terça-feira, 31 de maio de 2005

(N)EURO(SE)

Tráfico de Influência
Medo de Existir
Inveja
Economia Paralela
Listas de espera nos hospitais
Tribunais empilhados de processos
Prisão preventiva
Demagogia
Pressão publicitária e incentivos ao crédito ao consumo
Desemprego
Depressão
Especulação imobiliária
Bota-abaixo constante na função pública e consequente declínio na produtividade e mérito
Abandono escolar
Endeusação do futebol

Degradação Ambiental
Caciquismos
E depois ainda as amarras e a pressão da CEE, PAC;PEC;POC....PUUMM
sem que utilizemos a nossa criatividade e nos levantemos do chão...




Luís Afonso

sexta-feira, 27 de maio de 2005

A Estratégia de Lisboa- Proteger o ambiente promove o desenvolvimento económico



A Estratégia de Lisboa foi concebida durante a presidência portuguesa da UE e anunciada numa cimeira, em Março de 2000. Trata-se de uma grelha de objectivos, visando a criação, até 2010, da economia mais competitiva do mundo, preservando o modelo social europeu e obtendo crescimento económico sustentável em termos ambientais. As reformas abarcam o mercado laboral, o comércio e a educação, o investimento em ciência, entre outros aspectos.

Em finais de 2004 ainda havia notícias do seu forte atraso....As consequências estão à vista com a maioria dos líderes europeus a pressionar a sua população ( nomeadamente com campanhas pelo SIM à Constituição Europeia ) e com isso tentar,nomeadamente, competir nos mercados internacionais através de baixos custos de trabalho....

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Défice Campeão

Tantos especialistas consultados e nem uma palavra sobre a importância de uma Reforma Fiscal Verde. São impostos e mais impostos sem que vejamos melhorias ambientais, na saúde e na qualidade de vida.

"As medidas mais duras terão de ser tomadas agora." Salvo raras excepções, os economistas clamam por um aumento de impostos, cortes nas despesas públicas e reformas estruturais em áreas como o ensino e a saúde. Como solução para estreitar a diferença entre as receitas e o excesso das despesas das contas estatais, os economistas pedem ainda "estímulos" para "promover o crescimento económico"."Neste momento já não chega cortar salários na função pública", diz João César das Neves, economista, social-democrata, ao comentar a possibilidade de a "Comissão Constâncio" apresentar um défice de 2005, entre os 6,0 e os 7,0% do PIB. "Têm que se fechar serviços e alterar estruturas", afirma, defendendo a implementação de medidas, "de uma só vez e durante a legislatura". Primeiras medidas? Por exemplo, "eliminar as Scut", as auto-estradas sem custos para o utilizador, "colocando portagens". Também na saúde alguns custos "terão de ser pagos pelos utilizadores"."

Acho inevitável o aumento de impostos", afirma João Ferreira do Amaral, "e quanto mais cedo melhor". O economista e conselheiro do Presidente da República, também defende a estratégia do ataque imediato à redução do défice, "sem prejuízo de se tomar outras medidas mais tarde". No cardápio de soluções deste docente universitário estão a redução de subsídios e admissões na função pública. Diogo Leite Campos, jurista e consultor, também é apologista de medidas "já", a par de um "pacote faseado ao longo da legislatura". Também pede políticas de "promoção do crescimento da economia e combate à "fuga e fraude fiscal". Como solução extrema, o aumento de impostos indirectos.

terça-feira, 24 de maio de 2005

Reforma Fiscal Ecológica

Relembrar a campanha europeia por uma Reforma Fiscal Verde:

Objectivos
A campanha desenvolve-se em torno dos seguintes objectivos:
Promover uma Reforma Fiscal Ecológica ambiciosa e eficaz;
Contribuir para a alteração dos padrões de consumo e produção com vista a uma maior sustentabilidade;
Sensibilizar o público, os agentes económicos e as instâncias governamentais sobre a Reforma Fiscal Ecológica;
Introduzir a Reforma Fiscal Ecológica na agenda e no discurso político.

Metas:

Eliminar todos os subsídios prejudiciais ao ambiente até 2005;
Transferência de, pelo menos, 10% do total de receitas fiscais, dos impostos sobre o rendimento (IRS, IRC), para impostos baseados em critérios ambientais, até 2010, no sentido de desonerar o trabalho e onerar o uso de recursos naturais;
Medidas específicas:
Imposto sobre o património: substituição da sisa e da contribuição autárquica por novo imposto sobre o património levando em conta o valor social e ambiental do território; áreas com valor natural, patrimonial ou sujeitas a restrições de uso por motivos ambientais (áreas protegidas, REN, Rede Natura 2000) devem ser desoneradas ou até dar direito a crédito de imposto; áreas urbanas degradadas por motivos especulativos deverão ser penalizadas;
Impostos sobre o rendimento (IRS e IRC): redução da carga global destes impostos e ampliação dos benefícios fiscais pelo bom desempenho ou investimentos ambientais; por exemplo, investimentos em equipamentos para energias renováveis;
IVA: redefinição do IVA de alguns produtos em função de critérios ambientais; por exemplo, em função da classe de eficiência energética dos equipamentos;
Adopção de uma política fiscal sobre a energia no consumo, que integre efectivamente as externalidades ambientais. A introdução de imposto sobre o consumo poderá ser uma das vias para a sua aplicação. Os fundos obtidos devem ser aplicados na promoção da eficiência energética e no desenvolvimento das energias renováveis.
Combustíveis e veículos: alteração do Imposto Sobre produtos Petrolíferos (ISP) de forma a reflectir as consequências ambientais dos combustíveis; alteração dos impostos automóvel e de circulação para promover a eficiência energética e ambiental e a segurança dos veículos;
Criação de eco-taxas:
Água: implementação dos princípios do utilizador-pagador e poluidor-pagador, no sentido de promover a eficiência do uso da água, a redução da poluição na origem, e os meios financeiros para a gestão dos recursos hídricos (p.e., o preço da água ao consumidor deverá reflectir o custo real da sua disponibilização);
Emissões atmosféricas/ energia: implementação do princípio do poluidor-pagador; as receitas desta taxa devem ser consignadas à gestão da procura de energia;
Resíduos: implementação do princípio do poluidor-pagador, repercutindo no produtor de resíduos a totalidade dos custos de gestão e tratamento; aplicação de discriminação negativa ao uso excessivo de embalagem;
Indústria extractiva: implementação do princípio do utilizador-pagador.
Instrumentos de gestão de riscos:
Regulamentação da Lei de Bases do Ambiente e ratificação da Convenção de Lugano, sobre a responsabilidade civil objectiva por danos ambientais;
Fundos de segurança ambiental: tipo de seguro cobrindo danos ambientais, em que os fundos disponibilizados são aplicados para fins preventivos e compensatórios no mesmo sector.
Orientações para a despesa pública:
Correcção do Fundo Geral Municipal de forma a premiar as autarquias com melhor desempenho ambiental e/ou sujeitas a restrições ambientais; o Fundo Geral Municipal (FGM) deverá ter uma componente ambiental; por exemplo, 5% do FGM seria atribuído em função da área de Rede Natura 2000 do município, e outros 5% em função de indicadores de desempenho ambiental;
Promoção das políticas de "aquisição verde" pela Administração Pública;
Submissão do financiamento público de projectos ao pleno cumprimento das normas ambientais aplicáveis.
A criação de novas taxas gerará receitas que excederão os custos de administração. Tais fundos deverão ser reinvestidos em acções de promoção ambiental, designadamente:
Incentivos à modernização com efeitos ambientais (sector público e privado), de preferência sob a forma de benefícios fiscais ou crédito bonificado, em vez de subsídios a fundo perdido;
Promoção das energias renováveis e da eficiência energética, em todos os sectores, com destaque para o apoio ao transporte público;
Fundo para a conservação da Natureza;
Fundo para a promoção da floresta sustentável.

quinta-feira, 19 de maio de 2005

Homenagem a Mário de Sá-Carneiro - Poema "Quase"

Tal como acontece com o título da edição original de "Um Pouco Mias de Azul", de Hubert Reeves, Patience dans l´Azur [1], que reproduz um verso do poeta Paul Valéry, o título da edição Portuguesa, proposto pelo editor ao autor que o aprovou, Quase de Mário de Sá-Carneiro.

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

                           Paris, 13 de Maio de 1913

[1] “Patience, patience.
Patience dans l'azur
chaque atome de silence
est la chance d'un fruit mûr !”
Paul Valéry

Página Oficial de Hubert Reeves

terça-feira, 17 de maio de 2005

Dia Internacional da Família: PJ HARVEY video BROKEN HOMES


Broken Homes

Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.
Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.

Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.
We loose our voice more each year,
Maybe we won't bring soon
Is there cancer in the throat ?
No stress

Maybe it's supposed to kill the success
Because success needs killing
Murder is media
False laugh,
Forged autograph,
First my body, now my corpse

Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.
Alive is pain, Murder is fame,
And if you're famous you may get acquitted
If you did it

There's no where to runaway
Damn you I hope you pay
And finish the day to day
Games we play

Those men will brake your bones,
Don't know how to build stable homes.
I'ma stay at home
And talk on the telephone

There's nothing in this world I want from you,
Don't fool yourself, I won't cry....
You're too scared to live
Too quick to die

Those men will brake your bones,
Don't know how to build stable homes.
Those men will brake your bones,
Don't know how to build stable homes.
Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.

Don't know how to build stable homes.
Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.
Those men will break your bones,
Don't know how to build stable homes.
Stable Homes
Those men will break your bones,
Stable homes
Those men will break your bones,
Stable homes.
Those men will break your bones

Broken Homes (Tradução)

Aqueles homens vão quebrar seus ossos
Não sabem como construir lares estáveis
Perdemos nossas vozes mais a cada ano
Talvez nós não traremos tão cedo
Tem um câncer na garganta?
Não estresse
Talvez seja para matar o sucesso
Porque o sucesso precisa ser destruído
Mídia é homicídio
Riso falso, autógrafo forjado
Primeiro meu corpo, agora meu cadáver
Não sabem como construir lares estáveis
Com vida é um sofrimento, fama é assassinato
E se você é famoso você deve se livrar
Se você fez isso
Não há lugar algum para fujir
Dane-se, espero que você pague
E termine o cotidiando
Os jogos que jogamos

Aqueles homens vão quebrar seus ossos
Não sabem como construir lares estáveis
Devo ficar em casa
E conversar pelo telefone
Pois não há nada no mundo que eu queira de você
Não se faça de bobo, não irei chorar
Muito assustador pra viver
Muito rápido pra morrer

Aqueles homens vão quebrar seus ossos
Não sabem como construir lares estáveis
Aqueles homens vão quebrar seus ossos
Não sabem como construir lares estáveis

segunda-feira, 16 de maio de 2005

The Store Wars

Eis uma forma divertida de abordagem à agricultura biológica e contra o consumo de bens alimentares em hipermercados.Vale a pena ver o vídeo e reflectir sobre as prioridades de consumo de bens alimentares orgânicos e saudáveis.

sexta-feira, 13 de maio de 2005

Agricultura Orgânica e Biológica

As observações feitas no início do século pelo botânico e agrónomo inglês Sir Albert Howard em relação ao tipo de agricultura praticada pelos camponeses indianos, deram início a estas duas correntes que, apesar dos nomes distintos são muito semelhantes, podendo ser analisadas conjuntamente.Os estudos realizados na Índia sobre compostagem e adubação orgânica,resultaram posteriormente na publicação do livro "Um Testamento Agrícola",com relevantes referências bibliográficas para os praticantes do modelo orgânico. Outro pesquisador que também contribuiu para estas correntes é o francês Claude Albert que fez estudos sobre o acúmulo do agrotóxico DDT em leite materno e sobre a acumulação de nitrato (substância cancerígena presente nos adubos altamente solúveis) nas águas do subsolo.

Princípios:
Segundo Albert, a fertilidade dos solos deve ser construída a partir de um amplo suprimento de matéria orgânica e, sobretudo na manutenção de elevados níveis de húmus (matéria orgância já decomposta e estabilizada) nosolo. A base científica desta corrente se assenta nas seguintes práticas:rotação de culturas, manejo e fertilização do solo. Assim como as correntes,natural e biodinâmica o princípio gerador da estabilidade e saúde das plantas, encontra-se no manejo da matéria orgânica como prática geradora deboas fertilidade e estruturação do solo. Também como nas outras correntes agroecológicas, o solo é considerado um "organismo complexo", repleto de seres vivos (minhocas, bactérias, fungos, formigas, cupins, etc) e de substâncias minerais em constante interação e inter-dependência, o que significa que ao se manejar um aspecto (adubação, por exemplo), faz-se necessário considerar todos os outros (diversidade biológica, qualidade das águas subterrâneas, susceptibilidade à erosão, etc.) de forma conjunta. Este é o princípio da "visão sistémica" da agricultura (também chamado"holismo"), o qual prescreve que a propriedade agrícola deva ser considerada em todas as suas dimensões (produtiva, ecológica, social, económica, etc.).

A corrente biodinâmica da agricultura teve seu início num ciclo de 8 palestras feitas na década de 1920, na Polónia, pelo filósofo Rudolf Steiner, que formulou uma nova filosofia para ser aplicada na medicina, na pedagogia e nas artes: a antroposofia, a qual pretende captar através de métodos experimentais, fatos supra-sensoriais, ou elementos de natureza espiritual que estão além da matéria no meio natural.
 
Rudolf Steiner (1861/1925)
Princípios: De acordo com esta corrente, a saúde do solo, das plantas e dos animais dependem da sua conexão com as forças de origem cósmica da natureza.Para restabelecer o elo de ligação entre as formas de matéria e de energia presentes no ambiente natural, é preciso considerar a propriedade agrícola como um organismo, um ser indivisível. Através do equilíbrio entre as várias atividades (lavouras, criação de animais, uso de reservas naturais),busca-se alcançar maior independência possível de energia e de materiais externos à fazenda. Este é o princípio chamado de "auto-sustentabilidade",que vale tanto para a agricultura biodinâmica como para todas as outras correntes da Agroecologia.

Mokiti Okada (1882-1955), fundador da religião que originou a Igreja Messiânica propôs, em 1935, um sistema da produção agrícola que tomasse anatureza como modelo: surgiu, daí , a corrente chamada "agricultura natural".
O solo que deixaremos para nossos filhos depende de nós
Princípios: De acordo com Mokiti Okada, a harmonia e prosperidade entre os seres vivos é fruto da conservação do ambiente natural, a partir da obediência às leis da natureza. Através do princípio da reciclagem dos recursos naturais presentes na propriedade agrícola, o solo se torna mais fértil pela ação benéfica dos microorganismos (bactérias, fungos) que decompõem a matéria orgânica libertando nutrientes para as plantas. Assim, o solo, o alimento e o ser humano recuperam a saúde e a vitalidade. É o princípio: solo sadio =plantas e animais sadios = ser humano sadio, válido para a corrente natural e para todas as outras modalidades agroecológicas de agricultura.
A permacultura, também chamada de "agricultura permanente",começou por volta de 1975, 1976, com as idéias de Bill Mollison na Austrália sobre um modo diferente de se pensar a disposição das espécies vegetais,mais próximo dos ecossistemas naturais. Viajando para os Estados Unidos,Bill e outros pioneiros difundiram suas teorias até conseguirem a construção de um Centro Rural de Educação, primeira instituição oficial da permacultura neste país.

Princípios:
Nesta corrente se procura praticar uma agricultura da forma mais integrada possível com o ambiente natural, imitando a composição espacial das plantas encontradas nas matas e florestas naturais. Envolve plantas semi-permanentes (mandioca, bananeira) e permanentes (árvores frutíferas, madeireiras, etc), incluindo a actividade produtiva de animais. Trata-se,pois, de um sistema "Agrosilvopastoril", ou seja, que busca integrar lavouras, com espécies florestais e pastagens e outros espaços para os animais, considerando os aspectos paisagísticos e energéticos, na elaboração e manutenção destes policultivos (diversas culturas convivendo no mesmo espaço).

Saber mais
Bill Mollison

quinta-feira, 12 de maio de 2005

A Associação Campo Aberto cria um blogue

A Associação Campo Aberto visa debater e promover o exercício da cidadania no domínio do ambiente, nas suas dimensões natural, rural e urbana. Nisso assenta o interesse que vem dedicando às questões urbanísticas, que consideramos decisivas em matéria de qualidade de vida e do ambiente citadino.
O nome da nossa Associação foi inspirado na obra do poeta e magnífico professor Sebastião da Gama.

Campo Aberto

Voltam as costas aos campos, em
debandada.
Sementes, quase todas de importação.
Porém, a terra aí está, como sempre, e
raiz e conchego
nunca o negará.
De que fogem? Da miséria ou do
esquecimento?
Do suor do rosto ou da solidão a que nos
empurrámos?
Campo ainda aberto, Índia por descobrir,
rota da Esperança,
da Serra à Planície soubeste trilhar o
caminho que nos resta.
Contigo o percorremos.
Sebastião da Gama - Uma breve biografia

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Os Australianos estão a exigir ao seu Governo que ratifique o Protocolo de Quioto

Dê o seu contributo- assine aqui e divulgue a petição. O objectivo da organização de cidadãos é a subscrição de 50.000 assinaturas.
Texto integral da Petição
Nós, cidadãos australianos abaixo-assinados, exijimos a ratificação imediata do protocolo de Kyoto pelo governo australiano. Somente dois países da OCDE recusaram juntar Kyoto, Austrália e os Estados unidos. Nós, subscritores,acreditamos que ao aceitar Kyoto, nosso governo está agindo de encontro à vontade dos povos. A falha assinar Kyoto é um acto irresponssável por parte do nosso governo e é inaceitável. Nós exijimos a ratificação imediata de Kyoto!

terça-feira, 10 de maio de 2005

Artigo 66.°

Ambiente e qualidade de vida

Constituição da República Portuguesa de 25-04-1976
(quase trinta anos depois, note-se)

1. Todos têm direito a um ambiente de vida humano sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender.

2. Para assegurar o direito ao ambiente, no quadro de um desenvolvimento sustentável, incumbe ao Estado, por meio de organismos próprios e com o envolvimento e a participação dos cidadãos:

a) Prevenir e controlar a poluição e os seus efeitos e as formas prejudiciais de erosão;

b) Ordenar e promover o ordenamento do território, tendo em vista uma correcta localização das actividades, um equilibrado desenvolvimento sócio-económico e a valorização da paisagem;

c) Criar e desenvolver reservas e parques naturais e de recreio, bem como classificar e proteger paisagens e sítios, de modo a garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico;

d) Promover o aproveitamento racional dos recursos naturais, salvaguardando a sua capacidade de renovação e a estabilidade ecológica, com respeito pelo princípio da solidariedade entre gerações;

e) Promover, em colaboração com as autarquias locais, a qualidade ambiental das povoações e da vida urbana, designadamaente no plano arquitectónico e da protecção das zonas históricas;

f) Promover a integração de objectivos ambientais nas várias políticas de âmbito sectorial;
g) Promover a educação ambiental e o respeito pelos valores do ambiente;

h) Assegurar que a política fiscal compatibilize desenvolvimento com protecção do ambiente e qualidade de vida.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

60 anos após II Guerra Mundial....é bom não esquecer

1.Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.


2.Enquanto não estendermos o nosso círculo de compaixão a todos os seres vivos, a humanidade não encontrará a Paz. Until we extend our circle of compassion to all living things, humanity willnot find peace.

Albert Schweitzer - Página Oficial

domingo, 8 de maio de 2005

Os mais Velhos têm uma enorme responsabilidade: SER a esperança aos mais Jovens...

Resposta ao artigo “Parva da Geração Parva” do editorial do Destak da Isabel Stilwell, por Gonçalo Morgado Marques , no seu Facebook. Artigo Original:

“Acho parvo o refrão da música dos Deolinda que diz «Eu fico a pensar, que mundo tão parvo, onde para ser escravo é preciso estudar». Porque se estudaram e são escravos, são parvos de facto. Parvos porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada.
Já que aprender, e aprender a um nível de ensino superior para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida.
Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média, e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.
É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar, por isso deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.
Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem e de leis de trabalho que se viraram contra os trabalhadores.
Empolgados com o novo ‘hino’, agora propõem manifestar-se na rua, com o propósito de ‘dizer basta’. Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.”

Vê a resposta do Gonçalo na continuação…
“Cara Isabel Stilwell,
Antes de mais espero que este a-mail a encontre bem, se é que algum dia chegará aos seus olhos. Espero que sim!
Custa-me acreditar que alguém com o seu nível possa sequer pensar em fazer um artigo com este título e teor (o artigo encontra-se transcrito no post). É ridícula a forma como pensa e a falta de informação que pelos vistos tem, porque a demonstra, nos assuntos por si abordados no mesmo.
Primeiro de tudo, vou-me identificar e situá-la um pouco, para que possa ter uma noção do porquê desta minha reacção ao seu artigo. O meu nome é Gonçalo Morgado Marques, tenho 25 anos e sou formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Lusíada (sim, uma universidade privada! Que parvo que sou por gastar tanto dinheiro em estudos!). Trabalho desde os meus 15 anos, logo já conto com 10 anos de trabalho e respectivos descontos. Habituado a fazer a vida sem depender de ninguém, cedo me apercebi que era realmente importante ingressar numa formação superior, tentando assim, com o tempo, melhorar a minha condição de vida. Com grande sacrifício pessoal e também dos meus pais, consegui fazer o curso de direito e terminá-lo nos 5 anos (duração do curso). Digo sacrifício porque ao longo de todo o meu curso não fui só um estudante, fui também um trabalhador por conta de outrem! Se não tem noção, digo-lhe já que não é tarefa nada fácil e pouco ou nada compensadora para quem aufere 750€/mês (o que já é muito bom!). Tal não é o meu espanto que quando acabo o curso e sou obrigado a fazer um estágio profissional de 2 anos (inerente à profissão de advogado em que pretendia ingressar) e me dizem que não existe nenhuma obrigatoriedade de pagamento de tal estágio, ou seja, seria um escravo (é essa a definição que tenho).
Tentei vários escritórios de advogados e havia sim os que realmente pagavam aos seus estagiários (cerca de 5%), mas as funções eram sempre as mesmas e pouco ou mesmo nada se aprendia (o estágio serve para isso mesmo, aprender!). Optei por um escritório de advogados mais pequeno em que pudesse realmente aprender qualquer coisa, mas tal como 95% dos escritórios em que fiz entrevistas, este não pagava aos estagiários. TORNEI-ME UM ESCRAVO! Ou melhor, PIOR QUE UM ESCRAVO pois pagava para trabalhar (despesas de transporte, alimentação, telemóvel, entre outras). E no meio disto tudo, como pagava essas despesas!? Com outro trabalho, que me pagava e em que tinha funções que V. Excia certamente considera “inferiores”. Ou seja, para me sustentar e sustentar o meu estágio fui forçado a ter dois Trabalhos (muita gente diria empregos, mas eu digo TRABALHO!). Certo e sabido que a energia e o ânimo para manter esta situação foi-se desvanecendo, tornando-se a mesma, com o tempo, impraticável!
Tomei uma decisão, abdiquei dos meus sonhos e EMIGREI! Hoje, estou a viver em Maputo, Moçambique, trabalho num escritório de Advogados conceituado, em que sou Consultor Senior (imagine-se em Portugal ser senior com 25 anos, IMPENSÁVEL!). Tenho a minha vida de novo nos carris e não tenciono sair daqui.
Mas eu não estou a responder a este seu artigo para falar de mim, agora que já a situei, posso passar à minha crítica às barbaridades (peço desculpa, mas não encontro outro nome para definir) que escreveu neste artigo.
Sempre me disseram que para criticarmos alguém devemos primeiro colocar-nos nos sapatos dessa pessoa. Experimentou colocar-se nos sapatos de um comum jovem português? Digo comum, referindo-me aqueles, que tal como eu, não têm pais influentes que conseguem “cunhas” e “tachos” para os filhos! Não encare isto como uma crítica a esses jovens, porque não é.. nessa posição faria talvez o mesmo… Agora coloque-se nos sapatos de um jovem comum, recém licenciado, que procura desesperadamente o primeiro emprego e tudo o que lhe oferecem são estágios de curta duração que nem remunerados são. Não pensaria na mesma linha que a Ana Bacalhau (vocalista dos Deolinda)? Eu acho que sim! E mesmo aceitando essa proposta, na esperança de: “eu vou provar as minhas capacidades e irei ficar nesta empresa”, essa esperança irá, na GRANDE maioria dos casos, sair frustada. Pois qualquer empresa prefere contratar mais um “parvo” (como refere) que irá preencher aquele lugar e a quem não terá de dar boas condições, nem mesmo pagar o que quer que seja. Já se colocou nestes sapatos?
Como directora de um meio de comunicação era inteligente da sua parte informar-se sobre os assuntos sobre os quais escreve. Sabia que em termos proporcionais, são mais os desempregados com Formação superior do que aqueles que não a têm!? Ainda acha “parvo” o refrão da música dos Deolinda? Explique-me por favor o que se aprende num curso superior que nos possa fazer dar a volta a esta situação! Como, com o que aprendemos, podemos dar a volta à precariedade laboral, à ganância de gestores e empresas, à ganância política, ao aproveitamento de quem precisa e ao “desumanismo”. Ainda digo mais, vá para uma faculdade de hoje e, SEJA ELA QUAL FOR, veja se ainda mantém esta definição de ensino superior, face à realidade que hoje se vive.. Parva é esta sua frase: “aprender a um nível de ensino superior para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida”. Acho que não está totalmente ciente da realidade social dos dias de hoje nem àquilo que se passa à sua volta… Talvez tenha ficado perdida num dos seus romances históricos sobre raínhas e princesas…. OLHE À SUA VOLTA!!!
No seu “parvo” artigo, refere que 80% dos licenciados ganham duas vezes mais do que a média (comparando com aqueles que não têm licenciatura ou formação superior). Não duvido! Mas isso aplica-se aos licenciados que realmente têm um trabalho!!! Quando se faz um comentário destes deve-se ver “a coisa” por várias perspectivas e não só por aquela que mais nos convém! É “parvo” pensar e actuar assim! É ÓBVIO que a crise afecta-nos a todos e nós não somos as vítimas exclusivas! Mas tal como todos, temos o direito a demonstrar a nossa insatisfação! Não somos vítimas! Não somos os “Coitadinhos”… Mas como sabe, e certamente melhor que eu, é difícil um jovem ser ouvido, respeitado e entendido, porque pessoas como V. Excia têm ideias pré-concebidas e pouca ou nenhuma atenção dão. PARA SE APRESENTAREM SOLUÇÕES É PRECISO QUE QUEM AS TENHA SEJA OUVIDO! Não quer soluções? Não acha que deviam partir de nós (jovens)!? então oiçam-nos!! Estão à espera que apliquemos o que aprendemos!? Como? Para isso é preciso dar oportunidade aos jovens!! Onde está essa oportunidade? No trabalho precário? No trabalho escravo!? No trabalho a recibos verdes!? Essas coisas não foram criadas para nos escravizar, mas somos nós enquanto jovens que estamos a pagar por anos e anos de má gestão das gerações anteriores. Detesto generalizações e normalmente não as faço, mas como as fez, vou seguir a sua linha de raciocínio! Se estamos nesta situação a culpa é de quem!? Nossa!? Não me vai dizer que é da economia mundial!? Também é, é um facto, mas então e os anos de má gestão por parte dos políticos que pessoas da sua idade ajudaram a eleger? Então e se não estão contentes com a situação porque não se fazem ouvir? O nosso problema enquanto jovens é a vossa herança, são os problemas que vocês e mais ninguém ajudaram a criar! Ponha-se no “nosso” lugar de “parvos” e verá a sua atitude a mudar um pouco!
Esta resposta não tenta proteger aqueles jovens que pouca ambição e vontade têm, que os há! Mas sim defender aqueles, que como eu se sentiram ofendidos com aquilo que escreve.
Por isso, e em modo de conclusão, a única “parva” aqui, já ficou definida e dá pelo nome de Isabel Stilwell. Espanta-me que ainda esteja como directora do Destak e não como Directora de um Jornal Expresso, ou diria mesmo de algum conhecido jornal internacional! Ahhh, caso não tenha percebido, estou a ser irónico! Ponha um “parvo” (leia-se jovem) no seu lugar e verá que ele fará certamente um melhor trabalho ou, no mínimo, irá abster-se de escrever artigos de opinião “parvos”!
Lanço aqui um desafio. Vá para a rua nesse dia e fale com os “parvos”… verá que não são todos tão parvos como a Sra.

Os Melhores Cumprimentos,
Gonçalo Morgado Marques

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Portugal a voo de pássaro

Confesso que não sendo das cores partidárias do Dr. José Pacheco Pereira,este seu texto transforma-se realmente num manifesto e uma reflexão pessoal e cívica de uma profundidade considerável.Este texto merece também ficar registado no Bioterra. Fiquei contente por o ver publicado no Dias Com Árvores e Vistas na Paisagem.
Gostava mesmo que este texto fosse lido por todos os autarcas, banqueiros e empreiteiros do nosso País. Especialmente os empreiteiros e sub-empreiteiros.
Se os empreiteiros reflectissem um pouco para si próprios "se estas casas que estou a construir fossem para os meus filhos e netos, estarei a pensar se têm um jardim onde eles possam crescer e brincar e acarinhar, uma horta onde eles possam cultivar os seus produtos, um infantário próximo onde eles possam crescer, um centro de saúde eficiente, rios despoluídos, saneamento básico, etc, " não estaria a ser um EMPREITEIRO verdadeiramente empreendedor ? E será necessário só construir?Não haverá nada para recuperar?
José Pacheco Pereira
Se eu sair daqui e andar sempre a direito, por montes e vales e estradas, a voo de pássaro, até ao mar, o que encontro é um retrato de Portugal bem triste e sinistro, que se agrava todos os dias, numa obra de destruição em que muitos portugueses estão activamente empenhados, perante a complacência e colaboração activa do Estado e das autarquias, em nome de um "progresso" que pouco mais significa que dinheiro, egoísmo e vistas curtas. Eu voo daqui, mas podia voar dali que o resultado não seria muito diferente. Infelizmente, o caminho é quase sempre igual. Voando por cima de Portugal, percebe-se a realidade dolorosa da nossa condição de país atrasado, pobre, inculto, sem margem para dúvidas.Começo. Caminhando pelo ar, a direito, passo por uma ETAR (estação de tratamento de águas residuais) que começou a ser feita num local, depois verificou-se que havia um erro de localização e construção, e mudou-se para outro. Parece que a consistência das terras impedia a construção. Responsabilidades? Nenhumas. Depois, a mesma ETAR, que devia funcionar há muito, não está a funcionar, os esgotos correm em campo aberto perante a indiferença generalizada, com excepção dos mosquitos e moscas. Depois, terrenos que estão nos planos como sendo do domínio agrícola, povoam-se de barracões e casas de habitação e veraneio, construídas ao modelo maison, térreas com colunas e pórticos, felizmente menos horríveis do que o mesmo tipo de casas de emigrante de há uns anos. Ao lado, caem aos bocados casas, adegas, lagares, currais, que seriam na América antiguidades protegidas, com as suas cantarias de pedra, as suas portas de arco, a ocasional estátua escondida num nicho, e cem ou duzentos anos de convívio com o que está à volta, numa acomodação que não existe a não ser pelo tempo. Mas não estamos na América, somos um povo mais velho, logo podemos estragar à vontade. Aldeias. Actividade económica? Nula. Ou quase. Cafés, com a Sport TV e gente falando muito alto. Alcoolismo. Restaurantes, como se imagina. Velhos. Cada vez mais velhos. Farmácias. Único emprego para os jovens que os faz fugir da escola e alimentar a estatística do abandono escolar: construção civil. Muitos jipes, carros, motas. Anúncios de discotecas, bares, cada vez mais. Os movimentos pendulares de carros pela noite, prenunciando o tráfico de droga.Depois ruínas, de quintas, lagares, fabriquetas, de vinhas, de zonas de cultivo de tomate, de campos de oliveiras, ruínas da agricultura portuguesa. Algumas árvores resistem, umas ardidas nalgum passado incêndio, outras atoladas na sua solidão, sem bosque. Apenas árvores que ficaram, até alguém as cortar, ou plantar eucaliptos ou incendiar de novo. A seguir, um pequeno ribeiro assoreado, cheio de lixo, mal passando por entre canaviais amarelecidos pelo pó da estrada. Depois uma enorme área de restaurante para "bodas e festas", brilhando de novo, enorme parque para estacionamento e o mesmo estilo de casa-maison, pórticos, colunas, com os reclames dos gelados encostados e máquinas onde se apanham ovos de plástico a gancho. Mais lixo, garrafas de plástico, pó. Uma estrada perigosa, tão perigosa que tudo quanto é aglomeração exigiu um semáforo que mostra o vermelho quando se ultrapassa 50 quilómetros. Pensam que um basta, ou um de quilómetro a quilómetro? Engano. Como o meu vizinho tem um à porta e eu não tenho nenhum, também quero. Os semáforos sucedem-se uns aos outros, colados entre si, num desperdício tão habitual que já ninguém nota. Milhares de sinais, de stop em estradas sem trânsito, de sentidos proibidos em locais onde é improvável proibirem alguma coisa, milhares de sinais mas nenhuma verdadeira indicação de direcção com continuidade. Começa e depois, na próxima bifurcação, por onde viro? Não sei, a terra sumiu a auto-estrada, a localidade que havia lá atrás já não há. Deve ser de haver muitas rotundas, com monumentos no meio, ou fontes.Vários locais de venda e exposição de automóveis usados, crescendo como cogumelos, no meio de urbanizações rápidas, com o entulho da terraplanagem deitado ao lado. Ah! Esqueci-me de vários montes de entulho de construção pelo caminho. Depois, cheira. Não cheira a campo, ao estrume, ao saudável estrume, mas ao cheiro intenso e acidulado das pecuárias, que se cola às casas, aos corpos, que obriga a fechar as janelas, não apenas incómodo, mas insuportável. Depois casas, de todas as formas, de todos os feitios, por todo o lado, completas, incompletas, antigas e novas, as novas todas iguais, com os seus relvados quase artificiais e piscinas, exigindo toda a água do mundo para apenas ficar vagamente verde. As antigas caindo, pouco a pouco, sem gente nem função, com letreiros de imobiliárias, "Vende-se". Mais à frente, uma pedreira rasga uma série de colinas, o contraforte de uma montanha. "Rasga" é a palavra certa, crescendo para todos os lados numa mancha amarela entre o verde, deformando a cumeeira da serra, partindo-a a meio, mostrando-se como o mais saliente objecto para muitos quilómetros em redor. De repente, tudo o que é cimo do monte, que já tinha uma antena de telemóvel, começa a ter moinhos de vento modernos. Não são o que mais afronta, na sua elegância branca, mas como é que se passa do nada a tantos, de um momento para o outro? A paisagem vai ficando saturada de antenas, moinhos, postes de luz, candeeiros, fios diversos. O caos que tudo envolve é perceptível. A ordem é o caos, porque se percebe que quem quer fazer alguma coisa faz, independentemente de outros direitos e outros valores e do futuro das terras. Quem não quer muda-se. Para onde? A única verdadeira fábrica que está em acção é a da produção de fealdade, a do Portugal feio. E não me venham com a história de que este olhar de pássaro é passadista e hostil aos "melhoramentos" ou ao "progresso económico". Todos, quase todos eram possíveis, são possíveis, sem esta destruição da qualidade de vida, da vista, da paisagem, do equilíbrio natural e mesmo do equilíbrio artificial. Quantas pedreiras neste país foram recuperadas como é suposto? Por que razão é que as suiniculturas, não cumprem a lei, não tratam os seus detritos e provocam mau cheiro? Como é que se pode permitir a contínua violação do terreno classificado como agrícola, para alargar áreas de construção, ou fazer casas onde cada um quer? Quem autoriza a proliferação de stands de automóveis junto das estradas? Quem enxameia tudo de "mobiliário urbano" e rotundas sem ter o saneamento ligado? Há um problema de pobreza, hoje mais de remediamento, mas está longe de ser uma questão de dinheiro porque se esbanja e muito. É em parte um problema de economia porque a economia paralela, à margem dos impostos e da lei, continua a ser apreciada como escape para a outra, que não existe, ou não sobrevive nesta ecologia pantanosa. Mas acima de tudo são literacias que estão em causa, mais do que cultura ou dinheiro. É uma mínima percepção, inclusive económica, de que isto é um péssimo negócio para todos, mesmo que seja vantajoso a curto prazo para alguns. Como em tudo, é também o poder que conta, o que tem os que destroem e o que não é usado pelos que podiam impedir as destruições. Há de facto algumas melhorias reais, há mais escolas, mais bibliotecas, mais equipamentos culturais, nalguns casos gigantes e subutilizados, mais hospitais, mais serviços a nível local e regional, melhor comércio de massas, mais acesso a determinados bens e mais dinheiro para os adquirir. É verdade. Mas é uma gota de água no caos, na fealdade, que cresce exponencialmente. Voando a voo de pássaro é impossível não ver. Historiador

quarta-feira, 4 de maio de 2005

Fundador do Greenpeace morre aos 63 anos




03 de maio, 2005 - 02h25 GMT (23h25 Brasília)
Fundador do Greenpeace morre aos 63 anos
O co-fundador da organização ambientalista Greenpeace Bob Hunter morreu de câncer de próstata aos 63 anos de idade.Hunter, que era canadense, ajudou a fundar o Greenpeace em 1971, quando fez parte de um grupo de ambientalistas que saiu num barco de pesca de Vancouver (no Canadá) rumo ao Alasca, para protestar contra a realização de testes nucleares no Estado.O protesto foi amplamente coberto pela mídia mundial, assim como outros organizados pelo Greenpeace que viraram a marca do movimento, contra o despejo de lixo tóxico nos oceanos e outras causas.Nomeado pela revista Time um dos maiores heróis do movimento ambientalista do século 20, Hunter também era conhecido pelo seu trabalho como jornalista e escritor. "Bob era um contador de histórias inspirador, um lutador audacioso e um místico despretensioso", afirmou o presidente do Greenpeace do Canadá, John Doherty. "Ele era sério sobre salvar o mundo e ao mesmo tempo mantinha um senso de humor.""Guerreiros do Arco-Íris"A paixão de Hunter pela ecologia e o seu conhecimento das comunicações ajudaram a definir o Greenpeace.Foi ele o criador do termo "Rainbow Warriors" (Guerreiros do Arco-Íris, em tradução literal) para designar os ativistas do Greenpeace. O nome também foi dado ao barco da organização, com o qual Hunter e outros ativistas chamaram atenção para a caça de baleias e focas.Hoje, 34 depois da sua fundação, o Greenpeace tem 2,5 milhões em 40 países. Segundo a mídia canadense, a mulher e os três filhos estavam ao lado de Hunter quando ele morreu."Era um homem com um grande coração, uma mente brilhante e um espírito enorme", disse o vice-presidente de programação da rede de TV canadense City TV, Stephen Hurlbut.Hunter trabalhou para a emissora com especialista em assuntos de meio ambiente. "Bob Hunter mudou o nosso mundo. O mundo está mais triste hoje, mas também melhor por causa dele."
TODA A FOTOBIOGRAFIA DA GREENPEACE

terça-feira, 3 de maio de 2005

O Millennium Ecosystem Assessment (Avaliação do Milénio de Ecossistemas, MA) - Avaliação Portuguesa

A Avaliação Portuguesa
O Millennium Ecosystem Assessment (Avaliação do Milénio de Ecossistemas, MA) foi pensado para fornecer parte da informação científica necessária para a implementação da Convenção da Diversidade Biológica, da Convenção do Combate à Desertificação e da Convenção das Áreas Húmidas. O MA foi lançado a nível mundial pelo Secretário Geral das Nações Unidas em Junho de 2001. É uma avaliação multi-escala, consistindo em avaliações interligadas aos níveis global, sub-global e local. Existem cerca de 15 avaliações sub-globais aprovadas, entre as quais as da Noruega, do Sul de África, da América Central e da China. A Avaliação Portuguesa foi iniciada em Maio passado e irá decorrer até meados de 2005. É liderada pelo Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

A Avaliação Portuguesa (ptMA) está a analisar a condição dos serviços dos ecossistemas em Portugal, tendências recentes nesses serviços e cenários para os próximos 50 anos. A Avaliação Portuguesa é composta por uma equipa científica e por um grupo de utilizadores, que são os principais destinatários da informação a ser produzida e também partes interessadas (stakeholders) nos ecossistemas a serem estudados. A equipa científica é composta por mais de 30 cientistas, de diversos campos, incluindo economia, sociologia, biologia e engenharia florestal. Os utilizadores representam diferentes sectores da sociedade, incluindo governo nacional e local, organizações não governamentais, agricultura e indústria


Documentos da Avaliação Portuguesa já disponíveis
State of the Assessment Report PDF, 2 210 KB
Relatório da necessidades de informação e opções de gestão dos utilizadores PDF, 442 KB
Documentos da Avaliação Global
Sumário do livro "Ecosystems and Human Well-being" PDF, 282 KB
Coordenação: Henrique Miguel Pereira (página pessoal)



segunda-feira, 2 de maio de 2005

As primeiras páginas dos jornais de hoje em todo o mundo

Numa excelente iniciativa de redução de consumo de papel, o formato digital de vários documentos via internet é cada vez mais ampliada e possível (já é comum, creio, a adesão aos extractos bancários em linha, as facturações digitais, transferências bancárias, etc...) 
Conciliar vontades de conservação do meio ambiente e informação actualizada, parece-me o objectivo do sítio do Museu do Jornalismo, que proporciona, a todos os que o visitam virtualmente, a visualização das primeiras páginas de muitos jornais do globo num só clique e depois permite ainda ir directo ao sítio de cada jornal!
Funciona da seguinte forma:
Cada bolinha laranja nos mapas dos continentes são jornais de cidades daquele estado ou País; clicas e todos os dias tem a 1ª página de cada jornal. Ao posicionares sobre a bolinha desejada, ao lado aparece a 1ª página dos jornais. Clicando sobre a bolinha, tens a página em tamanho maior, para facilitar a sua visualização. E na parte superior da página ampliada está a ligação para acederes ao jornal.

Tudo à distância de um clique

domingo, 1 de maio de 2005

Que bom filme você é? Le grand Bleu / Imensidão Azul

Fiz este teste e foi uma agradável surpresa. Realmente tenho uma paixão pelo mar, o azul, o aroma e a brisa, os seus habitantes, a força, o ímpeto das ondas.
A propósito do Mare Nostrum provavelmente muitos desconhecem os trabalhos desenvolvidos pelo MedForum.
Ver este filme é também chamar a atenção para a preservação do Mediterrâneo.
Breve síntese
Luc Besson conta que, aos 10 anos, avistou pela primeira vez um golfinho. De imediato, deixou o bote onde estava e foi nadar ao lado do animal. Ainda na infância, o futuro cineasta ouviu falar dos recordes inacreditáveis de Jacques Mayol, campeão mundial de mergulho. Tentou seguir os passos do lendário mergulhador, mas o destino não permitiu. Aos 17, sofreu um grave acidente que frustou seus planos. Onze anos depois, pôde realizar seu sonho, só que no cinema. Besson mergulhou sua câmera no mar para filmar Imensidão Azul, Cinebiografia romanceada de Jacques Mayol

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Você é "Imensidão Azul" de Luc Besson. Você é sonhador, único. Muito sublime e encantador.
Faça você também Que bom filme é você? Uma criação de
O Mundo Insano da Abyssinia