terça-feira, 27 de junho de 2017

FLORESTA, ESQUERDA, DIREITA, por Pedro Bingre do Amaral

Criar ou expandir florestas públicas é evidentemente uma decisão política do mais alto nível. Implica alargar a intervenção directa do Estado em vastíssimas terras durante períodos que se prolongam além da vida de inúmeras gerações. A simples escala de tal projecto, no tempo e no espaço, perdura para lá das correntes ideológicas, dos partidos, dos regimes e por vezes até dos países. E mesmo dando-se o caso de essas florestas ocuparem terrenos pobres, em localizações marginais, e serem naturalmente pouco rentáveis, ninguém deixa de apreciar a sua beleza.

Quantos franceses aceitariam a privatização do enorme Domínio Florestal de Fontainebleau, quantos ingleses tolerariam a alienação das vastas Terras da Coroa da New Forest, ambos no domínio público? Apesar das diferenças entre as suas duas filosofias de Estado — o conservadorismo monárquico britânico quer o progressismo republicano gaulês — os governantes de ambos os países sempre estimaram as florestas públicas como um Bem Comum.

Entre o cortejo florestal das nações Portugal tem ocupado uma triste posição: vai na cauda da marcha, e distancia-se cada vez mais desde a década de 1960. Sob o regime monárquico, os partidos conseguiram pôr-se de acordo quanto à necessidade de alargar as matas públicas. Na primeira república conseguiu-se, pese embora a instabilidade governamental, prosseguir esse desígnio do interesse público. O regime autoritário e dirigista do Estado Novo continuou o processo com o Plano de Povoamento Florestal de 1938-1968. A partir da década de 1960, a expansão e a ambição cessam. Começara a época de demonização dos Serviços Florestais e a perda da ambição política de ombrear com os melhores exemplos do mundo ocidental. A partir de então aos serviços florestais restava apenas gerir (e bem) Matas Nacionais minúsculas, que todas reunidas (60 mil hectares) caberiam no concelho de Tavira. Outros usaram os Serviços Florestais como bode expiatório de todos os males que ocorriam ao sector.

Em inícios da década de noventa mudaram ainda mais os ventos ideológicos. Caído o muro de Berlim, as palavras de Margaret Thatcher passaram a ser uma verdadeira profissão de fé para muitos líderes partidários: “não existe essa coisa a que chamam sociedade: só existem indivíduos e famílias”. Estava dado o grito de guerra ao sector público. Ao Estado só se pretendia subtrair património e poderes, privatizando-os em favor de grupos bem colocados. Privatizaram-se empresas públicas monopolistas, privatizaram-se serviços estatais e, se a crise de 2007 não tivesse abalado esses projectos, provavelmente ter-se-iam até privatizado as matas nacionais, a gestão dos parques e reservas naturais, e os monumentos nacionais. Era esse o caminho para onde nos levava o delírio ideológico de alguns governantes de direita e mesmo de alguns de centro-esquerda. Era a paixão pela “terceira via” por via na qual o Estado não dirigia nem participava na economia, apenas a regulava. Foi a época em que as “Direcções-Gerais” perderam poderes e se redenominaram de meras “Autoridades”.

Desde 1989, portanto, a palavra-de-ordem tem sido afastar o Estado da Economia, pelo menos enquanto empreendedor. Quem diga o contrário é visto como um irresponsável saudosista dos regimes totalitários de Leste. Qualquer pessoa que proponha um grande projecto económico inteiramente dirigido pelo Estado, sem parcerias público-privadas, é acusado de querer reviver os Planos Quinquenais de Estaline ou o Grande Passo em Frente de Mao Tsé-Tung.
Ora, sucede que a Europa entre 1945 e 1980 foi reconstruída justamente graças à intervenção estatal, fossem os governos de Direita, de Centro ou de Esquerda — e graças a essa planificação da economia mista de mercado houve um fortíssimo crescimento económico.
À Direita De Gaulle aplicou a filosofia do “dirigisme” e ofereceu à França os seus “Plans de Développement Économique et Social” num contexto conservardor. Num contexto autoritário, Franco implementou os seus “Planes de Desarrollo” e Salazar os seus “Planos de Fomento”. Por outro lado, o milagre alemão do pós-guerra (o “Wirtschaftswunder”) foi possível graças ao intervencionismo do Plano Marshall, aplicado alternadamente por partidos de centro-direita e de centro-esquerda. No Reino Unido a planificação económica, também ela bem sucedida, teve o protagonismo da Esquerda do Labour Party.

Sabendo-se que a planificação da Economia por parte do Estado pode ser bem sucedida numa economia mista de mercado, seja o Governo de Esquerda ou de Direita, poderíamos supor que a Direita portuguesa não se oporia à iniciativa já historicamente validada de expandir as intervenção do Estado no sector florestal, aumentando a área das Matas Nacionais.

Sucede que não. Há em Portugal várias Direitas, e a mais jovem entre elas — a ultra-liberal — fala mais alto. Ao contrário da Direita institucionalista dos seus pais e dos seus tios, já não reconhecem o Estado Português como um bem a salvaguardar, nem sequer para os seus interesses particulares; querem penhorá-lo para investir em derivados financeiros. Crêem que nada existe além dos mercados. Ao contrário dos antigos democratas-cristãos, de quem herdaram o nome mas não o pensamento, deixaram de entender o que é uma questão de Estado; só entendem questões de rentabilidade.

Mas voltemos à política florestal. Num país como Portugal, as condições ecológicas de grande parte do território tornam inviável a exploração económica no curto prazo e em minifúndio de florestas seja de que espécie for. Há vastas charnecas e ermos onde nem o eucalipto prospera. Por isso estão abandonadas, por isso os donos — se algum dia os houve, pois nunca foram cadastradas — renunciaram à sua posse. Para evitar incêndios e as explorar com viabilidade económica, só mesmo integrando-as em Matas Nacionais com planos de exploração com horizontes de décadas — enfim, segundo a intenção de “plantar para a geração dos netos”.

É evidente que entre a Direita alguns jovens alunos da Escola de Chicago hão-de abominar a ideia. Será impossível convencê-los do contrário: a sua religião laica tem como dogma a incompetência do Estado e a supremacia dos Mercados, de modo que o simples conceito de Mata Nacional será para eles puro anátema. Por preconceito, por ignorância, por convicção, hão-de conotar tal ideia aos casos mais dramáticos de totalitarismo de Esquerda: vão invocar o papão da URSS, da Coreia do Norte, etc.

Pois bem, dirijo-me então àqueles que, à Direita ou à Esquerda, escutam tais argumentos. As florestas públicas fazem sentido sob qualquer forma de governo. Dada a sua natureza ecológica não foi encontrada até agora nenhuma forma melhor de explorar bosques de muito baixa produtividade senão transformando-as num bem comum. Comunistas ou Capitalistas, Colectivistas ou Individualistas, Conservadores ou Progressistas, todos os governos bem sucedidos nesta matéria chegaram à mesma conclusão. São essas as evidências e todas as alternativas até agora propostas ou têm sido aventureirismos por testar, ou fracassos a não repetir.

Dito isto, quero apresentar algumas pessoas a todos aqueles que, em virtude de se sentirem identificados com a Direita, se opõem à expansão das Matas Nacionais.

Na fotografia abaixo podemos três ilustres americanos em visita ao Parque Natural de Yosemite, por volta de 1890. São eles o presidente Teddy Roosevelt (terceiro a contar da esquerda); o grande ambientalista fundador do Sierra Club, John Muir (quarto a contar da esquerda); e o engenheiro florestal fundador dos Serviços Florestais americanos, Gifford Pinchot (primeiro a contar da direita).

Naquela época vivia-se a distopia do Estado Mínimo: tudo era privado, o Estado resumia-se a pouco mais do que à polícia, aos tribunais e às forças armadas. Os “mercados” e a iniciativa individual campeavam praticamente sem baias. E as florestas estavam entregues à sua sorte, à lógica da extracção de rendimentos de forma insustentável.

Por surpreendente que pareça, nestas circunstâncias quem decidiu proteger por lei o primeiro Parque Nacional do Mundo (o de Yellowstone) e de nacionalizar as florestas foi justamente Theodore Roosevelt, que apesar de ter sido eleito pela Direita americana soube compreender que o Estado tem de intervir onde os mercados são incompetentes. E fê-lo apesar da ferocíssima oposição de toda a espécie de negociantes privados que não hesitavam em deixar degradar os recursos naturais do país desde que não tivessem de pagar a factura pelos seus danos.



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Matos e Matas, por Pedro Bingre do Amaral


Depois de em 2016 terem ardido mais de cem mil hectares de território agro-florestal, regressou à esfera pública o debate sobre como mitigar estas catástrofes. Ainda que sob um clima de tipo mediterrânico como o que existe em Portugal seja impossível eliminar por completo a ocorrência de incêndios nos espaços rústicos, é possível diminuir a sua extensão e a sua perigosidade se se conseguir reduzir a prevalência de matos espontâneos de tojo, urze, giesta e esteva tanto no sotobosque das matas abandonadas como nas brenhas que recobrem as nossas serras e charnecas. Estão nessas condições três milhões de hectares de Portugal recobertos de matos e matorrais, aos quais acrescem mais de um milhão de hectares de floresta semi-abandonada onde se encontra uma abundante camada arbustiva.

Para consegui-lo haveria que, consoante cada localização, ou criar floresta de copado denso capaz de afastar por ensombramento os matos, ou pastorear matas e charnecas para impedir a regeneração das espécies arbustivas que compõem os matos, ou aplicar fogo controlado de modo eliminar os arbustos, ou ainda promover a limpeza extensiva das matas e a remoção dos matos. Esta última tarefa peca por implicar muita despesa e pouca receita.

Ou pecava. Graças à investigação que se tem realizado nos laboratórios BLC3 de Oliveira do Hospital, os resíduos provenientes da desmatação podem vir a revelar-se uma valiosa matéria-prima para a produção de biocombustíveis. Remover os matos poderá vir a ser fonte de lucro e não, como até agora, um investimento sem retorno.

Mas para haver lucro é preciso escala. A recolha de resíduos de desmatação, tal como a silvicultura em geral, necessita de área. É preciso gerir de modo coordenado centenas ou milhares de hectares para tornar viável o modelo de exploração dos biocombustíveis, abrindo-se ainda a perspectiva de a remoção de matos facilitar também a reflorestação propriamente dita, a silvopastorícia e a cinegética.

E para haver escala é preciso haver ou associativismo eficaz entre os minifundiários florestais, ou o emparcelamento da propriedade rústica. Além disso, é necessário que os proprietários sem interesse em explorar as suas terras as vendam, as arrendem, ou assumam o seu abandono definitivo dos seus prédios e os alienem em favor de privados ou do bem público.

Se os biocombustíveis puderem trazer tal rentabilidade aos nossos espaços florestais, que falta para a tornar efectiva? As pré-condições administrativas, jurídicas e fiscais: cadastro actualizado e publicamente consultável, direito sucessório mais expedito quanto a heranças jacentes e vagas, tributação do património rústico mais favorável ao associativismo e ao empreendedorismo e menos favorável ao absentismo.


Portal muito Importante!
Quem quiser obter uma informação certeira e na hora sobre o que ardeu e onde está a arder é consultar o site da EFFIS.

sábado, 24 de junho de 2017

A árvore gasolina ou a floresta autóctone, por Jorge Moreira

Ao contrário do que alguns interesses instalados querem fazer crer, há uma relação directa entre a produção desta espécie [eucalipto] e a dimensão dos incêndios florestais. Não é por acaso que os bombeiros australianos, país da origem desta espécie, apelidaram o eucalipto de árvore gasolina e muitos especialista em fogos florestais na Austrália e na Califórnia, EUA, declararam os eucaliptos o seu inimigo público número um. Afinal as celuloses tinham razão quando se referiam ao eucalipto como o petróleo verde!


Os resultados permitidos classificam a propensão de incêndio de acordo com a seguinte ordem decrescente: florestas de pinheiros-bravos, florestas de eucaliptos, florestas de folha larga não especificada, florestas de coníferas não especificadas, montado de sobro, florestas de castanheiros, florestas de azinheiras e florestas de pinheiros-mansos (Silva et al, 2009);

O nosso estudo confirmou que as folhosas, tanto em povoamentos puros ou mistos, diminuem o risco de fogo em áreas florestais, quando comparadas com o pinheiro-bravo e o eucalipto (Marques et al, 2011) 

Dentro do contexto florestal, estudos em Portugal sugerem que as florestas maduras de folha caduca e florestas mistas têm geralmente um risco de incêndio baixo em comparação com florestas de pinheiros, plantações de eucalipto ou mista de pinheiro e eucalipto (Fernandes, 2009; Moreira et al., 2009) in: Moreira et al (2011). O Investigador do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas da Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro, o Professor Paulo Fernandes, um especialista muito requisitado nesta discussão por parte de alguns defensores da monocultura de eucalipto, acaba por responder-me numa rede social: É pacífico que as matas caducifólias (e outras) dificultam a progressão do fogo.

Também numa publicação sua acompanhada por fotografias intitulada Bidoeiro, a árvore bombeiro! Fernandes diz: O fogo entra no bidoal e normalmente arde assim, por manchas e com chama muito curta, extinguindo-se. É um efeito combinado da quebra de vento e aumento da humidade mas principalmente da folhada, com carga muito baixa e razoavelmente compacta (para uma folhosa) e nesta época já algo decomposta.

Recentemente, Fernandes disse a vários órgãos da comunicação social que para além dos vidoeiros (bidoeiros ou bétulas), os carvalhos e os castanheiros estão entre as principais árvores bombeiras pelas mesmas razões já mencionadas, acrescentando que não há ali muito alimento para o fogo e, frequentemente, os incêndios ou param por si só, extinguindo-se ao entrar nas manchas, ou ardem com pouquíssima intensidade sem causar danos às árvores (...) para zonas com "piores" condições de solo há "sempre" espécies que embora ardam com maior facilidade conseguem recuperar, sendo o caso do sobreiro.

Ainda num outro comentário numa rede social, que relacionava as áreas ardidas entre espécies, Fernandes diz: Acredito que a área ardida de carvalhal diminuísse substancialmente com uma ocupação maior. A fragmentação e pouca extensão das manchas actuais propicia que ardam, até porque estão usualmente rodeadas pelo que mais arde (matos) e localizadas nas regiões do país que mais ardem. (...) nota por exemplo que a maior mancha de carvalho, na serra da Nogueira, tem-se mantido incólume e nunca ardeu desde que foi plantada a não ser nas orlas. Num estudo publicado em 2010, Fernandes et al conclui que os bosques de folhosas e de resinosas de montanha modificam as características e a severidade do fogo, contribuindo para a redução da área ardida e a resiliência ao fogo.

Ao contrário, num artigo de 2010, intitulado Florestas diferentes, fogos diferentes, o investigador da UTAD diz a respeito do eucalipto: A enorme representatividade territorial de tipos de vegetação muito vulneráveis ao fogo — pinhal bravo, eucaliptal e matos — potencia incêndios de grande dimensão cujos impactes ambientais e socioeconómicos são bem conhecidos. (...) Plantações de pinho e eucalipto têm folhagem rica em compostos facilmente inflamáveis e produzem manta morta e detritos lenhosos de decomposição lenta, o que leva à sua acumulação. Os povoamentos jovens são particularmente vulneráveis, mesmo quando a vegetação arbustiva é pouco expressiva, uma vez que a continuidade vertical existente permite que o fogo se transmita facilmente à copa das árvores.

A casca dos eucaliptos, acumulada na base das árvores ou ainda presa ao tronco, é frequentemente projectada em combustão dando origem a focos secundários de incêndio que comprometem a eficácia de qualquer corta-fogo.

Assim, a substituição de espécies autóctones por monoculturas de eucalipto e pinheiro-bravo, que se tem verificado nas últimas décadas, com especial incidência para o Eucalyptus globulus, tem potenciado o problema dos fogos florestais.

Tanto a ciência, como a sabedoria popular dizem que os bosques constituídos por carvalhos adultos têm um comportamento bastante diferente perante o fogo do que um eucaliptal. Não se pode negar este facto. Em complemento, a biodiversidade de um bosque autóctone e os serviços ecossistémicos que proporciona são bens que a economia tradicional não inclui.

De igual modo, as externalidades ambientais negativas da monocultura do eucalipto também não estão sendo contabilizadas. São conhecidos os problemas ecológicos, a fraca biodiversidade, o esgotamento dos solos e o impacto nos recursos hídricos que a cultura intensiva acarreta. Por exemplo: (O eucalipto) tem importantes consequências ecológicas, uma vez que a regeneração cresce rapidamente e pode dominar facilmente as comunidades de plantas nativas em fases iniciais da sucessão ecológica após o abandono das terras.

O abandono das plantações ocorre principalmente após o último corte ou após incêndio (Coord. Joaquim Silva [CEABN InBIO] in: WILDGUM - Uma abordagem multi-escala para estudar a naturalização do eucalipto comum (Eucalyptus globulus Labill) em Portugal); O Eucalyptus segrega certas substâncias que afetam e impedem o crescimento das plantas que estão ao redor (Valverde Valdes, Teresa Cano Santana, Zeno, 2005), com impactes significativos na biodiversidade.

A modificação da floresta autóctone, nomeadamente através da plantação de monoculturas de eucalipto em áreas extensas, tem-se reflectido num empobrecimento dos solos, provocando o confinamento das salamandras às margens dos ribeiros. Foi já demonstrado que as salamandras evitam a manta morta de folhas de eucalipto devido à diminuição de presas e ao efeito tóxico das substâncias das suas folhas (Vences, 1993).

Este tipo de alteração causa, também, modificações do microhabitat, que se traduzem numa acentuada diminuição da diversidade de macroinvertebrados aquáticos e, concomitantemente, num empobrecimento dos recursos alimentares disponíveis (Lima, 1995).

O Conselho de Plantas Invasoras da Califórnia (Cal-IPC) considera o eucalipto um problema de gravidade média, devido à sua rápida disseminação e sua capacidade em fazer deslocar as comunidades vegetais e animais nativas. Em contrapartida, são muitos os estudos realizados na Península Ibérica que mostram a existência de maior biodiversidade das florestas nativas comparativamente às explorações de eucalipto (e.g., Proença et al, 2010; Calviño-Cancela et al, 2012; Calviño-Cancela et al, 2013; Cruz, 2014; Cruz et al, 2015).

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Os incêndios e a desertificação do Portugal florestal, por Jorge Paiva (escrito há 11 anos)

Quercus-faginea@ Paulo Araújo
Antes da última glaciação, Portugal estava coberto por uma floresta sempre-verde (laurisilva). Durante essa glaciação a descida drástica da temperatura fez desaparecer quase por completo essa laurisilva, tendo sido substituída por uma cobertura florestal semelhante à actual taiga. Após o período glaciar, a temperatura voltou a subir, ficando o país com um clima temperado como o actual.

Assim, a floresta glaciar foi substituída por florestas mistas (fagosilva) de árvores sempre-verdes (algumas delas relíquias da laurisilva) e outras caducifólias, transformando o país num imenso carvalhal caducifólio (alvarinho e negral) a norte, marcescente (cerquinho) no centro e perenifólio (azinheira e sobreiro) para sul, com uma faixa litoral de floresta dominada pelo pinheiro-manso e os cumes das montanhas mais frias com o pinheiro-da-casquinha (relíquia glaciárica).

Por destruição dessas florestas, particularmente com a construção das naus (três a quatro mil carvalhos por nau) durante os Descobrimentos (cerca de duas mil naus num século) e da cobertura do país com vias férreas (travessas de madeira de negral ou de cerquinho para assentar os carris), as nossas montanhas passaram a estar predominantemente cobertas por matos de urzes ou torgas, giestas, tojos e carqueja.

A partir do século XIX, após a criação dos "Serviços Florestais", foram artificialmente re-arborizadas com pinheiro-bravo, tendo-se criado a maior mancha contínua de pinhal na Europa. A partir da segunda década do século XX, apesar dos alertas ambientalistas, efectuaram-se intensas, contínuas e desordenadas arborizações com eucalipto, tendo-se criado a maior área de eucaliptal contínuo da Europa. Sendo o pinheiro resinoso e o eucalipto produtor de óleos essenciais, produtos altamente inflamáveis, com pinhais e eucaliptais contínuos, os incêndios florestais tornaram-se não só frequentes, como também incontroláveis. Desta maneira, o nosso país tem já algumas montanhas transformadas em zonas desérticas.

Sempre fomos contra o crime da eucaliptização desordenada e contínua. Fomos vilipendiados, maltratados, injuriados, fomos chamados à Judiciária, etc. Mas sabíamos que tínhamos razão. Infelizmente não vemos nenhum dos que defenderam sempre essa eucaliptização vir agora assumir as culpas destes "piroverões" que passámos a ter e que, infelizmente, vamos continuar a ter. Também sempre fomos contra o delapidar, por sucessivos Governos, dos Serviços Florestais (quase acabaram com os guardas florestais). Isso e o êxodo rural (os eucaliptos são cortados de 10 em 10 anos e o povo não fica 10 anos a olhar para as árvores em crescimento tendo, por isso, sido "forçado" a abandonar as montanhas e a ficar numa dependência económica monopolista, que "controla" o preço da madeira a seu belo prazer) tiveram como resultado a desumanização das nossas montanhas pelo que, mal um incêndio florestal eclode, não está lá ninguém para acudir de imediato e, quando se dá por ele, já vai devastador e incontrolável.

Infelizmente vamos continuar a ter "piroverões" por mais aviões "bombeiros" que comprem ou aluguem. Isto porque, entre essas medidas, não estão as duas que são fundamentais, as que poderiam travar esta onda de incêndios devastadores que nos tem assolado nas últimas décadas. Uma, é a re-humanização das montanhas, que pode ser feita com pessoal desempregado que, depois de ter frequentado curtos "cursos de formação" durante o Inverno, iria vigiar as montanhas, percorrendo áreas adequadas durante a Primavera e Verão.

A outra medida fundamental seria, após os incêndios, arrancar logo a toiça dos eucaliptos e replantar a área com arborização devidamente ordenada. Isto porque os eucaliptos rebentam de toiça logo a seguir ao fogo, renovando-se a área eucaliptada em meia dúzia de anos, sem grande utilidade até porque o diâmetro da ramada de toiça não é rentável para as celuloses. Mas como tal não se faz, essa mesma área de eucaliptal torna a arder poucos anos após o primeiro incêndio e assim sucessivamente.

Muitas vezes, essas mesmas áreas são também invadidas por acácias ou mimosas, bastando para tal que exista um acacial nas proximidades ou nas bermas das rodovias, pois as sementes das acácias são resistentes aos fogos e o vento ajuda a dispersá-las por serem muito leves. As acácias, como são heliófitas (plantas "amigas" do Sol), e não havendo sombra de outras árvores após os incêndios, crescem depressa aproveitando a luminosidade e ocupando aquele nicho ecológico antes das outras espécies se desenvolverem.

Mas como vivemos numa sociedade cuja preocupação predominante é produzir cada vez mais, com maior rapidez e o mais barato possível, as medidas propostas são economicamente inviáveis por duas razões: primeiro, porque é preciso pagar aos vigilantes e respectivos formadores; segundo, porque arrancar a toiça dos eucaliptos é muito dispendioso (custa o correspondente ao lucro da venda de três cortes, isto é, o lucro de 30 anos). É bom também elucidar que os eucaliptais só são lucrativos até ao terceiro corte (30 anos).

Depois disso, estão a abandoná-los, o que os torna um autêntico "rastilho" ou, melhor, um terrível "barril de pólvora", áreas onde os seus óleos essenciais, por vaporização ao calor, são explosivos e, quando a madeira do eucalipto começa a arder, provocam a explosão dos troncos e respectiva ramada, lançando ramos incandescentes a grande distância. Este "fenómeno" tem sido bem visível nos nossos "piroverões".

Por outro lado, pelo menos uma destas medidas (arranque da toiça e re-arborização ordenada) não tem resultados imediatos mas a longo prazo. Por isso os governantes não estão interessados na aplicação dessas medidas, pois interessa-lhes mais resultados imediatos (as eleições são de quatro em quatro anos...) do que de longo prazo.

Assim, sem resultados imediatamente visíveis e com uma despesa tão elevada, os governos nunca vão adoptar tais medidas. Preferem gestos por vezes caricatos, como distribuir telemóveis aos pastores, mas que nunca não acabarão com os "piroverões".

Finalmente, após a referida delapidação técnica e funcional dos Serviços Florestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo no início e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), esqueceram-se da conveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados a incêndios urbanos.

Se os nossos governantes continuarem, teimosamente, a não querer ver claramente o que está a acontecer, caminharemos rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com a planície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já acontece em vastas áreas de Portugal.
Fonte: Público
Obrigado, Nuno Gomes Oliveira

terça-feira, 20 de junho de 2017

Tragédia de Pedrógão Grande: "Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?"



Por
Nos momentos em que escrevo estas linhas está a desenrolar-se uma das maiores tragédias florestais em Portugal, senão mesmo a maior. E estas notas não terão a ver directamente com o caos dos incêndios que nesta altura atacam o centro do nosso país mas têm indirectamente. E a resposta está no telefonema que me foi feito, a meio da manhã, pelo Prof. Jorge Paiva da Universidade de Coimbra, que me dizia desesperado: “Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?”

Numa primeira abordagem, esta tragédia de hoje deveu-se a um conjunto de situações atmosféricas que seriam imprevisíveis, e sobretudo porque, ao acontecerem perto da noite, inviabilizaram a intervenção dos meios aéreos de combate aos incêndios.

Mas alguém garante que na grande extensão e propagação do fogo não estavam como causa também as más condições de limpeza das matas? Alguém garante que não foi o barril de pólvora que está contido nas falta de limpeza do sub-bosque das matas? O Comandante Jaime Soares em poucas palavras, numa entrevista a Victor Gonçalves da RTP, disse o que muitos de nós andamos a dizer há décadas: a montante destas tragédias está a falta de uma politica florestal correcta, de ordenamento, limpeza e vigilância das matas.

Chamemos as coisas pelos seus nomes: foi num Governo PS que foi extinto o Corpo de Guardas Florestais que existia nos Serviços Florestais e os seus efectivos foram integrados na GNR. Erro crasso, naquela perspectiva neo-liberal de “menos Estado para melhor Estado”.

Está-se mesmo a ver, não está ?

Os guardas florestais não eram polícias, eram actores fundamentais da vigilância das matas, integrados numa cadeia de comando especializada que ia dos velhos Mestres Florestais aos Administradores Florestais e até aos Chefes de Circunscrição. Eles não têm que ser comandados por sargentos ou tenentes. têm de ser comandados por quem sabe dos problemas das florestas,

Depois desta asneira socialista, o Governo PSD/CDS pela mão do sábio e secretário de Estado do queijo limiano, e perante a apatia da ministra do CDS e dos sociais-democratas (que tinham obrigação, pelo seu historial , de serem mais competentes em matéria ambiental) acabou de vez com os serviços florestais e integrou-os no Instituto da Conservação da Natureza. Cereja em cima do bolo da asneira!!

É preciso ter bom senso e acabar de vez com esta situação anómala de sermos talvez o único país do mundo com tanta área florestal e não termos Serviços Florestais nem um Corpo de Guardas Florestais.

Perdeu-se a grande sabedoria do velhos Mestres Florestais, senhores das serras e das matas que eles conheciam como as suas próprias mãos; mas ainda há na GNR umas centenas de antigos guardas florestais que podem ser o embrião de um novo corpo especializado.

Tenham vergonha de dar a mão a palmatória e façam aquilo que desfizeram, reponham os Serviços Florestais no Ministério da Agricultura e Florestas (chamem-lhe Instituto, chamem-lhe o que quiserem), com a dignidade que eles nunca deviam ter perdido, reponham a funcionar a quadrícula de casas e postos florestais que são quem pode assegurar a vigilância permanente das serras do país, dêem a esses postos as novas tecnologias e os novos meios de comunicação e dêem de novo aos guardas florestais a capacidade legal de continuarem a vigiar as matas, de obrigarem os proprietários a limpar e a ordenar as matas.

Também acabaram com os guarda-rios e nunca mais as margens e leitos da maior parte das ribeiras foram limpas, como eram quando esses agentes obrigavam os proprietários marginais das linhas de água a limparem as margens dos seus terrenos.A terrível tragédia que nos aflige, que ao menos sirva de aviso para o que pode acontecer este Verão, com tanta área de pastos secos debaixo de temperaturas cada vez mais quentes, já que ninguém liga aos avisos dos cientistas, portugueses e internacionais, sobre as alterações climáticas graves que estão em curso e que afectarão muito em especial o Mediterrâneo e a nossa Península. Lá que o Trump não acredite nisso, é lamentável mas para quem é poucochinho não se pode exigir mais. Mas a governos responsáveis temos de exigir muito mais.

A minha voz não tem peso político nem público, mas tem a experiência de muitos anos embrenhados nestes problemas. Ouras vozes com maior ressonância certamente me darão razã

Ex-Administrador Florestal, fundador e 1º Presidente do SNPRPP

Mais Leituras
1. "O que é que falhou neste sábado?" Público, 18 de Junho de 2017
2. Estudo científico Grandes incêndios florestais em Portugal Continental. Da história recente à atualidade, por Flora Ferreira-Leite, António Bento-Gonçalves e Luciano Lourenço

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Teatros de Papel - construir um Butai (palco do kamishibai)



O Kamishibai é uma das formas mais populares de contar histórias no Japão. O termo significa literalmente “drama de papel” e teve origem nos templos budistas japoneses no século XII, onde os monges utilizavam os emaki (pergaminhos que combinam imagens com texto) para contar histórias com ensinamentos morais para audiências maioritariamente analfabetas.

Por volta de 1946, com a derrota do Japão na II Guerra Mundial, veio a depressão económica. Esta técnica popularizou-se entre os desempregados, que percorriam as ruas da cidades carregando na bicicleta o kamishibai como forma de atrair compradores para os doces que levavam.
Recentemente, ressurge em diversos países o interesse pelo valor educativo do kamishibai. Contrariamente aos media unidirecionais como a televisão, a técnica tem a característica de ser bidirecional e criar uma ligação do contador com a plateia. Por outro lado, pode ser utilizado pelas próprias crianças para recontar as histórias, desenvolvendo assim a comunicação oral. 

Para saber como construir um kamishibai, basta ir a esta página (em francês)

domingo, 18 de junho de 2017

Música do Bioterra- Valete: Poder



Foi o meu filho que me mostrou o tema, apaixonou-me logo o teledisco. O Valete está de Parabéns. E o Hip-Hop Nacional está a dar grandes passos. Contudo e do que vou ouvindo dos temas deste cantautor, garanto que Valete é o EMINEM Português! 


sábado, 17 de junho de 2017

País quer fazer mais pela natureza, mas falta-nos um bom retrato da biodiversidade

Recuperação de atrasos na monitorização será essencial para o sucesso da nova Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade, que vai para discussão pública.


Portugal vai ter até ao final do ano uma nova Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade. O documento, que entra em discussão pública na segunda-feira, coloca o país perante um compromisso mais exigente do que as metas internacionais de curto prazo, que propõem o estancar da extinção de espécies vulneráveis e da degradação dos habitats, e ambiciona conseguir, até 2025, “uma recuperação e valorização do património natural”. Um caminho difícil, tendo em conta o desconhecimento, assumido, do estado em que se encontram muitas das espécies a proteger e os respectivos habitats.

“Os últimos anos foram tempos muito duros para a conservação da natureza em Portugal”, nota o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, assinalando que só recentemente foram lançados os concursos para a elaboração da cartografia dos habitats e dos planos de gestão dos 60 sítios da Rede Natura 2000, abrangendo 22% do território e 90% das áreas protegidas.

Atrasos de anos
Estes trabalho é essencial para a definição de prioridades, metas específicas de curto e longo prazo e modelos de gestão destes espaços. Segundo a ENCNB, o quadro de referência na caracterização dos habitats naturais em Portugal tem cerca de 20 anos, e pelo meio o país investiu muito pouco na monitorização, o que significa que os dados estão desactualizados. A gestão das áreas protegidas assenta em instrumentos de planeamento também com mais de duas décadas, e Portugal já leva um atraso de seis anos na constituição das Zonas Especiais de Conservação, um novo estatuto de protecção para os Sítios de Interesse Comunitário identificados na Rede Natura 2000.

A ENCNB 2025 assenta em três eixos estratégicos, a partir dos quais são sistematizados 30 objectivos que se desdobram numa centena de medidas. Tem como propósito fundamental a melhoria do estado de conservação de habitats e espécies, mas considera que tal será difícil de atingir sem “a apropriação dos valores naturais e da biodiversidade pela sociedade, aos mais diferentes níveis” e sem o reconhecimento do valor do património natural.

Na estratégia europeia para a diversidade, de 2011, estimava-se, por exemplo, que os serviços ambientais prestados pelas zonas da Rede Natura 2000, cuja manutenção custava 5,8 mil milhões de euros por ano, podiam chegar aos 300 mil milhões de euros por ano.

Matos Fernandes argumenta que o país não pode centrar-se em visões do passado e continuar a articular o verbo conservar, isoladamente. “É preciso cuidar e valorizar também”, insiste, considerando que sem investimento na designada Economia Verde, sustentada nos recursos existentes nas áreas protegidas, o país dificilmente conseguirá estancar o processo de despovoamento do interior que, insiste, acaba por ter consequências negativas na biodiversidade.
Portugal perdeu 10% da população nos chamados territórios de baixa densidade, mas nas áreas sob protecção, essa perda foi de 20%, argumenta Matos Fernandes.
Entre os 30 objectivos da futura estratégia Nacional contam-se, no primeiro eixo a consolidação do sistema nacional de áreas classificas e da sua gestão; a melhoria do estado de conservação dos habitats e a tendência populacional das espécies protegidas; a aprovação de intervenções de âmbito nacional nesse sentido; o reforço do controlo de invasoras; a promoção da diversidade genética animal e vegetal; o reforço da regulamentação legal e das condições para o seu cumprimento; o reforço da investigação orientada para os objectivos anteriores; a monitorização continuada do estado de conservação dos valores naturais e o aumento da visibilidade destes, bem como da percepção pública dos serviços prestados pelos ecossistemas.

No segundo eixo, o do reconhecimento do valor do património natural, a ENCNB prevê o mapeamento e avaliação dos ecossistemas e medidas para melhorar a sua capacidade de fornecer serviços de forma durável. Abre-se a projectos que ajudem a pôr em evidência a economia da biodiversidade, assume a necessidade de um maior investimento público na conservação deste património natural e da criação de instrumentos fiscais que incentivem a sua exploração sustentável. Estes, propõe, terão de ser contrabalançados com o fim de apoios a actividades que possam ter um impacto negativo para os valores naturais a proteger.

No terceiro e último eixo, que procura fomentar a apropriação dos valores naturais e da biodiversidade, entram todas as medidas que permitam aprofundar os contributos da agricultura, da silvicultura, das pescas e outras actividades que utilizam os recursos marinhos e os recursos em rios e águas interiores para a conservação da natureza e a preservação das espécies. Inclui também medidas que, permitindo ao país cumprir as metas do clima, mitiguem o impacto estimado das alterações climáticas nos ecossistemas, e pretende assegurar que a exploração de recursos minerais respeita a biodiversidade.

Aposta no biológico
Esta incorporação dos valores naturais na actividade humana não deixa de lado a aposta no turismo de natureza e o aumento da oferta de produtos e serviços integradores do património natural e cultural. E abarca também a necessidade de assegurar a sustentabilidade da utilização de recursos genéticos marinhos ou terrestres por sectores da biotecnologia ou a investigação científica.

Neste eixo, o plano aborda também a necessidade de mitigar a ausência de conectividade entre habitats (adaptando, se necessário, as vias de transporte que cortam o território) e a cobertura adequada, em termos de telecomunicações, das áreas protegidas, como forma de dinamizar a visitação e assegurar um rápido socorro em caso de acidentes. Um projecto em linha com este objectivo está a ser levado a cabo no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A nova estratégia vai para discussão pública, mas alguns dos instrumentos que contribuem para o seu sucesso estão em fase mais adiantada. O Conselho de Ministros aprovou ontem, numa reunião com uma agenda dedicada ao ambiente, o Plano de Acção para a Economia Circular, que, visando incentivar práticas de reutilização de produtos e a incorporação de resíduos na produção de novos bens diminui a necessidade de matérias-primas e a pressão sobre os ecossistemas.
O Governo aprovou também a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica e o Plano de Acção para a produção e promoção de produtos agrícolas e géneros alimentícios biológicos, tendo em vista um aumento do consumo e o fomento da exportação.
Ao mesmo tempo é criado o Observatório Nacional da Produção Biológica que tem como principais funções avaliar e apresentar propostas de revisão da estratégia.

Milhões para educação ambiental
Outro diploma que saiu desta reunião do Conselho de Ministros foi a Estratégia Nacional para a Educação Ambiental (ENEA), com um pacote de investimento de 18,2 milhões de euros, até 2021. O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, destacou o facto de a ENEA incluir a possibilidade de realização de actividades destinadas a empresas e respectivos funcionários, não se quedando pelas medidas destinadas ao público escolar.
Os três grandes eixos temáticos da ENEA são a descarbonização da sociedade (com implicações em sectores como os transportes ou a energia), a economia circular e a questão da valorização do território. A maior parte das verbas disponíveis são do Prograqma Operacional para a Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos, sendo o restante alocado a partir do Fundo Ambiental. Segundo o ministro as organizações não governamentais e os privados vão poder candidatar-se já em Julho a uma linha de apoio a projectos, no valor de 1,5 milhões de euros, provenientes deste fundo. 


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sexta-feira, 16 de junho de 2017

O povo Maori levaram para a ONU a sua recusa de explorar petróleo offshore nos seus territórios

Os maori na Nova Zelândia têm combatido durante os últimos anos a intenção da Chevron e da Statoil de explorar petróleo offshore. No dia 7 de Junho levaram a sua causa às Nações Unidas

Seismic testing, oil drilling and indigenous rights are at the forefront of the agenda for Māori

Indigenous oil opposition group Te Ikaroa will be sending a delegation including academics, environmentalists, activists, and traditional ocean voyagers. The journey follows on from a successful intervention placed before the United Nations Permanent Forum for Indigenous Issues last month, which highlighted the way in which the seismic testing violates indigenous rights through the disruption of local marine ecosystems

"Our subsistence traditions depend on healthy marine ecosystems and there is now a significant body of science that upholds our concerns about the damage of seismic testing" says Tina Ngata, campaign spokesperson. "For this reason and more, over 80 indigenous communities have voiced their objection to the seismic testing being carried out by Statoil and Chevron along our coastline.
Our petition to the Norwegian government has over 23 thousand signatures from New Zealanders who join us in objection and we will be seeking to present this to Norwegian representatives while there".

The conference runs from Monday 5th- Friday 9th of June and will cover a range of topics under the UN Sustainable Development Goal 14: Healthy Oceans. Tina Ngata says that one particular area of focus will be the discussions around the UN Convention on the Law of the Sea.

"The Convention predates much of the progress that we've made internationally around indigenous rights and has yet to be brought into alignment with important documents like the United Nations Declaration for the Rights of Indigenous Peoples,” says Ngata.

“We will be lobbying heavily for an amendment to allow for indigenous oversight of the Convention and its implementation. The Pacific is indigenous territory - we have made families on the Ocean, fed from it, cared for it and voyaged it for countless generations now and that needs to be recognised and allowed for".

Fonte: Maori Television

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Música do BioTerra: Apoptygma Berzerk - Eclipse (with lyrics)

Que gloriosa celebração desta linda canção e o tema pela paz global unida! 
What a glorious celebration of this beautiful song and the theme of united global peace! 

Faz lembrar a citação e premoninação e empenho de Carl Sagan.