sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Contributos para a História do Ecologismo em Portugal - Francisco Caldeira Cabral

2008 CENTENÁRIO
FRANCISCO CALDEIRA CABRAL
26 de Outubro 1908 - 10 de Novembro 1992

A criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês não foi um acto isolado. Constituiu, antes, o coroar dos esforços tenazes, muitas vezes mal compreendidos, de um grupo de cidadãos preocupados de há longa data com a problemática da Conservação da Natureza. Logo em 1939, o Eng.º Francisco Flores sistematizou, pela primeira vez em Portugal, as directrizes de uma política de Conservação da Natureza. Cerca de 10 anos depois, um pequeno conjunto de cidadãos e técnicos, em que avultam os nomes de Baeta Neves, Carlos Tavares, Carlos Teixeira, Pinto da Silva, Germano Sacarrão, Mário Myre e Miguel Neves, criaram a Liga para a Protecção da Natureza, inspirados pelos gritos de alarme do Poeta Sebastião da Gama a propósito das ameaças à integridade da serra da Arrábida. Esta organização encabeçou durante vários decénios, quase sozinha, a defesa dos princípios da Protecção da Natureza e do Ambiente e pugnou pela institucionalização de uma política de Conservação da Natureza.
A este núcleo inicial foram-se juntando outros cidadãos e cientistas que na sua actividade cívica e didáctica, desde cedo se esforçaram, não só pela divulgação do ideário da Conservação da Natureza como, particularmente, pelo desenvolvimento científico e tecnológico necessário à sua concretização.
Especial destaque assumiram as escolas de Silvicultura e de Arquitectura Paisagista do Instituto Superior de Agronomia onde se salientam, entre outros, os nomes dos Profs. Azevedo Gomes e Caldeira Cabral, para só citar aqueles que infelizmente já nos deixaram. É igualmente de realçar o papel do Eng.º Silvicultor José Lagrifa Mendes no caso particular da criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Tendo assumido pessoalmente a tarefa dessa criação conseguiu, passados trinta anos sobre as primeiras propostas nesse sentido, concretizar esse objectivo primeiro de todos os que pugnaram pela preservação do nosso património natural. [Fonte: Arquivos da Presidência de Jorge Sampaio ]


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

E-livro gratuito - Neurotoxicidade e Ambiente (Neurotoxicity: Identifying and Controlling Poisons of the Nervous System)


Se quiser saber mais sobre os efeitos dos aditivos alimentares no seu cérebro, leia e consulte este e-livro Neurotoxicity: Identifying and Controlling Poisons of the Nervous System (em inglês, mas muito assecível).
Alguns dos aditivos alimentares é neurotóxico, o que significa que eles são capazes de alterar a actividade normal do sistema nervoso (e mesmo matando os neurónios). Os sintomas incluem:
* Fraqueza ou dormência
* Perda de memória, visão e de intelecto
* Cefaleias
* Problemas comportamentais e cognitivos
* Disfunção sexual
[Tradução de João Soares, fonte: Organic Passion Info]
Chamo também a vossa atenção para o Capítulo 10:a exposição ao chumbo, pesticidas na agricultura, e solventes orgânicos no local de trabalho e doméstico
Seria muito importante se alguma editora estivesse interessada em o traduzir para Português.
Versão para descarregar aqui





terça-feira, 28 de outubro de 2008

Pegada Ecológica- Atingimos o sobreconsumo - Isto é mais preocupante que a crise financeira

video


Nos mesmos dias em que o mundo acompanhava, perplexo, o farto noticiário sobre as tentativas de conseguir no Congresso norte-americano a aprovação de um plano de US$ 700 biliões para conter a crise financeira que já se espalhava por todos os continentes, a comunicação praticamente não deu nenhuma importância à notícia, divulgada pela ONG canadiana Global Foot Print Network, de que no dia 23 de Setembro a humanidade ultrapassara, este ano, o consumo de todos os recursos que o planeta pode produzir ao longo de 365 dias. A partir daí, ocorre um consumo de recursos e serviços naturais além do que a biosfera terrestre pode repor- um sobreconsumo que agravará a crise, pois aumentará a desertificação e a chamada crise da água, produzirá maior perda de florestas tropicais, gerará a emissão de mais poluentes que contribuirão para mudanças climáticas, etc.

Este consumo excessivo, que começou a ser avaliado pela ONG em 1986, uma década mais tarde já superava em 15% a capacidade de reposição; em 2007, era cerca de 25% e ocorreu a partir de 6 de Outubro; este ano, a partir de 23 de Setembro. É um sistema de avaliação semelhante ao utilizado no Relatório do Planeta Vivo, da WWF. Este, em 2006, já dizia que esse impacto - a pegada ecológica da humanidade - mais do que triplicara desde 1961 e já superava a capacidade de reposição em 25%.

Certamente é uma crise mais grave ainda que a financeira, mas que continua a ser minimizada, quando não ignorada. Segue-se tratando da actual crise financeira apenas em termos de quanto afectará ou não o produto bruto mundial e o produto bruto de cada país, inclusive do Brasil, sem preocupação com o quadro de realidade concreta que nos cerca. Como se a crise se pudesse resolver apenas em termos de crescimento económico. E vale a pena relembrar, neste ponto, o pensamento do biólogo Edward Wilson, apontado como o cientista que mais entende de biodiversidade. Tenta-se, diz ele, acreditar que a solução para os dramas do mundo estará no crescimento económico puro e simples. Então, pode-se partir da hipótese de que a economia mundial vá crescer 3,5% ao ano-um crescimento modesto, já que se pretande 5% ou 6%, até 10% ao ano, como na China. Se ela crescer 3,5% ao ano, partindo do actual produto global, superior a US$ 50 triliões anuais, chegaria a 2050 perto de US$ 160 triliões. Mas não chegará, porque não há recursos e serviços naturais capazes de suportar o aumento de consumo decorrente desse crescimento. Será preciso, adverte Wilson, encontrarmos formatos de viver e consumir compatíveis com as possibilidades físicas do planeta - até porque não há outro disponível.

Faz falta, nesta hora, uma figura como o falecido José A. Lutzenberger, que foi secretário nacional do Meio Ambiente de 1990 a 1992. No seu livro Fim do Futuro, que é de 1980, ele já advertia que nos encontramos num divisor de eras:
A crise de energia e matérias-primas que hoje assolapa os alicerces da sociedade industrial demonstra que os recursos desta nave espacial, o planeta Terra, são finitos. Esta crise refuta as premissas básicas da sociedade de consumo, com sua ideologia de expansão e esbanjamento ilimitados. (...) Sempre nos acusaram e continuarão nos acusando de radicais, de líricos, quando não de apocalípticos. Apenas somos realistas.
[Fonte: Outra Política]




segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Jornalismo de Ambiente em Portugal: fontes não oficiais com acesso priveligiado


Através do resumo da tese de Mestrado do meu amigo
Gonçalo Pereira, que analisou a influência da Quercus na criação de notícias na área do Ambiente no nosso País, podemos perceber essa evolução, com base numa investigação sólida, entrevistas e em bibliografia (ver caixa) de autores, jornalistas e de outra áreas, que se debruçam sobre esta temática essencial na comunicação sobre e para o Ambiente e igualmente preponderante na formação de leitores.
Transcrevo esta passagem que me parece particularmente interessante.Aqui podem ler mais, no resumo disponível pelo Clube de Jornalistas.

Diríamos que a associação (Quercus) ganhou capacidade de reagir em dois tempos: por um lado, no domínio da informação rápida, consumida em um ou dois dias e especialmente vocacionada para uma alerta ou uma denúncia. Foi claramente para este tempo de intervenção que a Quercus imaginou as «acções dramáticas», acontecimentos totalmente exteriores à agenda política mas dotados de irresistível apelo para os jornalistas (o caso da abordagem ao navio de pavilhão cipriota no porto de Matosinhos foi motivo de 29 despachos no espaço de quatro dias!)
Por outro lado, à medida que ganhou notoriedade, a Quercus sentiu necessidade de se revelar como uma entidade capaz de se sentar à mesa com parceiros políticos ou industriais. Por outras palavras, em meados dos anos 1990, a Quercus começou a desenvolver insistentemente a sua «face de gabinete». Cultivou assim a vertente de uma associação com capacidade técnica para lidar com dossiers políticos e dotada de background científico para analisar processos complexos. Nasceu aí o segundo tempo de intervenção da Quercus, forçosamente mais disperso e mais “sério” aos olhos dos jornalistas.



domingo, 26 de outubro de 2008

Portal da Biodiversidade dos Açores



No rescaldo das eleições nos Açores, prefiro falar do trabalho científico e de conservação da Natureza de qualidade neste arquipélago único.

O Portal da Biodiversidade dos Açores, inaugurado em finais de Junho deste ano, merece uma visita atenta. O Portal foi desenvolvido no âmbito dos Projectos INTERREG III B Atlântico (2003-2005) e BIONATURA (2007-2008) cujos parceiros nos Açores foram respectivamente a Direcção Regional do Ambiente e do Mar e a Agência Regional da Energia e Ambiente - ARENA. O Chefe de fila do Projecto foi a Consejeria de Medio Ambiente y Ordenacion Territorial do Governo das Canárias. 

Pela primeira vez é possível visualizar a distribuição detalhada de uma espécie no arquipélago e obter a sua cartografia com base na literatura. Isto significa que para algumas espécies a distribuição apresentada está sobrestimada (quando ela é baseada em registos muito antigos) enquanto que para outras a distribuição está subestimada (quando não existem registos bibliográficos sobre a ocorrência das espécies). Ajude-nos indicando os locais onde as espécies ocorrem presentemente! Para espécies muito raras em perigo só se apresenta a presença/ausência nas ilhas.

sábado, 25 de outubro de 2008

FotoNaturis, - I Festival Internacional de Fotografia da Natureza, Leiria - até 26 de Outubro



O festival tem uma série de convidados nacionais, internacionais e como cabeça de cartaz uma exposição fabulosa, mais do que uma exposição uma viagem por este planeta: A exposição LIFE do fotógrafo Frans Lanting.
Frans Lanting (Estados Unidos), Staffan Widstrand (Suécia) , José B. Ruiz (Espanha) são os nossos três convidados internacionais, AEFONA (Associação espanhola de fotógrafos da natureza) a associação internacional convidada. Um programa de luxo para uma edição que se deseja como a primeiro de muitas edições de sucesso.
Este festival organizado pelo Fotonaturis.org com o apoio da Câmara Municipal de Leria é fruto do acreditar de um pequeno grupo de pessoas. Esperamos que o festival seja do vosso agrado!






sexta-feira, 24 de outubro de 2008

F. William Engdahl - Bill Gates, Rockefeller e os gigantes dos OGM conhecem algo que não sabemos


F. William Engdahl é jornalista e economista, autor de Seeds of Destruction, the Hidden Agenda of Genetic Manipulation e A Century of War: Anglo-American Oil Politics and the New World Order.
Pode saber mais na sua
página pessoal


A caverna no Árctico com as sementes do juízo final
Bill Gates, Rockefeller e os gigantes dos OGM conhecem algo que não sabemos

por F. William Engdahl, 3 de Dezembro de 2007


Uma coisa de que o fundador da Microsoft, Bill Gates, não pode ser acusado é de ser indolente. Aos 14 anos já fazia programação, aos 20, era ainda estudante em Harvard, fundou a Microsoft. Em 1995 aparecia na listagem da Forbes como o homem mais rico do mundo por ser o maior accionista da Microsoft, uma empresa que, mercê da sua direcção rígida, se constituiu num verdadeiro monopólio dos sistemas de software para computadores pessoais.
Em 2006, quando a maior parte das pessoas na situação dele pensa em retirar-se para uma tranquila ilha do Pacífico, Bill Gates decidiu dedicar as suas energias à sua Fundação Bill e Melinda Gates, a maior fundação privada 'transparente' do mundo, como ele diz, com uma doação de uns esmagadores 34,6 mil milhões de dólares e a imposição legal de gastar 1,5 mil milhões de dólares por ano em projectos filantrópicos a nível mundial a fim de manter o estatuto filantrópico para isenção de impostos. Em 2006, a oferta do seu amigo e sócio, o mega-investidor Warren Buffet, de acções no Buffet's Berkshire Hathaway no valor de uns 30 mil milhões de dólares, colocou a fundação de Gates em posição de poder gastar quase o mesmo valor de todo o orçamento anual da Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas.
Por isso, quando Bill Gates decide utilizar a Fundação Gates para investir num projecto cerca de 30 mil milhões de dólares do seu dinheiro, vale a pena analisar esse projecto.
Não há nenhum outro projecto mais interessante de momento do que este muito estranho num dos cantos mais remotos do mundo, Svalbard. Bill Gates está a investir milhões num banco de sementes no Mar Barents perto do Oceano Árctico, a cerca de 1100 quilómetros do Pólo Norte. Svalbard é um árido pedaço de rocha reclamado pela Noruega e cedido em 1925 por um tratado internacional.
É nesta ilha esquecida por Deus, que Bill Gates está a investir dezenas dos seus milhões em conjunto com a Fundação Rockefeller, a Monsanto Corporation, a Fundação Syngenta e o governo da Noruega, entre outros, naquilo que é chamado de 'banco de sementes do fim do mundo'. Oficialmente o projecto chama-se a Caverna Global de Sementes Svalbard (Svalbard Global Seed Vault) na ilha norueguesa de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard.



O banco de sementes está a ser construído no interior de uma montanha na ilha de Spitsbergen perto da aldeia de Longyearbven. Está quase pronto para o 'negócio', de acordo com os comunicados. O banco vai ter portas duplas à prova de explosão com sensores de movimento, duas câmaras pressurizadas e paredes de betão reforçado a aço com um metro de espessura. Conterá mais de três milhões de variedades diferentes de sementes de todo o mundo, 'para que se possa conservar a variedade das espécies para o futuro', segundo o governo norueguês. As sementes vão ser embaladas de forma especial para protecção contra a humidade. Não haverá pessoal a tempo inteiro, mas a relativa inacessibilidade da caverna facilitará a fiscalização de qualquer possível actividade humana.
Falha-nos alguma coisa? Os comunicados de imprensa afirmaram, 'para que se possa conservar a variedade das espécies para o futuro'. Que futuro é esse que os patrocinadores do banco de sementes prevêem poderá vir a ameaçar a disponibilidade global das sementes actuais, quando a maior parte delas já está bem protegida em bancos de sementes existentes em todo o mundo?
Sempre que Bill Gates, a Fundação Rockefeller, a Monsanto e a Syngenta se juntam num projecto comum, vale a pena escavar um pouco mais por detrás das rochas de Spitsbergen. Se o fizermos vamos encontrar coisas fascinantes.
O primeiro ponto digno de nota é saber quem é que patrocina a caverna de sementes do fim do mundo. Aqui, em conjunto com os noruegueses, estão, conforme já dito, a Fundação Bill & Melinda Gates; o gigante americano da agrobusiness DuPont/Pioneer Hi-Bred, um dos maiores proprietários mundiais de patentes de sementes de organismos geneticamente modificados (OGM) e de agroquímicos afins; a Syngenta, a importante companhia de sementes OGM e agroquímicos, com sede na Suiça, através da Fundação Syngenta; a Fundação Rockefeller, um grupo privado que criou a revolução genética com mais de 100 milhões de dólares em sementes desde os anos 70; o CGIAR (Consultative Group on International Agriculture Research)a rede global criada pela Fundação Rockefeller para promover o seu ideal de pureza genética através da alteração da agricultura.
Ler mais em Resistir Info

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A suspensão da avaliação passa para a comunicação social

Mais um cartoon excelente do Anterozóide


1. [JN, 22 de Outubro] Na moção aprovada terça-feira pelos docentes da Escola Secundária com 3º ciclo Camilo Castelo Branco de Vila Real pode ler-se que a classe docente considera este modelo de avaliação "atabalhoado, desajustado, burocrático, anti-ecológico" , devido à "quantidade de árvores que vai ser necessário abater para produzir pasta de papel suficiente para todas as evidências, grelhas, fichas que o modelo comporta e obriga". O documento refere ainda que objectivos de todos os docentes estão definidos e passam, indiscutivelmente, pelo sucesso dos seus alunos.
Porém, acrescenta, "não está na sua mão garantir resultados", pois há que contar com todo um conjunto de factores, como o meio onde a escola está inserida, a situação sócio-económica dos agregados familiares, a cultura de hábitos de trabalho ou a ausência dela, ou a falta de expectativas de alunos e encarregados de educação.

2. [JN, 23 de Outubro] A Federação Nacional de Ensino e Investigação (FENEI) exigiu mesmo ao Governo, na quinta-feira, a suspensão "imediata" da avaliação de desempenho dos professores e propôs a adopção do modelo simplificado, considerando que o actual processo "ameaça o funcionamento normal das escolas".
A ministra da Educação considerou este pedido "um pouco infantil", dado que governo e sindicatos assinaram um acordo sobre a matéria em Abril.
"Não tem sentido que instituições credíveis e de boa fé assinem um memorando de entendimento e, meses depois, venham dizer que afinal não é bem assim, ou que a situação mudou", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues à Lusa, acentuando que "quando duas instituições assinam um acordo de entendimento, devem cumpri-lo até ao fim".


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Grande Evasão - por Manuel António Pina


Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável pastiche de Woody Allen Para acabar de vez com o ensino, a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de desmotivação, de frustração, de saturação, de desconsideração cada vez maior relativamente à profissão, de se sentirem a mais em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais? [Fonte: JN, 9/10/2008]

terça-feira, 21 de outubro de 2008

XIV Festival Cine Eco, Seia






Este Sábado, vai começar em Seia o Cine’Eco – XIV Festival Internacional de Cinema de Ambiente da Serra da Estrela. Como é costume a grande imprensa dita de referência não lhe costuma dar grande referência. Por isso, os Amigos do Cine’Eco estão a pedir a outros amigos que ajudem a promover o festival e a dar-lhe a visibilidade que ele merece. (obrigado Mário Branquinho)

O sítio do festival é: CineEco

E o blogue é: CineEco 2008



segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Arthur Rimbaud - Ville

Reproduzo no original, de tão belo é este texto.

Je suis un éphémère et point trop mécontent citoyen d'une métropole crue moderne, parce que tout goût connu a été éludé dans les ameublements et l'extérieur des maisons aussi bien que dans le plan de la ville. Ici vous ne signaleriez les traces d'aucun monument de superstition. La morale et la langue sont réduites à leur plus simple expression, enfin ! Ces millions de gens qui n'ont pas besoin de se connaître amènent si pareillement l'éducation, le métier et la vieillesse, que ce cours de vie doit être plusieurs fois moins long que ce qu'une statistique folle trouve pour les peuples du continent. Aussi comme, de ma fenêtre, je vois des spectres nouveaux roulant à travers l'épaisse et éternelle fumée de charbon, - notre ombre des bois, notre nuit d'été ! - des Erynnies nouvelles, devant mon cottage qui est ma patrie et tout mon coeur puisque tout ici ressemble à ceci, - la Mort sans pleurs, notre active fille et servante, un Amour désespéré et un joli Crime piaulant dans la boue de la rue.

  1. Sobre o poeta Arthur Rimbaud no wikipedia
  2. Hoje conheci um sítio fabuloso na inter-rede sobre Rimbaud aqui, com biografia, artigos do poeta, cartas e galerias. Atenção também à secção de ligações. Em francês e inglês.

domingo, 19 de outubro de 2008

Jeremy Rifkin - A crise está a criar a tempestade perfeita




As três crises que vivemos estão a criar o palco ideal para uma terceira revolução industrial, garante o conselheiro de Barroso.
Por Luís Rego, em Bruxelas, Diário Económico 2008-12-12


Jeremy Rifkin defende que a UE está a liderar o debate sobre o combate às alterações climáticas. 

Devemos reformar o capitalismo ou o clima?
Ambos, mas repare: as alterações climáticas são o maior desafio que a raça humana já alguma vez enfrentou. Esta fórmula será um marco de referência para lançar uma terceira revolução industrial. 20% eficiência energética, 20% redução de emissões, para começar a limpar o nosso rasto de poluição e comprar tempo até que a grande revolução se produza, e depois o maior desafio: 20% de renováveis em 2020. Isto fixa o padrão para todo o mundo.

Como é que a crise actual afecta estes objectivos? Temos de ir mais depressa ou mais devagar? 
Aumenta claramente as oportunidades. Repare: os pressupostos centrais da globalização ruíram no últimos anos. Pensávamos que os consumidores dos EUA iam continuar a comprar e alimentar a globalização. Destruímos a poupança dos últimos 20 anos deixando a descoberto orçamentos familiares, inchando o crédito, usámos hipotecas com um multibanco. O total de dívida das famílias é de 13,5 biliões de dólares. Um plano de um bilião não o vai resolver. Isto demorou 20 anos a fazer e vai demorar mais 20 a corrigir.

O preço da energia também contribuiu para esse empobrecimento, mas aí afectou toda a cadeia de produção…mais devagar? 
Claro, pensávamos que a energia seria sempre barata, que podíamos movimentar capitais para mercados de trabalho mais baratos, produzir aí bens e serviços mais baratos e trazê-los de volta. Essa equação rebentou. Quando chegámos a 150 dólares atingimos o pico da globalização. Accionou-se um firewall.

Mas os preços agora estão a recuar?
Isso é porque o motor está parado. Veio tarde demais. A terceira crise é o clima. Os quatro furacões que atingiram a costa do golfo nos últimos 4 anos nos EUA, custaram 130 mil milhões de danos. É um terço de pacote de resgate. Os rendimentos da agricultura caíram em todo o mundo por causa do clima.

E portanto o cenário é conveniente …
Estas três crises estão a criar a tempestade perfeita. A resposta é a terceira revolução industrial. Desafio alguém a dizer-me qual é a alternativa. 

O anúncio de 50 mil milhões de Obama para as renováveis significa que há alinhamento? 
Barack Obama está certo em apostar em tecnologias verdes. Mas não há nos EUA um enquadramento, uma narrativa coerente como na UE. É preciso colocar as novas tecnologias ‘online’, converter os edifícios em fontes de energia, captando e redistribuindo energia, depois criar infraestruturas de armazenamento de hidrogénio e reconverter toda a rede energética da América do Norte e Europa. Se não, arriscamo-nos a atirar dinheiro ao rio.

Perfil: Jeremy Rifkin

Jeremy Rifkin (1945) é um dos economistas norte-americanos mais influentes em políticas científicas, energéticas e ambientais no mundo, em particular na Europa onde é visto como um dos pais da viragem europeia para o novo paradigma ambiental. É conselheiro da Comissão Europeia de Durão Barroso, da presidência de Nicolas Sarkozy, do primeiro-ministro espanhol, Rodriguez Zapatero, e da chanceler alemã, Angela Merkel. Preside à Fundação para as Tendências Económicas. 



sábado, 18 de outubro de 2008

Dossiê Bioterra: Transparência

ATENÇÃO © Copyleft - É permitida a partilha do dossiê exclusivamente para fins não comerciais e desde que o autor e o BioTerra sejam citados.
©blog do marson
Não esqueças de visitar regularmente este espaço para manteres-te actualizado!

Denuncie a corrupção ao: Serviço de Denúncia (Ministério Público)

Sítios e Organizações
Action for Ireland
African Forum and Network on Debt and Development
Associação para a Taxação das Transacções financeiras e Apoio aos Cidadãos (ATTAC)
Asociación para una Sociedad mas Justa
Auditoria Cidadã à Dívida
Auditoria Popular (Brasil)
Bretton Woods Project
Center for International Sustainable Development Law
Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo
Debt and Development Coalition Ireland
Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento
Conselho Económico e Social das Nações Unidas
Contra a Corrupção (Brasil)
Corp Watch
Corruption Watch
Council of International and Public Affairs (CIPA)
Departamento das Nações Unidas para Assuntos Económicos e Sociais
European Network on Debt and Development
Fight For The Future
IACA
Instituto de Formação e Investigação das Nações Unidas
Jubilee Debt Campaign
Movimento Anti-Corrupção
Não mais corrupção
New Economics Foundation
Observatorio de la Deuda en la Globalización
Plate-forme Dette et Développment
Red Quén debe a Quién
Red Latinoamericana sobre Deuda, Desarollo y Derechos
Research on Money and Finance
Retraction Watch
Slate Magazine
Transnational Institute
Transparency International
Transparência_Pt
UNITE Ireland

Denunciando OffShores/ Paraísos Fiscais
China File
Lux Leaks
Mossak Fonseca
OffShore Leaks
Panama Leaks
Swiss Leaks
Tuga Leaks
Wikifugas (wikileaks em Português)
Vaticano Leaks

Auditorias Internacionais
Dicionários/ Boas práticas
Dicionário da Transparência
Os Anónimos: Qual é o seu Plano?  Motivos não faltam
The Financial Pyramid Of Power
The World’s Greatest Market Failure
Um Ecossistema Político

Investigadores/ Pesquisadores
David Harvey
François Morin
Matt Taibbi

Leituras
737 donos do mundo controlam  80% do valor das empresas mundiais
A quem pertence o BCE?
Apenas 4 corporações controlam 75% das sementes mundiais
Luxembourg tax files: how tiny state rubber-stamped tax avoidance on an industrial scale
Os libertarianos ou por outras palavras, como isolar os sociopatas randianos
Documentários/ TV
Crude: The Real Price of Oil
Debitocracia
Dívida Pública- A maior fraude da Humanidade
Donos de Portugal
Inside Job
Money Masters
Pare, Escute e Olhe
Queda da República (Fall of the Republic)
Transparência e Integridade
The Corporation
The Secret of Oz
TV Revolta

Dossiês Relacionados
Factos/ Arquivos históricos da Corrupção em Portugal
Dossiê OTA + TGV
Abate de 2605 sobreiros

Blogues
Cidadãos Contra a Corrupção
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The Corporation

NOVA ATENÇÃO © COPYRIGHT-  Ao partilhar, agradeço atempadamente a indicação do autor e do meu blogue Bioterra. Estes dossiês resultam de um apurado trabalho de pesquisa, selecção de qualidade e organização.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Portal Biológica (Portugal) e Portal Agricultura Biológica (União Europeia)


Porquê o Portal Biológica (Portugal)
Pretende promover e divulgar a agricultura biológica, suas vantagens em termos de preservação da biodiversidade, isenção de pesticidas, melhor saúde e turismo mais sustentável. Possui ainda um conjunto de recursos bibliográficos e multimedia (a maioria já traduzidos para português).

Porquê o Portal Agricultura Biológica (União Europeia)?

As pessoas interessam-se pela agricultura biológica.Interessam-se pelas muitas qualidades especiais dos alimentos biológicos. Interessam-se pela enfâse que a agricultura biológica dá à produção com baixa utilização de elementos sintéticos, à protecção dos recursos naturais e da biodiversidade e ao bem-estar animal. Interessam-se também pela contribuicao da agricultura biológica para o desenvolvimento económico das comunidades rurais.

Estes foram os portais que dei a conhecer e expliquei aos meus Alunos, nesta semana do Dia da Alimentação.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Educação Ambiental no Youtube - Kutangar (Angola)


Cada semente hoje é uma flor amanhã.

Um autor que dá a conhecer a Angola de sonho.Canal inaugurado em 2 de Agosto de 2007, com um acervo de 31 vídeos / apresentação de diapositivos mostrando a face positiva da biodiversidade e diversidade cultural de Angola.Destaco ainda os vídeos Frutas de Angola, Flores de Angola, Animais de Angola e Etnografia de Angola (máscaras).



quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Educação Ambiental no Youtube - Natural Resources Defense Council (EUA)


Video: Sonares fatais para cetáceos marinhos

Canal inaugurado em Agosto de 2006, a Natural Resources Defense Council editou até este momento cerca de 60 vídeos, muito importantes, sobretudo porque denunciam crimes ambientais globais e apoiam projectos de desenvolvimento sustentável locais. Apoiam-se também em vedetas / estrelas de cinema (noemeadamente Clint Eastwood, e Robert Redford) e pop (Green Day) que granjeia mais auditório e mais vasto público.Alguns vídeos retratam a história desta prestigiada ONG.
Esta postagem é o meu contributo para o:


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Chris Martenson e a tripla crise energética, ambiental e financeira


Guerra de cartazes na Índia, 2007.

Vamos mesmo TER que mudar de vida, quer queiramos quer não!


Algumas curvas fatais esperam por todos nós algures entre 2020 e 2030. E até lá, se não conseguirmos desenhar uma visão cultural alternativa para a civilização, haverá muita inquietação e tragédia.
Tudo o que você precisa de saber sobre economia sem frequentar a universidade, num extraordinário curso online, da autoria do cientista especializado em finanças e estratégias de sobrevivência, que é ao mesmo tempo, a par de Elaine Meinel Supkis e de Immanuel Wallerstein, um dos mais notáveis analistas (news services) norte-americanos da actualidade: Chris Martenson.


sábado, 11 de outubro de 2008

Constitution Finder - um avanço no conhecimento do direito nacional e internacional




Constitution Finder é uma base de dados, da Richmond University, com todas as constituições (e documentos relacionados) de todos os países. Uma ferramenta muito útil e gratuita.

Apelam ainda à interpelação do público na correcção e actualização das hirperligações e textos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Campo Aberto: Novo portal da campanha 50 espaços verdes - Porto



Uma boa notícia para o Porto e uma força positiva nos paradigmas da Agenda 21, Carta de Atenas e Carta da Terra. Foi formalmente inaugurado no dia 8 deste mês, o novo portal da campanha 50 espaços verdes em perigo - 50 espaços verdes a preservar. O portal reúne a informação recolhida ao longo da fase de trabalho de campo, ou seja, uma descrição e fotografias dos 113 espaços verdes propostos desde o início do projecto, em Outubro de 2006, até Julho de 2007.
Mais informações no Novo Portal, com descrição da campanha, espaços propostos, fotografias, mapas, actividades realizadas, etc.).






quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Stanislas Dehaene: "A neurociência deve ir para a sala de aula"



ÉPOCA – De que forma suas descobertas podem auxiliar no processo de educação?
Dehaene – Verificamos, por meio de várias experiências, que o método mais eficaz de alfabetização é o que cha-mamos fônico. Ele parte do ensino das letras e da correspondência fonética de cada uma delas. Nossos estudos mostraram que a criança alfabetizada por esse método aprende a ler de forma mais rápida e eficiente. Os métodos de ensino que seguem o conceito de educação global, por outro lado, mostraram-se ineficazes. (No método global, a criança deve, primeiro, aprender o significado da palavra e, numa próxima etapa, os símbolos que a compõem.)
Jogos simples de leitura, de rimas e de troca de sons podem ajudar crianças com dislexia a ler

ÉPOCA – No Brasil, o construtivismo, que segue as premissas do método global para a alfabetização, é amplamente disseminado. Por que os sistemas que seguem o método global são ineficazes?
Dehaene – Verificamos em pesquisa com pessoas de diferentes idiomas que o aprendizado da linguagem se dá a partir da identificação da letra e do som correspondente. No português, a criança aprende primeiro a combinação de consoantes e vogais. A próxima etapa é entender a combinação entre duas consoantes e uma vogal, como o “vra” de palavra. Essa composição de formas, do menor para o maior, é feita no lado esquerdo do cérebro. Quando se usam metodologias para a alfabetização que seguem o método global, no qual a criança primeiro aprende o sentido da palavra, sem necessariamente conhecer os símbolos, o lado direito é ativado. Mas a deco-dificação dos símbolos terá de chegar ao lado esquerdo para que a leitura seja concluída. É um processo mais demorado, que segue na via contrária ao funcionamento do cérebro. Num certo sentido, podemos dizer que esse método ensina o lado errado primeiro. As crianças que aprendem a ler processando primeiro o lado esquerdo do cérebro estabelecem relações imediatas entre letras e seus sons, leem com mais facilidade e entendem mais rapidamente o significado do que estão lendo. Crianças com dislexia que começam a treinar o lado esquerdo do cérebro têm muito mais chances de superar a dificuldade no aprendizado da leitura.

ÉPOCA – É possível quantificar esse atraso de leitura que o senhor menciona?
Dehaene – Quanto mais próxima for a correspondência da letra com o som, mais fácil para um indivíduo automatizar a ação de ler. Português e italiano são idiomas muito transparentes, pois cada letra corresponde a um som. Inglês e francês são línguas em que a correspondência de sons pode variar bastante. Pesquisas mostram que, ao ter aulas regulares, todos os dias, na escola, a criança leva dois anos a mais para dominar o inglês que para dominar o italiano.

ÉPOCA – É possível identificar diferenças no cérebro de quem consegue ler palavras e frases, mas tem dificuldade na interpretação de textos (no Brasil, eles são conhecidos como analfabetos funcionais) em relação a alguém que lê e interpreta o conteúdo com fluência?
Dehaene – Não identificamos isso em pesquisa de imagens. Mas a dificuldade que algumas pessoas têm de interpre-tar o que leem ocorre basicamente porque elas ainda não automatizaram a decodificação das palavras. Decodificar pede esforço para quem não tem essa função bem desenvolvida. Isso mobiliza completamente a atenção e os es-forços de quem está lendo, a ponto de não conseguir se concentrar na mensagem. A solução para melhorar a in-terpretação de texto é automatizar a leitura. Por isso, é importante que crianças pequenas leiam de forma regular até que isso se torne uma rotina. As crianças começam a interpretar textos com eficiência depois que a leitura se torna um processo automatizado.

ÉPOCA – Aprender a ler partituras tem o mesmo efeito para o cérebro que ler palavras?
Dehaene – As áreas do cérebro usadas para ler letras não são exatamente as mesmas usadas para decodificar mú-sica. Não há muitos estudos sobre a parte cerebral usada no aprendizado de música. Mas há diversas pesquisas sobre o efeito da música na vida das crianças. Crianças que aprendem música desenvolvem habilidades escolares avançadas, especialmente no domínio da leitura. Elas têm mais facilidade para se concentrar. Aprender música aumenta os níveis de inteligência (Q.I.). Aprender música é uma forma excelente de desenvolver o cérebro, espe-cialmente o de crianças.

ÉPOCA – Pessoas com dislexia leem de forma diferente ou apenas mais devagar?
Dehaene – Pessoas com dislexia tendem a ter problemas com a conexão entre letra e som. É muito difícil para elas entender essa ligação. Em parte, porque não podem distinguir muito bem as diferenças dos sons da língua. Elas têm problemas com fonologia. Não com o som de letras como a, b, c e d. Mas com o som da linguagem, como dã, bã e pã. Há diferentes tipos de dislexia. Há pessoas que têm dificuldade em enxergar as letras em determinados lugares da palavra ou em visualizar símbolos específicos. O que os disléxicos têm em comum é a dificuldade em criar o mapa dos símbolos e dos sons.

ÉPOCA – Sua pesquisa pode ajudá-los de alguma forma?
Dehaene – Antes não era óbvio que a maioria dos disléxicos tinha problemas com os sons da linguagem. Agora que sabemos disso, começamos a trabalhar com jogos de reabilitação com ótimos resultados. É possível ajudar as crianças com dislexia com jogos de leitura, de rimas ou brincadeiras de mudar sílabas. Pode-se brincar de trocar o som de “bra” de Brasil por “dra” ou “pra”. Vimos que brincadeiras orais fáceis têm facilitado o aprendizado.

ÉPOCA – Que resultados esse tipo de exercício já produziu?
Dehaene – Constatamos com exames de imagem que partes do cérebro não usadas em pessoas com dislexia passam a ser exercitadas com esse tipo de atividade. Isso as ajuda a perceber os sons da linguagem, o que é muito importante para o aprendizado da leitura. Para surtir resultados, é importante aplicar esses jogos todos os dias, de forma intensiva.

ÉPOCA – Se o cérebro dos disléxicos é organizado de forma diferente, isso sugere que eles possam ter outras habilidades que alguém sem a dislexia não tem?
Dehaene – Essa é uma questão interessante. Assim como há a possibilidade de perdermos algumas habilidades quando aprendemos a ler, existe a possibilidade de o cérebro disléxico ter facilidade com algumas áreas. Ainda faltam pesquisas para podermos constatar isso. Mas estudos sugerem que o senso de simetria do disléxico pode ser mais desenvolvido, e isso ajuda em matemática. Sabemos que há muitos disléxicos que podem ser bons em matemática. Estudos sugerem que eles podem enxergar padrões sofisticados com mais facilidade.

ÉPOCA – Pode haver gênios em matemática que não sabem ler?
Dehaene – Isso é algo muito, muito raro. Pode haver pessoas iletradas muito boas em cálculos. Mas elas não serão gênios em matemática sem ler. Para avançar em matemática, a pessoa precisa entender diferenças sutis num nível muito sofisticado. É justamente a percepção dessas diferenças sutis que a leitura ativa no cérebro. Ler é uma habilidade extraordinária que pode transformar o cérebro e prepará-lo para outros níveis de aprendizado. Não dá para ir muito longe sem leitura.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Peter Singer - Um Só Mundo - A ética da globalização


Um livro fundamental para a compreensão de tão fortes contestações e críticas à inoperância de instituições transnacionais como a OMC, G8 e Banco Mundial face à globalização, cujas decisões em defesa do ambiente e preocupação com os interesses dos países mais pobres ainda são meras manifestações de boas relações públicas. Seguidamente passo a citar o texto da edição Portuguesa desta sua obra:

Nesta obra estimulante, desafia-nos a pensar para além das fronteiras nacionais dos Estados e a considerar o possível significado de uma ética global no mundo actual. Singer coloca questões originais acerca de uma tal ética e fornece respostas esclarecedoras e práticas. O livro trata quatro grandes questões mundiais: as alterações climáticas, o papel da Organização Mundial do Comércio, os direitos humanos e a intervenção com fins humanitários, e a ajuda externa. Singer aborda cada uma destas questões fundamentais de uma perspectiva ética e apresenta alternativas à abordagem estadocêntrica que caracteriza actualmente a teoria e as relações internacionais. Em relação às alterações climáticas, por exemplo, o autor vê a questão ética como dizendo respeito a um recurso mundial comum - a capacidade da atmosfera para absorver gases residuais. De que parte deste recurso se devem apropriar os países desenvolvidos e que parte deve ser deixada aos países em vias de desenvolvimento? Relativamente à OMC, Singer pergunta se a organização permite que o comércio livre se sobreponha a todos os outros valores e passa em revista os dados que comprovam os que desmentem a ideia de que a globalização é benéfica para os pobres. Ao considerar os direitos humanos, o autor pergunta até que ponto podemos criar leis mundiais de protecção dos direitos humanos e quais deverão ser os critérios determinantes de uma intervenção quando estes direitos são violados. Por fim, Singer analisa as obrigações dos países ricos no auxílio dos países pobres. Colocando um desafio ousado às perspectivas limitadas e nacionalistas dos definidores de políticas, dos políticos e dos líderes dos Estados Unidos e de outros países, Singer apresenta pormenorizadamente uma forma prática de considerar as questões mundiais contemporâneas sob o prisma da ética. [Fonte: Gradiva]

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Documentário: O que andam a pulverizar pelo Mundo? Chemtrails… os rastos químicos.



Os aviões produzem contrails (rastos de condensação). Libertados por aviões comerciais normais, estes rastos resultam das diferenças de temperatura dos gases emitidos pelas turbinas e desaparecem segundos depois da sua formação. Já a palavra “chemtrail” significa “rasto químico”. Os chemtrails são criados intencionalmente, sendo formados por toxinas e metais pesados, dispersos deliberadamente através de aviões especialmente preparados. Aparecem em altitudes inferiores e permanecem ali durante horas no céu. Os chemtrails contêm metais pesados e outras substâncias prejudiciais para os seres humanos, animais e plantas; frequentemente peixes e pássaros apareceram mortos em grandes quantidades (envenenamento através de chemtrails).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Sobre publicidade verde e lavagem verde (greenwash)


Exemplo claro de anúncio de lavagem verde: basta visitar o sítio da Rainforest Action Network The Problem with Palm Oil e retirar as conclusões.

A Greenpeace escolheu o Dia da Terra de 2008 para o lançamento do projecto Stop Greenwash, para expor algumas práticas de lavagem verde da indústria. O sítio inicialmente concentra-se em em três casos emblemáticos: a campanha norte-americana a favor do carvão limpo; a General Motors e a indústria nuclear.

A página permite a qualquer um o envio de exemplos de lavagem verde, como anúncios de TV e de revistas, para que seja montada uma biblioteca online. Os subscritores também poderão votar. A página também conta com um fórum de discussão e dicas para promover acções online com o objectivo de atingir essas empresas e pressioná-las a eliminar suas práticas enganadoras.

A forma mais comum de lavagem é pela publicidade, mas também pode envolver diversas ferramentas de relações públicas: da formação de grupos de discussão a patrocínio de eventos verdes.
A Greenpeace estabeleceu quatro critérios específicos para melhor avaliar um empreendimento e práticas de marketing:

1.Publicidade
Usar publicidade específica ou campanhas de relações públicas para exagerar uma conquista ambiental e desviar a atenção para o real problema, ou ainda gastar mais dinheiro em publicidade para divulgar conquistas ambientais do que na solução do problema.

2. Negócio sujo
Anunciar um programa ou produto ambiental enquanto que o produto da empresa ou seu negócio principal é essencialmente poluente ou insustentável.

3. Jogo político
Anunciar, falar sobre ou usar grupos de pressão para divulgar compromissos verdes da empresa enquanto faz lóbi nos bastidores contra leis ou regulamentação ambientais.

4. Leis
Anunciar produtos como sendo conquistas ambientais quando eles são obrigatórios por lei.

A Greenpeace usou pela primeira vez o termo lavagem verde (greenwash, em inglês) em 1990, quando o uso de publicidade verde começou a crescer nas empresas, devido à pressão feita sobre elas sobre questões como destruição das florestas tropicais, destruição da camada de ozono, aquecimento global e depósito ilegal do lixo tóxico.




domingo, 5 de outubro de 2008

As alterações climáticas estão a um ritmo 100 vezes mais elevado que a adaptação de muitas espécies


Os intervalos de adaptação das espécies terão que mudar drasticamente como resultado da mudança climática entre agora e 2100, porque o clima vai mudar 100 vezes mais rápido que a velocidade com que as espécies podem se adaptar, de acordo com um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade de Indiana. O estudo, que incide sobre as cascavéis norte-americanas, considera que a taxa de mudança no futuro habitat adequado será de duas a três ordens de magnitude maior do que a variação média ao longo dos últimos 300 milénios, uma vez que incluiu três grandes ciclos glaciares e variação significativa no clima e temperatura.

Pleistocene Climate, Phylogeny, and Climate Envelope Models: An Integrative Approach to Better Understand Specie' Response to Climate Change 

sábado, 4 de outubro de 2008

A Domesticação da Sociedade, por José Gil


Excelente artigo de José Gil na Visão de 2 de Outubro de 2008, que passo a transcrever.

A DOMESTICAÇÃO DA SOCIEDADE
O que é que se está a passar? Nada. Vivemos entre dois países opostos. Num, existe uma sociedade dinâmica, em franco progresso, em mudança sempre para melhor em todos os domínios, educativos, laboral, económico, administrativo, tecnológico. No outro, o quotidiano parece cada vez mais duro e insuportável, há insegurança, assaltos,degradação da qualidade de vida, corrupção, ameaças de crise financeira. Criou-se uma clivagem entre os dois, ou há um que é real e o outro imaginário? Colocar assim a questão é construir um quadro artificial relativamente ao nosso vivido. É certo que vivemos um pouco esquizofrenicamente, mas naquele nada que separa os dois mundos algo se passa subterraneamente. Acontece, antes de mais, que o português voltou à inércia e à passividade face ás transformações inelutáveis que abalaram a sua existência como destino. A esse estado de espírito acrescentou-se recentemente um processo de interiorização do novo modo de vida a que a modernização o vai condenando. Um grupo social tornou-se emblemático desta conjuntura: o dos professores. A sua situação não mudou. Justificaria ainda a saída à rua de 100 mil pessoas. Mas, precisamente, uma tal manifestação seria hoje impensável. O Governo e o ME ganharam. Os espíritos estão parcialmente domados. Quebrou-se-lhes a espinha, juntando ao desespero anterior um desespero maior. O ambiente das escolas é agora de ansiedade, com a corrida ao cumprimento das centenas de regulamentações que desabam todos os dias do Ministério para os docentes lerem, interpretarem e aplicarem. Uma burocracia inimaginável, que devora as horas dos professores, em aflição constante para conciliar com uma vida privada cada vez mais residual e mesmo com a preparação das lições, em desnorte com as novas normas (tal professor de filosofia a dar aulas de baby sitting em cursos profissionalizantes), tudo isto sob a ameaça da despromoção e do resultado da avaliação que pode terminar no desemprego. COMO FOI ISTO POSSIVEL? Como foi possível passar da contestação à obediência, da revolta à servidão voluntária como lhe chamava La Boétie? Indiquemos um só mecanismo que o Governo utiliza: a ausência total de resposta a todo o tipo de protesto. Cem mil pessoas na rua? Que se manifestem, têm todo o direito. Quanto a nós, continuaremos a enviar-lhe directivas, portarias, regulamentos a cumprir sob pena de…(existe a lei). Ausentando-se da contenda, tornando-se ausente, o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal. Deixando intactos os meios da contestação mas fazendo desaparecer o seu alvo, desinscreve-os do real. É uma técnica de não-inscrição. Ao separar os meios do alvo, faz-se do protesto uma brincadeira de crianças, uma não–acção, uma acção não performativa. Esta reduz-se a um puro discurso contestário, esvaziado do conteúdo real a que reenviava (é o avesso, no plano da acção, do enunciado performativo de Austin: um acto que é um discurso). Resultado: o professor volta à escola, encontra a mesma realidade, mas sofre um embate muito maior. É essa a força da realidade. É essa a realidade única. E é preciso ser realista. Assim começa a interiorização da obediência (e, um dia, do amor à servidão). NO PROCESSO de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes. Conviria chamar a este mecanismo tão eficaz, a desactivação da acção. É a não-inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica politica, à maneira de certos processos psicóticos.


Foto: Apresentação/Debate do livro: Portugal Hoje - O Medo de Existir , Évora, Abril, 2005

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Repensar EUA e seu lugar no mundo


Lia-se no blogue de António Cerveira Pinto , numa postagem de 15 de Agosto de 2008, que os Estados Unidos e Europa têm que mudar de vida quanto antes, tornando-se mais eficientes no uso da energia, menos consumistas e mais produtivos. Para aí chegar terão que abandonar alguns famosos instrumentos outrora cruciais ao seu exercício imperial, mas que já hoje são caros e irrelevantes, ou caminham para a falência: G8, FMI, Banco Mundial e Organização Mundial de Comércio. Para poder retomar a paridade estratégica que está a caminho de perder, Estados Unidos e Europa só dispõem de uma alternativa: voltar ao proteccionismo comercial, ainda que seguindo modelos selectivos, porventura originais.(...)
Numa palavra, a estratégia da supremacia imperial praticada pelos Estados Unidos faliu e só poderá dar desgostos a quem a seguir. A Europa de Leste foi entalada pela sua própria estupidez e pela falta de tino e capacidade de decisão da União Europeia.