de 220 euros) comprar adubo e pesticida suficientes para tratamentos em meio hectare, uma despesa elevadíssima num país onde o rendimento anual per capita é inferior a 1.200 euros. “Antes, quando era preciso comprar adubo, ficávamos sem dinheiro para mandar os filhos para a escola”, afirma Habija. A sua filha mais velha terminou agora os estudos secundários.

As explorações agrícolas também se tornaram mais produtivas. “A maior parte dos alimentos vendidos nos mercados foi produzida por pequenos agricultores”, diz Janet.

Quando lhe pergunto se as sementes geneticamente modificadas também poderiam ajudar esses agricultores, ela mostra-se céptica. “Não é realista”, responde. Como pagarão as sementes se nem têm dinheiro para pagar os adubos? Que probabilidades há num país onde poucos agricultores chegam alguma vez a falar com um perito agrícola do Estado ou não têm sequer consciência das doenças que lhes ameaçam as colheitas, de conseguirem obter o apoio necessário para cultivarem as culturas geneticamente modificadas?

Do alpendre de Habija desfruta-se um magnífico panorama de encostas com socalcos abundantemente cultivados, mas também de encostas rasgadas pelos campos erodidos dos agricultores não-biológicos, sem socalcos para retenção do solo. Segundo Habija e Pius, o sucesso do projecto chama a atenção dos vizinhos. A agricultura biológica alastra. Mas alastra devagarinho.

Esse é o problema essencial, creio. Como levar até pessoas como Ramadhani Juma os conhecimentos que as organizações como a SAT ou o IRRI possuem? Não basta debater o uso de tecnologia simples ou avançada. Há mais do que uma maneira de aumentar os rendimentos ou de travar a mosca branca. “A agricultura biológica pode ser a solução para certas regiões”, afirma Mark Edge, executivo da Monsanto. “Não pensamos, de forma alguma, que as culturas geneticamente modificadas sejam a solução para todos os problemas de África.” Afinal, como lembra Robert Zeigler, desde a primeira revolução verde, a ciência ecológica tem progredido a par da genética.