sábado, 30 de agosto de 2008

Encontros Improváveis- João Soares e David Hume

Fotografei esta libélula em 2008, perto de Aveiro. O seu nome científico é Sympetrum fonscolombii  



"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla"- David Hume

"Beauty in things exists in the mind which contemplates them"

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cinema- Documentário O Sal da Terra (The Salt of the Earth) por Wim Wenders e Sebastião Salgado

O Sal da Terra - Sebastião Salgado from eNuevo on Vimeo.



Sebastião Salgado.
Precisa falar mais alguma coisa? Bom, acho que vou falar então.
Para aqueles que não conhecem o Sebastião, ou Tião, como ficamos com vontade de chamá-lo depois de assistir ao documentário de Wim Wenders e Juliano Salgado, é fotógrafo há mais ou menos quarenta anos, e é bastante conhecido por nós pelas suas fotos dos mineiros em Serra Pelada.
E o documentário começa falando sobre isso mesmo, fotos que foram selecionadas e estão sendo contadas suas histórias pelo próprio Salgado. Depois disso vamos para as montanhas de Minas Gerais onde o fotógrafo cresceu, mas não ficamos lá, somos levados para outras montanhas, da Papua Nova Guiné, onde ele e seu filho estão caminhando com o povo papua e é possível ter o primeiro contato com a rotina de fotógrafo de Salgado.
A partir daí somos apresentados a toda a história de Salgado, desde sua infância até os dias de hoje, passando por seus primeiros trabalhos, a volta ao Brasil e sua viagem pelo interior do nordeste e os garimpos de Serra Pelada, suas passagens pelo mundo fotografando para Êxodos, até chegar as viagens para o livro Gênesis.
Todo a parte de perguntas do documentário foi feita por Wim Wenders, grande amigo do fotógrafo, e percebemos como Salgado se sente bem partilhando as histórias de suas fotos, sejam elas boas ou não, com um amigo.
Sentimos toda a empatia que o fotógrafo tem para as pessoas que ele fotografa, a facilidade em estabelecer uma relação com essas pessoas e como ele foi tocado por elas. Em certo momento Salgado diz: “Somos um animal feroz. Os humanos são um animal terrível”, e sabemos que a relação com seus retratados era grande o suficiente para lhe deixar extremamente triste vê-los naquela posição.
A trilha sonora do documentário é simples, apenas com sons que representam as fotografias que estão sendo mostradas. E não entenda simples como ruim, barata, a trilha é extremamente tocante e certa para os momentos, sem firulas.
Quando o documentário chega ao fim nem vimos que se passaram duas horas desde que ele havia começado e ficamos esperando mais histórias contadas pelo ótimo Tião.
O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Direção: Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado
Com: Sebastião Salgado, Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado
Gênero: Biografia, documentário
Nacionalidade: Brasil, França

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Documentário Food Inc * Alimentos SA (Legendado em português)


O Food Inc, que fiz referência aqui, finalmente já existe em Português. O filme “Alimentos SA”, que podes assistir mais acima d(uração: aprox. 01:35) , mostra-nos como é que as substâncias invisíveis se impuseram no mercado.

A factura deste novo regime alimentar não é contabilizável: são as doenças da civilização, como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares, a hipertensão, o stress e um conjunto específico de cancros relacionados com a dieta.

Deu-se a industrialização de toda uma cadeia alimentar, com um inerente processo de simplificação química e biológica. E aqui estamos, perante uma espantosa variedade de produtos alimentares a par de uma redução de alimentos, já que milhares de variedades de origem vegetal e animal deixaram de ser comercializados no último século. É este o paradoxo mais gritante do nosso tempo: dizem que comemos melhor, no entanto é a medicina que está a manter vivas as pessoas, porque o regime alimentar ocidental, faz adoecer.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Agricultura numa encruzilhada

 



Este relatório de 2008 iniciado pelo Banco Mundial e as Nações Unidas, o International Assessment of Agricultural Knowledge, Science and Technology for Development, promove soluções alternativas para os problemas da fome e da pobreza que enfatizam suas raízes sociais e económicas. A IAASTD concluiu que a agricultura agroecológica em pequena escala é mais adequada para o terceiro mundo do que o modelo agrícola industrial favorecido por grandes empresas do agronegócio  e dos transgénicos, como a Monsanto. No entanto, sabe-se que a Fundação Bill Gates financia a Monsanto.E o negócio foi feito de nó bem atado, como refere este artigo do Huffington Post. Nada muito surpreendente, uma vez que já foi Gates e as empresas do agronegócio patrocinam a caverna de sementes do fim do mundo, com propósitos nada louváveis.
A agricultura dos transgénicos é comprovadamente  simplista (com diminuição da biodiversidade), poluente, prejudiciais à nossa saúde, onde existem casos de suicídio de agricultores, onde morrem  pessoas causadas pelas pulverizações e economicamente inviável .
Tudo isto encabeçados por pouco mais de uma mão de corporações à : Monsanto, Pioneer, Syngenta e Bayer.

Entretanto e de acordo com Kjell Aleklett, numa conferência na Stockholm Resilience (assistir à palestra) refere que a satisfação das necessidades alimentares mundiais estão por um fio e diz ainda que, além das alterações climáticas, estamos confrontados com outros desafios, uma vez os nossos depósitos de combustíveis fósseis se esgotaram. Além disso temos as questões dos baldios, dos sem terra, das reservas agrícolas, da perda da biodiversidade e dos meios agroflorestais.

Descarregue a apresentação do Prof. Aleklett (pdf, external link)

Concluindo, a agricultura está mesmo numa encruzilhada. Já se vislumbram soluções: permacultura; agricultura biológica e opções energéticas que não dependam dos biocombustíveis.
Então, prossigamos neste caminho, até uma agricultura mais ecológica e em defesa da sustentabilidade social, ambiental e económica.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Efeitos impactantes de novos artificialismos no Alentejo (ou Allentejo?)

Numa notícia de 21 de Agosto, narra o sequinte:
O Governo autorizou a sociedade gestora do Parque Alqueva, empreendimento turístico em Reguengos de Monsaraz, nas margens do Alqueva, a abater 6.484 azinheiras, mas os promotores vão compensar plantando 27.700 novas árvores da mesma espécie, noticia a Lusa.
Ora, nada refere se as novas plantações de azinheiras serão feitas antes da construção do empreendimento turístico e vinhateiro. Estou em crer que tal não irá acontecer.Isto é economia ambiental ao contrário: primeiro abatam-se as azinheiras, depois logo se vê...O abate de um número tão elevado de árvores é preocupante. Muitas são monumentais e antigas.Não serão algumas jovens?

Já em Março de 2008, a a associação Quercus afirmava
que está a aumentar a ameaça sobre os montados de sobro e de azinho, duas espécies protegidas em Portugal, uma vez que empresários espanhóis pretendem plantar olival intensivo nas inúmeras herdades alentejanas que têm vindo a comprar nos últimos anos.

Falando do abate de árvores com a ligeireza dos governantes e empresários, demonstra uma vez mais a relação cultural (que é má) dos portugueses com a sua floresta.
Além disso, coloco muitas reservas com o futuro do Alentejo, transformado em mosaicos de agricultura intensiva (através de vinhos e outras monoculturas), maior densidade de urbanizações e grande perturbação dos ecossistemas (turismo, parques temáticos, campos de golfe e outros artificialismos paisagísticos,etc.).
A SPEA já em Fevereiro de 2008 transmitiu duras críticas ao Processo de Avaliação de Impacte Ambiental Parque Alqueva. (ler pdf Parecer SPEA )

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Porquê 350? 90 segundos. 0 palavras.



Qual é a melhor forma de apresentar 350 ao mundo?
Com mais do que 4000 línguas faladas pelo mundo, não será com um monte de palavras. Fizemos o possível a simplificar a ciência de aquecimento global e a visão de 350 em 90 segundos. Dê uma olhada.




domingo, 24 de agosto de 2008

Sobre a Caça em Portugal e Caça Sustentável

No comunicado conjunto da LPN e SPEA Novo calendário de caça prejudica espécies cinegéticasdivulgado no dia 14 deste mês lê-se o seguinte::

À semelhança do que se verificou em anos anteriores, é com preocupação que se constata que este diploma viola a Directiva Aves (Directiva 79/409/CEE), no que diz respeito à conservação das espécies migradoras. Adicionalmente, agrava o incumprimento aos compromissos assumidos pelos Estados-Membros perante a Comissão Europeia, no âmbito da Iniciativa para a Caça Sustentável (Sustainable Hunting Initiative), promovida pela Federation of Associations for Hunting and Conservation of the EU (FACE) e pela BirdLife International.


Neste Verão e em relação à caça, já ficou célebre também o texto-denúncia de Abel Cunha, pleno de Ecologia Profunda e rigor técnico, digno de ficar também registado no Bioterra. Chama-se Caça em Zona de Protecção Especial na Ria de Aveiro, publicada no JN,13/08/08.
Para quem regressou de férias, dois importantes textos a (re)ler e inverter esta situação.
Divulgá-los entre os vossos amigos, os caçadores, é uma forma de acção.
Obrigado.


Saber mais

FACE Manifesto (pdf)

sábado, 23 de agosto de 2008

Documentário: Fome de Soja - Hambre de Soja (implicações da soja transgénica na Argentina)


Fome de Soja (2004) é um impressionante documentário produzido por Marcelo Viñas, sobre as implicações que a produção de soja transgénica está a ter sobre o seu país, Argentina. Nos últimos anos a agricultura argentina aumentou a sua produção a níveis nunca antes imaginados graças ao cultivo de soja transgénica. No entanto, essa soja é o principal inimigo que tem Argentina como país produtor agrícola e alimentar. A monocultura da soja pode aumentar a produção, mas causou a desertificação das terras, enorme poluição ambiental, irreparável perda de biodiversidade em ambientes naturais, o desaparecimento de alimentos e um aumento do desemprego, fome e miséria.

Vale a pena conhecer também o canal Youtube de
Claudio Alloati, que adicionou o filme e a quem eu agradeço pela sua partilha.


Capa do vídeo

Mais leituras
Príncipe Carlos extremamente crítico com agricultura OGM (fonte FOE* Amigos da Terra, 13 de Agosto de 2008)


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos


Ralph Sarmiento explica a evolução da Lei Internacional sobre os Direitos Humanos (incluindo a Declaração de Estocolmo em Ambiente,
Protocolo de Quioto, Rio, etc)

A Declaração Universal dos Direitos do Homem não é um tratado com força legal explícita, mas o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos é. Adoptado em Nova Iorque, em 16 de Dezembro de 1966, cuja entrada em vigor na ordem internacional ocorreu a 23 de Março de 1976, em conformidade com o seu artigo 49º.
Atente-se no
Artigo , que afirma o seguinte:

Todos os povos têm direito à autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam livremente seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural.
O artigo 25º pormenoriza afirmando:

Todos os cidadãos gozarão, sem qualquer das distinções mencionadas no artigo 2.º, e sem restrições indevidas, dos seguintes direitos e oportunidades:

1. Participar na direcção dos assuntos públicos, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente eleitos;
2. Votar e ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal, por voto secreto que garanta a livre expressão da vontade dos eleitores;
3. Ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções públicas do seu país.

A estes direitos formais acrescentam-se outros direitos políticos e o direito de fazer campanha enunciados no Pacto e que são essenciais ao regular desenvolvimento do processo eleitoral: o direito a não ser prejudicado pelas suas opiniões e o direito à liberdade de expressão (art. 19º); direito de reunião (artigo 21º) e o direito à liberdade de associação (art. 22º).


Portanto nesta era da globalização, as instituições que regulam as relações internacionais devem colocar os direitos humanos, a autodeterminação (e, claro, a protecção da Natureza ) à frente do comércio livre entre estados.


Povos Livres * Mundo mais Justo
Ler mais:
PIDCP em Português

International Covenant on Civil and Political Rights (onde consta a lista dos países signatários)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Modelo das Cidades e Aldeias de Transição : a transição para uma vida para além da do petróleo




Transition Towns: uma entrevista com Rob Hopkins, o arquitecto e fundador das Cidades de Transição (ler também o seu blogue)

Pico do petróleo, mudanças climáticas e aldeias/vilas e cidades de transição.


O movimento das Aldeias de Transição começou com uma pequena vila na Irlanda que respondeu ao desafio, procurando o que se poderia fazer a uma escala local, por pessoas normais, trabalhando com os princípios de desaine ecológico, Permacultura. Esta ideia desenvolveu-se mais e a primeira aldeia de transição oficial – Totnes – começou a sua viagem de transição em 2005. Desde então, a ideia tem-se propagado como um vírus e centenas de comunidades do Reino Unido, na Europa e além começaram a preparar e a planear a sua transição para uma vida além das energias fosseis.
Nestas comunidades, fazem-se duas perguntas. Como podemos nós, trabalhando juntos e a uma escala local:
Reduzir drasticamente as nossas emissões de carbono?
Incorporar nas comunidades existentes uma resistência aos futuros choques?
Uma das ideias na base dos modelos de Aldeias de Transição é que, com o planeamento e desaine adequados, esta transição contém o potencial para iniciar o maior renascimento económico, cultural e social alguma vez presenciado. 

Saber mais:
Transitions Towns
Blogue recomendado:Transition Culture (Rob Hopkins)