segunda-feira, 2 de agosto de 2004

José Afonso - Cantautor, é uma figura ímpar da Revolução

Monumento em homenagem a Zeca Afonso, em Grândola

José Afonso nasceu em Aveiro no dia 2 de Agosto de 1929. Depois de uma infância passada entre Portugal, Angola e Moçambique, instala-se em Coimbra, em 1940, para concluir os estudos. Começa a cantar serenatas e fados, e em 1953 são editados os seus primeiros dois discos, ambos gravados no Emissor Regional de Coimbra da Emissora Nacional.
Em 1956, num período em que já dava aulas, é editado o seu primeiro EP, Fados de Coimbra. Em 1960, com o seu quarto disco, é lançado o EP Balada do Outono, que José Afonso irá cantar no seu último concerto no Coliseu de Lisboa, em 29 de Janeiro de 1983.
Conta a biografia disponibilizada no site da Associação José Afonso que «em Maio de 1964, José Afonso actua na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, onde se inspira para fazer a canção "Grândola, Vila Morena"». Esta música viria a ser usada, em 1974, como senha do Movimento das Forças Armadas (MFA), para a Revolução dos Cravos.
Depois de ser expulso do ensino oficial, em 1968, José Afonso dedica-se mais à música, lançando, entre outros, os discos Traz Outro Amigo Também (1970), Cantigas de Maio (1971) e Eu Vou Ser Como a Toupeira (1972). Em plena ditadura, as gravações destes álbuns foram feitas noutros países europeus.
Em 1973, a repressão continua a fazer-se sentir, com muitas sessões a serem proibidas pela PIDE/DGS. Em Abril, José Afonso é preso e passa 20 dias na prisão de Caxias, onde escreve «Era Um Redondo Vocábulo». Em Dezembro, na cidade de Paris, é lançado o álbum Venham Mais Cinco, no qual também participa José Mário Branco.
Nas vésperas da Revolução, a 29 de Março de 1974, actua no Coliseu de Lisboa, juntamente com Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Manuel Freire, José Barata Moura, Fernando Tordo, entre outros, que terminam o concerto com «Grândola, Vila Morena». A PIDE/DGS proibira que fossem cantadas outras músicas, como «Menina dos Olhos Tristes» e «A Morte Saiu À Rua». O álbum Coro dos Tribunais, gravado em Londres, é editado também nesse ano, com a direcção musical de Fausto.
Após a Revolução, envolve-se activamente no processo revolucionário. A 11 de Março de 1975, dia em que foi derrotado um golpe militar contra-revolucionário, José Afonso cantou no RALIS para os soldados. Ainda na década de 1970, lança os álbuns Com As Minhas Tamanquinhas (que conta com a participação de Quim Barreiros), Enquanto Há Força (com vários artistas, como Rão Kyao, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio Godinho) e Fura Fura (com Júlio Pereira e Trovante).
Volta a Coimbra em 1981 e lança o álbum Fados de Coimbra e Outras Canções. Em Dezembro de 1983, lança o álbum Como Se Fora Seu Filho, e volta a ser integrado no ensino oficial. Em 1985, lança o seu último álbum, Galinhas do Mato.
A 23 de Fevereiro de 1987, na sequência de doença prolongada, morria um dos músicos mais acarinhados pelo povo português. No funeral de Zeca estiveram presentes mais de 30 mil pessoas.


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