quinta-feira, 30 de setembro de 2004

Parques Voltam a Falhar Planos de Ordenamento

Por RICARDO GARCIA
Publico, Quinta-feira, 30 de Setembro de 2004

A maior parte das áreas protegidas do país vai falhar, a partir de amanhã, mais um prazo legal para a elaboração dos respectivos planos de ordenamento. Para algumas delas, é a terceira vez que isto acontece. Do total de 29 áreas protegidas do país, 14 correm o risco de estarem automaticamente desclassificadas. Segundo a legislação, os parques, reservas e paisagens protegidas que não tenham plano de ordenamento aprovado num determinado prazo, especificado caso a caso, perdem o seu estatuto de protecção.

Os prazos têm sido desrespeitados sucessivamente. Há parques e reservas cujos planos foram mandados fazer há seis ou sete anos, mas até agora não estão prontos. A última data limite - que agora será ultrapassada - era 1 de Outubro de 2004. Este prazo fora definido há dois anos pelo Governo, através de um decreto-lei destinado a evitar a desclassificação das áreas protegidas que já estavam em incumprimento. O diploma "mantém a classificação das áreas protegidas", com efeitos retroactivos.

Passados dois anos, apenas um plano foi concluído - o da Reserva Natural do Paúl da Arzila. Por isso, o actual Governo fez aprovar, em Agosto passado, um novo decreto-lei, com o mesmo teor do anterior, alargando o prazo agora até 31 de Dezembro de 2005. Mas este diploma ainda não foi publicado em "Diário da República", não estando em vigor.

O Ministério do Ambiente quer aprovar alguns planos antes do novo prazo fixado. O primeiro será o do Parque Natural do Vale do Guadiana, que curiosamente nunca teve limite legal para ser concluído. A aprovação final deverá ocorrer ainda em Outubro, de acordo com o secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, Jorge Moreira da Silva.

A seguir virá o do Parque Natural da Arrábida, cuja versão final o ministério espera concluir na próxima semana. Na calha até ao final deste ano, segundo Moreira da Silva, estão também os planos do Parque Natural da Serra de São Mamede e das reservas naturais da Serra da Malcata e das Dunas de São Jacinto.

Os planos têm passado por atrasos inexplicáveis. Os da Arrábida, São Jacinto e São Mamede, por exemplo, foram colocados em discussão pública há um ano e meio, e ainda não viram a luz do dia. Aliás, só aqueles que já tiveram discussão pública é que estão em condições de ser aprovados mais rapidamente."Este Governo vem beneficiar de muito trabalho que já estava feito", reconhece Moreira da Silva. "Mas sobre esta matéria, posso assegurar que há um forte empenhamento político da nossa parte e que ela é tratada como uma prioridade", acrescenta.

Os atrasos nos planos de ordenamento arrastam-se por quatro governos sucessivos. Na versão oficial, a questão ficou em segundo plano entre 1995 e 2000, porque o Ministério do Ambiente estava mais preocupado em concluir a elaboração da lista nacional de sítios da Rede Natura 2000 - uma malha europeia de áreas de interesse para conservação. "Muitos meios do Instituto da Conservação da Natureza tiveram de ser canalizados para esse processo", justifica o deputado Pedro Silva Pereira (PS), ex-secretário de Estado com a tutela dessa área, durante o segundo governo de António Guterres. Silva Pereira salienta, porém, que o PS deixou alguns planos praticamente prontos quando deixou o Governo, em 2002.

O presidente da Liga para a Protecção da Natureza, José Manuel Alho, acredita que os atrasos devem-se aos conflitos de interesses, como os da caça no Vale do Guadiana, da agricultura no Paúl do Boquilobo, ou do imobiliário na Arrábida. "A pressão dos interesses deve ser de tal ordem, que os governantes não têm força política para superá-las", avalia.

Da lista de planos a aprovar até fins de 2005, ficam de fora três áreas protegidas que ainda não dispõem deste instrumento, nem iniciaram a sua elaboração: a Reserva Natural do Estuário do Sado e as paisagens protegidas da Serra do Açor e da Arriba Fóssil da Costa da Caparica

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

A Seara dos Esquecidos


A desarticulação completa de várias instituições, as políticas erráticas e a quase supressão / exclusão das variáveis Ambiente e Educação / Formação em todas as decisões de muitos governantes e seus representantes, que iludidos pelo neoliberalismo, incapazes e insensíveis em assegurar muitos dos programas de desenvolvimento sustentável já existentes ( por exemplo, até agora só 5% das autarquias é que aderiram à Agenda 21)e que conduziram ao estado catastrófico de Portugal em 2004. 

Neste vergonhoso percurso do país pós-adesão à CEE , não se deu a devida atenção às regiões já de si mais desfavorecidas e medidas que mitigassem a migração para as cidades . Por outro lado, os incêndios e uma má política dos solos, por erosão, aceleraram a desertificação. Neste desequilíbrio, quem está a sofrer muito mais são os habitantes dessas regiões. Pessoas com aspectos culturais próprios e que estão a desaparecer cada dia que passa e são pessoas que deixaram de ter acesso a bens que conseguiriam também conquistar (como Saúde, Educação, Emprego, Rede de Transportes...), se recorressem a esses programas específicos. 

Para cúmulo, os últimos telejornais invadem-nos com notícias alarmistas sobre os "perigos" dessas regiões e dos seus habitantes, como se tratassem de focos de "epidemias", "homicidas" e de "ladrões". Num furor irracional exploram dia sim dia sim e até à exaustão, sem nunca referirem as causas de tão acentuada desertificação. 

Repudio veementemente este vampirismo televisivo que temos assistido ultimamente. 
Exige-se ética e um jornalismo mais sério. Mais respeito por todos os cidadãos, sejam eles moradores na Lapa, Lagarteiro, Cascais, Foz ou Seara.

João Soares

domingo, 26 de setembro de 2004

UK's first ever naked shopping event held

There was a poor turnout for the event with only about 15 naturists turning up at the Plaza shopping centre in Oxford Street.
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The UK's first ever naked shopping event has been held in Central London.
Oona Graham-Taylor, spokeswoman for the Plaza centre, blamed the disappointing turnout of naturists on the Euro 2004 football championships.
She said the centre would "possibly" consider holding another naked evening, says BBC News Online.

"We were actually hoping for more but it is the first event we have run and the football cut numbers down", she said.
Naturists were invited to register as naked shoppers before being allowed entry on the night. Many of the centre's shops and restaurants also offered discounts to the nude bargain hunters.
Staff remained fully clothed during the event.
Nick Mayhew, co-author of naturists' guidebook Bare Beaches, was on hand to sign copies of his book.

Fonte: Clothes Free

sexta-feira, 24 de setembro de 2004

quinta-feira, 23 de setembro de 2004

Série documental "Portugal - Um Retrato Ambiental"-IMPERDÍVEL

Prevista ter começado no dia 14 de Setembro( inclusive houve alguns protestos junto da RTP por parte de muitas pessoas interessadas pelo progrma ) espero que finalmente hoje passe na RTP, pelas 23.15 horas, a série documental "Portugal - Um Retrato Ambiental" - da autoria de Luísa Schmidt, realização de Francisco Manso e guião de Luísa Schmidt, Luís Coelho e do Pedro Vieira.
De acordo com a notícia que o Pedro Vieira colocou no Estrago da Nação em 9 de Setembro: "O primeiro dos quatro episódios deste documentário...retrata a situação ambiental em Portugal nas últimas décadas".Sei ainda que próximamente um dos Prós e Contras será dedicado às questões ambientais

Como era legítmo haver mais programas de Educação Ambiental na nossa TV Pública. Sugiro, por isso, que cada pessoa que partilhe da mesma opinião envie um e-mail para a RTP através do site: Formulário da RTP


quarta-feira, 22 de setembro de 2004

Dia Europeu Sem Carros


O Dia Europeu Sem Carros celebra-se anualmente a 22 de Setembro.
A data visa sensibilizar a população e autoridades para a necessidade de reduzir o tráfego rodoviário dentro das cidades, de forma a aumentar a qualidade de vida e garantir a sustentabilidade dos recursos naturais, optando por alternativas de transporte menos poluentes como os transportes públicos e bicicletas.
Integrado na Semana Europeia da Mobilidade, o Dia Europeu Sem Carros é celebrado através da promoção de ações de sensibilização.
Nas cidades que aderem à iniciativa do Dia Europeu Sem Carros, algumas ruas são fechadas ao trânsito de forma a incentivar os cidadãos a escolher meios de mobilidade como os transporte alternativos mais amigos do ambiente. Neste dia é possível andar e explorar as ruas de forma diferente, sem o perigo e a pressa dos carros.
Em 2015 aderiram 63 localidades portuguesas ao Dia Europeu Sem Carros e em 2014 aderiram 44.
Esta data surgiu em França em 1998 e foi adotada pela União Europeia no ano de 2000.

Semana Europeia da Mobilidade
Já a Semana Europeia da Mobilidade surgiu em 2002 e observa-se todos os anos de 16 a 22 de Setembro.
O tema da Semana Europeia da Mobilidade 2016 é "Mobilidade inteligente: economia forte" sublinhando a importância da utilização racional dos transportes para a economia local.
As localidades portuguesas aderentes à Semana Europeia da Mobilidade podem ser conhecidas no site oficial do evento.

terça-feira, 21 de setembro de 2004

Dossier Bibiliotecas, Escritores Portugueses e Internacionais

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segunda-feira, 20 de setembro de 2004

Graffiti Artists vs. GMOs (Genetically Modified Organisms)


Some of California's dopest graffiti artists - Mear One, Vyal One, Werc, Griffin One and Ernest Doty- have created high-impact murals to raise awareness for the labeling of Genetically Modified Organisms (GMO). The artists discuss their reasons for supporting California's Yes on Prop 37 campaign while displaying can control and sick techniques.

domingo, 19 de setembro de 2004

The Lighthouse:: O farol



Reflexão
O farol, precisamos dele como os marinheiros/pescadores para fugir dos perigos e chegar a bom porto. Um farol cantado há 100 anos pode ajudar a reaprender a observar os acontecimentos e abraçar com bravura o presente, sem hipotecar as gerações vindouras. Sejamos hoje mesmo esse FAROL para as crianças e netos que estão a nascer!
Aspectos Musicais
Este tema, gravado em 1994, consta do álbum do produtor francês Hector Zazou, intitulado Chansons des mers froides (Songs from the Cold Seas). Sioux e Zazou adaptaram um excerto do poema "Flannan Isle" do poeta inglês Wilfred Wilson Gibson na letra. A canção inclui os encantamentos de uma shaman Nanai gravados na Siberia, e na performance musical teve as participações de Budgie e Mark Isham.


Poema e Mistério
Flannan Isle

THOUGH three men dwell on Flannan Isle
To keep the lamp alight,
As we steered under the lee, we caught
No glimmer through the night."


A passing ship at dawn had brought
The news; and quickly we set sail,
To find out what strange thing might ail
The keepers of the deep-sea light.


The Winter day broke blue and bright,
With glancing sun and glancing spray,
As o'er the swell our boat made way,
As gallant as a gull inflight.
But, as we neared the lonely Isle;
And looked up at the naked height;
And saw the lighthouse towering white,
With blinded lantern, that all night
Had never shot a spark
Of comfort through the dark,
So ghostly in the cold sunlight
It seemed, that we were struck the while
With wonder all too dread for words.
And, as into the tiny creek
We stole beneath the hanging crag,
We saw three queer, black, ugly birds—
Too big, by far, in my belief,
For guillemot or shag—
Like seamen sitting bolt-upright
Upon a half-tide reef:
But, as we neared, they plunged from sight,
Without a sound, or spurt of white.


And still to mazed to speak,
We landed; and made fast the boat;
And climbed the track in single file,
Each wishing he was safe afloat,
On any sea, however far,
So it be far from Flannan Isle:
And still we seemed to climb, and climb,
As though we'd lost all count of time,
And so must climb for evermore.
Yet, all too soon, we reached the door—
The black, sun-blistered lighthouse-door,
That gaped for us ajar.


As, on the threshold, for a spell,
We paused, we seemed to breathe the smell
Of limewash and of tar,
Familiar as our daily breath,
As though 't were some strange scent of death:
And so, yet wondering, side by side,
We stood a moment, still tongue-tied:
And each with black foreboding eyed
The door, ere we should fling it wide,
To leave the sunlight for the gloom:
Till, plucking courage up, at last,
Hard on each other's heels we passed,
Into the living-room.


Yet, as we crowded through the door,
We only saw a table, spread
For dinner, meat and cheese and bread;
But, all untouched; and no one there:
As though, when they sat down to eat,
Ere they could even taste,
Alarm had come; and they in haste
Had risen and left the bread and meat:
For at the table-head a chair
Lay tumbled on the floor.


We listened; but we only heard
The feeble cheeping of a bird
That starved upon its perch:
And, listening still, without a word,
We set about our hopeless search.


We hunted high, we hunted low;
And soon ransacked the empty house;
Then o'er the Island, to and fro,
We ranged, to listen and to look
In every cranny, cleft or nook
That might have hid a bird or mouse:
But, though we searched from shore to shore,
We found no sign in any place:
And soon again stood face to face
Before the gaping door:
And stole into the room once more
As frightened children steal.


Aye: though we hunted high and low,
And hunted everywhere,
Of the three men's fate we found no trace
Of any kind in any place,
But a door ajar, and an untouched meal,
And an overtoppled chair.


And, as we listened in the gloom
Of that forsaken living-room—
A chill clutch on our breath—
We thought how ill-chance came to all
Who kept the Flannan Light:
And how the rock had been the death
Of many a likely lad:
How six had come to a sudden end,
And three had gone stark mad:
And one whom we'd all known as friend
Had leapt from the lantern one still night,
And fallen dead by the lighthouse wall:
And long we thought
On the three we sought,
And of what might yet befall.


Like curs, a glance has brought to heel,
We listened, flinching there:
And looked, and looked, on the untouched meal,
And the overtoppled chair.


We seemed to stand for an endless while,
Though still no word was said,
Three men alive on Flannan Isle,
Who thought, on three men dead.

Notes

The History of Flannan Island: Eilean Mor, The Island of the Dead, is a major island of Flannan Isles which is a group of 7 main islands with about 45 rocks and islets.  Flannan Isles, also known as The Seven Hunters, is a uninhabited archipelago located 15-miles northwest of Lewis (Hebrides) island.  Before the Flannan Isle Lighthouse was built, The Seven Hunters were a hazardous group of isles so named for destroying ships en route to Scottish Ports.

The Flannan isle lighthouse was built in by 1899 by David Alan Stevenson and Charles Stevenson Eilean Mor (Big Isle). The disappearance happened one year later; in December 1900, three lighthouse keepers at the new lighthouse  mysteriously disappeared.

It was noticed on 15 December that the light had not been lit in the lighthouse, but bad weather prevented anyone getting to the island until 26 December. The lighthouse tender, the Hesperus, went to the island with a new set of keepers, but the three who were supposed to be there had gone - vanished. The lighthouse was deserted, with the lamps primed and ready for lighting. There was a diary entry made on the morning of 15 December that the lamp should have been lit, but no more.

Explanations put forward have included a freak wave, and a terrible row in which two were killed and the murderer committed suicide - but no bodies were ever found. Some accounts say there was a half-eaten meal on the table and that furniture had been overturned. A Board of Inquiry could not come up with an explanation, though the investigations are well documented.

Read more about the mystery at   www.bbc.co.uk/dna/h2g2/A1061335

sábado, 18 de setembro de 2004

Que ano tão negro....

Hoje, dia de arranque do ano lectivo, celebração dos mais belos momentos da caminhada dos nossos jovens,aspirando a cidadania e acalentando aquele dia em que serão também agentes do progresso do país em que nasceram e o que se viu: as escolas previsivelmente vazias...Nunca o Ensino foi submetido a tamanha injustiça...Mais dramático ainda é também a elevada taxa de abandono escolar, o analfabetismo e a iliteracia...ano muito negro.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

Semana da (I)Mobilidade 16-22 Setembro

O número de autarquias aderentes ao Dia Mundial Sem Carros tem diminuído desde que a iniciativa europeia começou há 3 anos. Da Semana pouco se fala...isto é demais!!Se os nossos governantes e autarcas fossem criativos e apostassem em apoiar iniciativas menos poluentes, como estão a fazer aderindo à campnha da separação dos residuos, penso que os portugueses iriam aderir bem. Contudo, teimam em importar os modelos económicos errados...há é muita IMOBILIDADE, vontade endógena para remendar o estrago da nação...

CanalKids- Meio Ambiente (Brasil)



quinta-feira, 16 de setembro de 2004

Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozono

O Dia Mundial para a Preservação da Camada do Ozono observa-se a 16 de Setembro.


Foi a 16 de Setembro de 1987 que se assinou o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Prejudicam a Camada de Ozono, escolhendo-se então esta data para a celebração do Dia Mundial do Ozono. A data foi criada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas em dezembro de 1994.

O objetivo do dia é alertar para a destruição da Camada de Ozono e procurar soluções para a proteger. A Camada de Ozono é um escudo gasoso frágil que protege o globo das radiações solares, preservando assim a vida na Terra. Cabe aos governos, às indústrias e às organizações internacionais, a tarefa de unir esforços para eliminar os produtos químicos responsáveis pela destruição da Camada de Ozono.

Neste dia, não só se realizam encontros e colóquios em Montreal, Canadá, como um pouco por todo o mundo, para debater a questão mundial da preservação da Camada de Ozono.

quarta-feira, 15 de setembro de 2004

Alimentos com Transgénicos Passam Este Mês a Ser Rotulados

Fonte: Público

Todos os alimentos para consumo humano e animal que, na sua composição, incluam ingredientes transgénicos vão ter de informar o consumidor dessa presença. A lei comunitária entra em vigor a partir deste fim-de-semana mas isso não quer dizer que, depois de segunda-feira, os rótulos já estejam todos actualizados. É que todos os bens cujo processo produtivo se tenha iniciado antes do próximo dia 18 não são obrigados a cumprir as novas normas. Daqui para a frente, já não haverá excepções.

Hoje, 16 de Abril de 2004 entra em vigor o regulamento que define que se pode conseguir seguir o rasto de todos os ingredientes utilizados nos produtos alimentares. O objectivo é o de, além de facilitar a rotulagem, conseguir retirar todos os produtos de mercado que tenham como ingrediente um determinado transgénico que se provou que provoca efeitos prejudiciais para a saúde humana, para os animais ou para o ambiente.

No domingo, é a vez de o regulamento da rotulagem que obriga a que qualquer produto alimentar avise o consumidor que existem elementos transgénicos na sua composição entrar em vigor. Até agora, a lei obrigava a fornecer este aviso só quando, no produto final, se detectava a presença de mais de um por cento de transgenes.

As novas normas foram saudadas por ambientalistas e agricultores com culturas biológicas que defendem a opção dada agora aos consumidores de comprar, ou não, produtos com organismos geneticamente modificados (OGM). Além disso, esta legislação cria um "novo patamar de garantias alimentares", congratula-se a plataforma "Transgénicos fora do prato", que inclui diversas associações da área do ambiente e da agricultura.

O consumidor tem o lugar central nestas leis. "O que está em questão não é tanto a segurança alimentar mas mais o direito do consumidor em estar informado, porque tudo o que até agora tem sido avaliado em matéria de OGM tem indicado que estes são seguros", afirmou Lurdes Camilo, da Direcção-Geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar (DGFCQA).

Mas estes regulamentos europeus cumprem também objectivos políticos. A sua aprovação foi a solução encontrada para tentar travar o diferendo que se arrasta há anos entre a União Europeia e os Estados Unidos em relação aos transgénicos. E pôr um ponto final na moratória informal imposta por alguns países europeus, que fecharam as suas portas à importação de OGM, o que aliás gerou uma queixa colocada pelos EUA na Organização Mundial do Comércio. Porém, esta moratória não está totalmente afastada, já que a lista de produtos geneticamente modificados aprovados pela UE é restrita.

Aplicação complexa

Tanto as autoridades, como a indústria, como até as associações ambientalistas admitem que a aplicação da legislação vai ser complicada. O grande esforço pedido às indústrias é de base documental: as empresas têm de pedir e guardar por cinco anos todas as declarações sobre os diferentes ingredientes que usam, onde se explicitam quais os materiais utilizados e se são transgénicos.

"Temos de ter grande confiança nos fornecedores", explica Jaime Piçarra, da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA). Ou seja, o produtor tem de acreditar que o seu fornecedor está a dar-lhe todas as informações. Mas esta exigência esbarra nalguma resistência por parte de países como os Estados Unidos, que não consideram que se esteja perante um problema de segurança alimentar.

"Se os documentos não forem verdadeiros, como é que podemos garantir que não há transgénicos?", questiona Isabel Sarmento, da Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA). "É que, muitas vezes, não é possível detectar se há transgenes, por mais análises que se façam", acrescenta.

A capacidade de resposta dos laboratórios - que vão passar a ser muito requisitados para o autocontrolo que as empresas vão fazer - e os métodos analíticos, que são limitados, são duas das grandes preocupações dos industriais e ambientalistas.

Apesar de tudo, a indústria diz-se preparada para aplicar os regulamentos, tendo redigido um guia onde se explicam todas as implicações da lei e as mudanças necessárias, a distribuir pelos associados da IACA e da FIPA.

Por enquanto, a grande mudança prende-se com a quantidade de documentação que é pedida às empresas. "A gestão dos 'stocks' terá de ser cirúrgica, pois a rotulagem tem de ser adequada - e modificada - conforme os lotes que se recebem", explica Margarida Silva, da plataforma "Transgénicos fora do prato".

Mas, a prazo, uma outra mudança pode ser ditada pelos consumidores. Isabel Sarmento, da FIPA, diz que "a indústria vai esperar para ver como se comporta o mercado". Mas Lurdes Camilo acredita que muitas empresas vão começar, desde logo, a apostar na substituição dos ingredientes transgénicos por outros alternativos.

terça-feira, 14 de setembro de 2004

Professor Jorge Paiva- A Preservação da Biodiversidade

Infelizmente, a maioria das espécies vegetais e animais existentes ainda nem sequer foi recenseada pelos cientistas e, ao extinguirem-se essas espécies, nem sequer se avaliou se eram importantes medicinalmente, ou industrialmente, ou para a alimentação, etc. Nestes casos a perda é, não só irreparável, como é também de valor completamente desconhecido para a Humanidade. Chega a parecer incrível como se deixa perder, impunemente, tanto Património Biológico.

Após variados estudos chegou-se à conclusão que não é possível preservar a Biodiversidade cultivando os seres vivos "ex situ" (ex.: plantas em Jardins Botânicos e animais em Jardins Zoológicos), mas sim "in situ", isto é, nos respectivos ecossistemas. Nem mesmo os designados "Bancos de Sementes" e "Bancos de Germoplasma" são suficientes.

Desta maneira a conservação dos ecossistemas é pois a única alternativa que possuímos, e são urgentes as medidas para os preservar, visto que a continuar o ritmo de destruição actual, caminhamos para uma catástrofe, num rápido suicídio colectivo.

A comunidade internacional e os governos tomaram quatro tipos de medidas que favorecem particularmente a conservação e a utilização durável da Diversidade Biológica:

Medidas visando proteger ecossistemas particulares, tais como os Parques Nacionais, as Reservas Biogenéticas ou outras zonas protegidas (Convenção sobre Zonas Húmidas de importância internacional, particularmente o habitat de aves marinhas, RAMSAR, 1971, a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural e Natural da Humanidade, Paris, 1972; etc.);

Medidas visando proteger espécies ou grupos particulares de exploração intensiva (Convenção Internacional ­ com as emendas ­ sobre a Regulamentação da Pesca à Baleia, Washington, 1946; a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna e da Flora Selvagens, Washington, 1973; a Convenção sobre a Conservação de Espécies Migradoras de Animais Selvagens, Bona, 1979; etc.);

Medidas destinadas a promover a conservação "ex situ" de espécies, por exemplo, nos Jardins Botânicos, através de programas de reprodução em cativeiro ou de Bancos de Genes, (Conselho Internacional de Investigação de Genética Vegetal ­ IBPGR; Secretariado da Conservação dos Jardins Botânicos; Comissão da FAO sobre a Investigação Genética Vegetal do Projecto Internacional sobre Investigação Genética Vegetal; etc.);

Medidas tendentes a limitar a contaminação da Biosfera com poluentes (Convenção de Londres sobre o Lixo, 1972; Convenção de Viena sobre a Protecção da Camada de Ozono, 1985; Protocolo de Montreal da Convenção de Ladite, 1987; etc.).

Em cada um destes quatro domínios, existe um número importante de Convenções e Tratados Regionais ou outras medidas de fins mais limitados.

Talvez com estas e outras medidas semelhantes, impostas pela comunidade internacional, se consiga travar atempadamente o actual nível de diminuição da Biodiversidade.

Ler ainda 
A Relevância do Património Biológico [artigo]

Quem é Jorge Paiva?

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

O Humanismo é...por Mahmoud Azad

"O humanismo, quando fechado exclusivamente sobre o horizonte humano, não passa de uma mutilação... e nem humanismo é. Esta uma das leituras possíveis deste texto de Mahmoud Azad, nascido no Irão em 1933." ~ José Marques


Nem só o homem chora.
Vi chorar os pássaros
As folhas o vento a chuva também.
Nem só o homem
Chora.

Nem só o homem canta.
Escutei os cânticos da pedra
e os cânticos das plantas
Eu, eu ouvi cantar o vento e as folhas.
Nem só o homem
Canta.

Nem só o homem ama.
O mar e a vela dos navios
O sol e os campos
São amantes.
Nem só o homem
Ama.

(A partir da versão francesa in Iran Poésie et autres rubriques par Chahrâchouh Amirchâhi & Alain Lance François Maspero, Paris, 1980)

domingo, 12 de setembro de 2004

Os rios e o Mar...é um pouco de nós!

EM GALAFURA

Os povoadores da beira Douro
conhecem o pó e as pedras.
E sabem que o Universo
concebe cerejais e parras.
Vivem como vermes magníficos,
iluminados por dias soalheiros,
obscurecidos pelas invernias.


DO MAR

Aqueles de um país costeiro, há séculos,
contêm no tórax a grandeza
sonora das marés vivas.
Em simples forma de barco,
as palmas das mãos. Os cabelos são banais
como algas finas. O mar
está em suas vidas de tal modo
que os embebe dos vapores do sal.

Não é fácil amá-los
de um amor igual à
benignidade do mar.

Poemas de Fiama Hasse Brandão, As Fábulas Famalicão, Quasi Ed, 2002

sábado, 11 de setembro de 2004

sexta-feira, 10 de setembro de 2004

Dia Internacional de Prevenção do Suicídio

O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio observa-se a 10 de Setembro.


Este dia foi criado em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de prevenir o ato do suicídio, através da adoção estratégias pelos governos dos países. Neste dia realizam-se cerca de 600 atividades em 70 países do mundo para se conseguir salvar vidas. Em Portugal a Sociedade Portuguesa de Suicidologia organiza colóquios com a colaboração da Direção Geral de Saúde.

Todos os anos morre um milhão de pessoas por suicídio no mundo e ocorrem entre 10 a 20 milhões de tentativas de suicídio por ano. Por cada pessoa que morre, outras vinte tentam o mesmo caminho. A Organização Mundial de Saúde estima que o suicídio é a 13ª causa de morte no mundo, sendo uma das principais entre adolescentes e adultos até aos 35 anos. A taxa de suicídio é maior nos homens do que nas mulheres.

Neste dia pode estender a mão a quem se tenha isolado ou acender uma vela pelas almas perdidas para o suicídio.


quinta-feira, 9 de setembro de 2004

Uma geração para salvar o mundo

Este texto é muito importante e tenho-o usado nas aulas para sensibilizar os meus alunos para o ambiente, a ecologia, para a necessidade de políticas e acções no âmbito da ecosolidariedade e de uma economia mais justa.


UMA GERAÇÃO PARA SALVAR O MUNDO, AVISA RELATÓRIO

Corpo influente [de cientistas] diz que têm de ser aproveitadas as últimas chances


Paul Brown, correspondente de meio-ambiente
Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2003
The Guardian


A espécie humana tem apenas uma ou talvez duas gerações para se salvar, de acordo com o relatório "State of the World" de 2003 do "Worldwatch Institute" baseado em Washington.

Quando mais tempo passar sem que se tomem acções para remendar a situação, maior terá de ser o grau de miséria e empobrecimento biológico que a espécie humana terá de estar preparada para aceitar, diz o instituto no seu 20º relatório anual.

Sobrexploração dos recursos, poluição e a destruição de áreas naturais continuam a ameaçar a vida no planeta. As condições continuam a deteriorar-se rapidamente, afirma o relatório, apesar de haver alguns sinais de esperança de que soluções técnicas para os problemas tenham sido encontradas e - onde há vontade política - adoptadas. Na maioria dos casos, apesar disto, nada está a ser feito.

Entre as piores tendências no mundo inteiro está a de que 420 milhões de pessoas vivem em países que não têm mais área de cultivo suficiente para cultivar a sua própria comida e têm de depender de importações. Cerca de 1.2 mil milhões de pessoas, ou cerca de um quinto da população mundial, vivem na pobreza absoluta - definida como sobrevivendo com o equivalente a menos de $1 dólar, ou 62 "pence", por dia.

Cerca de um quarto da área de cultivo dos países em vias de desenvolvimento está a ser degradada, e a taxa está a aumentar. A maior ameaça não é a falta de terra, diz o relatório, mas a falta de água, com mais de 500 milhões de pessoas a viver em regiões sujeitas a [períodos de] seca crónica.

Em 2025 o número terá provavelmente aumentado pelo menos cinco vezes, para entre 2.4 a 3.4 mil milhões. Um aumento provável da população mundial de 27% durante o mesmo período irá criar instabilidade social e ecológica.

O aquecimento global está a acelerar, e o dióxido de carbono na atmosfera chegou já a 370.9 partes por milhão, o nível mais alto de pelo menos 420,000 anos e provavelmente de 20 milhões de anos.

Químicos tóxicos estão a ser soltos em quantidades cada vez maiores, e a produção global de resíduos perigosos já chegou a mais de 300 milhões de toneladas por ano. Há apenas uma vaga ideia dos danos que isto causa a humanos e sistemas naturais, afirma o relatório.

Outra ameaça é a migração de espécies imensamente invasivas para regiões onde podem representar uma ameaça para as espécies nativas.

O estado do sistema mundial de sustentação da vida natural é talvez o mais preocupante indicador para o futuro, diz o relatório. Cerca de 30% das florestas restantes do mundo estão seriamente fragmentadas ou degradadas, e estão a ser cortadas ao ritmo de 50,000 milhas quadradas por ano, afirma este.

Os terrenos férteis foram reduzidas em 50% durante o último século. Recifes de coral, os sistemas aquáticos mais diversificados do mundo, estão a sofrer os efeitos da pesca extensiva, poluição, doenças epidémicas e aumentos de temperatura.

Um quarto das espécies mamíferas do mundo e 12% dos pássaros estão em perigo de extinção.

Do ponto de vista esperançoso, o relatório afirma que as tecnologias de energia renovável desenvolveram-se já o suficiente para fornecer o mundo. Estas poderiam reduzir significativamente a ameaça que a poluição representa para o mundo - mas há de momento uma falta de vontade política para introduzi-las rapidamente o suficiente.

Outra indústria que provoca destruição em grande-escala, a extração de minerais, poderia ser substituída em grande parte pelo reuso e reciclagem.

A extração de minérios consome 10% da energia mundial, provoca emissões tóxicas e ameaça 40% das florestas ainda não desenvolvidas do mundo, mas estes efeitos poderiam ser drasticamente reduzidos.

Outra crise que o relatório identifica é a nas cidades do mundo, onde mil milhões de pessoas procuram refúgio em bairros-de-lata, muitas vezes nas encostas de montanhas, planícies sujeitas a inundações, em lixeiras sujas ou abaixo na corrente [de rios] relativamente a poluidores industriais.

Os habitantes destas povoações vivem sob a constante ameaça de despejo, assim como também de desastres naturais e doenças. Centros urbanos no [hemisfério] sul dominam agora as tabelas das maiores cidades do mundo.

Habitantes dos "ghettos" estão a organizar-se para [lutar por] mais direitos e melhores vidas, afirma o relatório. Um dos grandes desafios para os governos consiste em ajudar os seus cidadãos mais pobres a sentirem-se seguros nas suas próprias casas, a terem um emprego e a melhorar o seu meio-ambiente.


Nuvens negras, lados positivos


Piores tendências

- A malária reclama 7,000 vidas todos os dias
- Extinções de pássaros a decorrer a 50 vezes o ritmo natural
- A velocidade de derretimento do gelo mais que duplicou desde 1988; os níveis [de altura] da água do mar podem subir 27 cm até 2100
- Novas tecnologias de pesca ajudam a localizar e explorar ainda mais reservas em declínio


Razões para ter esperança

- As populações estabilizaram na Europa e em muito do Sudeste asiático
- A agricultura biológica é o sector em maior crescimento da economia agrícola mundial
- A capacidade geradora da electricidade [proveniente] de vento e fotovoltaica deverá aumentar 30% por ano durante cinco anos (1% para combustíveis fósseis)
- A produção de CFCs que destroem grandes quantidades de ozono caiu 81% nos anos 90, diminuindo o crescimento do buraco do ozono

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

Jorge Paiva - A Biodiversidade

Estes três artigos aqui expostos foram retirados de uma publicação do livro "Ambiente e Consumo", de 1996, publicado pelo Centro de Estudos Judiciários, Lisboa. Lendo estes documentos, parecem actuais...no entanto já se passaram 8 anos!!

A Biodiversidade

O Património Biológico, isto é, a Diversidade de todos os seres vivos (Diversidade Biológica ou Biodiversidade), engloba todas as espécies vegetais, animais, fungos, micro-organismos e os ecossistemas de que fazem parte. A Biodiversidade compreende, assim, o número e a frequência dos ecossistemas, espécies e genes de um dado agregado. A Diversidade Biológica deve, pois, ser considerada a três diferentes níveis:

A Diversidade Genética, que não é mais do que a variabilidade no seio de uma espécie. É calculada pela variação dos genes de uma espécie, de qualquer taxon infra-específico (subespécie, variedade, raça, etc.), ou de qualquer população e constitui o Património Genético;

A Diversidade Específica refere-se à variedade dos organismos vivos da Biosfera, cujo número se calcula entre 5 a 10 milhões ou mais, dos quais apenas 2,5 milhões são efectivamente conhecidos (recenseados) (ca. 2 milhões de animais e 0,5 milhões de plantas, fungos e micro-organismos o que é cerca de 1/12 do número estimado por TERRY ERWIN (1991), cerca de 30 milhões de espécies de seres vivos), e que constitui o Património Específico ou Património Taxonómico;

A Diversidade dos Ecossistemas, que se refere à variedade dos habitats, das comunidades bióticas e dos processos ecológicos da Biosfera, e que constitui o Património Ecológico.

É quase inconcebível e inacreditável que, sendo a espécie humana e os outros seres vivos, tão interdependentes, a Biodiversidade esteja ainda tão mal estudada. Apesar do grande desenvolvimento científico, presentemente, ainda não é possível calcular, com uma aproximação sem grande margem de erro, a magnitude do número de espécies de seres vivos.

Como é do conhecimento geral, as florestas tropicais de chuva (Pluvissilva) são as regiões do globo onde há maior abundância de seres vivos. Por isso, a preservação desses ecossistemas, constitui uma das grandes preocupações da Humanidade. Muitos investigadores têm efectuado demonstrações, mais ou menos simples, do elevado Património Biológico dessas florestas. Assim, TERRY ERWIN pulverizou, com insecticida, uma área determinada de florestas tropicais do Brasil e Perú, para calcular o número de insectos e outros artrópodes. Seguidamente, efectuou contagens e cálculos entrando em linha de conta com outros seres e espécies com habitats subterrâneos. Estimou cerca de 30 milhões de espécies para a área de floresta tropical do globo. Portanto, só nesses ecossistemas, devem existir 20 vezes mais espécies do que as estudadas até ao presente para todo o globo.

Um outro exemplo da elevadíssima Biodiversidade das florestas tropicais, foi a demonstração feita por EDWARD WILSON. Este entomologista colheu numa árvore do grupo das leguminosas, numa floresta do Perú, 43 espécies de formigas pertencentes a 26 géneros, o que é aproximadamente igual à diversidade de formigas de toda a Grã-Bretanha.

A diversidade de árvores dessas florestas tropicais de chuva é também muito elevada. PETER ASHTON, em 10 quadrados de 1 hectare cada, na floresta de Kalimantan (Indonésia) encontrou 700 espécies de árvores, o que é sensivelmente o número de espécies arbóreas do continente norte americano.

Mas a estabilidade dos ecossistemas não depende do número de espécies. Mesmo frágeis superestruturas podem tornar-se ecossistemas robustos, desde que o Ambiente se mantenha estável de modo a suportar a sua evolução durante um longo período de tempo. Um ecossistema estável pode desmoronar-se pela perda de um pequeno número de espécies (às vezes até apenas uma), tal qual uma pirâmide de cartas de jogar.

A actividade humana tem tido efeitos devastadores na Biodiversidade e tem acelerado o ritmo das extinções.

O maior efeito da pressão humana tem-se feito sentir mais nas florestas tropicais, nas ilhas, lagos e outros ecossistemas limitados. Um exemplo foi a eliminação de metade das espécies de aves da Polinésia pela caça e destruição das florestas nativas; no século passado a Ilha de Santa Helena foi completamente desflorestada, e a maioria das espécies lenhosas endémicas perdeu-se para sempre; a Ilha do Sal (Cabo Verde) foi praticamente desertificada; centenas de espécies de peixes do Lago Victória (África Oriental), que constituem a base da alimentação e interesse económico das populações limítrofes, estão em vias de extinção, pela introdução da carpa do Nilo, etc.

Calcula-se, por exemplo, que o ritmo actual de devastação das florestas tropicais está a originar, anualmente, 0.2 a 0.3% de extinções das respectivas espécies. Há alguns exemplos concretos e localizados do ritmo da extinção de espécies provocado pela actividade humana. Por exemplo, a devastação da pluvissilva (floresta tropical de chuva) do Perú, numa simples crista montanhosa, fez desaparecer 90 espécies de plantas com flor (Angiospérmicas).

Estes valores significam uma velocidade de extinção de seres 10 mil vezes superior à que ocorreria naturalmente, sem a acção da espécie humana.

São esperadas perdas maciças de Biodiversidade se a devastação da Natureza continuar no ritmo actual.

terça-feira, 7 de setembro de 2004

Ernestino Maravalhas- protector das borboletas

Nasceu em Matosinhos e desde o ano de 1977 se dedica aos estudo das borboletas.O interesse pelas borboletas vem desde os tempos de liceu, na Augusto Gomes. Integrado no núcleo de ciências naturais, Ernestino Maravalhas, decidiu estudar o comportamento das borboletas. Mas viu-se confrontado com uma dificuldade. A falta de publicações em português, sobre as borboletas. E esta foi a génese para, vinte e seis anos depois, o agora trabalhador no sector terciário, se lançasse na aventura de publicar um livro que tenta suprir uma lacuna que existia na língua portuguesa, ou seja, a falta de uma publicação dedicada exclusivamente às borboletas que existem em Portugal.

Corria o ano de 1996 quando Ernestino Maravalhas iniciou a preparação para a publicação do livro Borboletas de Portugal. Foram seis anos de muito trabalho e muita pesquisa para que tudo fosse o mais rigoroso possível (texto adaptado de uma entrevista ao Matosinhos Hoje).

Mais informações e actividades pedagógicas:

Palestra de Ernestino Maravalhas (EB 2,3 de Lanheses)

segunda-feira, 6 de setembro de 2004

Da Modernidade Técnica à Modernidade Ética

Estava a pensar nas consequências da aceitação em massa dos sinais de Modernidade, agora seguidos também pelos chineses e deixo aqui um texto muito bom, que faz uma análise profunda do mundo em que vivemos e sugere a importância da Modernidade Ética. Boa leitura

Da Modernidade Técnica à Modernidade Ética
Por Cristovam Buarque
Origem: Tribal Mind

I. A contestação da modernidade técnica

1. Os dois sustos do final do século: técnico e utópico

Até os anos 80, a preocupação dos estrategistas era com os meios técnicos para realizar objetivos predeterminados e generalizadamente aceitos. A partir das últimas décadas surgem dúvidas sobre os propósi-tos e os estrategistas passam a ter uma preocupação não apenas com os meios, mas também com a ética que define os objetivos.
Uma das causas desta mudança está nos dois grandes sustos que o final do século XX trouxe aos homens.

Primeiro, o susto positivo da imensa realização técnica realizada ao longo destes cem anos. Segundo, o susto negativo do fracasso em construir uma utopia, com base nestas técnicas.
Quando comparamos todas as criações técnicas disponíveis no fi-nal do século com as expectativas criadas há cem anos, percebemos que muito mais foi realizado do que se esperava. As mais radicais previ-sões do começo do século ficaram tímidas diante do que foi realizado. Ninguém imaginou que neste final de século o mundo estaria tão integra-do culturalmente, tão intercomunicado, tão rico, com tantas técnicas mé-dicas, de transporte, com tanto conhecimento científico.

Do ponto de vista técnico, muito antes de terminar, o século XX já tinha realizado e superado todas as expectativas que existiam no começo.

Ao mesmo tempo, quando se compara os sonhos utópicos imagina-dos há cem anos com a sociedade que foi construída nesse período, constata-se que a civilização não caminhou como se esperava. Em al-guns aspectos até se afastou da utopia desejada.

Do ponto de vista utópico, o final do século XX não se apresenta como um grande êxito civilizatório.

Neses cem anos:

-a  engenharia industrial realizou maravilhas de automação, au-mentou de uma forma inimaginável as escalas de produção, mas não ampliou substantivamente o tempo livre das pessoas e, quando ampliou, jogou milhões no tédio e na droga; não re-solveu e até agravou o problema da escassez entre uma enorme parcela da população mundial, criou um sério desequilíbrio ecológico, gerou um desemprego crônico;

-graças à engenharia e à biotecnologia, a agricultura do século XX é capaz de produzir mais, em quase qualquer local, com muito menos trabalho, em melhores condições, com uma inima-ginável produtividade, controlando a terra e as epidemias, não conseguindo ainda controlar o tempo, mas reduzindo muito seus efeitos, mas não resolveu e até acirrou o problema da desnutrição.

-ao mesmo tempo em que graças ao avanço técnico o homem conseguiu criar riquezas em níveis não imaginados poucas décadas atrás, a desigualdade se ampliou entre os homens e entre as nações;

-as ciências medicas conseguiram quase que dobrar a vida média das pessoas, conseguiu adiar o envelhecimento, fazer transplantes e prótese de órgãos, mas não conseguiu fazer com que estas vidas mais longas fossem certamente mais felizes;

-ao mesmo tempo em que conseguiu integrar o planeta, o sécu-lo XX desintegrou a sociedade humana, entre países e entre gru-pos sociais dentro de cada pais.

O que se percebe é que a modernidade técnica foi plenamente realizada, mas que a modernidade utópica não foi realizada em nenhuma parte do Planeta.

2. O susto ético

Independentemente da corrente social, todos os analistas do final do século passado e da primeira metade deste viam as técnicas como a panacéia para a construção da utopia desejada por todos. Os econo-mistas neoclássicos mostravam como isto ocorreria graças ao livre jogo das forças produtivas reguladas pelo mercado. Os marxistas defendiam que isto ocorreria por revoluções sociais cuja finalidade era na verdade liberar o avanço técnico das amarras sociais. As criticas e os alertas de risco do avanço técnico eram restritos a pequenos grupos de pessimis-tas, que não dispunham de base para comprovar seus temeres.

É só a partir dos anos 60, graças a quatro fatores, que surgem as primeiras dúvidas concretas sobre a eficiência civilizatória das técnicas em si:

-primeiro, a ocorrência de fatos como a tragédia de Minamata, no Japão, mostrando o risco das técnicas; o que era restrito ao risco da explosão nuclear, em caso de guerra, passa a ser também uma preocupação em tempos de paz devido ao processo industrial;

-segundo, a disponibilidade de dados estatísticos em escala mundial, a elaboração de modelos matemáticos com sistemas globais e o potencial de processamento de dados pelos grandes computadores permitiram observar a gravidade dos efeitos ecoló-gicos e os limites ao crescimento econômico;

-terceiro, a consciência do reduzido espaço da Terra fotografada de naves espaciais;

-quarto, a constatação da crescente desigualdade que se mani-festa no mundo a partir dos anos 80, com a integração económica e cultural internacional e as desintegrações sociais nacionais.

sábado, 4 de setembro de 2004

Aldo Leopold - A teia da vida



Trechos escritos por Aldo Leopold, biólogo norte–americano do séc. XIX inspirador da deep ecology-fragmentos do livro A teia da vida.

A mais importante característica de um organismo é a sua auto-renovação interna conhecida como saúde.(p.194)

Ética é a diferenciação da conduta social da anti-social para o bem comum. (p.238)

As obrigações não tem sentido sem consciência, e o problema que nos defrontamos é a extensão da consciência social das pessoas para com a terra.(p.246)

A ética da terra simplesmente amplia as fronteiras da comunidade para incluir o solo, a água, as plantas e os animais, ou colectivamente: a terra. Isto parece simples: nós já não cantamos nosso amor e nossa obrigação para com a terra da liberdade e lar dos corajosos ? Sim, mas quem e o que propriamente amamos ? Certamente não o solo, o qual nós mandamos desordenadamente rio abaixo. Certamente não as águas, que assumimos que não tem função excepto para fazer funcionar turbinas, flutuar barcaças e limpar os esgotos. Certamente não as plantas, as quais exterminamos, comunidades inteiras, num piscar de olhos. Certamente não os animais, dos quais já extinguimos muitas da mais bonitas e maiores espécies. A ética da terra não pode, é claro, prevenir a alteração, o manejo e o uso destes recursos, mas afirma os seus direitos de continuarem existindo e, pelo menos em reservas, de permanecerem em seu estado natural.(p.204)
Aldo Leopold nasceu em Burlington, Iowa/EUA, em 11 de Janeiro de 1887. Formou-se em Engenharia Florestal, pela Universidade de Yale, terminou seu mestrado em 1909 e foi traballhar no Serviço Florestal dos EUA. Em 1933 assumiu a disciplina de Manejo de Caça na Universidade de Wisconsin/EUA, onde permaneceu até a sua morte. Publicou mais de 350 artigos científicos e seu texto sobre Manejo de Caça (Conservação da Vida Selvagem) tornou-se um clássico, sendo utilizado como referência até hoje. É considerado como a figura mais importante da conservação da vida selvagem dos EUA. Foi consultor da ONU nesta área. A sua obra mais conhecida foi o Sand County Almanac, onde lançou as bases para a Ética Ecológica. Leopold chegou a ter contato com o livro, mas não assistiu ao seu lançamento, que só ocorreu em 1949. Morreu em 21 de Abril de 1948, devido a problemas cardíacos, resultantes de seu esforço em auxiliar um vizinho a apagar um incêndio. É considerado por Potter como tendo sido o primeiro bioeticista, especialmente pelo seu texto The Land Ethic.



Downloadable summary of Leopold's life [PDF] a partir da Aldo Leopold Foundation
April 4, 2005 radio feature, Great Lakes Radio Consortium





Game Management, Aldo Leopold, Charles Scribner’s Sons, 1933

A Sand County Almanac, Aldo Leopold, Oxford University Press, 1949
Round River: From the Journals of Aldo Leopold, Oxford University Press, 1953
The River of the Mother of God: And Other Essays by Aldo Leopold, Susan Flader and J. Baird Callicott, editors, University of Wisconsin Press, 1991
Thinking Like a Mountain: Aldo Leopold and the Evolution of an Ecological Attitude toward Deer, Wolves and Forests, Susan Flader, University of Missouri Press, 1974
For the Health of the Land: Previously Unpublished Essays and Other Writings, Aldo Leopold (J. Baird Callicott and Eric T. Freyfogle, editors), Island Press
Companion to A Sand County Almanac: Interpretive and Critical Essays, J. Baird Callicott, University of Wisconsin Press, 1987
Aldo Leopold's Southwest, Aldo Leopold (David E. Brown, editor), University of New Mexico Press, 1995
Aldo Leopold: His Life and Work, Curt Meine, University of Wisconsin Press, 1988
The Essential Aldo Leopold: Quotations and Commentaries, Curt Meine and Richard Knight, editors, University of Wisconsin Press, 1999
Aldo Leopold: Living with the Land, Julie Dunlap, Twenty-First Century Books, 1993


sexta-feira, 3 de setembro de 2004

Dia do Biólogo (Brasil)


Dia do Biólogo

O Dia do Biólogo é comemorado no Brasil em 3 de Setembro. A data é uma referência a Lei Federal nº 6.684/79 de 3 de setembro de 1979, que regulamentou a profissão de Biólogo no país.

Importância da profissão

A homenagem prestada pela sociedade a todos os biólogos em 3 de Setembro é justa e significativa em função da grande importância desta profissão. Os biólogos estudam a vida no planeta, ou seja, geram conhecimentos sobre as diversas espécies de plantas e animais e suas relações com o meio ambiente. Portanto, são de fundamental importância para o desenvolvimento do conhecimento científico.

Os biólogos também são de extrema importância para o entendimento e preservação do meio ambiente. Eles atuam na elaboração de estratégias voltadas para a manutenção do equilíbrio ecológico no planeta.

Esta profissão se faz cada vez mais importante, já que enfrentamos atualmente sérios problemas ambientais como, por exemplo, extinção de espécies, desmatamentos e o aumento da temperatura no planeta (aquecimento global).

Em conjunto com cientistas de áreas relacionadas (ecologistas, botânicos, zoólogos, climatologistas, etc.), o biólogo pode colaborar de forma decisiva na construção de um caminho que amplie cada vez mais a qualidade de vida no nosso planeta.

Mais Leituras
Dossier Bioterra dedicado exclusivamente à Biologia

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

Paz no Feminino

Por JOAQUIM FIDALGO
Público
Quarta-feira, 19 de Maio de 2004

Gosto da ideia: candidatar 1000 mulheres de todo o mundo, todas juntas, ao Prémio Nobel da Paz em 2005. E gosto dela por vários motivos. Desde logo por se tratar de mulheres, quando é sabido que o Prémio Nobel da Paz - além dos outros, claro - vai muito mais frequentemente para os homens (desde a sua criação, em 1901, só 11 mulheres o receberam, contra 80 homens e 20 organizações ou instituições). Isto até não espanta, seja porque o mundo ainda é muito como nós sabemos que é, seja porque há uma óbvia tendência para privilegiar, no que toca aos esforços de paz, os estadistas, os presidentes, os clérigos, os dirigentes mundiais ou nacionais - e que são, na sua esmagadora maioria, homens. Ora esta iniciativa não chama só a atenção para o protagonismo das mulheres na construção da paz; chama a atenção para outras formas de construir e manter a paz por esse mundo fora, formas mais discretas, mais quotidianas, mais simples, afastadas das grandes ribaltas políticas ou mediáticas, mas nem por isso menos nobres ou necessárias.(...)

De acordo com o texto da organização deste projecto ( ver 1000 mulheres para a Paz 2005 o conceito de paz" não se limita à rejeição da guerra, pois inclui outros aspectos da vida – o social, cultural, político, econômico, ambiental. Buscamos mulheres que actuem preferencialmente nas seguintes áreas:

Promoção e defesa dos direitos humanos
Proteção de crianças, mulheres, deficientes e outros grupos de risco
Eliminação da pobreza
Preservação e manutenção do meio ambiente
Combate à violência e a todas as formas de discriminação
Formulação de uma ordem econômica e social justa
Promoção de negociações de paz e mediação de conflitos
Ampliação do acesso à saúde e educação
Documentação de crimes de guerra e violações de direitos humanos
Ação contra a proliferação de armas"

É tudo isto que se quer mostrar ao mundo, em 1000 exemplos dos mais variados, mas todos muito concretos, muito reais, com nome próprio e obra em curso. Um justo reconhecimento, sim. Um gesto de esperança também. Eu gosto e apoio - e acho que o sr. Alfred Nobel faria o mesmo...( ainda Joaquim Fidalgo)

BioTerra pulsa mais ternamente!

quarta-feira, 1 de setembro de 2004

A Comunicação, a Educação Ambiental e a Globalização

A GLOBALIZAÇÃO E A ERA DA INFORMAÇÃO

Olimpio Araujo Junior*

Inicialmente, os pensadores sociais modernos acreditaram que o mundo se globalizaria por interdependência, onde um país ajudaria os desenvolvimento dos demais. Era essa a globalização ideal. Porém, sabemos que é ingenuidade pensar que países ricos se interessariam em mudar suas políticas de desenvolvimento e dominação para ajudar países pobres, que são seus eternos pontos de exploração e manutenção de seu poder econômico.

A globalização passou então a acontecer pela competitividade entre blocos econômicos ou entre países não pertencentes a um mesmo bloco, e hoje, a economia mundial está nas mãos das grandes corporações de empresas transnacionais e multinacionais, geralmente com sede nos países mais ricos do mundo.

O grande problema da globalização é que ela não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos, outros perdem. Na pratica, exige menores custos de produção e maior tecnologia para uma maior competitividade, assim, países do terceiro mundo não podem competir no mercado externo e sua mão de obra menos qualificada é descartada ocasionando desemprego e mais pobreza. Os países ricos acabam ficando mais ricos, e os países pobres ficam mais pobres.

A globalização vem ocorrendo, principalmente, por causa do desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação e do encurtamento das distâncias. Isso tudo fez com que a humanidade entrasse em uma nova “Era”, a “Era da Informação”. A revolução dos meios de comunicação, e da Internet permitiu o acesso instantâneo à informação. Hoje, uma pessoa comum tem acesso em apenas um dia, a mais informações do que uma pessoa tinha durante toda sua vida na idade média.

A universalização da informação, principalmente graças a Internet, tem sido apontada como uma forma eficaz de diminuir as desigualdades sociais e promover as camadas sociais da população que sempre foram discriminadas dos avanços tecnológicos, mas sabemos que isso só tem acontecido efetivamente em países de primeiro mundo, sendo que em países como o Brasil, o processo tem sido muito mais lento do que o necessário.

A verdade é que ainda não sabemos como agir dentro de todo esse processo, e como mantemos um atraso tecnológico e não investimos o necessário em educação de qualidade, corremos o risco de nunca atingirmos o desenvolvimento necessário para que nossa população possa ter qualidade de vida e justiça social. Por isso, é imprescindível investir em tecnologias da informação, voltadas principalmente a população em geral. Na Era Industrial, a ênfase era o produto, na Era da Informação, a ênfase deve ser a educação. Só assim conseguiremos vencer neste mundo globalizado.

A BANALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Olimpio Araujo Junior*

Na Era da Informação do atual mundo globalizado, onde o conhecimento se multiplica em questão de segundos, a principal e mais marcante característica que podemos observar é a penetrabilidade das tecnologias da informação e as transformações que as mesmas causam na sociedade, causando uniformidade e banalização dos valores sociais, éticos, morais e culturais.

Nunca o homem teve tanto poder de comunicar e nunca sua responsabilidade moral diante da sociedade foi tão grande. As grandes redes de Tv, no Brasil e no exterior, são reconhecidas por sua capacidade de mobilizar rapidamente grandes grupos de opinião em todo o planeta, transformando a informação um espetáculo sensacionalista. Não dando lugar para uma análise crítica dos acontecimentos.

De um lado, alguns programas de TV parecem estar o tempo todo ditando regras e padrões de comportamento. Telejornais apresentam exemplos diários de impunidade e denúncias diárias de corrupção. O baixo nível resultante da caça de audiência a qualquer custo, a descrença nos valores da política, o consumismo desenfreado, o capitalismo selvagem, a exploração do sexo como produto de venda de mídia, a banalização da violência, passaram a ser vistas como uma cobertura informativa de entretenimento, ou seja, informações banais.

Do outro lado, os telespectadores choram por personagens fictícios de filmes e novelas, mas permanecem inalterados, duros, diante da injustiça social real denunciada pelos noticiários, que já se tornaram comuns devido sua freqüência. No século da informação, enquanto se amplia o espectro da comunicação, reduz-se a profundidade. Fala-se mais, comunica-se menos.

Em breve teremos um novo “Big Brother Brasil”, e com certeza vamos ter que aturar horas diárias de notícias e analises sobre o perfil dos participantes e suas “interessantíssimas” histórias de vida, e assim, centenas de milhões de brasileiros vão receber em suas casas doses diárias de alienação.

Na Internet, considerada o meio de comunicação mais democrático do planeta, qualquer boato pode virar notícia, assim, tem crescido assustadoramente o número de mensagens virtuais de origem e conteúdo duvidoso, o que muitas vezes acaba comprometendo até mesmos os veículos de comunicação sérios.

Democratizar a comunicação não significa somente o direito à informação mas que todos tenham o direito a comunicar e a informar, porém, este direito deve ser exercido com responsabilidade, pois informações incorretas podem muitas vezes causar danos irreparáveis. Precisamos nos conscientizar disso e começar a boicotar veículos de comunicação anti-éticos, sem compromisso com a qualidade de seus conteúdos e sem respeito com seus usuários.

* relembro que Olímpio Júnior é o Gestor Nacional de Conteúdo da Rede de Comunicação Ambiental EcoTerra Brasil