sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um acervo enorme sobre Ciência na web


cientista não estuda a Natureza porque ela é útil; ele estuda, porque se deleita nela, e ele se deleita com ela porque a Natureza é linda. Se a natureza não fosse bela, não valeria a pena conhecer, e se a Natureza não valia a pena conhecer, a vida não valeria a pena viver. (Henri Poincaré)
Actualizei novamente o meu Dossiê Ciência. Desta feita foi no blogue da IPL, que encontrei essa colectânea reunida e bem descrita (em inglês)- eis o link, chamado "The Quest for Science".

Alguns serão bem conhecidos por peritos nas suas respectivas áreas, mas vale a pena clicar nesse link, pois revela muito mais. De qualquer modo, elaborei um pdf...não vá perder pelo caminho.

The Quest for Science

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os super-ricos do mundo


por James Petras

Os multimilionários prosperam e as desigualdades aprofundam-se quando as economias "recuperam"

As operações de salvamento de bancos, especuladores e industriais cumpriram o seu verdadeiro objectivo: os milionários passaram a multimilionários e estes ficaram ainda mais ricos. Segundo o relatório anual da revista de negócios Forbes, há 1210 indivíduos – e em muitos casos clãs familiares – com um valor líquido de mil milhões de dólares (ou mais). O seu valor líquido total é de 4,5 milhões de milhões de dólares, maior do que o valor total de 4 mil milhões de pessoas em todo o mundo. A actual concentração de riqueza ultrapassa qualquer período anterior da história; desde o Rei Midas, os Marajás, e os Barões Ladrões [1] até aos magnates de Silicon Valley [2] e Wall Street na actual década.

Uma análise da origem da riqueza dos super-ricos, a sua distribuição na economia mundial e os métodos de acumulação esclarece diversas diferenças importantes com profundas consequências políticas. Vamos identificar essas características especiais dos super-ricos, a começar pelos Estados Unidos e faremos depois uma análise ao resto do mundo.

Os super-ricos nos Estados Unidos: os maiores parasitas vivos

Os EUA têm a maior parte dos multimilionários do mundo (413), mais de um terço do total, a maior proporção entre os grandes países do mundo. Um olhar mais de perto também revela que, entre os 200 multimilionários do topo (os que têm 5,2 mil milhões de dólares ou mais), 57 são dos EUA (29%). Mais de um terço fez fortuna através da actividade especulativa, da predação da economia produtiva e da exploração do mercado imobiliário e de acções. Esta é a percentagem mais alta de qualquer dos principais países na Europa ou na Ásia (com a excepção da Inglaterra). A enorme concentração de riqueza nas mãos desta pequena classe dirigente parasita é uma das razões por que os EUA têm as piores desigualdades de qualquer economia avançada e se situa entre as piores em todo o mundo. Os especuladores não empregam trabalhadores, servem-se de expedientes fiscais e de operações de salvamento e depois pressionam cortes no orçamento social, dado que não precisam de uma força de trabalho saudável e instruída (excepto no que se refere a uma pequena elite). Em 1976, 1% da população mundial detinha 20% da riqueza; em 2007 dominava 35% da riqueza total. Oitenta por cento dos americanos possuem apenas 15% da riqueza. As recentes crises económicas, que inicialmente reduziram a riqueza total do país, fizeram-no de modo desigual – atingindo de modo mais grave a maioria dos operários e empregados. A operação de salvamento Bush-Obama levou à recuperação económica, não da "economia em geral", mas restringiu-se a reforçar ainda mais a riqueza dos multimilionários – o que explica porque é que a taxa de desemprego e subemprego ficou praticamente na mesma, porque é que a dívida fiscal e o défice comercial aumentam e o estado baixa os impostos às grandes empresas e reduz os orçamentos municipais, estatais e federais. O sector "dinâmico" formado por capitalistas parasitas emprega menos trabalhadores, não exporta produtos, paga impostos mais baixos e impõem maiores cortes nas despesas sociais para os trabalhadores produtivos. No caso dos multimilionários dos EUA, a sua riqueza é fortemente acrescida através da pilhagem do erário público e da economia produtiva e através da especulação no sector das tecnologias de informação que alberga um quinto dos multimilionários do topo.

BRIC: Os novos multimilionários: A explorar o trabalho da natureza

Os principais países capitalistas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunicação pelo seu rápido crescimento na última década, estão a produzir multimilionários a um ritmo mais rápido do que qualquer bloco de países do mundo. Segundo os últimos dados no Forbes (Março de 2011), o número de multimilionários no BRIC aumentou mais de 56% de 193 em 2010 para 301 em 2011, ultrapassando os da Europa.

O forte crescimento do BRIC levou à concentração e centralização de capital, em todos os casos promovidos pelas políticas de estado que proporcionam empréstimos a juros baixos, subsídios, incentivos fiscais, exploração ilimitada de recursos naturais e mão-de-obra, expropriação dos pequenos proprietários e privatização de empresas públicas.

O crescimento dinâmico de multimilionários no BRIC levou às desigualdades mais flagrantes em todo o mundo. Nos países do BRIC, a China lidera o caminho com o maior número de multimilionários (115) e as piores desigualdades em toda a Ásia, em profundo contraste com o seu passado comunista quando era o país mais igualitário do mundo. Um exame da origem da riqueza dos super ricos na China revela que provém da exploração da força de trabalho no sector da manufactura, da especulação no imobiliário e da construção e comércio. EM 2011, A China ultrapassou os EUA enquanto maior fabricante do mundo, em consequência da super-exploração da mão-de-obra na China e do crescimento de capital financeiro parasitário nos EUA.

Em contraste com os EUA, a classe trabalhadora da China está a fazer incursões significativas nas receitas da sua elite de manufacturas e de imobiliário. Em consequência da luta da classe trabalhadora, os salários têm vindo a aumentar entre 10% a 20% nos últimos 5 anos; os protestos dos agricultores e das famílias urbanas contra as expropriações feitas pelos especuladores imobiliários e sancionadas pelo estado ultrapassaram os 100 mil por ano.

A riqueza dos multimilionários russos, por outro lado, resultou do violento roubo dos recursos públicos (petróleo, gás, alumínio, ferro, aço, etc.), explorados pelo anterior regime. A grande maioria dos multimilionários russos depende da exportação de bens, da pilhagem e da devastação do ambiente natural sob um regime corrupto e sem regulamentação. O contraste entre as condições de vida e de trabalho entre os multimilionários virados para o ocidente e a classe trabalhadora russa é sobretudo o resultado do escoamento da riqueza para contas ultramarinas, investimentos offshore e luxos pessoais extraordinários, incluindo propriedades de muitos milhões de dólares. Em contraste com a elite industrial da China, os multimilionários da Rússia parecem-se com os 'senhorios' parasitas que se encontram entre os especuladores de Wall Street e os xeiques do Golfo Pérsico.

Os multimilionários da Índia são uma mistura de ricos antigos e novos ricos que amontoam a sua riqueza através da exploração dos trabalhadores industriais de salários baixos, das populações de bairros pobres expropriados e dos povos tribais, assim como da posse diversificada de imobiliário, tecnologia informática e software. Os multimilionários da Índia acumularam a sua riqueza através das suas ligações familiares com os escalões mais altos, muito corruptos, da classe política, assegurando monopólios através de contratos com o estado. O forte crescimento da Índia na última década (7% em média) e a explosão de multimilionários de 55 para 2011, estão ambos ligados às políticas neo-liberais de desregulamentação, privatização e globalização, que concentraram a riqueza no topo, corroeram os produtores em pequena escala e espoliaram dezenas de milhões.

A classe multimilionária do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direcção do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do número de um só dígito uma década antes. Hoje, mais de dois terços dos multimilionários da América Latina são brasileiros. A peça central da riqueza dos super ricos do Brasil é o sector finanças-banca que beneficiou fortemente das políticas monetária, fiscal e neo-liberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilionários têm sido os principais beneficiários da economia de exportação agro-mineral que floresceu na última década, à custa do sector de manufacturas. Apesar das afirmações dos líderes do Partido dos Trabalhadores, as desigualdades de classe entre a massa dos trabalhadores de salário mínimo (380 dólares por mês em Março de 2011) e os super-ricos continuam a ser as piores da América Latina. Uma análise da origem da riqueza entre os multimilionários brasileiros revela que 60% aumentaram a sua riqueza no sector finanças, imobiliário e seguros (FIRE) e só um deles (3%) no sector de capital ou manufactura intermédia. A explosão do Brasil em crescimento económico e em multimilionários encaixa no perfil de uma 'economia colonial': com grande peso no consumo excessivo, na exportação de bens e presidido por um sector financeiro dominante que promove políticas neoliberais. No decurso da última década, apesar do teatro político populista e dos programas de pobreza paternalistas patrocinados pelo Partido dos Trabalhadores "centro-esquerda", o principal resultado sócio-económico foi o crescimento duma classe de multimilionários "super-ricos" concentrados na banca com poderosas ligações aos sectores do agro-mineral. A classe financeira-agro-mineral, de forte crescimento via mercado livre, degradou o sector de manufactura, principalmente os têxteis e os sapatos, assim como os produtores de bens de capital e intermédios.

Os países BRIC estão a produzir mais, e a crescer mais depressa do que as potências imperialistas estabelecidas na Europa e nos EUA, mas também estão a produzir desigualdades e concentrações monstruosas de riqueza. As consequências sócio-económicas já se manifestaram no aumento do conflito de classes, principalmente na China e na Índia, onde a exploração intensiva e a expropriação provocaram a acção das massas. A elite política chinesa parece estar mais consciente da ameaça política colocada pela concentração crescente da riqueza e encontra-se em vias de promover aumentos substanciais de salários e um maior consumo local que parece estar a reduzir as margens de lucro nalguns sectores da elite de manufacturas. Talvez que a 'memória histórica' da 'revolução cultural' e a herança maoista desempenhe o seu papel no alerta da elite política para os perigos políticos resultantes dos "excessos capitalistas" associados aos altos níveis de exploração e ao rápido crescimento duma classe de clãs politicamente relacionados, baseados em multimilionários.

Médio Oriente

Na última década, o país mais dinâmico no Médio Oriente foi a Turquia. Dirigido por um regime democrático liberal de inspiração islâmica, a Turquia tem liderado a região no crescimento do PIB e na produção de multimilionários. O desempenho económico turco tem sido apresentado pelo Banco Mundial e pelo FMI como um modelo para os regimes pós ditatoriais no mundo árabe – de 'alto crescimento', uma economia diversificada baseada na crescente concentração de riqueza. A Turquia tem mais 35% de multimilionários (37) do que os estados do Golfo e do Norte de África em conjunto (24). O 'segredo' do crescimento turco é as altas taxas de investimento em diversas indústrias e a exploração intensiva da força de trabalho. Muitos multimilionários turcos (14) obtêm a sua riqueza através de 'conglomerados', investimentos em diversos sectores de manufactura, finança e construção. Para além dos multimilionários de 'conglomerados', há 'multimilionários especialistas' que acumularam a sua riqueza a partir da banca, da construção e do processamento de alimentos. Uma das razões de a Turquia ter censurado e desafiado o poder de Israel no Médio Oriente é porque os seus capitalistas estão ansiosos por projectar investimentos e penetrar nos mercados do mundo árabe. Com excepção do sistema político americano, fortemente sionizado, as elites governantes e o público na Europa e na Ásia encararam favoravelmente a oposição da Turquia aos massacres israelenses em Gaza e à violação da lei internacional em águas marítimas. Se um moderno regime islâmico liberal pode crescer rapidamente através da rápida expansão duma classe diversificada de super-ricos, o mesmo acontece com Israel, um moderno estado judaico-neoliberal baseado no rápido crescimento duma classe de multimilionários altamente diferenciada.

Israel, com 16 multimilionários é um país em que as desigualdades de classe crescem mais rapidamente na região – com o mais alto número de multimilionários per capita do mundo… Os "sectores de crescimento" de Israel, software, indústrias militares, finança, seguros e diamantes e investimentos ultramarinos em metais e minas, são liderados por multimilionários e multi-multimilionários que beneficiaram das dádivas financeiras induzidas pelos sionistas, provenientes da pilhagem de recursos feita pelos EUA nos países da ex-URSS e da transferência de fundos pelas oligarquias russas-israelenses e também de empreendimentos conjuntos com multimilionários judaico-americanos em empresas de software, principalmente no sector de "segurança".

A alta percentagem de multimilionários em Israel, numa época de profundos cortes nas despesas sociais, desmente a sua afirmação de ser uma 'social-democracia' no meio dos 'xeicados'. A propósito, Israel tem o dobro de multimilionários (16) da Arábia Saudita (8) e mais super-ricos do que todos os países do Golfo juntos (13). O facto de Israel ter mais multimilionários per capita do que qualquer outro país não impediu os seus apoiantes sionistas nos EUA de pressionarem por uma ajuda adicional de 20 mil milhões de dólares na década passada. Contrariamente ao passado, a actual concentração de riqueza de Israel tem menos a ver com o facto de ser o maior recebedor de ajuda estrangeira… as doações a Israel são uma questão política: o poder sionista sobre a bolsa do Congresso. Dada a riqueza total dos multimilionários de Israel, um imposto de cinco por cento seria mais que compensador de qualquer corte da ajuda externa dos EUA. Mas isso não vai acontecer apenas porque o poder sionista na América impõe que os contribuintes americanos subsidiem os plutocratas de Israel, pagando-lhes o seu armamento ofensivo.

Conclusão

As "crises económicas" de 2008-2009 infligiram apenas perdas temporárias a alguns multimilionários (EUA-UE) e a outros não (asiáticos). Graças às operações de salvamento de milhões de milhões de dólares/euros/ienes, a classe multimilionária recuperou e alargou-se, apesar de os salários nos EUA e na Europa terem estagnado e os 'padrões de vida' terem sido atingidos por cortes maciços na saúde, na educação, no emprego e nos serviços públicos.

O que é chocante quanto à recuperação, crescimento e expansão dos multimilionários mundiais é como a sua acumulação de riqueza depende e está baseada na pilhagem de recursos do estado; como a maior parte das suas fortunas se basearam nas políticas neoliberais que levaram à apropriação a preços de saldos de empresas públicas privatizadas; como a desregulamentação estatal permite a pilhagem do ambiente para a extracção de recursos com a mais alta taxa de retorno; como o estado promoveu a expansão da actividade especulativa no imobiliário, na finança e nos fundos de pensões, enquanto encorajava o crescimento de monopólios, oligopólios e conglomerados que captaram "super lucros" – taxas acima do "nível histórico". Os multimilionários no BRIC e nos antigos centros imperialistas (Europa, EUA e Japão) foram os principais beneficiários das reduções fiscais e da eliminação de programas sociais e de direitos laborais.

O que é perfeitamente claro é que é o estado, e não o mercado, quem desempenha um papel essencial em facilitar a maior concentração e centralização de riqueza na história mundial, quer facilitando a pilhagem do erário publico e do ambiente, quer aumentando a exploração da força de trabalho, directa e indirectamente.

As variantes nos caminhos para o estatuto de 'multimilionário' são chocantes: nos EUA e no Reino Unido, predomina o sector parasita-especulativo sobre o produtivo; entre o BRIC – com excepção da Rússia – predominam diversos sectores que incorporam multimilionários da manufactura, do software, da finança e do sector agro-mineral. Na China, o abissal fosso económico entre os multimilionários e a classe trabalhadora, entre os especuladores imobiliários e as famílias expropriadas levou ao aumento do conflito de classes e a desafios, forçando a aumentos significativos de salários (mais de 20% nos últimos três anos) e à exigência de maiores gastos públicos na educação, saúde e habitação. Nada de comparável está a acontecer nos EUA, na UE ou noutros países do BRIC.

As origens da riqueza dos multimilionários são, quando muito, devidas apenas em parte a 'inovações empresariais'. A sua riqueza pode ter começado, numa fase inicial, a partir da produção de bens ou serviços úteis; mas, à medida que as economias capitalistas 'amadurecem' e se viram para a finança, para os mercados ultramarinos e para a procura de lucros mais altos, impondo políticas neoliberais, o perfil económico da classe multimilionários muda para o modelo parasita dos centros imperialistas instituídos.

Os multimilionários nos BRIC, a Turquia e Israel contrastam fortemente com os multimilionários do petróleo do Médio Oriente que são rentistas que vivem das 'rendas' da exploração do petróleo, do gás e dos investimentos ultramarinos, em especial do sector FIRE. Entre os países BRIC, só a oligarquia multimilionária russa se parece com os rentistas do Golfo. O resto, em especial os multimilionários chineses, indianos, brasileiros e turcos, tiraram partido das políticas industriais promovidas pelo estado para concentrar a riqueza sob a retórica de 'paladinos nacionais', que promovem os seus próprios 'interesses' em nome duma 'economia emergente de sucesso'. Mas mantêm-se as questões básicas de classe: "crescimento para quem? e a quem é que beneficia?" Até agora, o registo histórico mostra que o crescimento de multimilionários tem-se baseado numa economia altamente polarizada em que o estado serve a nova classe de multimilionários, sejam especuladores parasitas como nos EUA, rentistas saqueadores do estado e do ambiente, como na Rússia e nos estados do Golfo, ou exploradores da força de trabalho como nos países BRIC.

Post Scriptum

A revolta árabe pode ser vista em parte como uma tentativa de derrubar os 'clãs capitalistas de rentistas. A intervenção ocidental nas revoltas e o apoio das elites militares e políticas da "oposição" é um esforço para substituir uma classe governante capitalista 'neoliberal'. Essa "nova classe" será baseada na exploração da mão-de-obra e na expropriação dos actuais possuidores dos recursos clã-família-amigos. As principais empresas serão transferidas para multinacionais e capitalistas locais. Muito mais promissoras são as lutas internas dos trabalhadores na China e, em menor grau, no Brasil e no campesinato rural maoista e movimentos tribais na Índia, que se opõem à exploração e à expropriação de rentistas e capitalistas.
NT
[1] Barão ladrão – termo pejorativo usado para um poderoso homem de negócios e banqueiro americano do século XIX. [2] Sillicon Valley – situa-se a Sul da área da baía de S. Francisco, na Califórnia. Esta região alberga muitas das maiores companhias de tecnologia electrónica do mundo. O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23907 . Tradução de Margarida Ferreira. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Meu diário do 25 de Abril de 2011

As notícias de uma FMIzação do Globo que não passam nas nossas TVs

Fomos de metro. Chegados à Avenida dos Aliados, a malta foi "chutada" para lá ao fundo, longe da Câmara Municipal do Porto, ai, nós a peste negra não fôssemos infeccionar o Rui Rio. Já não me lembro bem quando foi a última vez que vi o PSD na arruada do 25 de Abril no Porto...salvo erro há uns bons 10 anos para cá. CDS há muitos mais anos, mesmo. PS de certeza que há uns 5 anos. O PCP e o BE sempre presentes. Mas este ano tão poucos os sindicatos, tão pouca adesão...o cortejo era magrinho e com fome como muitos milhares já estarão a passar em Portugal...Com o meu filho compramos 2 cravos de Abril nas ruas como é tradição. Depois fui ao Norteshopping pois o meu filho merecia uma prendinha extra e lá fomos. Era quase o inverso da Av. dos Aliados: cheio! E foi com muito orgulho que exibi o cravo de Abril na lapela e o meu filho com outro na mão, entre olhares (muitos) envergonhados e (alguns) de medo e pensei: Raios os parta! Merecem tudo e mais alguma coisa. Uma era do faz de conta, de uma democracia faz de conta. Sem muito por fugir. Os sinais preocupantes da extrema-direita estão a alastrar...Leiam o relatório do presidente do FMI (de boas intenções está o Inferno cheio)

domingo, 24 de abril de 2011

Poema da Semana- António Gedeão : Fala do Homem Nascido



Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém


Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar"

António Gedeão-José Niza-Adriano Correia de Oliveira

sábado, 23 de abril de 2011

Matt Damon Hosts "Plan B: Mobilizing To Save Civilization"



WASHINGTON, D.C., March 25, 2011 --/WORLD-WIRE/-- “Plan B: Mobilizing to Save Civilization,” a documentary based on the book by environmental visionary Lester Brown, will be broadcast on PBS on Wednesday, March 30, 2011 at 10 p.m. Academy Award winner Matt Damon returns as on-camera host/narrator. Produced by Emmy Award-winning filmmakers Marilyn & Hal Weiner, “Plan B” is the 12th episode of the award-winning series Journey to Planet Earth, which reports on the most important environmental and sustainable development issues of the 21st century.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Mark Blyth: A austeridade é uma ideia perigosa e o coeficiente Gini



E já ouviu falar do coeficiente Gini [wikipedia]?


António Hespanha alertou a mim e aos leitores do seu mural pedindo por favor de lermos Tony Judt  "Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos" !
Três notas (dele):
1. Sem confiança mútua não pode haver uma vida social boa;
2. A confiança não é possível se a solidariedade entre todos não existe;
3. Uma manifestação da solidariedade é uma relativa igualdade de oportunidades entre todos;
 

Portugal e a Roménia são os dois países com maior desigualdade de rendimento na UE. Depois de Letónia e da Lituânia, Portugal tem o mais alto coeficiente de desigualdade da UE (v. http://www.poverty.org.uk/e14/index.shtml)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Campanha Comer Bem é Mais Barato

Campanha na Estrada
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terça-feira, 19 de abril de 2011

Nuclear Nightmare- artigo de um dos gurus do consumidor

 
The unfolding multiple nuclear reactor catastrophe in Japan is prompting overdue attention to the 104 nuclear plants in the United States—many of them aging, many of them near earthquake faults, some on the west coast exposed to potential tsunamis.

Nuclear power plants boil water to produce steam to turn turbines that generate electricity. Nuclear power’s overly complex fuel cycle begins with uranium mines and ends with deadly radioactive wastes for which there still are no permanent storage facilities to contain them for tens of thousands of years.

Atomic power plants generate 20 percent of the nation’s electricity. Over forty years ago, the industry’s promoter and regulator, the Atomic Energy Commission estimated that a full nuclear meltdown could contaminate an area “the size of Pennsylvania” and cause massive casualties. You, the taxpayers, have heavily subsidized nuclear power research, development, and promotion from day one with tens of billions of dollars.

Because of many costs, perils, close calls at various reactors, and the partial meltdown at the Three Mile Island plant in Pennsylvania in 1979, there has not been a nuclear power plant built in the United States since 1974.

Now the industry is coming back “on your back” claiming it will help reduce global warming from fossil fuel emitted greenhouse gases.

Pushed aggressively by President Obama and Energy Secretary Chu, who refuses to meet with longtime nuclear industry critics, here is what “on your back” means:

1. Wall Street will not finance new nuclear plants without a 100% taxpayer loan guarantee. Too risky. That’s a lot of guarantee given that new nukes cost $12 billion each, assuming no mishaps. Obama and the Congress are OK with that arrangement.

2. Nuclear power is uninsurable in the private insurance market—too risky. Under the Price-Anderson Act, taxpayers pay the greatest cost of a meltdown’s devastation.

3. Nuclear power plants and transports of radioactive wastes are a national security nightmare for the Department of Homeland Security. Imagine the target that thousands of vulnerable spent fuel rods present for sabotage.

4. Guess who pays for whatever final waste repositories are licensed? You the taxpayer and your descendants as far as your gene line persists. Huge decommissioning costs, at the end of a nuclear plant’s existence come from the ratepayers’ pockets.

5. Nuclear plant disasters present impossible evacuation burdens for those living anywhere near a plant, especially if time is short.

Imagine evacuating the long-troubled Indian Point plants 26 miles north of New York City. Workers in that region have a hard enough time evacuating their places of employment during 5 pm rush hour. That’s one reason Secretary of State Clinton (in her time as Senator of New York) and Governor Andrew Cuomo called for the shutdown of Indian Point.

6. Nuclear power is both uneconomical and unnecessary. It can’t compete against energy conservation, including cogeneration, windpower and ever more efficient, quicker, safer, renewable forms of providing electricity. Amory Lovins argues this point convincingly (see RMI.org). Physicist Lovins asserts that nuclear power “will reduce and retard climate protection.” His reasoning: shifting the tens of billions invested in nuclear power to efficiency and renewables reduce far more carbon per dollar (http://www.nirs.org/factsheets/whynewnukesareriskyfcts.pdf). The country should move deliberately to shutdown nuclear plants, starting with the aging and seismically threatened reactors. Peter Bradford, a former Nuclear Regulatory Commission (NRC) commissioner has also made a compelling case against nuclear power on economic and safety grounds (http://www.nirs.org/factsheets/whynewnukesareriskyfcts.pdf).

There is far more for ratepayers, taxpayers and families near nuclear plants to find out. Here’s how you can start:

1. Demand public hearings in your communities where there is a nuke, sponsored either by your member of Congress or the NRC, to put the facts, risks and evacuation plans on the table. Insist that the critics as well as the proponents testify and cross-examine each other in front of you and the media.

2. If you call yourself conservative, ask why nuclear power requires such huge amounts of your tax dollars and guarantees and can’t buy adequate private insurance. If you have a small business that can’t buy insurance because what you do is too risky, you don’t stay in business.

3. If you are an environmentalist, ask why nuclear power isn’t required to meet a cost-efficient market test against investments in energy conservation and renewables.

4. If you understand traffic congestion, ask for an actual real life evacuation drill for those living and working 10 miles around the plant (some scientists think it should be at least 25 miles) and watch the hemming and hawing from proponents of nuclear power.

The people in northern Japan may lose their land, homes, relatives, and friends as a result of a dangerous technology designed simply to boil water. There are better ways to generate steam.

Like the troubled Japanese nuclear plants, the Indian Point plants and the four plants at San Onofre and Diablo Canyon in southern California rest near earthquake faults. The seismologists concur that there is a 94% chance of a big earthquake in California within the next thirty years. Obama, Chu and the powerful nuke industry must not be allowed to force the American people to play Russian Roulette!

Nuclear Nightmare
 
Ralph Nader
Ralph Nader is a consumer advocate, lawyer, and author. His most recent book - and first novel - is, Only The Super-Rich Can Save Us. His most recent work of non-fiction is The Seventeen Traditions.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Bento Jesus Caraça, nasceu a 18 de Abril de 1901 ~ Português pleno de Consciência Humanista



Gostaria de perguntar ao líder do "Verdadeiros Finlandeses" se por acaso conhece a história da Europa e do papel de Bento Jesus Caraça num período terrível que foi o nazismo e mais  se ele  conhece a craveira intelectual e universalista da sua obra? Ele nem sabe nem sonha.O sistema de ensino finlandês também terá muitos erros por sinal.

“Qual deve ser a acção da Universidade Popular Portuguesa?
[daqui]
A sua acção deve limitar-se, se é que o termo limitar pode ser empregue aqui, ao desenvolvimento e propagação da cultura. Cultura, sempre cultura e, se é necessário adjectivá-la, direi cultura revolucionária. Revolucionária em que sentido? No sentido de que ela deve tender a dar a cada homem a consciência integral da sua própria dignidade, o conhecimento completo de todos os seus direitos e de todos os seus deveres. Sejamos homens livres e criemos homens livres, dentro do mais belo e nobre conceito de liberdade- o reconhecimento a cada um do direito ao completo e amplo desenvolvimento das suas capacidades intelectuais, morais e materiais.

Revolucionária ainda no sentido de que ela deve tender na sua essência ao desenvolvimento do espírito de solidariedade – dever do mais forte: ajudar o mais fraco- e deve ser portanto internacionalista na sua forma. E que ninguém ligue à ideia de internacionalismo a da destruição da pátria; o coração do homem é grande e nele cabe bem o amor da sua pátria e o da humanidade.

Revolucionária ainda no sentido de que, dando a cada um, como disse, a consciência integral da sua dignidade, permita que cada proletário culto deixe de ser, como infelizmente na maioria dos casos até agora, um burguês e consequentemente um traidor à sua classe. Problema terrível este que urge resolver, para que deixemos de assistir ao espectáculo degradante da renúncia do povo em si próprio.

Revolucionária ainda e sobretudo no sentido de que, preparando cientifica e moralmente a classe proletária para o desempenho da missão futura que lhe incumbe, a torne bem consciente do seu dever último e supremo – o do seu próprio desaparecimento num futuro mais longínquo em que não deve haver classes mas apenas homens livres conhecendo-se , amando-se e trabalhando solidariamente dentro dum novo equilíbrio social- o da realização do bem comum."


(Da intervenção na sessão da Universidade Popular Portuguesa, de 21 de Novembro de 1929)

sábado, 16 de abril de 2011

Timelapse photography: speeding up life


Algumas das sequências mais memoráveis ​​da história natural resultou da fotografia timelapse, uma técnica surpreendente de filmagens que abre os nossos olhos para um novo mundo. Plantas de crescimento lento e comportamentos animais complexos ganham vida graças ao trabalho minucioso e delicado do cineasta especializado. Uma câmara digital comum, tirando fotos em intervalos durante um longo período de tempo, é editado numa sequência em movimento, o tempo de compressão e, ocasionalmente, expor acontecimentos que passam despercebidos em tempo real. Esta selecção de clipes mostra a técnica no seu melhor e  de forma muito esclarecedora.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Reducing speed limits on motorways: how good is it for the environment?

Lower speed limits on motorways are generally associated with road safety. But several European countries are now debating whether they also benefit the environment and, if so, how much. There is no simple way of measuring the environmental benefits of lower speed limits but several factors clearly play a key role.
Of course, these assumptions are quite artificial. In reality, a variety of factors are likely to limit the fuel savings, including the energy efficiency levels of the vehicle fleet, driving patterns, speeding and traffic congestion. In a more realistic scenario — including speed limit exceedances and frequent fluctuations in driving speeds — the actual fuel savings would be just 2–3 %.

Transport emissions must be cut

The debate around motorway speed limits is timely, given the urgent need to address global warming and air pollution.
Compared to 1990, the EU has significantly reduced its total greenhouse gas (GHG) emissions, with policy and technology helping break the link between economic growth and GHG emissions in almost all sectors. The only clear exception is transport, where GHG emissions actually rose by 25 % between 1990 and 2008 in the 32 EEA member countries (these numbers exclude the international maritime and aviation sectors).
Transport accounts for nearly 20 % of the European Union's greenhouse gas emissions with carbon dioxide (CO2) comprising the main component of transport emissions (99 %). Road transport is, in turn, the largest contributor to CO2 emissions from the transport sector (around 94 % in 2008), thus accounting for more than 18 % of the EU-27's total emissions. As such, Europe must tackle transport emissions if it is to achieve significant reductions in its overall GHG emissions.
Evidently, transport sector's impact on the environment is not limited to GHG emissions. Notwithstanding recent reductions in air pollutant emissions, road transport remains the largest emitter of nitrogen oxides (NOx) and the second largest contributor of pollutants forming particulate matter (PM). Lowering speed limits (thereby reducing fuel consumption) and cleaner technology, in particular for diesel vehicles, would reduce NOx and PM emissions and consequently help improve Europe’s air quality.

Cleaner technology is not enough

New vehicles are, on average, more energy-efficient than older vehicles. The recent EU regulation on cars and CO2 and the agreement on similar legislation for light commercial vehicles will improve this further. Unfortunately, however, full fleet penetration of these new technologies is expected to take almost two decades. Moreover, reductions in GHG emissions are likely to be offset by the expected growth in transport volumes. Other measures must therefore be considered to achieve cut GHG emissions and energy consumption in the short term.

Europeans favour slower journeys — at least in theory

Setting a speed limit requires striking a balance between mobility, safety and the environment. On a 200 km long trip, the reduction of the speed limit from 120 to 110 km/hour would mean an extra travel time of around eight to nine minutes, assuming perfect traffic flow.
Are European drivers ready to accept slightly longer travel times? The answer is probably "yes". According to a recent public poll (Flash Eurobarometer Report, no. 312, Future of Transport), about two thirds of EU citizens were willing to compromise a car's speed in order to reduce emissions.
The reality on the roads, however, appears to be quite contradictory. Around 40–50 % of drivers (up to 80 % depending on the country and type of roads) drive above legal speed limits ([1]). Clearly, drivers' theoretical support for lower limits is not enough. Compliance and tighter enforcement are also essential to achieve concrete results.

More information

[1] Speed management OECD-ECMT 2006



terça-feira, 12 de abril de 2011

Desastre nuclear no Japão: e já passou um mês - Japão sobe o nível de risco igual a Chernobyl e activistas do Greenpeace em Espanha fazem uma imapctante campanha contra o nuclear



Protesta antinuclear, que vale por ocho, un mes después de Fukushima

Hoy se cumple un mes desde que se iniciara el accidente nuclear de Fukushima, y sigue sin estar controlado. Un mes ya y, a pesar de todos los intentos realizados, aún no se ha logrado refrigerar el combustible nuclear de esos reactores.

Lo que ocurre en esa central nuclear es en realidad una larga batalla del ser humano contra uno de los monstruos que él mismo ha creado. En Fukushima la energía de fisión nuclear nos ha mostrado su verdadera cara, la de una tecnología ingobernable, que se escapa de nuestro control mucho más fácilmente de lo trataba de hacernos creer la industria nuclear. Three Mile Island, 1979; Chernóbil, 1986; Fukushima, 2011, por citar los accidentes más graves. No uno cada 10.000 años, como nos aseguraba el lobby nuclear.

Carlos Bravo, responsable de la campaña Anti-Nuclear de Greenpeace

- Galería de imágenes de las proyecciones

- Comunicado de Prensa: Activistas de Greenpeace realizan proyecciones en todas las centrales nucleares españolas
- Página especial "Crisis nuclear en Japón"
- Sigue todas las actualizaciones sobre Fukushima en el canal de Twitter de @Greenpeace_esp

MAIS LEITURAS::

How Nuclear Apologists Mislead the World Over Radiation
by Helen Caldicott

Japan ups nuke crisis severity to match Chernobyl

Fukushima Nuclear Crisis - Chronicle of a Disaster Foretold

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Curta-Metragem: Nowhere Near Here



If life is a catwalk, run like a dog. Se a vida é uma passarela, corre como um cão.

'Nowhere Near Here' é uma animação stop motion que utiliza uma combinação de luz com stencils e fotografia de longa exposição para contar a história de um cachorro correndo em volta da cidade à noite, fazendo o que faz um cachorro. A animação foi exibida pela primeira vez no O Herbert, em Coventry, no 07 de outubro de 2010. 
Refere o autor na descrição (em inglês):

With well over 300 hours in the making, more than 200 stencils involved and too many cold nights spent outside on my knees getting the shots, I am very happy (and relieved) to finally share this with you. Through the course of shooting 'Nowhere Near Here', I have dealt with curious drunks, a dog almost peeing on the camera (the irony is not lost on me, haha), the endlessly suspicious police and even someone nearly running off with a tripod.

This is street art, this is life and thank you for watching.


Animation by Pahnl

Música:
Röyksopp performing What Else Is There?

domingo, 10 de abril de 2011

Natália Correia com The Cinematic Orchestra



O Livro dos Amantes

Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.

Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.


sábado, 9 de abril de 2011

Mapa: Onde coincidem as centrais nucleares com os terramotos



Por Juan Diego Polo - 16/03/2011


Uma das vantagens da utilização de API de serviços web é que qualquer um pode, usando dados disponíveis ao público, gerar mapas para mostrar algum tipo de informação específica.
Isto é o que fizeram no maptd.com, um blog especializado no desenvolvimento de mapas e divulgação dos mais interessantes que podemos encontrar na web.
 Neste caso, usando Google Fusion Tables, mostram todos os terramotos de magnitude superior a 4,5 desde 1973 (mais de 170.000 no total) e a localização de 248 reactores nucleares (em marcas azuis).

Os dados são obtidos a partir do United States Geological Survey e da International Atomic Energy Agency.
Como se  pode ver, não é muito comum ter reactores nucleares em zonas de terramoto, como o Japão e a costa oeste dos EUA como duas áreas a considerar.
Podes aceder ao mapa interactivo (com zoom) em maptd.com.
Fonte: What´s New





sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ser Paz para Ter Paz



Questiono-me muito das carências actuais de justiça, essa sim propicia Paz. Não estamos a dar sinais claros às novas gerações para vidas cooperativas, em comunidades. Também não resultará muito procurar ecovilas...a matriz é a mesma; o nosso planeta, mas o cidadão comum o que "vê" é a casa, as finanças, a alimentação, etc... Estão a fugir das nossas mãos colmatar as condições/ origens da tanta irritação/violência/submissão. A diversidade de escolha é importante: ecovilas, parques naturais, reservas da biodiversidade, telecomunicações, mobilidade, regimes políticos, ONG, empreendorismo social, agenda 21...Mas o peso capitalista é na minha óptica o maior responsável: descuida-se de exigir primeiro o respeito pela autodeterminação dos povos, pelos elementares direitos à greve, à emancipação da mulher, aos diversos planos de protecção ambiental. Os mercados estão cegos e sorvedouros de piratas. Por outro lado a confiança nos instrumentos ditos "normais" está a falhar. Hoje creio, ou que me debato frequentemente é que colectivamente estamos a cair no cinismo. E na desagregação completa da sociedade. A linguagem, uma das mais belas conquistas da biologia está em retrocesso nas sociedades/colónias humanas.
Atentem neste vídeo. Está tudo dito.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Contracção Económica- grande artigo por Joanne Poyourow


Just like peak oil and global warming, economic contraction is a "game changer."  As the economy we now know crumbles, the far-reaching repercussions will sculpt every aspect of our future.  In my opinion, any long-term plan -- Transition EDAPs included -- must anticipate that it will unfold amidst a world of economic contraction.  We have to plan for it, and put alternative financial tools in place to weather it, or it will undermine all of our other efforts.
This post is an excerpt from a longer paper, "Economic Resilience," which is being posted online in serial form.  Part I (this post) explains the problems, because we have to understand what we are working with in order to begin to solve it.  Part II critiques what several economic theorists see as possible routes forward for the “big picture” economy.  But the central question of this document is what we can do at the grassroots level.  Part III (approximately 70% of the document) offers a panorama of ideas for building local economic resilience. Links to the full document can be found here.
SEEING THROUGH THE SMOKESCREENS
"The scale of denial is breathtaking." --Jerry Mander
It might appear that there are very contrasting takes on what is happening in the economy, but remember there are all kinds of commentaries denying peak oil and global warming as well -- and the well-informed can see the gaping holes in the arguments.  It takes self-study and work to learn to see through the smokescreens that have been painstakingly erected to obscure the stark realities. 
Just as in the field of global warming where there are individuals who are well paid to distribute bad science to "prove" that global warming isn't human caused, just as the companies who stand to profit on oil don't want to admit it has peaked, there is a similarly enormous financial incentive for people to declare that there will be a lasting "recovery" -- that growth will resume, and that collapse fears are unpatriotic (so we should all go shopping).
In economics, it takes more than work to see the holes in their arguments -- it takes raw courage.  With the economic issue in particular, each one of us is wrapped up in it.  It is our bread-and-butter, it is the roof over our heads, and it can be truly horrifying to look deeply.  Perhaps four, maybe five years ago, I followed a link from one of Hopkins' pieces to an article by a different author who referred to "the triple crisis" of global warming, peak oil, and economic collapse.  That was the first time I'd ever heard it put that way.  At that time my stomach turned.  I actually felt sick for a few weeks.
At that time I was simultaneously reading the work of Robert Prechter, Warren Buffett and Sy Harding.  Prechter taught about the Fibonacci patterns and the effect that the rise and fall of cumulative human emotions builds into every market -- that after the exhilarating crest, there is an inevitable fall.  Buffett taught readers to analyze the underlying fundamentals -- yet in company after company that I was testing at the time, his formulas proved out; the companies were already ridiculously overvalued for their underlying worth.  At a time when the front pages of the newspapers were celebrating the nosebleed pinnacle of stock gains, Prechter and Harding wrote of preparing for the great bear market.
In my presentations here in Southern California, when I do the part of my talks where I explain the problems we face, I present it as "the triple crisis."
In the Totnes EDAP, Hopkins indicates his acceptance of "the end of economic growth" as part of the triple crisis that affects every aspect of our future course.  But what we face goes far beyond “the end of growth.”  By the end of this piece, I think you will see that the economy as we know it today is inevitably going to contract, grow smaller, "powerdown."
Whether it will be a full-scale collapse into chaos like Jared Diamond writes about or Stoneleigh forecasts , or whether we will be successful in creating locally-managed "surge breakers" in time, remains to be seen.  But either way, we'd better try our best to get something in place.

POSSIBLE WAYS OFF THE MOUNTAIN

“Anyone who believes that exponential growth can go on forever in a finite world is either a madman or an economist.”
--Kenneth E. Boulding
I usually begin the economics portion of my talks with an overview: that we're coping with a triple crisis.  I follow that with a detailed view of each of the three elements: 
(2) Peak oil: what ASPO, the U.S. Department of Energy, and the International Energy Agency anticipate as the future of petroleum, together with possible repercussions as outlined by Richard Heinberg, James Howard Kunsler and company.  Peak oil is really a subset of “peak everything.”
(3) Economic contraction: more on this in a moment.
Over the course of industrialized civilization we have experienced an enormous assent of consumption of raw materials and consumption of energy.  In his Energy Descent diagram, David Holmgren depicts this as the climb up the mountain.  Right now, at the peak of the mountain, what are our options?  What are the possible ways forward?
The first option, the orange line, “Techno-fantasy,” is the business-as-usual, eternal growth scenario.  It says We’ll just keep going the way we are now, with more of the same.  Keep on shopping!  Don’t worry that we don’t have the oil to keep going like this, we’ll just send an army over and conquer the country that has it ... We’ve heard this one before, and you’ll note the word “fantasy” in the name.
The second scenario, the “Green Tech Stability” model, says Okay, we know that eternal growth isn’t possible, so we’ll ditch the growth idea.  We’ll just continue along at a reasonable level, kind of steady, right where we are now.  So we’re running out of oil: we’ll use wind and solar and biofuels and all that renewable stuff to replace it. 
But there are some serious problems with this Green Tech proposal.  One is the idea of energy density: oil gives us tremendous power, and no combination of renewables can possibly replace what it does for us.  The second is timing: those renewables aren’t in place now, in anywhere near sufficient quantities, to avoid the pain of energy shortages.  We will still have to powerdown.
The third problem is that our entire economy is built upon the presumption of everlasting growth.  Everything from our stock market to our accounting systems is founded upon the premise that growth is good and lack of growth is failure.  Thus even the adjustment from that steeply ascending line to the flat line is a very significant one.  We will feel the ouch.  The fourth is the “peak everything” issue.  There is a serious problem with the level at which we declare that stability (but we’ll get into that in Part II).  For those four reasons, we should be calling this a Green Tech fantasy scenario.
The third scenario, the red line, is the Crash scenario, the Mad Max scenario, the collapse of civilization as we know it.  This is what happens if we keep on going with the Techno-fantasy and ignore the problem a little longer.  Now, I have two children; I say, there’s got to be a better alternative than this.
Holmgren presents another scenario, the Energy Descent scenario.  This scenario says we can take the boundless creativity that got us up the mountain and apply it toward actively designing a careful way down.  This is the approach that the Transition movement embraces.
It is very important to understand that inherent in the Energy Descent scenario is the downhill slope – the understanding that there must be a descent.  There must be a powerdown.  There must be a significant decrease in consumption overall.  And as you will see in the following discussion, that means there will inevitably be a severe contraction in our economic systems.

A BASIC EXPLANATION: ECONOMICS

We have an economic system that is based entirely upon the presumption that growth will be ongoing, unceasing, and unlimited.  This in turn requires ever more extraction from the earth.  Thus at the most basic level, our tour of economics begins with biocapacity, a.k.a. global footprint.

Global footprint is how much raw materials we use and how much waste we generate, compared to how fast the planet can make more resources and clean up the mess in the same time period.  Humanity as a whole has been using more resources and generating more waste than the planet can make and clean up.  It is called ecological overshoot and we have been moving deeper into this state since the 1970s.  Humanity is simultaneously experiencingpeak oil, peak natural gas, peak coalpeak copperpeak uraniumpeak phosphorus, peak fresh water, peak arable land, and more.  Richard Heinberg calls it “peak everything.”
It gets even worse when we look at it by continent.  Again, if we take all the "stuff" there is on the planet -- all the fresh water, all the arable land, all the fisheries, all the forests, all the energy resources and more -- and we divide it up by the number of people we have here today, we get a figure we can call our "fair share." 
Our fair share is 2.1 hecatres (they measure this stuff in an equivalency unit called "bioproductive acres").  Humanity as a whole uses on average 2.23 hecatres.  2.23 world average consumption is bigger than our 2.1 fair share.  Right there you can see the ecological overshoot.
Here in North America, we consume at a rate of a whopping 9.4 hecatres.  That is nearly five times our fair share.  In other words, if everyone on the planet consumed the way we do -- the way we tell each other is "normal" -- it would take FIVE PLANETS to provide for it all.
At this point in my talks, I often throw five earth beach balls out at the audience.  It makes a lasting impression.
All this means that we would have to go to six, seven, eight planets-worth-of-consumption in order to "grow" this economy. 
It's quite clear we cannot do that.

FIVE-PLANETS-WORTH-OF-CONSUMPTION

There are three ways in which North Americans have managed to live at five-planets-worth-of-consumption. I am indebted to Sophy Banks and Naresh Giangrande for an explanation in the Transition Training here in Los Angeles in 2008, which really broadened my understanding.
“Ghost acres” – taking from others.  We have raped and pillaged the raw materials of other continents (leaving the people who live on those continents with far less than their fair share).  We’ve consumed those goods here and persuaded each other that they were rightfully ours.
“Draw down” -- taking from the future.  As we desecrate ancient forests and deplete fisheries, we are consuming today that which should be our children’s inheritance.
“Ancient sunlight” – taking from the past.  Fossil fuels – oil, gas, coal – are captured ancient sunlight.  In the space of a mere 150 or so years out of the entire history of humanity, we are gobbling up and consuming the entire planetary supply.
We have an economic system that is entirely dependent upon taking from others, taking from the future, and taking from the ancient past.  This economic system is built upon the presumption of everlasting growth.  Thus in order to keep it going (keep it growing) we must take more from others, take more from the future, and take more from the ancient past.
Peak oil is the laws of physics telling us it is no longer possible to take more from the ancient past.  Biocapacity is the laws of physics telling us it won’t be possible for much longer to take from the future.  “War that will not end in our lifetimes” is a sign that taking from others has maxed out.
We are at the end of growth.  We're actually beyond the end of growth into the beginning of economic contraction. 

THE BEGINNING OF CONTRACTION

"Understandably, everyone wants it to get “back to normal.” But here’s a disturbing thought: What if that is not possible? What if the goalposts have been moved, the rules rewritten, the game changed?"
--Richard Heinberg
Hopkins has written about peak oil that "to argue that within 2 years, peak oil will be an issue of “who lives” is a lazy way to describe it and an unhelpful sweeping generalization. Some places won’t feel much of an impact at all for years." 
In similar fashion, biocapacity and the limits to economic growth are already being painfully felt in some places, while in other places people might have the luxury cushion to go on pretending it isn't so for several more years.  Right now, people in some of the affluent social circles around me continue to carry on in denial.  Discussions of the issues in this document seem absolutely absurd to them.  After all, the newspapers say “the economy is recovering.”
Yet we can't pretend away the indicators all around us.  The fact that we are severely overextended is showing up not just in our ecological systems, but in our human ones as well.  There are no Buffett fundamentals to support the notion of "economic recovery."  In fact the very substance that should be there is hollow.
It calls to mind the times when rats get into my grapefruit tree.  They bore a small hole in one side of the fruit, then crawl inside and eat all the flesh.  You’re left with an empty, hollowed-out rind dangling there on the tree.
Stoneleigh points out how our current economic "growth" figures include tons of transactions which are entirely built upon credit and financial instruments.  There isn't any substance to them. 
The substance that supports many of our conventional economic transactions is rapidly depleting.  Peak oil promises absolutely staggering economic implications.  Already we've seen a doubling of retail gasoline prices over the past three or so years, and the ramifications of that are still playing out across the market.  Fed Ex costs more, postage costs more, moving everything around the surface of the planet costs more.  Food costs a lot more.  And we’re just getting started.
Peak oil will mean the end to globalization as we have known it thus far.  Right now we call it “normal” to harvest raw materials on one continent, to ship them to another continent for manufacture, and to still another continent for sale.  This absurd extravagance -- only possible with plentiful cheap oil – is at its end.  So too is the globalized economy that was built around it.
Conventional wisdom says it takes about three years for an oil shock to play out across the financial markets.  We’re not yet three years out from $147 a barrel in July 2008, thus we’ve barely seen the full array of impacts, and prices are climbing back over $108 for the second time.  Oil industry representatives are now publicly stating that prices will go much higher.  As oil (and now potentially coal too) becomes more precious, this volatility will only exacerbate the existing market instabilities.
Further evidence of the empty, hollowed-out rind:
Government: Our government is in dire straights: our California and Los Angeles city budgets are completely upside down, forcing them to slash programs across the board.  Our national debt just reached an all-time record high.  As I write this, each citizen’s share of the national debt -- YOUR share  -- is $45,959.  The decreased tax base due to other economic factors will only exacerbate the plight of our government in coming years.
Consumers: Our unemployment rate would display far higher if it weren't for the fact that people's term of unemployment is now exceeding the maximum term over which they can receive benefits, thus they are disappearing from unemployment statistics. (the 99ers) The long-term jobless are no longer counted in the newspaper statistics, but that doesn't mean they now have jobs and their pain is behind them.  Many have given up on finding a job.  Others who have managed to find work are now underemployed, earning far less than their skills once merited.  The number of Americans on food stamps is rising, and so is the demand at food banks.  A recent report indicated that 20% of families in California struggled to afford food last year, and 18% of Americans.
Labor: We have an aging population demographic, with increasing numbers of retirement-age individuals, and social security sliding into permanent deficit.  We have an obesity epidemic among our youth.  These signal increasing hope for oil-intense medical care, which we won’t be able to supply.  All this means decreasing numbers of able-bodied adults to perform post-petroleum manual labor.  Who will create that "more" for this supposedly growing economy? 
Social: The rate of emotional depression in the U.S. has increased more than tenfold in the last fifty years. Some thinkers declare that Western society is in the grip of a “social recession.”  Our population has a psychological and spiritual sense of "maxed out.”   
James Gustave Speth quotes the United Nations Development Programme’s 1996 report (which, rather than being outdated, indicates how very long our society has been desperately off track).  This report lists several ways that economic performance has gone sideways:
Jobless growth – where the overall economy grows but does not expand the opportunities for employment;
Ruthless growth – where the fruits of economic growth mostly benefit the rich;
Voiceless growth – where growth in the economy has not been accompanied by an extension of democracy or empowerment;
Rootless growth – where growth causes people’s cultural identity to wither;
Futureless growth – where the present generation squanders resources needed by future generations.
Our economy is indeed that empty, hollowed-out rind dangling on the tree, without substance, without the materials for “more”.
Every market is an accumulation of human emotions.  From the tulip mania of 1637 to the Dow Jones of today, mass human enthusiasm drives market values higher; mass human distrust and fear pulls economic values down.  (Robert Prechter has written entire books about this.)
When we look at the emotions of a market, we see where we are.  We all heard the "new paradigm" a few years back when media broadcast that it would only get better.  That was right before the first plunge.  In denial, we now desperately search for signs of "recovery." 
To which Stoneleigh declares with bright sarcasm:  "Those green shoots of recovery?  That would be gangrene!"
I don't know about you, but around me there is lots of fear.  In my Pacific Region, the Consumer Confidence index recently hit a record low.  We're in a momentary time when people desperately home that we're "returning to normal."  It's clear where we are on the emotions-of-a-market chart.  And we can see what lies ahead.
Early Transition materials encouraged us to listen to the elders.  Around here, members of the generation that experienced the Depression of the 1930s have been telling us "hold on to your cash."  It looks just like they saw before.
Transition movement commentary on the economy
•    Transition United States, “Economic Crisis” 
The fundamental problems with the old economy
•    Jerry Mander, "Barking up the Wrong Tree" -- a (brutally) concise, one-page synopsis written by Jerry Mander of the International Forum on Globalization. Page 9 of this pdf
•    Stoneleigh/Nicole Foss, "Making sense of the financial crisis in the era of Peak Oil," chilling, fast-paced audio talk.  access via this post
Joanne Poyourow is the initiator who brought the ideas of the international Transition movement to many areas of Los Angeles.  She is actively involved in the Transition Los Angeles city hub.  She was a CPA in public practice for more than 13 years and holds a degree in Business Economics from the University of California at Santa Barbara