quinta-feira, 5 de março de 2015

A praga da violência colectiva por Ladislaw Dowbor

As minhas leituras - Fonte: Leonardo Boff


Nunca subestime o poder de pessoas estúpidas em grandes grupos
Um aluno um dia me perguntou o que eu achava do homem: naturalmente bom mas pervertido pela sociedade, na linha do “bom selvagem” de Rousseau, ou esta desgraça mesmo que vemos por aí, em estado natural? Na realidade, não acho nem uma coisa nem outra. Acho que temos todos imensos potenciais para o bem e para o mal, para o divino e a barbárie. Cabe a nós, que trabalhamos com o estudo da sociedade e em particular das instituições, pensar o que faz a balança pender mais para um lado ou para outro. Pois deixando de lado alguns traumas e deformações individuais, domínio dos psiquiatras, aqui nos interessa a misteriosa bestialidade coletiva de grandes grupos sociais.
Muitos dizem que a solução está na educação e na cultura. Tenho minhas dúvidas, pois sou de família polonesa, e vi refletido nas angústias dos meus pais o que tinham vivido frente ao nazismo. Ninguém irá pensar que os alemães eram um povo de baixo nível educacional ou cultural. E no entanto, com que entusiasmo vestiram as botas e as camisas negras ou marrons, com que elevado sentimento de dever cumprido matavam pessoas por serem diferentes, por um critério real ou imaginário. Cerca de 50% dos médicos alemães aderiram ao partido nazista. Isto é que é realmente preocupante. Estupidez é uma doença que pega.
Poder dar vazão ao que há de mais podre dentro de nós, de mais escuro em termos de ódio contido, de mais baixo em termos humanos, em nome de elevadas aspirações éticas, parece ser muito satisfatório. Os nazistas agiam em nome da pureza da raça. E erguiam bem alto a bandeira do “Gott mit uns”, Deus está conosco. Tornar-se de certa maneira o braço executivo da cólera divina parece ser profundamente agradável. Há gente disposta a morrer por esta satisfação.
Quem não leu O Martelo da Feiticeira, manual de interrogatório dos inquisidores católicos perdeu uma importante fonte de conhecimento sobre os nossos lados escuros. O manual recomenda, por exemplo, que os religiosos encarregados de torturar as possíveis feiticeiras as torturassem nuas, pois se tornam mais frágeis, e de costas para os torturadores, pois a era tal a perversidade destas mulheres que de frente para os torturadores poderiam comovê-los com suas súplicas e expressões de desespero. Eram religiosos, e o faziam em nome de Cristo.
Somos hoje mais civilizados? Sinto-me profundamente abalado, chocado, pelo bárbaro assassinato dos jornalistas do Charlie Hebdo, em Paris, por profissionais da morte que matam em nome de Deus, e que claramente mostraram nos seus gritos que se sentiam como justiceiros que haviam cumprido o seu dever. São monstros? Se fossem, seria muito mais simples compreender e prevenir. Mas são seres humanos em torno dos quais se construiu uma muralha de valores que os protege de qualquer crítica. Se sentem pertencentes a uma comunidade que os apoia e recompensa, ou seja, praticam a barbárie em nome do bem. Podemos matar os terroristas, mas transformar a dinâmica que os forma é bem mais complexo.
Podemos tratar um psicopata, e proteger a sociedade dos riscos individuais. E uma sociedade doente? Quem não viu Os fantasmas de Abu-Ghraib, veja, é profundamente instrutivo. O documentário é montado a partir de selfies e de filmagens por celular de práticas de tortura no Iraque por jovens americanos, contra supostos inimigos. Tortura praticada no Iraque em nome da defesa dos direitos humanos, por um exército invasor, e por funcionários de empresas privadas de segurança terceirizadas para esta tarefa. Estes jovens são monstros? As imagens das torturas e dos risonhos rapazes circulam em todo o mundo islâmico. Com que impacto e efeito multiplicador?
Hoje temos tortura sistemática aplicada pelo sistema repressivo (Mossad, Shin Bet e outros) em Israel. Em Guantánamo quando os prisioneiros tentam morrer para escapar ao sofrimento se lhes introduz à força alimento pelo nariz ou pelo anus, tudo em nome do bem, como em nome de Deus os fanáticos do ISIS decapitam prisioneiros ou os do Boko Haram raptam crianças.
A maldade não está essencialmente nas pessoas, mas nos sistemas de organização social que a transformam em ódio coletivo e organizam a sua expressão em nome da justiça, de Deus, da pátria, da pureza racial ou o que seja.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Ode a uma Cladoxylopsida pseudosporochnaleano


Por Robert Titus, Kaatskill Life, Inverno de 2007-2008

I think that I shall never see
A poem lovely as a pseudosporochnalean cladoxylopsid . . . tree

A tree whose “whorled dichotomous ultimate units” . . . earn
An ancestry to the modern fern

A tree whose “photosynthetic/reproductive modules” . . . on high
Provide lowly detritivores with a food supply

A tree whose “digitally branched modules” . . . rain
Spores upon a Devonian plain.

A pseudosporochnalean cladoxylopsid that in times, post Ice Age
Is resurrected by a geology hammer’s rage

Poems are made by fools like me
But only Darwin can theorize a pseudosporochnalean cladoxylopsid . . . tree

(obrigado, Carlos Aguiar)

Detalhes evolutivos aqui

terça-feira, 3 de março de 2015

Smartphones estão a alterar a postura dos seres humanos

E a prejudicá-la. Se havia estudos a defender que os smartphones já eram prejudiciais devido às ondas sonoras, fique agora a saber que existe mais uma razão para consultar menos o seu telemóvel: ele pode estar a prejudicar a sua coluna.

Um novo estudo sugere que os famosos smartphones estão a acabar com as costas e a alterar a postura correta dos seres humanos.

De acordo com uma investigação publicada na revista científica Surgery Technology International, consultar o telemóvel diariamente pode criar nas suas costas o mesmo que 27 quilos, dependendo se apenas consulta o telemóvel por alguns minutos ou se lê textos e passa horas em aplicações que o absorvem.

A cabeça humana não é leve e ao incliná-la está a exercer-se pressão sobre a coluna vertebral, que não se destina a ser puxada com tanta frequência.

Segundo o médico cirugião Kenneth Hansraj, responsável pelo estudo e citado pela imprensa internacional, "à medida que a cabeça é inclinada para a frente a força gravitacional gerada na coluna sobe para 12 kg se estiver a 15 graus, 18 kg a 30 graus, 22 kg a 45 graus e 27 kg a 60 graus".

Essa posição de stress para a coluna pode danificar seriamente os músculos das costas e do pescoço a ponto de ser necessária uma intervenção cirúrgica para minimizar os efeitos e a dor, alerta o especialista.
artigo do parceiro:Nuno Noronha

sábado, 28 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Aveiro cria técnica natural para descontaminar águas

Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) desenvolveram uma terapia natural e económica para descontaminar as águas das pisciculturas, que poderá eliminar a necessidade de usar vacinas e antibióticos melhorando drasticamente a qualidade dos peixes de viveiro.
Esta técnica desenvolvida pelo Departamento de Biologia e Centro de Estudos do Ambiente e do Mar , denominada 'terapia fágica', baseia-se na eliminação das bactérias patogénicas através da ação de vírus que as infetam e eliminam.
Estes vírus, que reduzem em mil vezes o número de bactérias presentes na água, são inócuos e não têm qualquer risco para a saúde humana.
O uso destes agentes é justificado pelo facto das vacinas disponíveis serem "ainda limitadas e poderem ainda ser pouco ativas nas primeiras fases de vida dos peixes, quando o sistema imunitário ainda não está totalmente desenvolvido”, explica Adelaide Almeida, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar e coordenadora deste projeto, citada num comunicado enviado ao Boas Notícias.
No decorrer desta investigação, a equipa isolou bactérias patogénicas de peixes, e que foram usadas para seleccionar fagos (vírus que infetam apenas bactérias). Nos testes realizados nas aquaculturas infetadas com bactérias patogénicas de peixe e tratadas com estes vírus, foi vísivel uma redução no número de bactérias em cerca de 1000 vezes.  

Técnica pode eliminar necessidade de vacinas e antibióticos
“A inativação de bactérias patogénicas com fagos, sem riscos para os peixes, para o ambiente e para a saúde pública, torna esta tecnologia mais segura e o seu baixo custo é ainda muito aliciante para as empresas desta área”, acrescenta a coordenadora.
Em relação à administração de antibióticos, apesar da sua eficácia, "pode levar ao desenvolvimento de resistências, que fatalmente acabam por se transmitir aos microrganismos que infetam os seres humanos”, salienta a responsável.
Esta terapia, que foi desenvolvida por biólogos da UA, pretende ainda constituir uma alternativa aos produtos e processos de descontaminação usados atualmente, e que podem ter "grandes" impactos para o meio ambiente e para a saúde pública.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Instrumentos musicais recicláveis - Brasil das Gerais

Instrumentos musicais recicláveis - Parte 2

Ver Ainda:
Instrumentos musicais recicláveis - Parte 1
Conclusão - Instrumentos musicais recicláveis - Parte 3

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Documentário: Veducated (Veganizado)

Este documentário é com certeza uma referência para quem não consegue se desligar dos alimentos derivados, mas deseja se tornar vegan. Aqui, alguns jovens onívoros convictos e amantes de queijos, leite e carnes são convidados a aderir ao veganismo por seis semanas. Apesar das reclamações iniciais, estas serão uma das seis semanas mais importantes de suas vidas.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Beethoven String Quartet No. 15 in A minor, Op. 132 - Ying Quartet (Live)

Filmed live in The Jerome L. Greene Performance Space in New York for WQXR's Beethoven String Quartet Marathon on November 18, 2012.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

DREAMS with Lisa Gerrard & Rumi (quotes)


Em 1244, Jelaluddin Rumi, um estudioso Sufi em Konya, Turquia, conheceu um dervixe itinerante, Shams de Tabriz. Uma poderosa amizade se seguiu. Quando Shams morreu, Rumi luto agarrou um poste no seu jardim, e voltando-lo, começou a recitar poesia imagética sobre a vida interior e do amor de Deus. Rumi fundou a ordem Mevlevi Sufi, os dervixes rodopiantes. Os amantes de poemas de Rumi comentam sobre o seu poder e significado, incluindo historiador religioso Huston Smith, escritor Simone Fattal, poeta Bly, e Coleman Barks, que trabalham em traduções literais de Rumi em Inglês poético. Músicos acompanham Barks e Bly enquanto recitam suas versões de vários dos poemas de êxtase de Rumi. E espero que com a bonita voz de Lisa e maravilhosos poemas de Rumi trazê-los para o sonho doce, ou para momentos de êxtase e elevada estética.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

FotoPoema da semana- "Ando um pouco acima do chão"

Ando um pouco acima do chão
Nesse lugar onde costumam ser atingidos
Os pássaros
Um pouco acima dos pássaros
No lugar onde costumam inclinar-se
Para o voo

Tenho medo do peso morto
Porque é um ninho desfeito

Estou ligeiramente acima do que morre
Nessa encosta onde a palavra é como pão
Um pouco na palma da mão que divide
E não separo como o silêncio em meio do que escrevo

Ando ligeiro acima do que digo
E verto o sangue para dentro das palavras
Ando um pouco acima da transfusão do poema

Ando humildemente nos arredores do verbo
Passageiro num degrau invisível sobre a terra
Nesse lugar das árvores com fruto e das árvores
No meio de incêndios
Estou um pouco no interior do que arde
Apagando-me devagar e tendo sede
Porque ando acima da força a saciar quem vive
E esmago o coração para o que desce sobre mim

E bebe

Daniel Faria 
(1971 - 1999)

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